2. LİF TAKVİYELİ KOMPOZİT DONATILAR
2.3. BETON İLE DONATI ADERANSI
2.3.2 Aderans Deneyleri
O período entre 1995 – ano em que foi sancionada a Lei do Cabo – e 2007 foi
repleto de mudanças aceleradas no Brasil no quesito tecnológico. Com o advento da popularização da internet e o acesso ao serviço de banda larga, o perfil de consumo midiático da população sofreu transformações.
Ao considerar este cenário, depois de doze anos da Lei do Cabo, em 2007, o deputado por Santa Catarina, Paulo Bornhausen, filiado ao Partido Da Frente Liberal (PFL), apresentou um projeto de lei para atualizar a normatização através da “organização e exploração das atividades de comunicação social eletrônica”. Propões a revogação da Lei do Cabo e a criação de um novo texto que considerasse o novo panorama tecnológico mundial.
Entre as intenções do projeto estava a aglutinação de todas as tecnologias de “comunicação social eletrônica” regulada por um mesmo texto normativo. Tal propósito não se concretizou. As diferenças entre os serviços de radiodifusão, TV paga e internet, foram o principal argumento contra junção normativa dos meios.
Durante a tramitação do projeto de lei – que durou de 2007 até 2011, quando foi
sancionada pela presidente da república Dilma Rousseff –, o projeto foi remodelado
e deu ao texto da Lei da TV paga (2011). Ela rege especificamente o setor de televisão paga e traz em seu texto uma preocupação pública mais específica e objetiva com o conteúdo e a promoção da produção nacional e/ou independente.
O projeto de lei foi apresentado em um período propício. A produção audiovisual como forma de acesso e comunicação da cultura nacional e da diver sidade cultural estava inserida na agenda do Estado. Apesar da Lei Federal de Incentivo
Cultural (Lei Rouanet) ter sido sancionada em 1991 e a Lei do Audiovisual ser datada de 1993, foi quase dez anos depois que a atenção do Estado se voltou mais concentrada ao setor audiovisual. A criação da Ancine (Agência Nacional do Cinema), em 2001, por meio da Medida Provisória n°2228-1, foi um grande indício dessa preocupação pública e normativa com esse setor em crescimento no país. No mesmo decreto foi criada a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional - Condecine, cujos recursos são destinados, a partir de 2006, ao Fundo Setorial do Audiovisual15.
O FSA [Fundo Setorial do Audiovisual] é um marco na política pública de fomento à indústria cinematográfica e audiovisual no país, ao inovar quanto às formas de estímulo estatal e à abrangência de sua atuação. Isto porque o FSA contemp la ativ idades associadas aos diversos segmentos da cadeia produtiva do setor – produção, distribuição/comercialização, exibição, e infraestrutura de serviços – mediante a utilização de diferentes instrumentos financeiros, tais como investimentos, financiamentos, operações de apoio e de equalização de encargos financeiros. (BRASIL, MINISTÉRIO DA CULTURA)
A TV paga foi um importante setor dentro das negociações para a formulação da medida provisória que deu origem à Ancine. Apesar do foco mais direcionado ao cinema da Condecine, sua existência influenciou a cadeia produtiva audiovisual e ecoou também no setor de TV paga.
Do ponto de vista dos programadores internacionais, o personagem central daquele mo mento foi Abel Puig, ex-d iretor geral dos canais Fox no Brasil, que conduziu diretamente as negociações com o governo. Houve u ma série de ajustes até a instalação definitiva da Ancine, em 2002, e algu mas contrapartidas importantes foram acertadas entre governo e o setor da TV paga. A mais impo rtante foi a regra para a atenuação da Condecine no caso de produção nacional. Em lugar de pagar 11% sobre o valor de suas remessas ao exterior para a contribuição ao cinema, os programadores estrangeiros poderiam optar por aplicar 3% desse faturamento em coproduções locais, e com isso ficariam isentos da Condecine. (POSSEBON, 2009, p.198)
A ação colaborativa do Estado com os agentes do setor de TV paga gerou uma abertura e ampliação do conteúdo nacional no país, com um crescimento nas produções nacionais exibidas no serviço. Neste cenário, a HBO foi um dos canais que acolheu a proposta e no período realizou no Brasil produções como Filhos do Carnaval (2006) e o drama intitulado Alice (2008). A HBO também criou, neste momento, projetos que
viriam a ser utilizados nos anos posteriores a lei de 2011, para o cumprimento das cotas estabelecidas em lei.
A movimentação em relação às políticas culturais direcionadas ao audiovisual teve destaque no governo do presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva (2003-2011). O ministro da Cultura do primeiro mandato de Lula foi o músico Gilberto Gil (2003-2008). Este foi um período marcado por uma busca pela abrangência e a articulação da amplitude das atividades culturais que foram abarcadas. Buscou-se dar, o que Rubim (2008, p.197-198), considerou como, uma contemporaneidade ao Ministério, com a preocupação em colocar o Estado em uma posição de protagonismo com a promoção e financiamento da cultura nacional e nesse cenário também explorou o incentivo aos modelos de culturas digitais e audiovisuais. O objetivo era consolidar institucionalmente o Ministério e fomentar as políticas públicas culturais, dentre as quais se incluem os produtos audiovisuais.
Em 2007, foi apresentado o projeto de lei que versava sobre a comunicação social eletrônica e em 2011 a lei foi sancionada com as obrigatoriedades de cotas de conteúdo nacional nos canais do serviço de TV paga, ação com finalidade de aquecer e desenvolver o mercado de produção brasileira e promover a cultura nacional. A proposta da lei incentivava um maior acesso dos produtores de conteúdo e da cultura nacional aos meios de distribuição, principalmente no que tange os quesitos relacionados à quantidade de conteúdo veiculado que deve ser produzido por produtora nacional e/ou independente.
4.2 Análise da implementação: O processo legislativo