• Sonuç bulunamadı

Adaçayının Çeşitli Hastalıklar Üzerine Literatür Çalışmaları

As imagens apresentadas neste capítulo nasceram de uma proposta metodológica que priorizou o trabalho de imagens, por serem carregadas de

69 DELORY-MOMBERGER, C. Biografia e educação: figuras do indivíduo-projeto.

Tradução de Maria da Conceição Passegi, João G. da Silva Neto, Luis Passegi. São Paulo: Paulus; Natal: EDUFRN, 2008.

memória. Essa proposta nos levou a considerar a importância da escolha como critério essencial para conduzir a produção visual do Professor Afonso Pereira. O termo fotobiografia é empregado aqui para remeter a um conceito ligado a narrativas humanas, que se movimentam para além da utilização ilustrativa da imagem fotográfica, à medida que passamos a priorizar as camadas de histórias que vão se completando, reforçadas pela particularidade dos suportes de expressão humana - palavra e imagem - que nos permitiram encontrar revelações significativas acerca de cada imagem, associadas ao conjunto fotobiográfico, uma espécie de arqueologia.

Para Didi-Huberman (2002), tentar uma arqueologia é sempre se arriscar a colocar, uns aos lados dos outros, pedaços de coisas que sobreviveram provenientes de lugares separados e de tempos disjuntos por lacunas. Esse risco, como ressalta o autor, é chamada de imaginação e montagem.

À medida que a montagem não está simplesmente orientada, ela escapa às teleologias e torna visíveis as sobrevivências, os anacronismos, os encontros de temporalidades contraditórias que afetam cada objeto, cada acontecimento, cada pessoa, cada gesto. Assim sendo, o historiador renuncia a contar ‘uma história’ mas, ao mesmo tempo, consegue mostrar que a história não se faz sem todas as complexidades do tempo, todas as camadas da arqueologia, todos os ponteados, os interstícios do destino (DIDI-HUBERMAN, 2002, p. 27).

As fotobiografias localizadas no AAP, com as quais trabalhamos, não fugiram a esse processo, cuja singularidade repousa na constatação de que a construção de sua historicidade se dará, principalmente, a partir de imagens que elegemos. Nesse momento de seleção das fotobiografias, buscamos entender o que um conjunto de imagens guardadas em acervos era capaz de revelar sobre uma vida e como nos permitiria pensar sobre o processo autobiográfico do Professor Afonso Pereira no contexto da UFPB.

Toda imagem contém algum coisa da representação de um pensamento sobre o real, capaz de veicular o pensamento daquele que propôs a imagem (DIDI- HUBERMAN, 2002). Seguindo essa linha de raciocínio, passamos a reconhecer que cada fotobiografia nos levaria para os caminhos da memória, um suporte

fundamentalmente imagético e imaginário das histórias de vida. A partir dessa memória foi que as imagens passaram a ser escolhidas e/ou excluídas. As imagens escolhidas evocam e representam a história de vida de nosso protagonista.

No que se refere ao acervo do AAP, vem sendo arquivado desde a década de 50. Todos os documentos decorrentes das atividades desenvolvidas pelo Professor Afonso Pereira - os gerados e os recebidos - foram organizados obedecendo a um sistema de arranjo70 e respeitando a organicidade, mesmo sendo guardado na própria casa.

Só em 1998 o acervo foi transferido para a primeira residência do casal, que, naquele momento, estava desocupada, e com seu buck ground em organização de arquivos e museus, dona Clemilde Torres Pereira da Silva presenteou o esposo com o AAP, cuja vasta documentação se destaca pela multiplicidade de ações desenvolvidas por seu patrono, atuante nos mais diversos movimentos educativos, científicos e culturais, que envolvem diferentes contextos sociais, cujas marcas estão retratadas nos artefatos que compõem o referido acervo de suportes, formas, formato, gênero, espécie, tipo de documentos o mais diverso e singular, por isso qualificado de “santuário de preciosidades” por Oliveira (2008).

A significativa coleção de fotografias do AAP documenta a ação do seu patrono, como exemplo das fotografias relacionadas à sua atuação na UFPB, que estão acondicionadas em álbuns, que apresentam na capa o logotipo do AAP, a numeração do álbum e o assunto, que é a identificação da instituição e/ou evento registrado, dentro do quadro de arranjo funcional, mas não apresentam critérios de ordenação das fotografias que compõem o álbum nem índices. A maioria dessas fotografias tem identificações um pouco mais específicas - são as que estão expostas nos diversos ambientes do arquivo, pois trazem uma legenda, o que dificulta a identificação de pessoas (retratadas e do fotógrafo), local e data do registro.

Para proteger e conservar bem mais as fotografias dos álbuns, não há adesivos, clipes nem etiquetas coladas, mas binders, ou seja, pastas que apresentam quatro anéis de uma polegada que fixam bem mais suas páginas. As próprias

fotografias não estão afixadas por qualquer tipo de material, mas encaixadas em folhas de papel sulfite, que apresentam pequenos cortes, obedecendo à altura e à largura da fotografia, para que possam ser acomodadas, mas não são papéis com ph neutro (acid-free).

O AAP não apresenta política de preservação e conservação do acervo, porque não há normas estabelecidas para precauções com o manuseio das fotografias. Ele é cuidado por três funcionários, porém nenhum deles qualificado em conservação e restauração de fotografias. Devemos lembrar que os principais fatores de deterioração das fotografias são “áreas de armazenamento inadequadas, materiais de acondicionamento de baixa qualidade e práticas de manuseio inapropriadas [...]” (MUSTARDO; KENNEDY, 2001, p. 8)

Se o AAP não apresenta condições ambientais favoráveis para conservar o acervo fotográfico, tampouco tem representação física e de conteúdo do referido acevo, o que impossibilita o acesso à informação, visto que esse objetivo só seria alcançado por meio do trabalho de descrição do artefato e seu conteúdo.

Benzer Belgeler