• Sonuç bulunamadı

B. Uzlaşma Teklifi ve Uzlaşma Teklifini Kabul Süresi

5. Adreste Bulunmama Durumunda

O Homem possui algumas necessidades básicas que devem ser supridas, como alimentação e habitação, necessidades essas que poderão não ser atendidas pela simples idéia da ausência de trabalho. Contra esta situação de vulnerabilidade a que estamos expostos, existe a necessidade intrínseca da segurança social, pois como nos mostra Castel (2005): “(...) é fácil perceber que a necessidade de ser protegido possa ser o imperativo categórico que deveríamos assumir a qualquer preço para poder viver em sociedade” (p. 15).

O trabalho assalariado passa a representar o papel social da segurança, citando novamente Castel (2005):

O trabalho deixa então de ser uma relação puramente comercial retribuída no quadro de uma relação pseudocontratual entre um empregador todo-poderoso e um assalariado desprovido. O trabalho tornou-se emprego, isto é, um Estado dotado de uma estatuto que inclui garantias comerciais, como direito a um salário mínimo, as proteções do direito do trabalho, a cobertura dos acidentes, da doença, o direito à aposentadoria etc” (p. 32).

O emprego formal, ou com “carteira assinada”, dá ao trabalhador algumas garantias como salário fixo, férias, 13º salário, além do fato de servir como referência sobre sua vida em diversos aspectos: o emprego formal faz com que o trabalhador possa dar informações

para obtenção de crédito, é onde encontra a referência de sua identidade, como trabalhador de determinada empresa, executando determinada função, sendo responsável por determinada ação:

O trabalho continua sendo uma referência não só econômica, mas também psicologicamente, culturalmente e simbolicamente dominante como provam as reações dos que não têm (CASTEL, 1998:578).

Desta forma a empresa passa a ter também, papel importante na formação identitária do trabalhador, pois, como coloca Franzoi (2006): “a identidade não se forja na infância de uma vez por todas, mas é um processo de reconstrução ao longo da vida. (...) a identidade é um produto de sucessivas socializações” (p.40).

Estar desempregado, portanto, significa não só não ter renda, mas não fazer parte da sociedade de consumo, o que para os jovens é essencial. É não ter uma empresa à qual possa se filiar e filiar sua identidade e onde possa estabelecer relações sociais para que isto ocorra, como coloca Drucker (1999): “Considero, portanto, que é a partir ainda24 da categoria trabalho que se trava o debate acerca das bases de convivência social que se sustentam a sociedade neste novo contexto mundial” (p. 39).

Os trabalhadores esperam que a organização lhes dê a proteção pregada pelo ideário capitalista: proteção contra o desemprego, contra não poder prover casa e família, contra não estar inserido na sociedade de consumo. Aqueles que se encontram desempregados ou em busca de uma primeira oportunidade, estão em constante desamparo por estarem na contra-mão do capitalismo.

No entanto, este modelo ao qual nos referimos acima, foi instituído num mundo em que se sobressaia o modelo fordista/taylorista ou ainda o modelo toyotista de produção, em que cada trabalhador tinha uma relação contratual com a empresa.

O modelo fordista/taylorista, caracterizado pela linha de produção, onde cada trabalhador era responsável e especializado por uma parte do processo. Já o modelo de gerenciamento industrial japonês, conhecido como toyotismo25, adotado em quase todo o mundo, reflete exatamente a mentalidade capitalista em voga no mundo industrial.

24 Grifo da autora

O modelo japonês prega a produção exata, no tempo correto e com a quantidade mínima de estoque e o envolvimento de todos os trabalhadores no processo, visando a melhoria da produção e a redução de custos e, ainda:

(...) a organização do trabalho está baseada em grupos de trabalhadores polivalentes que desempenham múltiplas funções, adotando, como um dos critérios de avaliação para promoções e/ou aumentos salariais, o rendimento da equipe a que pertence o trabalhador avaliado (DRUCK, 1999: 93).

O surgimento do modelo japonês deu-se nos anos 50, logo após o final da II Guerra Mundial e, só foi possível, pois “no pós-guerra, as condições de vida no Japão são dramáticas, a sociedade encontra-se em estado de grave desemprego e miséria” (OLIVEIRA, 2006: 21), significando que, as imposições desumanas a que os trabalhadores eram (e são até hoje) submetidos, só eram possíveis diante da ameaça do desemprego.

Atualmente essa ameaça não é tão grave para os japoneses, então a Toyota incorporou em sua política de remuneração o “salário por antiguidade” e o “emprego vitalício” , como forma de contribuir para o “desenvolvimento da função de autocoação e autodisciplina que o trabalhador se impõe, como forma de manter a sua condição de trabalhador regular” (OLIVEIRA, 2006:54), pois uma vez deixado o emprego, ao trabalhar em outro lugar, deixará para trás o valor incorporado a mais em seu salário, por tempo de empresa, e o bônus de aposentadoria.

A Toyota, ao instalar sua nova fábrica brasileira em Indaiatuba (região de Campinas, interior de São Paulo) na década de 90, notou que o nível de desemprego a que nossos trabalhadores estavam submetidos seria um bom motivo para mantê-los interessados e dedicados ao seu trabalho, por isso, ela impõe ritmos cada vez mais alucinantes aos seus trabalhadores e ameaça com demissão aqueles que não cumprem com o estabelecido ou questionam as regras (OLIVEIRA, 2006).

Diante desse modelo atual de gestão empresarial, em que as exigências sobre os trabalhadores crescem cada vez mais, e cuja ordem principal é a de redução constante de quadro de funcionários, emerge o novo modelo da informalidade ou trabalho por conta própria.

A informalidade ou o trabalho por conta própria é almejado por inúmeros trabalhadores por diferentes motivos: pela necessidade que este tem em manter-se

produtivo apesar da falta de oportunidades do mercado formal de trabalho, pela tentativa de fugir dos ambientes insalubres onde encontram trabalhos pesados e cobranças desmedidas, ou ainda, pelo desejo de realizar uma atividade que lhe traga satisfação pessoal e profissional. Portanto, pode ser uma decisão programada ou a única alternativa para a sobrevivência, mas de maneira geral, não temos como definir qual o caminho trilhado pelos milhares de brasileiros que optaram por esta condição, como demonstra Rodrigues (2008):

(...) é necessário explicar que se houvesse pleno emprego poderíamos realmente saber quem optou pelo auto-emprego como alternativa de trabalho, uma vez que ele é um misto de autonomia e necessidade. Como a franja de desempregados é enorme e o trabalho informal atinge quase a metade da força de trabalho, não há como estabelecer essa relação (p. 65).

Mas será que para os jovens o auto-emprego ou a informalidade são uma boa alternativa? Primeiramente, verificamos que eles mesmos externam em seu discurso o desejo de possuir um emprego formal (registrado), cursar uma universidade e terem uma profissão:

Luiz: “faculdade se torna obrigatório... pra mim acho que se torna

obrigatório se você quiser ter um meio de vida estável... é obrigatório cê fazê uma faculdade...”

Daniel: “eu trabalho com confecção e tô fazendo um curso ainda... aí tô

procurando melhorá...”

Luiz: “foi indicação, também, né?”

Daniel: “foi indicação, através de uma amigo eu recebi esse serviço...só que

não é registrado...”

Weslei: “mas você nunca procurou um registrado, um que seja melhor,

porque você já tem família, né mano? Já tem uma base, né?”

Janaina: “é difícil...”

Weslei: “mas você pode tentá, vai na Internet, oferece seu curriculum pra

outras empresas melhores...”

Notamos que em seu discurso, deixam claro que o ideário sobre bons empregos passa por um registro em carteira e cursar faculdade, sendo este último quase que obrigatório para quem busca uma colocação profissional melhor, com melhores salários.

Os jovens desta pesquisa acreditam que o curso superior é a chave para ascensão social a que almejam, porém, nos parece claro que, quando relatam esta obrigatoriedade o estão fazendo porque há, por trás, um discurso social que os obriga a dizer tais coisas. Há um ideário social em que um jovem só alcançará o sucesso se realizar tais e tais cursos,

como o que é propagado atualmente pelas faculdades ou escolas de informática e inglês: só terá sucesso no mercado de trabalho quem faz estes cursos.

Além disso, os próprios pais desejam que seus filhos estudem e tenham uma profissão. Mesmo que esses pais possuam um trabalho autônomo ou informal que garanta o sustento da família, não visualizam seus filhos seguidores de seus passos e esperam que eles possam prosseguir nos estudos:

É do desejo dos pais que os filhos não vivenciem as agruras do auto-emprego no cotidiano laboral em pequenos negócios. Para eles, ter seu próprio negócio não é como ter uma profissão. E eles desejam que os filhos estudem para terem uma profissão. Nesse ponto, fica nítida a lucidez que essas pessoas têm quanto a estarem nesse tipo de ocupação muito mais por força das circunstâncias do que por vontade própria (RODRIGUES, 2008: 121).

Fica claro, então, que de modo geral, a informalidade ou o auto-emprego, têm um papel no ideário popular de que, só está nesta situação quem não têm ou teve alternativa. Então, os jovens esperam ter a possibilidade de encontrar um emprego formal, e lutam por isso, além da expectativa dos pais de que estudem para ter uma profissão.

Um dos jovens participantes dos grupos chegou a esboçar certo desejo em ter seu próprio negócio:

Tadeu: “eu tenho vontade de fazer faculdade de turismo e marketing, porque

eu quero um negócio meu próprio que eu sei que é meu, né? tipo, não vou dependê de ninguém, como patrão tal... de registrá você, tal, tal, tal...eu quero ganhá tipo, por mim mesmo...”

Mas, apesar desse desejo, notamos em seu discurso que o plano de trabalhar por conta própria só poderá se concretizar a partir da realização de uma graduação

Apesar da escolha de milhares de trabalhadores brasileiros pelo trabalho informal como forma de subsistência, sem a dependência do registro em carteira e dos benefícios formais que esta situação poderia lhes trazer, ainda existem outros milhares que não abrem mão da segurança do emprego formal, como maneira de assegurar sua aposentadoria, férias, 13º salário e outros benefícios que os trabalhadores informais não podem ter.

Assim como demonstrado pelos jovens acima, o emprego registrado, ainda aparece para muitos, como “melhor” e possuidor de garantias que a informalidade não traz, com a possibilidade de tirar férias pelo menos uma vez ao ano, 13º salário, FGTS e até mesmo o seguro desemprego no caso da demissão.