22,5% 17,5% 17,5% 20,0% 7,5% 5,0% 7,5% 2,5% ,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 Hospital escola Grupo homogeneo UTI Não tem facilidade Interesse Apoio gerencial na UTI Grupo de jovens enfer. Recursos hum. capacit. Não tem burocr.
Facilidades de implantação da SAE
Gráfico 2 – Facilidades para implementação da SAE, segundo opinião dos enfermeiros investigados do HUOL. Natal/RN, 2010
Dentre os enfermeiros, 22,5% acreditavam que a condição de hospital-escola possa interferir positivamente na implantação da SAE, associada a interesse dos próprios profissionais em desenvolver a SAE (20%). No entanto, 17,5% dos entrevistados aceitavam como verdade a inexistência de facilidade que permitisse vislumbrar a implantação dessa metodologia de assistência no hospital. E havia ainda o grupo de enfermeiros lotados na UTI, que julgava ser a homogeneidade do setor o facilitador para a implantação da SAE no hospital. Essas questões são visualizadas no Gráfico 2.
A presença de docentes no hospital, associada ao fato de o nosocômio ser ligado diretamente ao Ministério da Educação, justifica o pensamento da maioria dos entrevistados, quando apontam facilidades em ser hospital-escola. Contudo, a relação dos docentes com o serviço é fragmentada, permanecendo a dicotomia entre a academia e serviço, deixando o serviço desatualizado das ações ensinadas aos alunos de graduação, fato confirmado na literatura por Andrade e Vieira (2005), e Meirelles; Erdmann, (2005), que acrescentam que
esta política de integração é complexa e necessita de uma ampla discussão, para que haja uma quebra de paradigmas na academia e no serviço.
A presença de uma política institucional que utilize esse interesse como instrumento positivo na implementação da SAE é importante, fato confirmado por Costa (2006), que completa que nesses casos torna-se interessante a política de organização pessoal.
Ao analisar o discurso dos enfermeiros da UTI, observa-se que existe a adoção da primeira etapa do processo de enfermagem no setor. Observa-se também uma política de gerenciamento diferenciada dos demais setores do hospital, onde existem equipamentos computacionais contendo o histórico de enfermagem implantado eletronicamente, e há um número adequado de enfermeiros, diferindo dos demais setores em que não há presença de computares, confirmando a literatura supracitada.
Nos demais setores não existiam computadores específicos de uso da enfermagem e também havia uma carência de RH.
O item sobre falta de facilidade é encontrado em 17,5% das opiniões. Situação que sugere pouco apoio aos profissionais pela instituição, pois o discurso destaca a confiança abalada dos enfermeiros em mudanças de ações no ambiente de trabalho, sugerindo a existência de lacunas nas políticas de recursos humanos e materiais, que, de outra forma, poderiam auxiliar e direcionar os profissionais. (FINAMOR, 2010; CASTILHO, RIBEIRO, CHIARELLI, 2009). 10,0% 20,0% 22,5% 30,0% 15,0% 2,5% ,0 10,0 20,0 30,0 Resistencia a mudança Dificuldade na gestão Desinteresse profissional Desconhecimento Desmotivação Desarmonia
Dificuldades de implantação da SAE
Gráfico 3 – Dificuldades para implementação da SAE, segundo a opinião dos enfermeiros investigados do HUOL. Natal/RN, 2010
O Gráfico 3 revela que os enfermeiros do HUOL acreditavam que o desconhecimento fosse o maior empecilho para a implantação da SAE no hospital (30%), seguido do desinteresse profissional (22,5%) e dificuldade na gestão (20%), respectivamente.
Ao analisar os discursos dos enfermeiros, observa-se que os itens apontados tratam de questões que envolvem capacitação em serviço, desinteresse profissional e motivação, revelação que sugere uma política de recursos humanos com carência de instrumentos motivacionais aplicados aos enfermeiros no HUOL.
Esse dado reflete que os enfermeiros atribuíam à gestão as dificuldades idealizadas por eles, visto que o conhecimento, interesse pessoal e desmotivação são situações que podem ser resolvidas quando a empresa tem uma filosofia voltada para a qualidade do atendimento (MEDEIROS, 2010, FINAMOR, 2010).
As respostas dos enfermeiros do HUOL estão de acordo com a literatura consultada, quando expõem sobre as dificuldades encontradas nas instituições na implantação da SAE (HERMIDA; ARAUJO, 2006, ANDRADE; SILVA, 2006, LIMA; KURGANT, 2009).
Erdemann et al. (2006) afirmam que, quando uma instituição de saúde apresenta dificuldades na gestão, as questões mais pontuadas pelos profissionais retratam o foco do problema, e são resolvidas quando com há investimento na capacitação e acompanhamento nas tecnologias, acrescidas de estratégias de orientação, no método de trabalho que traga mudanças significativas na assistência ao paciente (MEDEIROS, 2010).
7 CONCLUSÃO:
Baseado nos resultados do estudo, concluiu-se que havia uma predominância de profissionais do sexo feminino (90%), em relação ao sexo masculino (10%), com idades predominantes no intervalo de 39 a 46 anos (37,5%).
Parte dos enfermeiros do estudo concluiu o curso de graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (80%), e eles possuíam o nível de especialização como formação (62,5%), seguida da graduação (22,5%), e em menor número a presença de mestres (15%).
Na análise de associação univariada (p < 0,05) constatou-se que o tipo de atividade desenvolvida pelo profissional, sendo este assistencial ou gerencial, não interferia significativamente no conhecimento sobre a SAE (0,0860), entretanto demonstraram significância o tempo de formação (0,018) e o tempo de trabalho no HUOL (0,036).
A maioria dos profissionais investigados não conhecia qual o órgão responsável pela legislação da SAE (52,5%), expondo a pouca atualização em relação às normas de exercício profissional. No tocante ao item dos passos para a construção do diagnóstico, entende-se que o conhecimento teórico é indispensável para a execução desse método e os entrevistados mostraram em suas respostas este domínio (92,5%), revelando interesse dos profissionais na área.
Nas questões relacionadas ao planejamento, o percentual de acerto ultrapassou os 90%, demonstrando que os entrevistados conhecem a teoria. E em relação à implementação da assistência de enfermagem, os enfermeiros mostraram-se confusos no conhecimento teórico, tendo em vista que 62,5% apresentaram conhecimento inadequado.
Na análise univariada constatou-se que o término da graduação e o tempo como servidor do HUOL apresentavam significância estatística de 0,024 e 0,023, respectivamente, em relação ao conhecimento do tipo de classificação dos diagnósticos existentes.
No estudo se pôde observar que 50% dos enfermeiros não realizavam exame físico nos pacientes, e também que 15,4% dos profissionais não desenvolviam nenhuma etapa da coleta de dados ou histórico de enfermagem.
Os enfermeiros não desenvolviam o diagnóstico de enfermagem (68,4%), e não executavam nenhuma ação que pudesse classificar os diagnósticos (18,4%), mas identificavam os problemas encontrados no dia a dia (13,2%).
O planejamento da assistência de enfermagem era realizado em sua maioria por ordem verbal dos enfermeiros (82,5%) direcionada para a equipe. Destaca-se ainda que 10% dos profissionais que não planejavam suas próprias ações, mas incorporavam o planejamento
médico como sendo da enfermagem, e em um percentual menor não realizavam nenhum tipo de planejamento (7,5%).
As ações executadas pelos enfermeiros estavam associadas à necessidade prioritária de atendimento (47,5%), de acordo com prioridades momentâneas dos pacientes, seguidas (com 42%) de atividades implementadas posteriormente à orientação das ações sob forma isolada, sem planejamento prévio.
Cerca 41% dos profissionais realizavam avaliação apenas da etapa de intervenção, ou seja, das ações executadas, 33,3% não faziam avaliação alguma, 25,6% executavam a avaliação verbalmente, não constando nenhum registro sobre essa fase nos prontuários dos pacientes.
Referente à aplicação prática da evolução de enfermagem, 53% dos enfermeiros não realizavam evolução, 30,8% o faziam de maneira incompleta, e os demais realizavam anotações de enfermagem (p=0,003).
Os enfermeiros (90%) conheciam o processo de enfermagem no tocante às questões teóricas, contudo executavam ações inadequadamente, de acordo com a abordagem conhecida.
Os investigados (22,5%) acreditavam que a condição de hospital-escola possa interferir positivamente na implantação da SAE, associada a interesse em desenvolver a SAE (20%), no entanto 17,5% aceitavam como verdade a inexistência de facilidade que vislumbrasse a implantação dessa metodologia de assistência no hospital.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS:
O estudo analisou o perfil de conhecimento dos enfermeiros sobre a SAE e o processo de enfermagem. Os achados foram diferentes da hipótese inicialmente formulada, observando-se que os participantes da pesquisa detinham o conhecimento teórico em relação ao investigado, porém não conseguiam concretizar esse conhecimento com ações práticas. A aplicação do PE era muito simplória, denotando uma assistência não organizada.
Questionamos a assistência oferecida aos usuários do HUOL, em virtude do pouco contato dos profissionais no gerenciamento da assistência e execução das ações de enfermagem visualizados nos registros, interrogando assim onde se apresenta este enfermeiro. A carência de uma avaliação do serviço, protocolos institucionais e mecanismos de avaliação deixam os profissionais à vontade no executar de suas atividades, proporcionando uma fragmentação e descontinuidade de ações.
Apesar da instituição ser voltada para o ensino de profissionais, não se observava a ligação dos saberes teóricos e práticos por parte dos próprios enfermeiros, e sim a perpetuação da não utilização na prática do que foi aprendido na academia.
Nos achados, podemos identificar que a UTI iniciou a implantação da primeira fase do processo de enfermagem, e esse fato foi atribuído ao suporte gerencial do setor, onde há instrumentos técnicos para tal, como também o setor de imagem conseguiu construir o instrumento para instituir a primeira fase do processo de enfermagem.
Os outros setores contemplavam a literatura, no que diz respeito à falta de estrutura, contudo a falta de realização de ações básicas que direcionam todo o processo não deve estar ligada somente a questões gerenciais. Nesse contexto, sugerimos um estudo aprofundado, no hospital, que identifique a qualidade da assistência, e outro voltado para a gerência, a fim de identificar se as questões gerenciais são determinantes na descontinuidade das ações de enfermagem ou se existem outros fatores associados.
Não se poderia deixar de pontuar a necessidade de um setor de educação continuada que trabalhe com os enfermeiros do hospital a constante atualização e treinamento.
Deixa-se como colaboração deste estudo o conhecimento dos enfermeiros e das ações de enfermagem desenvolvidas pelos profissionais no HUOL, e com os resultados pretende-se iniciar o processo de conscientização desses profissionais em relação à temática abordada, para posteriormente iniciar a execução de um plano de institucional de implantação da SAE.
O plano deverá ser direcionado à direção geral e de enfermagem, e construído em conjunto com os entrevistados e docentes da universidade. Contudo, reforço a premissa de
vários autores que aplicam a ideia da SAE nas instituições como melhoria da qualidade nos serviços, valorização e autonomia da enfermagem brasileira e mundial.
Na realização do estudo, a pesquisadora deparou-se com alguns imprevistos, visto que muitos colegas enfermeiros não permitiram a observação da suas condutas, como também ocorreu a presença significativa de enfermeiros afastados com atestados médicos. Outra dificuldade que não se pode deixar de registrar foi a resistência dos profissionais em participar da pesquisa em virtude do relato de outras pesquisas aplicadas no hospital, realizadas pelo departamento de enfermagem, que, segundo explicação dos enfermeiros, não trouxeram retorno para a instituição, deixando os enfermeiros tímidos na participação deste estudo.
Finaliza-se este trabalho com a esperança de poder traçar um plano a ser aplicado no HUOL e contribuir para a melhoria da assistência ao paciente, através da implantação da SAE no hospital, favorecendo o crescimento da enfermagem local, regional e brasileira.
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