2. GENEL BİLGİLER
2.5. Adezyon Önleyici Ajanlar
O problema de pesquisa, objeto de análise deste projeto, está na categoria chamada pesquisa de caráter descritivo. Segundo Gil (1999), “as pesquisas deste tipo têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis” (GIL, 1999: 45). Para Batitucci (2003), esse tipo de pesquisa representa uma nova fase nos estudos exploratórios.
As técnicas ou os instrumentos de pesquisa utilizados mesclarão abordagens quantitativas e qualitativas. A pesquisa quantitativa utiliza instrumentos específicos para estabelecer relações de causa e efeito levando em conta análises estatísticas, representatividade e projeção. O propósito é alcançado construindo-se medidas precisas e confiáveis do objeto de estudo. Já as técnicas qualitativas são, de acordo com Maanen (1983), as que procuram “descrever, decodificar, traduzir e, por outro lado, chegar a uma conclusão
quanto ao significado, não à frequência, de certos fenômenos do mundo social”. São flexíveis e aplicadas a pequenas unidades amostrais.
A respeito das técnicas qualitativas, é importante destacar que, em muitas ocasiões, a pesquisa que utiliza esses métodos é classificada de pré-científica. Contudo, embora os procedimentos qualitativos representem perda de precisão matemática e impossibilidade de correlação estatística entre variáveis, classificá-los de pré-científicos é desconsiderar suas potencialidades para o aprofundamento do conhecimento, uma vez que há maior aproximação entre o pesquisador e seu objeto de estudo. Fischer (1998) assevera que por meio dos métodos qualitativos perde-se, sem dúvida, precisão, e é praticamente impossível a validação de hipóteses. Por outro lado, há ganhos de conteúdo. Isso porque há um aprofundamento nos assuntos tratados devido à maior proximidade entre o pesquisador e seu objeto de estudo.
Se a natureza do estudo combina aspectos quantitativos e qualitativos, a técnica de pesquisa central será o estudo de múltiplos casos. Yin (2001) afirma que esse tipo de estratégia metodológica é utilizada em diversas situações no estudo das ciências sociais. O autor salienta ainda que o estudo de caso permite a compreensão da realidade a partir do contexto da vida real e permite lidar com uma ampla gama de evidências como documentos, entrevistas e questionários, entre outros.
Para Yin (2001), um estudo de caso é uma análise
“(...) empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos. A investigação de estudo de caso enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados e, como resultado, baseia-se em várias fontes de evidências (...),beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e análise de dados” (YIN,
2001: 32-33).
Para Creswell (2003), citado por Barbosa (2008), o estudo de caso pode ser entendido como uma metodologia robusta capaz de permitir a compreensão em profundidade dos fenômenos no domínio das ciências sociais. O conceito de Creswell alinha-se ao de Triviños (1987), que já considerara o estudo de caso como a técnica capaz de permitir a compreensão em profundidade de uma realidade.
Na perspectiva de Babbie (1999), esse método procura fundamentar a descrição mais ampla possível de determinada comunidade a partir das interrelações dos
vários componentes estudados. Por sua vez, Gil (1999) define o estudo de caso como um estudo exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento.
De acordo com Triviños (1987), os estudos de caso podem ser separados em: 1. estudos de caso observacionais: a técnica central de coleta de dados é a
observação participante;
2. estudo de caso de história de vida: utiliza-se como técnica central na coleta de dados as entrevistas semi-estruturadas realizadas com pessoas de destaque num contexto social. Por exemplo, um político. Triviños salienta que o próprio nome já ressalta que o objeto de estudo será a busca pelo conhecimento da história de vida de um sujeito;
3. estudos de caso histórico-organizacionais: estudam-se instituições ou organizações. O pesquisador parte do conhecimento sobre uma ou mais organizações. Outra premissa é a existência de arquivos que registram documentos referentes à vida da instituição, publicações e estudos pessoais, entre outros.
Yin (2001) confirma o entendimento de Triviños (1987) e afirma que estudos de casos podem ser de caso único ou de casos múltiplos. Além disso, podem incluir evidências quantitativas, qualitativas ou quali-quantitativas.
A partir do exposto, é possível dizer que nesta pesquisa a estratégia de coleta de dados recai em estudos de caso múltiplos que se enquadram na categoria sugerida por Triviños (1987) como estudos histórico-organizacionais.
Ao tratar os estudos de caso, Yin (2001) afirma que sua utilização é ampla e não se restringe somente a estudos exploratórios, como consideram alguns compêndios de metodologia. De acordo com o autor, diversas vezes atribui-se uma hierarquia às técnicas de pesquisa, segundo a qual os estudos de caso devem ser utilizados em estudos exploratórios. Por sua vez, levantamentos correspondem à fase descritiva de estudos, e experimentos, à fase explanatória e causal. Yin (2001), entretanto, afirma que o estudo de caso deve ser correlacionado não ao tipo de pesquisa, mas aos questionamentos que formam o problema. Sendo assim, esse tipo de metodologia é mais apropriada para se responder questões do tipo “como” e “por que”.
Barbosa (2008) destaca que o pesquisador precisa estar ciente de dois aspectos centrais ao escolher o estudo de caso. O primeiro atinente à capacidade de generalização teórica dos resultados, o segundo associado à taxonomia utilizada nos estudos de caso.
Com respeito à capacidade de generalização ou construção de teorias como produto final de uma pesquisa, Eisenhardt (1989) destaca que o resultado de um estudo de caso pode se consolidar em conceitos, frameworks teóricos ou proposições. Para Walsham (1995), quatro tipos de generalizações são possíveis a partir dos estudos de caso:
(a) desenvolvimento de conceitos: a partir do estudo de um ou múltiplos casos, o autor de uma pesquisa pode chegar ao desenvolvimento de um novo conceito, que funciona como uma base teórica para estudos ulteriores; (b) generalização da teoria: a utilização de quadro de referências teóricos pode
ser utilizado para analisar casos específicos. Após a análise, é possível testar a aderência da abordagem teórica à realidade estudada e formular novas teorias com base no caso estudado;
(c) desenvolvimento de implicações específicas: a partir de um estudo de caso, é possível chegar a implicações específicas de uma teoria para determinadas realidades. Significa dizer que o estudo de caso permite tecer considerações teóricas a partir dos limites e das particularidades de um caso. Dessa forma, em situações com limites semelhantes, as implicações tenderiam a se repetir;
(d) surgimento de insights: por último, estudos de caso podem produzir com efeito teórico o surgimento de ricos insights sobre temas e assuntos estudados.
Em relação à taxonomia ou tipologia utilizada para categorizar um caso, cumpre dizer que é fundamental o pesquisador definir com clareza as unidades de análise que compõem o estudo. A pesquisa quantitativa lida com variáveis, a qualitativa, com categorias de análise. Independente da abordagem quantitativa ou qualitativa, variáveis ou categorias de análise expressam a taxonomia de um caso, referem-se a um conceito que abrange elementos relacionados entre si. Os propósitos de estabelecer categorias analíticas podem ser assim resumidos: (a) agrupar elementos, idéias e expressões em torno de conceitos capazes de sintetizar a coleta, análise e interpretação dos dados; (b) traduzir a fundamentação teórica em itens analisáveis. Geralmente a base teórica é formada por um conjunto amplo de conceitos e
idéias. As categorias estabelecem a taxonomia que permite a vinculação do fundamento teórico como o objeto de pesquisa; (c) permitir a construção dos instrumentos de coleta de dados de forma coerente com os fundamentos teóricos expostos.
Na presente tese, a elaboração da taxonomia foi realizada com a construção de um esquema conceitual, esquema de análise ou esquema analítico chamado visão integrada para o estudo das políticas de governo eletrônico e apresentado no item 6.3.
Por meio dos itens expostos no esquema de análise, foi possível criar o questionário e o roteiro de entrevista para a coleta de dados.
6.3. Esquema conceitual - uma visão integrada para o estudo das políticas de governo