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AFGANİ VE DİN‐BİLİM KONUSUNDAKİ GÖRÜŞLERİ

O último encontro que realizamos ocorreu no dia 11 de agosto de 2008, e consistiu em uma avaliação de todas as reuniões, oportunidade em que as professoras colaboradoras destacaram as contribuições e limitações dos encontros em relação às necessidades formativas apresentadas no início da pesquisa.

Consideramos esse um importante momento da pesquisa, pois compreendemos, ancorados nos estudos de Hoffmann (2001), que a avaliação e a autoavaliação constituem-se em oportunidades de formação e emancipação profissional. Ao refletir sobre os estudos realizados, sobre a própria formação e a própria prática docente, os(as) professores(as) podem rever práticas, valores, e buscar melhorias para sua atuação profissional.

Assim, a avaliação e a autoavaliação podem ser consideradas uma oportunidade de formação contínua. Partindo deste ponto de vista, vejamos o que dizem as professoras colaboradoras acerca dos encontros realizados. Para a colaboradora Edda Mally, os encontros:

Serviram de pontapé inicial para minha prática em sala de aula, pois antes deles eu me sentia perdida em relação a tudo que necessitava fazer em sala. Nestes encontros pude perceber a arte como conteúdo e não como entretenimento, como tantos colegas acham que é, e pude me sentir mais segura para lutar por meu ponto de vista. Através dos bate- papos extraí ideias para as minhas aulas, bem como estratégias para aplicação na sala e no plano de trabalho. Hoje me sinto bem mais segura em relação à minha prática e em relação ao conteúdo que devo ministrar. (EDDA MALLY).

Se os encontros com as professoras colaboradoras serviram de pontapé inicial para (re)pensar a prática docente, como afirma Edda Mally, podemos concluir que parte de nossos objetivos foram alcançados. Ainda de acordo com a professora,

os encontros propiciaram maior segurança à sua prática docente, fato que também consideramos extremamente positivo, pois acreditamos que a segurança profissional implica em melhorias no processo de ensino e aprendizagem.

Já para a colaboradora Cecília, os estudos e reflexões não foram suficientes para suprir as suas dificuldades em relação ao ensino de Artes para as crianças pequenas, e a professora deixou de trabalhar nos anos iniciais do Ensino Fundamental durante o recesso escolar, assim, na reunião de avaliação ela já estava atuando nos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano). Nas palavras da professora:

Apesar de ficar quatro anos nos anos iniciais não consegui me realizar como professora, me ver como professora, pois a dependência das crianças me confundia, me desestimulando. Durante este tempo sempre fiquei em busca de uma turma de nível escolar maior, pois tenho mais afinidade com adolescentes. (CECÍLIA).

Embora a professora Cecília admita em outros momentos de avaliação que os estudos e discussões realizados contribuíram para minimizar as suas dificuldades no trabalho com crianças pequenas, estes não foram suficientes para que ela permanecesse atuando nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Porém, destacamos o compromisso da professora com a qualidade da sua prática docente, pois, como ela afirmou, sempre buscou trabalhar com alunos do 6º ao 9º ano, contudo, o tempo em que permaneceu atuando nos anos iniciais buscou estudar e melhorar sua prática.

A afirmação da professora de que tem mais afinidade com adolescentes e também de que as dificuldades com as crianças pequenas ocorrem devido à dependência das mesmas, nos permite concluir que, além das necessidades formativas apontadas pela professora, há ainda outra questão relevante nas suas escolhas, uma questão de afinidade com outra faixa etária. Consideramos que esse fato teve especial importância na busca de outra escola e outras turmas para trabalhar.

Para Djanira e para Camille, as contribuições dos estudos e relatos reflexivos foram bastante significativas:

As reflexões foram importantes para que eu tomasse noção sobre a fundamentação teórica. Com isso me senti motivada a continuar estudando e até vou cursar uma especialização em ensino de Artes, promovida pela UFRN/PAIDÉIA. (DJANIRA).

Os encontros colocaram-me diante de um universo de possibilidades, pois a troca através dos estudos, das reflexões fizeram-me alicerçar no que acredito e muita vez sentia-me sem sustentação, porque não é tarefa fácil trabalhar artes nas séries iniciais, para muitos que fazem a própria escola, trabalhar com artes é apenas pintar, é uma brincadeira que atraem as crianças, não percebem a riqueza, o valor e as contribuições desta disciplina nos anos iniciais, esquecem que é exatamente nesta faixa etária em que o aluno começa a absorver tudo com mais facilidade, mais para isso é preciso um professor atento a esses cuidados e não deixar-se cair no fazer por fazer. (CAMILLE CLAUDEL).

A partir das falas das professoras colaboradoras podemos concluir que os estudos, reflexões e relatos reflexivos se constituíram em um rico espaço de formação, e contribuíram para que pudéssemos (re)pensar a prática docente em Artes de forma coletiva e colaborativa, num processo de interação e construção de novos saberes.

É importante ressaltar que a construção desses novos saberes só foi possível a partir da prática reflexiva sobre a própria ação docente. De acordo com Ibiapina (2008), a atividade reflexiva está pautada no ato de pensar e examinar com criticidade a própria prática. Assim, mesmo que a princípio o(a) professor(a) não compreenda de forma sistematizada a sua prática, ao refletir continuamente sobre ela vai construindo ações e teorias, em um processo de desenvolvimento da sua ação docente. Esse processo constitui-se em uma ação formativa que supera a dicotomia entre teoria e prática.

A reflexão é, portanto, uma possibilidade formativa que corrobora para o desenvolvimento profissional de forma aprofundada e emancipadora, gerando a possibilidade de mudanças reais na própria prática docente.

Benzer Belgeler