Prezado Dr. Eduardo Algranti,
Agradecemos o interesse na leitura de nosso trabalho e também as críticas realizadas, as quais são de grande valia não somente para esse trabalho em particular, mas também para uma discussão mais ampla do mesotelioma maligno (MM) em nosso país.
Iniciaremos nossa resposta relativa ao vírus símio 40 (SV40). No resumo,(1) encontra-se a
seguinte frase: ‘’O desenvolvimento do MM é fortemente correlacionado com a exposição ao amianto e erionita, assim como ao vírus símio 40’’. De fato, tal afirmação na presente forma é errônea e concordamos com a crítica do Dr. Algranti.
Antes de o artigo ser editado pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia, a seguinte frase se encontrava: “O desenvolvimento desse câncer é fortemente correlacionado com a exposição ao amianto e a outros fatores, como a erionita e o vírus SV40”. Na frase original (antes da edição), a palavra “fortemente’’ está relacionada com a exposição ao amianto e não relacionada ao amianto, erionita e SV40; contudo, reconhecemos que a mesma frase é dúbia e pode gerar dúvidas, dependendo da interpretação. Na frase original, a colocação de uma vírgula separando a palavra “amianto’’ da palavra “erionita’’ deixaria mais claro que a palavra ‘’fortemente’’ está relacionada somente com a palavra “amianto’’; contudo, ainda assim, a frase seria dúbia e passível de dupla interpretação.
Vários estudos têm associado fortemente o amianto ao desenvolvimento do MM. Agora, associar o SV40 fortemente com o MM é de fato errado e concordamos com as críticas do Dr. Algranti. Adicionalmente, em um trabalho recente de nosso grupo,(2) consta a seguinte frase
relativa à participação do SV40 no MM: Taken altogether, it is still not clear the direct carcinogenic effects of SV40 in MM in humans; however, it is widely accepted the role of SV40 as a co-carcinogenic player in association with asbestos in the development of MM.
Diante disso, reconhecemos que a frase inicialmente submetida era dúbia, sendo que durante o processo de edição, a mesma ficou mais
Carta ao Editor
Panorama dos processos bioquímicos e genéticos presentes no mesotelioma maligno 587
importância para o debate do mesotelioma em nosso país.
Cordialmente,
Leonardo de Assis
Doutorando. Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo
(SP) Brasil Mauro César Isoldi
Professor Adjunto. Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto (MG) Brasil
Referências
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2. de Assis LV, Locatelli J, Isoldi MC. The role of key genes and pathways involved in the tumorigenesis of Malignant Mesothelioma. Biochim Biophys Acta. 2014;1845(2):232- 47. PMid:24491449
3. IARC Working Group on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans. Arsenic, metals, fibres, and dusts. In: IARC Monographs on the evaluation of carcinogenic risks to humans. International Agency for Research on Cancer. World Health Organization. Vol. 100C. Lyon, France: World Health Organization. 2012. p. 11-465. 4. Bernstein D, Dunnigan J, Hesterberg T, Brown R, Velasco
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5. Carbone M, Ly BH, Dodson RF, Pagano I, Morris PT, Dogan UA, et al. Malignant mesothelioma: facts, myths, and hypotheses. J Cell Physiol. 2012;227(1):44-58 http:// dx.doi.org/10.1002/jcp.22724
6. Tweedale G, McCulloch J. Chrysophiles versus chrysophobes: the white asbestos controversy, 1950s-2004. Isis. 2004;95(2):239-59. http://dx.doi.org/10.1086/426196 7. Britton M. The epidemiology of mesothelioma. Semin
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8. Powers A, Carbone M. The role of environmental carcinogens, viruses and genetic predisposition in the pathogenesis of mesothelioma. Cancer Biol Ther. 2002;1(4):348-53. http://dx.doi.org/10.4161/cbt.1.4.4 9. de Assis LV, Isoldi MC. The function, mechanisms, and role
of the genes PTEN and TP53 and the effects of asbestos in the development of malignant mesothelioma: a review focused on the genes’ molecular mechanisms. Tumour Biol. 2014;35(2):889-901. http://dx.doi.org/10.1007/ s13277-013-1210-4
10. Bernstein D, Dunnigan J, Hesterberg T, Brown R, Legaspi Velasco JA, Barrerao R, et al. Response to Murray M. Finkelstein, letter to the editor re Bernstein et al: Health risk of chrysotile revisited. Crit Rev Toxicol. 2013;43(8):709- 10. http://dx.doi.org/10.3109/10408444.2013.826178
do amianto crisotila em humanos, sendo essa visão respeitada por nós autores; contudo, a nossa leitura da literatura é essa — não há consenso!
Dessa forma, nós, autores, através do estudo profundo da literatura, acreditamos que não há um consenso referente a esse tópico. Por fim, se de fato houvesse tal consenso, o qual é compartilhado pelo Dr. Algranti, então por que vários países do mundo, incluindo o Brasil, ainda comercializam e exportam o amianto crisotila? Essa prerrogativa não é verdade para o amianto do tipo anfibólio, para o qual há um consenso no seu papel no desenvolvimento do MM, fato que resultou no banimento desse tipo de amianto em praticamente todo o mundo. Mesmo em relação ao amianto crisotila, que é considerado como carcinogênico pela IARC,(3) ainda há diversos
outros grupos e autoridades de países que não foram convencidos pelas evidências demonstradas até o presente, o que alimenta ainda mais essa atual controvérsia. Além da questão científica, deve ser ressaltado que tal controvérsia é também sustentada pelo fator econômico, uma vez que o mercado de amianto mundial movimenta grandes quantias de dinheiro. Em contrapartida a tudo isso, há um consenso na literatura relativo à menor potência do amianto crisotila frente às demais formas de amianto.(2-4,7-9)
Acreditamos que nossa afirmação relativa ao amianto crisotila é correta, uma vez que não há consenso, bem como há grandes controvérsias nas informações relativas ao papel do amianto crisotila em humanos devido a inúmeros fatores, alguns mencionados acima e diversos outros que se encontram em outros artigos.(4,7,10) Mesmo com
tamanha controvérsia devido a vários fatores de confusão presentes naqueles estudos, não se deve ignorar o perigo do amianto crisotila, que levou à classificação do amianto crisotila e demais tipos de amianto em carcinogênicos em humanos.(3)
Tais fatos estão descritos de forma clara em nosso artigo.(1) Por fim, como o foco de nosso artigo era
as bases moleculares do MM, decidimos somente comentar tal controvérsia, a fim de informar os leitores da existência da mesma; contudo, sem entrar em detalhes, devido ao teor controverso do tópico, o qual se materializou na carta do Dr. Algranti e em nossa reposta aqui descrita.
Agradecemos novamente ao Dr. Eduardo Algranti o interesse em nosso trabalho, pelas criticas e por trazer à luz questões de grande
Artigo:Panorama dos processos bioquímicos e genéticos presentes no mesotelioma maligno
Publicação: Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2014;40(4):429-42 DOI:10.1590/S1806-37132014000400012
Na página 429 da publicação original, na resumo, na 3° linha, onde se lê “O desenvolvimento do MM é fortemente correlacionado com a exposição ao amianto e erionita, assim como ao vírus símio 40.” leia-se “O desenvolvimento desse câncer é correlacionado com a exposição ao amianto e a outros fatores, como a erionita e o vírus SV40”.
o nome do estado ou província também deverá ser citado; por exemplo: “ . . . tTG de fígado de porco da Guiné (T5398; Sigma, St. Louis, MO, EUA) . . .” A não obser- vância das instruções redatoriais implicará na devolução do manuscrito pela Secretaria da revista para que os autores façam as correções pertinentes antes de submetê-lo aos revisores. Os conceitos contidos nos manuscritos são de responsabilidade exclusiva dos autores. Instruções espe- ciais se aplicam para confecção de Suplementos Especiais e Diretrizes, e devem ser consultadas pelos autores antes da confecção desses documentos na homepage do jornal. A revista reserva o direito de efetuar nos artigos aceitos adaptações de estilo, gramaticais e outras.
A página de identificação do manuscrito deve conter o título do trabalho, em português e inglês, nome completo e titulação dos autores, instituições a que pertencem, endereço completo, inclusive telefone, fax e e-mail do autor principal, e nome do órgão financiador da pesquisa, se houver.
Resumo: Deve conter informações facilmente
compreendidas, sem necessidade de recorrer-se ao texto, não excedendo 250 palavras. Deve ser feito na forma estruturada com: Objetivo, Métodos, Resultados e Conclusões. Quando tratar-se de artigos de Revisão e Relatos de Casos o Resumo não deve ser estruturado. Para Comunicações Breves não deve ser estruturado nem exceder 100 palavras.
Abstract: Uma versão em língua inglesa, correspon-
dente ao conteúdo do Resumo deve ser fornecida.
Descritores e Keywords: Devem ser fornecidos de
três a seis termos em português e inglês, que definam o assunto do trabalho. Devem ser baseados nos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), publicados pela Bireme e disponíveis no endereço eletrônico: http://decs. bvs.br, enquanto os keywords em inglês devem ser base- ados nos MeSH (Medical Subject Headings) da National Library of Medicine, disponíveis no endereço eletrônico http:// www.nlm.nih.gov/mesh/MBrowser.html.
Artigos originais: O texto deve ter entre 2000 e
3000 palavras, excluindo referências e tabelas. Deve conter no máximo 5 tabelas e/ou figuras. O número de referências bibliográficas não deve exceder 30. A sua estrutura deve conter as seguintes partes: Introdução, Métodos, Resultados, Discussão, Agradecimentos e Referências. A seção Métodos deverá conter menção a aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos, ou pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Animais, ligados a Instituição onde o projeto foi desenvolvido. Ainda que a inclusão de subtítulos no manuscrito seja aceitável, o seu uso não deve ser exces- sivo e deve ficar limitado às sessões Métodos e Resultados somente.
Revisões e Atualizações: Serão realizadas a convite
do Conselho Editorial que, excepcionalmente, também poderá aceitar trabalhos que considerar de interesse. O texto não deve ultrapassar 5000 palavras, excluindo refe- rências e tabelas. O número total de ilustrações e tabelas não deve ser superior a 8. O número de referências biblio- gráficas deve se limitar a 60.
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oficial da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia destinado à publicação de trabalhos científicos referentes à Pneumologia e áreas correlatas.
Todos os manuscritos, após análise inicial pelo Conselho Editorial, serão avaliados por revisores qualifi- cados, sendo o anonimato garantido em todo o processo de julgamento. Os artigos podem ser submetidos em portu- guês, espanhol ou inglês. Na versão eletrônica do Jornal (www.jornaldepneumologia.com.br, ISSN-1806-3756) todos os artigos serão disponibilizados tanto em língua latina como em inglês. A impressão de figuras coloridas é opcional e os custos relativos a esse processo serão transferidos aos autores. Favor entrar em contato com a secretaria do Jornal para esclarecimentos adicionais.
O Jornal Brasileiro de Pneumologia apóia as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE), reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divulgação interna- cional de informações sobre estudos clínicos em acesso aberto. Sendo assim, somente serão aceitos para publi- cação ensaios clínicos que tenham recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE. O número de identificação deverá ser registrado ao final do resumo.
Apresentação e submissão dos manuscritos
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