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4. BULGULAR VE TARTIŞMA
4.5 Agilent mikrodizin taramaları için örneklerin hazırlanması
ensino de aproximação com as práticas de mercado presentes em São Paulo, no começo do século XX. Neste processo, resgatamos que a Escola foi importante porque ofertou disciplinas de economia em reciprocidade aos acontecimentos industriais e comerciais. Os seus gestores demonstraram interesse em aprender e aplicar as metodologias de ensino utilizadas por instituições estadunidenses, ratificando os laços entre as instituições de ensino brasileiras e americanas que já aconteciam no início do século XX. Em somatório, a Escola formou alunos e professores que contribuíram com estudos e com publicações nas áreas do comércio e da indústria.
Contemporânea à Escola Caetano de Campos, destacamos a Escola de Comércio Alvares Penteado como instituição fundada para preparar profissionais capazes de desenvolver atividades aplicadas ao comércio, à indústria e à agricultura. Na sequência detalhamos, entre outros, o contexto de criação desta Escola, os seus primeiros docentes e as suas primeiras disciplinas e conteúdos relacionados às práticas de mercado.
4.3. ESCOLA DE COMÉRCIO ALVARES PENTEADO
No início do século XX havia uma defesa de que os governantes brasileiros estariam mais preocupados com o setor financeiro do que com o comercial. Tal atenção seria uma das razões da inexistência de institutos de ensinos comerciais, econômicos e atuariais até então no Brasil (BOLETIM DA FUNDAÇÃO ÁLVARES PENTEADO, 1954). Entretanto, o progresso econômico e industrial vivenciado pelo estado de São Paulo, na década de 1900, estimulou o desenvolvimento do ensino comercial na capital paulista e a Escola de Comércio Alvares Penteado foi vanguardista nessa formação.
4.3.1. Contexto de criação e objetivo da Escola
Mediante uma população de quase 240 mil habitantes, as atividades e as práticas comerciais na capital paulista eram pujantes em 1900. Ao que parece estas práticas de mercado eram assimiladas no próprio ambiente de trabalho, em função das constantes interações que ocorriam entre ofertantes e demandantes, gerando conhecimento através da
vivência. Não havia um adequado aporte educacional instruindo estes praticantes nas suas necessidades.
Com este entendimento, o professor Dr. Horácio Berlinck, que trabalhou como contador no comércio e na indústria no final do século XIX, encabeçou um projeto de criação de uma escola de ensino comercial em São Paulo que atendesse aos anseios de organização deste setor (BOLETIM DA FUNDAÇÃO ÁLVARES PENTEADO, 1954). Toda a sociedade foi convocada para discutir os estatutos que regiram a fundação da escola.
ESCOLA PRATICA DE COMMERCIO
São convidadas todas as pessoas, sem distincção de nacionalidade ou classes, interessadas na difusão do ensino commercial, a se reunirem, amanhã, 25 do corrente, às 8 horas da noite, á rua S. José n. 17 (sobrado) em uma das salas da Sociedade Humanitaria dos Empregados no Commercio, para discutir e aprovar os estatutos de uma sociedade que terá por fim a fundação e manutenção de uma escola pratica de commercio nesta capital. S. Paulo, 23 de Abril de 1902. A comissão (NOTÍCIA HISTÓRICA
DA ESCOLA DE COMMERCIO ALVARES PENTEADO, 1908).
Depois de realizada esta plenária, o professor Horácio Berlinck, juntamente com o Dr. João Pedro da Veiga Filho, advogado e político, e com o senador Lacerda Franco, industrial e banqueiro, fundou, em dois de junho de 1902, a Escola Practica de Commercio de São Paulo, situada no prédio n° 36 da antiga Rua São José (esquina da Rua Direita).
Talvez por ter sido planejada e fundada por profissionais oriundos do comércio e da indústria, e por ter recebido contribuições de empresários (e.g. Alexandre Siciliano, José Weissohn etc.) e de instituições bancárias, a exemplo do Banco Alemão e do Banco do Comércio e Indústria (ESCOLA DE COMMERCIO ÁLVARES PENTEADO, 1932), a escola percebeu as carências educacionais do setor comercial e contribuiu, pioneiramente, no ensino das práticas de mercado. Parte deste legado da instituição residiu no foco comercial de sua formação e na preocupação em oferecer ambientes de estudos de preservação histórica e de análise de mercado, assim como indica o estatuto da escola de 1902:
Art. 1° - A Escola Pratica de Commercio de São Paulo, tem por fim ministrar o ensino technico necessário á profissão commercial ou preparar empregados, negociantes, administradores, traductores e agentes consulares, capazes de desenvolver o nosso commercio interior e representar dignamente o Brazil no commercio internacional.
Art. 2° - A Escola comprehenderá: a) Um museu de mercadorias; b) Um laboratório de analyses;
Todavia, dois importantes desafios se apresentaram à escola na época da sua fundação. O primeiro foi a necessidade de livros, prontamente suprida através de donativos. Nos cinco anos iniciais de sua atividade, a escola dispunha de aproximadamente 316 livros, dos quais 230 foram adquiridos por meio de doações (NOTÍCIA HISTÓRICA DA ESCOLA DE COMMERCIO ALVARES PENTEADO, 1908). Muito embora houvesse títulos nacionais, franceses e italianos, observamos que as publicações estadunidenses permearam as discussões sobre negócios e sobre atividade comercial. Livros como o Business Book – Keeping, publicado em 1891 por George Gay, o History of modern Banks of Issue, lançado em 1896 por Charles A. Conant, e o The World´s Commercial Products, escrito em 1907 por William George Freeman, promoveram debates na área. Outra obra, intitulada “A vida Americana”, publicada em 1892 por Paul de Rousiers, apresentou aos alunos a sociedade e os costumes estadunidenses.
O segundo desafio foi a contratação de professores com habilidades e conteúdos voltados para as práticas do comércio. Conforme aponta o Boletim da Fundação Álvares Penteado (1954), o primeiro corpo docente10 foi composto por educadores de outras escolas e por profissionais dos centros financeiros (Figura 111).
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10 Da esquerda para a direita: - Nos medalhões: João Cândido Martins, Senador Antônio de Lacerda Franco
(Diretor-Presidente) e Constantino Rondelli. De pé: Francisco Rodrigues Lavras, José da Costa Sampaio, Nestor Natividade, Domingos Leopoldino, Jorge Neddermeyer, Manoel Hipólito Moreira, Horácio Berlinck (Diretor- Secretário), João Pedro da Veiga Filho (Vice-Diretor), Gervásio de Araújo, Artur de Oliveira Fausto e Horácio Gonçalves Pereira (BOLETIM DA FUNDAÇÃO ÁLVARES PENTEADO, 1954).
Figura 111 - Diretoria e primeiro corpo docente da escola - Década de 1900.
Fonte: Boletim da Fundação Álvares Penteado (1954).
De acordo com o livro em homenagem ao 30º aniversário da Escola de Comércio Álvares Penteado (1932), cerca de 216 alunos foram atraídos pela proposta da escola, efetuaram a matrícula e iniciaram as aulas no dia quinze de junho de 1902. O primeiro curso ofertado foi o Curso Commercial, com duração de três anos (Figura 112). Segundo o livro Notícia Histórica da Escola de Comércio Álvares Penteado (1908), em cada um dos três anos do curso foram ministradas cinco cadeiras, sendo dois professores responsáveis por dividir a mesma matéria.
Figura 112 - Disciplinas e professores do primeiro Curso Commercial da Escola Practica de Commercio, 1902.
A partir da oferta das disciplinas do primeiro Curso Commercial da escola, contidas no seu estatuto de 1902, derivamos algumas análises. A primeira é que existia a preocupação com o ensino dos idiomas inglês, francês, alemão e italiano, provavelmente motivados pela necessidade de comunicação com a crescente quantidade de imigrantes no mercado de trabalho de São Paulo. Além disso, o contexto da industrialização paulista, baseado no aumento da produção e da lucratividade, associado à formação na área de finanças por parte de alguns dos primeiros professores da escola, podem explicar a oferta de disciplinas quantitativas aplicadas à atividade comercial (e.g. Arithmetica e álgebra applicadas ao commercio, Contabilidade e Correspondencia Commercial, e Contabilidade Commercial e Financeira).
Contudo, pontuamos que algumas disciplinas, ministradas na primeira turma do Curso Commercial, foram precursoras no preparo técnico comercial em São Paulo. A cadeira Historia do commercio e tratados commerciaes, ministrada pelos professores Dr. J. C. Gomes Ribeiro e Dr. Bernardo de Campos, trouxe reflexões e experiências importantes das práticas comerciais de outros países ao longo da história (NOTÍCIA HISTÓRICA DA ESCOLA DE COMMERCIO ALVARES PENTEADO, 1908).
Em paralelo, a disciplina Geographia econômica commercial, dos professores José da Costa Sampaio e Raul de Rezende Carvalho, demonstrou que a atividade comercial estava atrelada e variava em função da região de atuação da empresa. À luz da geografia, foram ensinados, entre outros, as vias de comunicação (e.g. rios, estradas, telégrafos, telefones), a influência dos imigrantes na atividade comercial e a divisão geográfica dos principais produtos consumidos no Brasil. No final desta disciplina foi pedido para que os alunos demonstrassem a importância geográfica e econômica dos diversos estados brasileiros (ESCOLA DE COMMERCIO DE S. PAULO, 1904).
No último ano do Curso Commercial, os docentes Dr. Pedro Baptista de Andrade e Dr. Constantino Rondelli ministraram a disciplina Merceologia ou Estudo de Mercadorias. Nos primeiros anos do século XX as empresas já sinalizavam a preocupação com a divulgação, com as embalagens e, principalmente, com a qualidade dos produtos negociados. Ciente dessa prática, a cadeira de Merceologia abordou desde a composição (e.g. Dureza, densidade, cor etc.) dos produtos, que circulavam no comércio, até a sua aparência como forma de induzir o consumo (ALVES, 1942). É viável que esta tenha sido uma das primeiras disciplinas que
discutiu aspectos de diferenciação de produtos no mercado e de estímulo às vendas. Para Oscar Deusdedit Alves, professor da disciplina de Merceologia da Escola Álvares Penteado:
No comércio, como na vida, grande parte do sucesso de tudo depende da aparência; então, preciso se torna a boa apresentação ou EMBALAGEM de um produto, para que bem impressione a quem o deseja, e as vezes até a quem não precisando, possa ser atraído pela sua exterioridade. A boa embalagem, pois, tem para o consumidor grande influência, e para o vendedor do produto, de acordo com a sua delicadeza, tempo de conservação perigo, etc., se torna uma necessidade (ALVES, 1942, p. 03).
O Curso Commercial da Escola Practica de Commercio de São Paulo preencheu um lócus de formação até então desassistido pelas instituições de ensino. No decorrer das primeiras décadas do século XX, a escola mudou de nome, passou por transformações estruturais, abriu outros cursos, incorporou novas disciplinas e aproximou-se, de forma pioneira, dos conteúdos de marketing. No próximo tópico discorremos sobre isto.