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Belgede MUSTAFA KEMAL ÜNİVERSİTESİ (sayfa 69-84)

II - PERFORMANS BİLGİLERİ

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Conforme aludimos no primeiro capítulo deste trabalho, é de suma importância que especifiquemos quais os critérios básicos de seleção das ocorrências a serem consideradas em nossa análise. Em primeiro lugar, tendo em vista a complexidade das estruturas mediais e a variedade de definições a elas atribuídas, selecionamos somente as médias que atendem fundamentalmente aos seguintes requisitos:

a) Demoção do agente35 – as médias se caracterizam pela remoção do elemento agentivo (iniciador, controlador, volitivo) responsável pelo evento verbal:

35 Em consonância com Lima (1999), é importante relembrar que há casos em que a média admite a presença de

um elemento causativo (animado ou inanimado, não-volitivo, iniciador do processo) como sintagma preposicionado. Podemos observar no seguinte exemplo de nosso corpus: “aí:: o amigo dele acaba ficando com essa mulher se apaixona por ela e fica com ela e abandona a noiva dele... da vila...não quer mais saber da [vila

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(6) aí passo o dia todinho ajudando ela... que ela se operou das duas vista ø

sabe... ai fico lá ajudando. (NORPOFOR / DID-36)36

b) Admissão da contraparte transitiva – mesmo sendo de-transitivas, as estruturas mediais admitem uma correspondente transitiva, conforme nos assegura Givón (1993, 1995):

(7) aí foi que ele se acalmou...aí o rapaz disse...cante baixo... cante baixo... (NORPOFOR / DID-36) / Contraparte transitiva: Aí foi que alguém o acalmou... aí o rapaz disse... cante baixo... cante baixo...

c) Sujeito paciente ou experienciador – o sujeito das estruturas médias é um

afetado por um processo expresso pelo verbo:

(8) mas eu sempre fui uma pessoa cuidadosa [...] ele se tratou doze anos... (NORPOFOR / DID-53)

(9) éh::: é nervosa eh::: e fica elase altera demais (NORPOFOR / DID-75)

d) Verbo de processo – o verbo utilizado nas médias expressa um evento ou uma sucessão de eventos que afetam um sujeito:

(10) você se admira de tudo hoje em dia é um negócio bem diferente mesmo diferente tudo ninguém respeita ninguém (NORPOFOR / DID-149)

Em segundo lugar, atendendo às premissas básicas da Sociolinguística Variacionista, limitamo-nos às estruturas mediais pronominais, nas quais hodiernamente da noiva da vila]...” (NORPOFOR / DID-32, grifos nossos). Não as desconsideramos, pois, mesmo recuperando o causador do evento, este não é volitivo e controlador pleno do evento, tal como se observa em construções ativas. Além disso, elas atendem aos outros critérios que apresentamos. Borba (1991, s.v.) define o verbo

apaixonar como verbo de ação-processo (sujeito agente/causativo) que significa “despertar ou provocar amor intenso” e exemplifica: Ela apaixonava todos com seu belo sorriso. Esse verbo passa a verbo de processo, na forma pronominal (sujeito experienciador e complemento apagável (por + nome)) com o sentido de “ser tomado por intenso amor”: Apareceu uma moça que se apaixonou pelo ateu.

36 Onde temos “NORPOFOR / DID-36”, devemos ler Norma Oral Popular de Fortaleza / Diálogo entre

Informante e Documentador – Inquérito nº 36. Em todos os outros exemplos, a leitura deve ser feita nos mesmos moldes, atentando-se apenas para a mudança do número do inquérito.

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percebemos a alternância presença/ausência do clítico, sem alteração do significado referencial da construção. Desse modo, desconsideramos as estruturas exclusivamente pronominais – tais como suicidar-se, queixar-se, atrever-se etc. – pois, além de estarem sempre acompanhadas pelo clítico se, não atendem aos nossos critérios de identificação de estruturas mediais. Suicidar-se, por exemplo, é um verbo de ação-processo e não tem contraparte transitiva – por exemplo: Paolo suicidou-se / *Alguém suicidou Paolo. Queixar-se e atrever-se são verbos de ação e, naturalmente, não tem uma correspondente ativa – por exemplo: As filhas se queixavam da falta de atenção / *A falta de atenção queixava as filhas; Cassandra atreveu-se a resolver o desafio de matemática / *A resolução do desafio de matemática atreveu Cassandra. Também desprezamos as estruturas exclusivamente não- pronominais, com verbos como melhorar, aumentar, crescer e outros, vez que, em geral, expressam eventos espontâneos construídos sem o clítico – por exemplo: A situação melhorou significativamente / O salário aumenta a cada ano / A árvore cresceu.

Em terceiro lugar, selecionamos médias acompanhadas não somente pelo clítico se de terceira pessoa, mas por clíticos átonos próprios da primeira e segunda pessoas do singular e do plural, tais como me/nos e te/vos37. Desse modo, assim como já mencionamos na introdução desta pesquisa, encaramos o clítico se como uma espécie de arquimorfema para significar um pronome correferencial, não-anafórico38, que engloba as seguintes pessoas gramaticais: 1ª (me, nos), 2ª (te, vos) e 3ª (se). É fato que focamos uma atenção maior no se da terceira pessoa, devido a sua predominância nas ocorrências, a sua natureza complexa e a sua diversidade funcional. Todavia, a identificação de vários dados nas 1ª e 2ª pessoas gramaticais nos motivou a verificar até que ponto a categoria de pessoa pode influenciar no comportamento variável do clítico médio. É relevante ressaltarmos que formas como a gente e você/vocês – as quais co-ocorrem com os pronomes pessoais nós e tu, respectivamente – adjungiram-se, por questões de natureza formal, ao pronome se, mesmo correspondendo semanticamente a 1ª e 2ª pessoas. Isso serve para reiterar a importância de darmos ênfase a esse clítico em particular, tendo em vista a sua fluidez, flexibilidade e multiplicidade semântico-funcional em Português.

37 Salientamos que não foram encontrados casos de estruturas mediais com o clítico nos, pois – dos exemplos

identificados no corpus – todos funcionavam como recíprocos. Em relação ao pronome vos, não foram identificadas quaisquer ocorrências, nem com valor de reciprocidade.

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Cumpre acrescentar, ainda em relação a esse último aspecto de seleção das ocorrências, que identificamos somente seis casos de discordância pronominal39 – especificamente, entre o sujeito das 1ª (eu/nós) e 2ª pessoas (tu/vós) e o pronome oblíquo correspondente (me/ nos e te/vos) – em nossa amostra, o que nos causou relativa surpresa, tendo em vista o fato de ser o NORPOFOR um corpus popular. Todavia, devemos considerar que, na verdade, isso serviu para nos mostrar que, apesar de a sociedade ainda compartilhar o ideário de que o falar popular favorece a apresentação de formas estigmatizantes, os dados coletados desmistificaram essa concepção. Nessas ocorrências, o clítico se ocupou a posição das formas átonas da primeira e segunda pessoas. Como consideramos o se uma espécie de arquimorfema e obtivemos reduzida incidência de casos dessa natureza, optamos por analisá- las em conformidade com a pessoa gramatical do sujeito da estrutura.

Belgede MUSTAFA KEMAL ÜNİVERSİTESİ (sayfa 69-84)

Benzer Belgeler