ÜSYE; % 55.4 AGE; % 15
4.6. Adli vaka durumu
A segunda arena conceitual do novo institucionalismo é formada pelos teóricos da escolha racional, também chamada de teoria positivista. O novo institucionalismo nas vertentes econômica e na da escolha racional é conhecido por sua tradição instrumental. Nessa abordagem, os institucionalistas enfatizam os aspectos do comportamento humano que são baseados no cálculo estratégico. De acordo com Corrêa (2006), os teóricos do institucionalismo econômico e da escolha racional assumem que “os indivíduos procuram conhecer as regras do jogo político, desde os movimentos permitidos e proibidos até as penalidades pelo cometimento de infrações, no intuito de maximizar seus payoffs12 (CORRÊA, 2006: 26)”.
Como afirma Anastasia (2002), aqui a variável principal são as preferências que um conjunto de indivíduos — racionais e estrategicamente orientados — procuram operacionalizar na arena política. A princípio poderia soar contraditória a visão de indivíduos que se comportam racionalmente, levando à pressuposição de independência dos arranjos institucionais. A abordagem da escolha racional é, entretanto, uma reação à concepção de comportamento político dos atores como produto de ações racionais, orientadas a um objetivo e desconectadas do contexto no qual tais objetivos são perseguidos. Isso é, a abordagem da escolha racional estabelece que, embora agindo racionalmente, as preferências dos atores são influenciadas e constrangidas pelo desenho institucional existente.
Para Scott (2001), essa corrente vislumbra as instituições como sistemas de regras e mecanismos de governança construídos por indivíduos que desejam promover ou proteger seus interesses. DiMaggio e Powell (1991) asseveram que o institucionalismo da escolha racional concentra-se no processo de tomada de decisão política, especialmente nas formas como as instituições influenciam os resultados das políticas.
Na tradição do institucionalismo da escolha racional, o indivíduo é orientado e dirigido por resultados, fruto do cálculo estratégico e do conhecimento das expectativas dos demais atores. Os arranjos institucionais estruturam as interações dos atores ao descrever as alternativas de ação disponíveis dentro das regras de um jogo em um dado contexto. Além
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Embora as instituições representem um constrangimento interposto ao comportamento dos atores, de várias formas, elas oferecem vantagens aos indivíduos na busca de seus interesses particulares. Assim, a maximização dos payoffs está associada à diferença entre os ganhos e as perdas de um grupo de indivíduos ao aderirem à uma instituição, mesmo que a mensuração destes ganhos não se dê de maneira objetiva e matemática.
disso, fornecem informações e mecanismos de enforcement que reduzem a incerteza em relação ao comportamento alheio. De acordo com Tsebelis (1998), o institucionalismo dessa vertente conceitual define que o comportamento dos indivíduos é uma resposta ótima ao contexto institucional e que a interação entre os atores políticos é uma relação otimizada entre esses atores e as instituições.
A gênese dos estudos do novo institucionalismo da escolha racional está em avaliações empíricas do Congresso norte americano (ANASTASIA, 2002). Considerando um cenário em que o comportamento dos indivíduos é orientado de forma racional, sem a influência do contexto institucional, o processo legislativo deveria apresentar resultados instáveis diante das regras que governam os procedimentos de escolha e votação. Em tese, seria difícil reunir maiorias no Congresso norte-americano, no qual há múltiplas escalas de preferências entre os legisladores e também um conjunto amplo de questões em debate. Como os agentes se comportam racionalmente na busca de seus interesses, haveria um caráter cíclico das preferências e assuntos, fato que geraria ciclos de novas maiorias que invalidariam as escolhas precedentes. Anastasia (2002) aponta, entretanto, que, surpreendentemente, as decisões do Congresso norte americano se mostravam estáveis, o que provocou questionamentos sobre os motivos desse comportamento. A explicação foi encontrada nas instituições: a instabilidade provocada pelo modelo da escolha racional era suplantada pelas instituições. Em face dos limites cognitivos, das informações incompletas e da dificuldade de monitorar e acompanhar todos os acordos, os atores se apegavam a arranjos institucionais capazes de reduzir os custos de negociação, execução e acompanhamento, isto é: os custos de transação1314.
Dessa forma, no caso do Congresso americano, os arranjos institucionais foram vistos como responsáveis pela estabilidade nos processos de decisão coletiva, uma vez que os custos de mudanças de preferências políticas (custos de transação) eram altos. DiMaggio e Powell (1991) salientam que as instituições funcionam como acordos ex ante,que permitem estruturas coordenadas de cooperação e que emergem exatamente porque os custos de transação de não obedecê-las são muito altos. Ao revisitar os estudos empíricos sobre o
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O conceito de custos de transação é fundamental ao neo institucionalismo da escolha racional. Os custos de transação pode ser entendidos como todos aqueles custos associados à uma relação de troca ou intercâmbio entre duas partes (AYLA, 1996).
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Porque a mudança das regras do jogo aumenta os custos de transação? Novas instituições produzem mudanças que afetam as negociações, os contratos, os direitos de propriedade, o que implica um processo de renegociação. Portanto, a mudança institucional provoca alterações nos custos de transação pela necessidade de adaptação às novas regras. (AYALA, 1996).
assunto, Anastasia (2002) revela que os estudiosos dessa abordagem neo-institucionalista passaram a analisar
(...) um conjunto complexo de procedimentos institucionalizados, tais como sistemas de comissões, instituto da senioridade, operação de regras de maioria qualificada e de tramitação de matérias que impediam a manifestação dos efeitos perversos esperados ali onde a regra majoritária fosse o mecanismo exclusivo de tomada de decisões. (ANASTASIA, 2002:
38-39)
Ao discutir o assunto, o trabalho de Hall e Taylor (2003) salienta que algumas das regras (instituições) permitiam a fixação da pauta, de modo a limitar as discussões e o contraditório. Outras produziam mecanismos e comissões estruturados de modo a servir a um interesse eleitoral majoritário. De forma geral, as instituições representavam a redução dos custos de transação ligados à conclusão de acordos ao propiciar aos parlamentares benefícios de troca por meio de regras estáveis. Como afirmam DiMaggio e Powell (1991), o novo institucionalismo, na vertente positivista, lançou luz sobre as regras que governam e estabelecem a distribuição de poder em assuntos como a constituição da agenda política, a sequência nas quais as propostas são feitas e a alocação de vetos, entre outros. Assim, a racionalidade é exercida a partir dos arranjos institucionais existentes e não independentemente deles.
Scott (2001) afirma que o neo institucionalismo da escolha racional, largamente estudado na ciência política, importou conceitos. Nesse sentido, representa uma extensão, da abordagem neo-institucionalista em economia. De acordo com a visão do novo institucionalismo econômico, a coordenação da atividade econômica não pode ser entendida somente em função das trocas de mercado. Ela envolve um conjunto de arranjos institucionais que devem ser estudados. Dessa forma, o neo institucionalismo econômico preconiza que as trocas realizadas pelos agentes no mercado estão submetidas a uma estrutura de governança composta por regras e estruturas hierárquicas que ultrapassam a lógica imposta pelos mecanismos de preço. Ao observar as regras do jogo, os atores são capazes de tomar decisões que permitam ganhos, tanto no curto como no longo prazo.
O novo institucionalismo econômico toma como unidade básica de análise as relações de troca na economia. De acordo com North (1986), as partes que realizam trocas em um mercado desejam economizar em seus custos de transação em um locus onde a
informação é cara, age-se de forma oportunista e a racionalidade é limitada. Como lidar com tal situação? A abordagem do neo institucionalismo preconiza que os desenhos institucionais reduzem a incerteza ,provendo as regras do jogo no qual as trocas econômicas acontecem e definindo os mecanismos de enforcement que constrangerão o comportamento dos atores, fazendo com que ajam de forma mais previsível. De acordo com o mesmo autor, as instituições são formadas por um conjunto de fatores que limitam a extensão das opções para cada um dos decisores. Dessa forma, as ações dos atores nunca serão um conjunto de atitudes que produzem resultados máximos. Elas permitem a maximização dos payoffs15 a partir de comportamentos estrategicamente orientados pelas regras do jogo das instituições.
Para DiMaggio e Powell (1991), o institucionalismo econômico atribui à inércia um importante elemento na perseverança das instituições. Mesmo quando elas não atendem a uma demanda do ambiente, elas podem permanecer, pois os custos de mudança muitas vezes superam os custos de manutenção de arranjos institucionais pouco efetivos.
Diante da exposição, como os teóricos do novo institucionalismo da escolha racional definem instituições? De acordo com Hall e Taylor (2003), os institucionalistas dessa linha de pensamento se fixam na “perspectiva calculadora” dos atores para explicar a forma como as instituições afetam o comportamento dos indivíduos. Dessa forma, são enfatizados os aspectos instrumentais do comportamento humano: os atores são motivados por um cálculo estratégico. Assim sendo, procuram maximizar seus rendimentos em função de um objetivo definido, guardando coerência entre meios e fins.
O que fazem as instituições nessa perspectiva instrumental ou calculadora? Hall e Taylor (2003) afirmam que na abordagem da escolha racional as instituições oferecem aos atores informações sobre as regras do jogo. Dessa forma, é possível saber como serão os comportamentos de outros atores, os mecanismos de processamento dos acordos e as penalidades pelo descumprimento das regras, entre outros. As instituições são compreendidas como constrangimentos interpostos entre os atores e a consecução de suas preferências. É importante destacar que inicialmente o neo institucionalismo da escolha racional tomava as regras como exógenas ao processo político e estudava o efeito provocado
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De acordo com Hall e Taylor (1996) os institucionalistas da escola racional afirmam que os atores políticos buscam maximizar seu rendimento com referência a um conjunto de objetivos definidos, isto é, buscam levar ao máximo os seus payoffs. Para fazer isso, examinam as escolhas possíveis e selecionam aquelas que oferecem um benefício máximo.
por elas. Posteriormente, o foco abandona esses impactos e passa a ser a direcionado à determinação das próprias instituições: de que forma e por quais motivos as regras do jogo são alteradas pelos jogadores (ANASTASIA, 2002, ARAÚJO, 2006).
Scott (2001) acrescenta elementos à definição de instituições na vertente da escolha racional, observando que elas são definidas como um conjunto de motivações positivas (induções) e negativas (regras) que permitem ao indivíduo maximizar os resultados advindos de suas escolhas. Dessa forma, a realidade do jogo político não é caótica, mas estável, já que as instituições exercem um importante papel de induzir a estabilidade.
Para encerrar este tópico, salienta-se a abordagem de Hall e Taylor (2003) segundo a qual o neo institucionalismo da escolha racional apresenta algumas propriedades que estão presentes na maioria dos estudos e análises sobre o tema. Em primeiro lugar, destaca-se que, nessa arena do neo institucionalismo, os atores possuem um conjunto determinado de preferências e se comportam de forma a maximizar a satisfação delas por meio de um conjunto de decisões estratégicas.
Em segundo lugar, o institucionalismo da escolha racional considera que na vida política há uma série de dilemas da ação coletiva. Ao tentarem maximizar seus benefícios, os atores do jogo político podem gerar resultados coletivos sub-ótimos, pois seria possível encontrar soluções que satisfizessem a coletividade mais amplamente sem que ninguém saísse lesado (HALL e TAYLOR, 1996). Para os autores, essa situação acontece quando não há arranjos institucionais capazes de regular o comportamento dos atores e produzir bons resultados para a coletividade.
Em terceiro lugar, os institucionalistas da escolha racional enfatizam que o comportamento dos atores não é determinado por um conjunto de forças históricas e impessoais, mas por um cálculo estratégico que considera as expectativas do ator em relação aos comportamentos dos demais agentes do jogo político. O papel das instituições é de estruturar
(...) essa interação ao influenciarem a possibilidade e a sequência de alternativas na agenda, ou ao oferecerem informações ou mecanismos de adoção que reduzem a incerteza no tocante ao comportamento dos outros, ao mesmo tempo que propiciam aos atores ‘ganhos de troca’, o que os incentivará a se dirigirem a certos cálculos ou ações precisas. Trata-se de um enfoque ‘calculador’ clássico para explicar a influência das instituições sobre a ação individual. (HALL e TAYLOR, 2003: 205 e 206)
Por último, os institucionalistas dessa escola definem que a criação de uma instituição pode ser explicada a partir dos ganhos de cooperação proporcionados. Assim, a criação da instituição é fruto de um acordo voluntário entre os atores, pois proporciona a redução dos custos de transação e maximiza o ganho de todos os envolvidos.