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Belgede YARIM ASIRLIK AYDINLIK (sayfa 56-60)

Quanto à participação na formulação da transformação, encontramos nas análises dos documentos e reportagens da época, que na percepção dos gestores federais e dos membros da SETEC, todo o processo de transformação transcorreu num contexto de amplas e democráticas discussões.No entanto, a afirmação dos membros da SETEC não foi confirmada pelos atores institucionais, entrevistados no presente estudo.

Dos seis entrevistados, 03 participaram ativamente dos processos de transformação da Instituição desde a ETFPB para CEFET e deste para o IFPB. Os outros três afirmam não terem participado ativamente:

(...) Mas não foi uma participação ativa. Tudo já veio pronto. Isto é a medida veio de cima para baixo. O que cabia a nós era cumprir a determinação. (G1) (…) o processo de cefetização, ocorrido no ano de 1999, se deu de forma de cima pra baixo, com poucas discussões, e pouco esclarecedoras, de forma

autoritária, impositiva, sem a devida atenção às pessoas que ali atuavam, gerando muitas expectativas, dúvidas e incertezas.

A meu ver, mesmo sendo algo imposto e determinado de cima pra baixo para acontecer, se poderia ter minimizado os efeitos negativos que ocorreram, nos primeiros cursos, sobretudo, se tivesse ocorrido mais reflexões e solicitação do apoio das Universidades, que já possuíam larga vivência e experiência, de cursos modulares.

À época, eu sentia como se ninguém quisesse esclarecer nada, queria só dizer faça-se assim, e pronto, não interessam as dúvidas, as dificuldades, muito menos a razão do porquê desse jeito e não de outro. A equipe que veio do MEC, apenas, vomitava seus argumentos, e as pessoas da Instituição que defendiam (ou que se sentiam obrigadas) a ideia, simplesmente, reproduziam esse mesmo discurso. (G2)

(...)foi uma proposta imposta.

(...)Não tivemos a oportunidade de absorver as mudanças ocorridas tão rapidamente. É claro que a proposta inicial não teve aceitação e entendimento fácil e homogêneo em nossas escolas técnicas, o que julgo ser fruto de um histórico e centenário processo de constituição destas instituições. No caso do IFPB, tivemos, em aproximadamente 8 anos, configurações bem diferentes para a mesma instituição. Passamos de Escola Técnica para CEFET, reestruturando ou acomodando esta nova institucionalidade sem significativas mudanças até 2008. Em 2008, com novo cenário e nova institucionalidade, o IFPB passa sofrer alterações de proporções gigantescas. (G3)

(...)De forma decidida e imponente foram criados os 38 Institutos Federais, mantidos os dois CEFET´s: Rio de Janeiro e Minas Gerais por não aceitarem esta condição, o Colégio Dom Pedro II e a UFTPR, formando uma rede com 42 Instituições. (G6)

Podemos afirmar que a maioria dos atores institucionais tiveram contato com a proposta de transformação do governo via Diretores e Coordenadores os quais participaram de reuniões em Brasília para a apresentação e conhecimento da mesma. Os depoimentos acima nos leva a concluir que foi impositiva a forma como ocorreu a transformação, sem muita possibilidade de escolha pela comunidade através de debates ou discussões. Essa observação foi registrada pela maioria deles, o que denota certa insegurança e desconforto, sobre essa questão.

Também podemos afirmar que, apesar da Lei nº 11.892/08 definir os termos da nova institucionalidade, ainda há servidores que não se sentem suficientemente esclarecidos sobre o tipo de instituição em que a antiga ETFPB se transformou, por falta de exaustivo debate e ausência de treinamento para atuar na nova Instituição.

É possível perceber ainda, que essa questão tende a ser ainda mais problemática no âmbito da comunidade externa, esta só teve acesso à informação via mídia escrita e falada. Esse é um dos grandes desafios que ainda não foi superado, haja vista, que alguns servidores

e a comunidade externa ainda continuam tratando o IFPB como CEFET-PB e/ou ETFPB, acreditamos que estes nomes marcaram muito a Instituição e ainda predominam, principalmente na população de mais idade, por ausência da comunidade nos debates. Podemos constatar isso na fala do G5:

Provavelmente pela ausência de um amplo debate interno sobre seus objetivos, aliado a ausência de uma boa e eficiente política de comunicação, atualmente o IFPB encontra-se sem um maior reconhecimento por parte da comunidade em que está inserido. (G5)

A discussão, de fato, se deu no âmbito restrito aos quadros técnicos governamentais, a partir da contribuição de assessores especialmente selecionados, sem o reconhecimento do quadro técnico das instituições.

A comunicação e participação efetiva deveria ser elemento prioritário na fase de concepção e implantação do novo desenho institucional, tendo participado e discutido a proposta governamental a comunidade certamente se adaptaria melhor às mudanças do que uma cultura em que a forma como as pessoas devem agir é imposta, sem explicações ou justificativas. Atores informados são de fundamental importância em situações de mudança. As pessoas precisam entender por que devem mudar para que haja menos resistência.

Recorrendo a Taylor (1998), podemos afirmar em relação ao reconhecimento, ou ao não reconhecimento e sua relação com a formação da identidade, que a identidade é constituída:

(...) “em parte, pela existência ou inexistência de reconhecimento e, muitas vezes, pelo reconhecimento incorreto dos outros, podendo uma pessoa ou grupo de pessoas serem realmente prejudicadas, serem alvo de uma verdadeira distorção, se aqueles que os rodeiam refletirem uma imagem limitada, de inferioridade ou de desprezo por eles mesmos” (Taylor, 1998, p. 45).

A identidade é um processo que é construído relacionalmente, que representa influências mútuas entre o indivíduo e a comunidade que o cerca, no interior das práticas discursivas específicas, em diálogo com os outros membros da sua comunidade. Essa troca dialógica contribui para a interpretação do mundo, e a incorporação de valores, que são adquiridos não individualmente e isoladamente, descontextualizadamente, mas sempre em diálogo com os outros.

Portanto, a identidade é moldada, em grande parte, pelo reconhecimento social ou pela ausência dele. O reconhecimento errôneo ou distorcido acarretará na não construção de uma imagem positiva de si mesmo e isso pode causar danos reais à percepção/formação identitária.

Taylor fala em “política de reconhecimento”, como uma prática que conduz a diminuição das consequências resultantes de uma desigual distribuição de poder na sociedade, pois o não reconhecimento, acarreta a criação de entraves à sobrevivência, à autonomia. Isto configura a situação clássica de opressor/oprimido. Podemos relacionar a teoria de Taylor com o tema objeto desse estudo, pois o reconhecimento (comunicação da transformação aos atores institucionais), passa a ser importante para que se perceba, ao menos em parte, a razão dos conflitos gerados no interior da instituição.

Belgede YARIM ASIRLIK AYDINLIK (sayfa 56-60)

Benzer Belgeler