4. BULGULAR
4.2 ADAMTS1, 4 ve 5 mRNA düzeylerinin qPCR ile analizi
O primeiro livro da série Harry Potter foi lançado inicialmente na Inglaterra em 1997 e a saga terminou dez anos depois, em 2007, com 7 volumes publicados. Os volumes não seguiram o mesmo ritmo e nem foram publicados com o mesmo intervalo de tempo. Os quatro primeiros títulos da série foram originalmente impressos anualmente, sempre em junho ou julho. A partir do quinto livro, os leitores da série tiveram que esperar aproximadamente dois anos para ler as novas aventuras do bruxinho.
O site de Rowling informa que a autora havia começado a trabalhar no manuscrito dos livros muito antes de eles serem publicados, em 1990. Segundo o conteúdo do site, o personagem
principal da série e seus dois melhores amigos “apareceram” na mente da autora durante uma viagem de trem. Entretanto, ela precisou de mais sete anos para terminar e publicar o primeiro volume. Durante esses sete anos, Rowling trabalhou não apenas no primeiro livro, mas também em vários capítulos e em partes dos volumes seguintes. Um exemplo que podemos citar é que, embora ainda não tivesse publicado o primeiro livro, Rowling já tinha a intenção de fazer uma série sobre o personagem e o último capítulo do último livro foi escrito nos primeiros anos em que ela escreveu a série.
Uma das nossas indagações principais era avaliar quais livros da saga os leitores haviam lido. Esse dado também é relevante na medida em que consideramos necessário saber se os leitores chegaram a ler todos os livros da série ou se haviam parado no meio do caminho. Acreditamos que, para considerarmos que a série tenha influenciado os leitores nos seus hábitos de leitura, eles necessariamente deveriam ter lido todos ou pelo menos a maioria dos livros.
Quando indagados sobre quantos livros da série haviam lido, entre os vinte e dois leitores que responderam ao questionário, quinze já haviam lido todos os livros da coleção. Quanto aos outros sete participantes, podemos supor que, apesar de não terem lido os livros, eles assistiram aos filmes. Não queremos afirmar com isso que achamos que assistir ao filme substitui a leitura do livro, mas que, para esses leitores, o filme foi suficiente para interagir com o grupo de leitores. Um questionamento pode ser feito quanto a esse grupo de leitores: se não houvessem os filmes, eles teriam prosseguido com a leitura de toda a série? A nossa hipótese de que há uma incessante troca entre as produções culturais nas diferentes linguagens pode ser confirmada na análise dos depoimentos dos leitores, que passam de um a outro, ao recuperarem as narrativas, podendo assim interagir com o grupo.
Esses dados apontam para a ideia de que grande parte dos leitores que iniciam a leitura de Harry Potter leem toda a série e, na maioria dos casos, na sequência dos lançamentos. Em alguns poucos casos, como veremos abaixo, a leitura não seguiu rigorosamente a sequência cronológica de publicação.
Um fato curioso e diferente da maioria dos leitores de Harry Potter é a ordem de leitura que a leitora Catarina resolveu adotar, que, de certa forma, contraria a ideia de leitura linear que o
141 conjunto da obra faz supor. Ela começou a ler os livros na ordem inversa de publicação. Começou lendo Harry Potter e O Enigma do Príncipe, que pegou emprestado com um amigo e terminou com Harry Potter e A Pedra Filosofal, relendo todos os livros antes do lançamento do último livro. Apesar de inicialmente ter pegado os livros emprestados, posteriormente ela adquiriu toda a coleção, inclusive com alguns exemplares em inglês. O mesmo padrão se repetiu com as outras entrevistadas, que também afirmaram possuir em seu acervo pessoal todos os livros da série em português.
O mesmo padrão se repetiu com a leitora Emma. Ela começou a leitura dos livros pelo último livro publicado e então retornou ao primeiro, para posteriormente continuar a leitura cronologicamente. Apesar de ser uma grande fã da série, ela não leu todos os livros publicados. Entre os que ainda estão na sua wish list, destacam-se Harry Potter e a Ordem da
Fênix e Harry Potter e o Príncipe Mestiço. Quando indagada sobre o motivo da não leitura
desses volumes da série, Emma afirmou que estava sem tempo para ler os livros, pois havia mudado de colégio recentemente e como ela costuma conversar muito com os amigos sobre a série, ela já sabia tudo que aconteceria nos livros, mesmo as partes diferentes dos filmes, que ela já havia assistido,
Como eu tenho muito amigo que gosta, acaba que eles me contam muita coisa que acontece, então é quase como se eu já soubesse tudo, só que eu sei que tenho que ler, é importante e tal, mas não fez falta nenhuma pra mim no último livro, não ter lido o quinto e o sexto, porque eu sabia de tudo, porque a gente comentava [fragmento de entrevista da leitora Emma concedida no dia 15 de julho de 2013].
No entanto, ela afirma que, lendo os livros da série, ela descobre novas partes que não foram incluídas nos filmes e que isso é muito empolgante e um dos principais atrativos para a leitura da coleção. Entretanto, como afirmamos no início deste capitulo, ela disse que prefere os filmes aos livros, pois os filmes foram o seu primeiro contato com a série, diferentemente das outras leitoras, que apesar de, em sua maioria, terem tido o primeiro contato com os filmes, apontaram os livros como seus favoritos.
Apesar de a série narrar cronologicamente as aventuras do protagonista, os livros são relativamente independentes entre si. Com exceção dos últimos dois volumes da série, que se complementam, os outros livros possuem enredos autônomos e que, embora sejam complementares, não impedem o entendimento de cada livro. Além disso, a autora utiliza, em grande parte da série, uma estratégia de recapitulação, geralmente no primeiro capítulo de
cada livro, recontando um pouco da história principal do personagem e o que aconteceu no livro anterior. Coelho ressalta que essa retomada facilita a compreensão e a fluidez da série, apontando que:
A trama novelesca de cada um [dos livros] é habilmente construída pela grande arte da autora, no sentido de que cada um deles possa ser lido e compreendido independentemente da leitura dos demais. Todas as informações indispensáveis para a compreensão da série são dadas em meio aos acontecimentos de cada volume, de modo absolutamente natural, fazendo parte da nova trama. Assim, a leitura da série pode começar por qualquer um dos volumes e o essencial será perfeitamente conhecido e compreendido (COELHO, 2005, p. 60).
Dessa forma, a autora enfatiza que a leitura dos livros da série pode ser iniciada por qualquer volume, sem prejuízo da compreensão da obra, especialmente devido à reapresentação de fatos importantes, que são inseridos no decorrer da narrativa.
Aguiar (2005, p. 15) também propõe uma reflexão sobre a leitura dos livros e essa independência entre os livros da série, destacando que as narrativas dos livros são
previsíveis e fáceis de serem acompanhadas, porque os leitores de antemão têm a garantia do sucesso no final de cada etapa. Quando iniciam um novo livro, ingressam não só em um universo conhecido, mas em fórmulas narrativas já previstas, o que contribui para a facilitação da leitura. Por outro lado, como as peripécias e artimanhas são sempre novas, o prazer do texto mantém-se para todos.
Quando Aguiar relata a entrada do leitor nesse universo conhecido e das fórmulas narrativas já previstas, percebemos que os volumes apresentam sempre o mesmo padrão. Todos os livros começam com Harry na casa dos tios, durante as férias de verão, e esperando ansiosamente o dia em que retornará para a escola. O tempo em que ele permanece na casa dos tios é sempre variável, pois, a partir do segundo livro, ele começa a passar parte das férias na casa de seu melhor amigo, Ronald Weasley, e, com o decorrer dos livros, esse tempo é gradualmente reduzido. Os garotos chegam a Hogwarts e lá passam a viver diversas aventuras, sempre acompanhadas de muito mistério e infração às regras da escola. No final de cada livro, geralmente acontece um embate entre Harry e Voldemort, dos quais o herói sempre escapa, retornando para a casa dos tios no final de cada ano letivo. O único livro que foge a essa fórmula apontada por Aguiar e por nós sintetizada é o último, quando os personagens principais não retornam para o último ano escolar em Hogwarts e partem em busca das
143 horcruxes22. Nesse volume em específico, é difícil encontrarmos uma previsão da narrativa, com exceção do combate final entre as forças do bem e do mal.
Essa estratégia de retomada dos principais acontecimentos da história potencializa a independência dos livros e dos leitores, que não se veem obrigados a lerem os livros na ordem de publicação. Entretanto, a leitura na ordem cronológica de publicação dos livros facilita a compreensão da história como um todo e dos detalhes deixados pela autora que serão relembrados nos próximos livros.
A segunda opção mais marcada entre os livros da série lidos, além da coleção completa, foi o primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, reafirmando as análises do capítulo três quando analisamos as listas de empréstimos da biblioteca pública Luiz de Bessa e verificamos que o livro mais emprestado é exatamente este. Harry Potter e A pedra filosofal também representa, de acordo com estimativas, o volume da série com maior número de exemplares vendidos. Apesar de ser muito difícil encontrar com exatidão esses dados, estimativas sugerem que o primeiro livro vendeu em torno de 120 milhões de exemplares
As informações abordadas neste subtópico tiveram por intenção registrar que a leitura de todos os livros da coleção foi realizada pela grande maioria dos leitores que participaram do encontro na biblioteca. Além disso, buscamos problematizar a relativa independência dos livros, que não precisam ser lidos na ordem de publicação para que o leitor consiga compreender a obra como um todo. Como pôde ser observado nas entrevistas realizadas, duas das meninas pesquisadas haviam lido os livros de maneira independente, de acordo com os seus interesses de leitura. Um dos motivos que podem levar a essa leitura fora da ordem cronológica é a estreita relação dos livros com sua adaptação cinematográfica, o que facilita a compreensão de quem não leu o livro, mas assistiu ao filme. Pesquisadores de literatura, como Coelho e Aguiar, apontam também que um dos motivos de essa leitura não acontecer necessariamente na ordem de publicação se justifica pela fato de a autora dos livros sempre trazer em cada volume aspectos importantes da história no geral, retomando e reapresentando peças fundamentais para a compreensão da série e por utilizar uma fórmula narrativa que segue sempre o mesmo padrão nos primeiros seis livros da coleção, caracterizados por férias de verão na casa dos tios, ida para Hogwarts e retorno para a casa dos tios.
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