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Sociedade Unificada de Ensino Augusto Mota

O processo de se tornar professor foi algo assim, não tinha quem desse, vai você que tem uma formação recente. Não tem tu, vai tu mesmo! No meu terceiro ano de curso eu já dava aula. Quando acabei o curso, já fiquei na ABBR dando aula Virgílio Cordeiro de Melo Filho (2015) (ANEXO II).

Quando comecei a ser professora da SUAM foi muito difícil, porque foi a minha primeira experiência docente… E nós criamos o curso do nada. Como nós iríamos criar? Como é que iriamos selecionar professor? Não tinha curso, não tinha graduação... Então, tudo aquilo que Virgílio ensinou, eu ensinei da mesma forma, e não abri mão dos laboratórios. Ângela Bitencourtt (2015) (ANEXO III)

O primeiro curso de Terapia Ocupacional no Brasil foi fundado em 1956 pela ABBR, instituição de caráter filantrópico, localizada na cidade do Rio de Janeiro.

A ideia da criação de uma ABBR no Rio de Janeiro se deu mediante a iniciativa do arquiteto Fernando Iehly Lemos54, que, no ano de 1952, vivenciou intimamente as consequências da epidemia de poliomielite que assolava o país, pois seu único filho foi acometido pela doença e ficou com sequelas da paralisia infantil. A partir de então, Fernando Lemos almejou criar um Centro de Reabilitação para o atendimento de pessoas acometidas por disfunções físicas em decorrência de doenças do aparelho locomotor, inclusive aquelas com sequelas da poliomielite. Segundo Baptista (1988), esse Centro teria como objetivo a implantação e o desenvolvimento da reabilitação no país de acordo com o conceito definido pela OMS, no qual era preconizada a ampliação das intervenções médicas, sociais, educativas e profissionais dos indivíduos acometidos por disfunções físicas, com o intuito de habilitá-los ou reabilitá-los à sociedade, inclusive como medidas que possibilitassem sua própria subsistência (LEMOS, 1985; CAMPOS, 1985 (ANEXO V); ABBR, 2011).

Para concretizar o desejo de construir um Centro de Reabilitação, Fernando Iehly Lemos entrou em contato com o médico ortopedista que acompanhou seu filho durante o processo de adoecimento, Oswaldo Pimentão, e propôs sua construção. A partir de então,

iniciaram uma série de reuniões com o intuito de discutir o processo de construção desse Centro de Reabilitação, que ocorriam todas às sextas-feiras no escritório de Fernando Lemos, localizado na Avenida 23 de Maio. Aos poucos, foram sendo convidadas pessoas para colaborar com a construção desse Centro, entre elas estavam os Drs. Oswaldo Pinheiro Campos, Jorge Faria, Antônio Caio do Amaral e Hilton Baptista, que, imediatamente, entenderam que a ideia de construção de um Centro de Reabilitação era muito ambiciosa para época, uma vez que inexistiam no país profissionais qualificados para o trabalho com reabilitação. Assim, optou-se pela criação de uma ABBR, que, posteriormente, abrigaria um Centro de Reabilitação.

Durante as reuniões, o Corpo Médico e o Conselho Técnico da ABBR, formados pelos médicos convidados, citados anteriormente, e os demais colaboradores da ABBR iniciaram as discussões do Estatuto da Associação. Quando o Estatuto foi finalizado, Fernando Lemos convidou o amigo e empresário Percy C. Murray, que tinha um filho com deficiência, para se unir à equipe (LEMOS, 1985).

A assembleia que fundou efetivamente a Associação Beneficente de Reabilitação ocorreu no dia 5 de agosto de 1954, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, como consta na ata55. Entre os presentes, foi escolhido um representante para assumir a presidência da assembleia, o Dr. Ângelo Mario Cerno, que convidou o Dr. Clito Pinto de Moraes para ocupar o cargo de secretário da reunião, com a função, inclusive, de datilografar a ata da assembleia e colher a assinatura de todos os presentes. Também fizeram parte da mesa diretora da assembleia: o Dr. Paulo Celso Coutinho, que na ocasião representava a presidente da Legião Brasileira de Assistência (LBA), Darcy Sarmanho Vargas; o diretor da The National Foundation For Infantile Paralysis, dos Estados Unidos, Hart E. Van Riper; a representante do Serviço de Intercâmbio e Civismo da Prefeitura do Distrito Federal, Cândida Villas Boas Cordeiro; o médico Oswaldo Pinheiro Campos, chefe da cirurgia do Hospital Jesus e membro honorário e correspondente das entidades internacionais Academia Americana de Ortopedia, Associação Britânica de Ortopedia e Congresso Internacional de Poliomielite; o médico Ortopedista da Assistência Municipal e do Hospital de Pronto Socorro do Rio de Janeiro, Jorge Faria; a professora do Instituto de Educação, Eunice Pourchet56, o médico Alberto Coutinho, que acompanhou de perto o desenvolvimento da doença do filho de Fernando Iehly de Lemos; os engenheiros Nilo Colonna dos Santos, diretor-presidente da construtora Cavalcanti Junqueira

55 Disponível no endereço eletrônico: <https://www.abbr.org.br/abbr/historico/historico.html>. Acesso em: 24 jul. 2016.

56 Na ata da Assembleia Geral de Constituição da ABBR, consta que dona Eunice Pourchet discorreu durante a assembleia acerca da formação técnica em reabilitação, uma vez que ela organizou o primeiro curso de terapêutica ocupacional no Brasil. No entanto, não foi encontrado demais registros sobre o acontecimento desse curso.

S/A, e Ormeo Junqueira Botelho, presidente da Companhia Força e Luz Cataguases- Leopoldina, que sofreu as consequências da epidemia da poliomielite quando sua filha foi vítima da doença57; o jornalista, que também teve um filho acometido pela poliomielite, Floresta de Miranda; e Fernando Iehly de Lemos, diretor da Companhia Editora e Comercial F. Lemos e idealizador da ABBR. Por força maior, não compareceu à assembleia o major José Henrique Acioli, representante do então presidente da República (ABBR…).

Durante a assembleia, todos os participantes da mesa tiveram a oportunidade de pronunciar seus discursos, muito motivados pela emoção e necessidade da criação de uma associação beneficente de reabilitação. Durante o discurso do ortopedista Jorge Faria, foram expostos os planos para desenvolvimento da Associação e os benefícios dos serviços que ela poderia prestar ao país. Após o discurso de todos os participantes da mesa, João Cordeiro da Costa e Silva leu o projeto do Estatuto da Associação, do qual havia colaborado na elaboração, e pôde esclarecer todos os pontos, inclusive o Artigo 69, que discorria sobre a formação do primeiro Conselho Deliberativo58 da ABBR. Posteriormente à apresentação do projeto, iniciou- se sua discussão. Ainda durante a Assembleia, foi realizada uma homenagem às mães brasileiras com filhos vítimas de paralisia infantil, as quais foram representadas pela esposa de Fernando Iehly de Lemos, Corinthia da Silva Rosa Lemos (ABBR…).

O Estatuto, aprovado após a votação de todos os presentes na assembleia, era composto por nove capítulos e 70 artigos, tendo sido assinado pelos 179 participantes que compareceram àquela reunião. Em seguida, como preconizava o Estatuto recém-aprovado, ocorreu a eleição do primeiro presidente do Conselho Deliberativo. Na ocasião, foi sugerido por Fernando Iehly de Lemos o nome do engenheiro Nilo Colonna para ocupar o cargo. Tendo a sugestão sido acatada pela maioria, o então engenheiro tomou posse do cargo e a assembleia foi finalizada. Por fim, foi declarada a fundação da ABBR do Rio de Janeiro, uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que se destinava a assistência de crianças e adultos com deficiência física (BAPTISTA, 1988; ABBR, 2011). A ação tomada posteriormente à assembleia de fundação foi o registro do Estatuto, o que ocorreu em 13 de abril de 1955 (ABBR, 2011).

57 Quando a filha de Ormeo Junqueira Botelho foi acometida pela poliomielite, a família, que residia em Minas Gerais, dirigiu-se até o Rio de Janeiro em busca de tratamento (ABBR…).

58 “Capítulo IX - Das Disposições Transitórias - Artigo 69º do 1º Estatuto da ABBR. O primeiro Conselho Deliberativo é constituído pelos primeiros cento e cinquenta sócios-fundadores que assinaram a ata de fundação da Associação, sendo efetivos os cem primeiros e suplentes os restantes cinquenta. § 1º – O mandato deste primeiro Conselho terminará em mil novecentos e cinquenta e sete com a constituição do seguinte, resultante da Assembleia Geral Ordinária que for convocada no terceiro trimestre de mil novecentos e cinquenta e sete, na forma estabelecida neste Estatuto. § 2o – Aprovado o presente Estatuto e adquirida, pela Associação, personalidade jurídica, o primeiro Presidente do Conselho Deliberativo será imediatamente eleito e empossado pela Assembleia Geral de Constituição da Associação” (ABBR, 2011).

O objetivo primordial da ABBR era a criação de um Centro de Reabilitação, mas, para fundá-lo, eram necessários inúmeros elementos, como uma equipe especializada para o atendimento dos incapacitados. E foi nesse sentido que o Conselho Técnico sugeriu, e a Diretoria acatou, que, antes da criação do Centro de Reabilitação, fosse estabelecida uma escola para formação de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais (BAPTISTA, 1988).

Em 23 de setembro de 1955, ocorreu uma reunião do Conselho Médico da Associação, na residência de Oswaldo Pinheiro Campos, presidente do Conselho, para a organização da ERRJ, destinada à formação de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que atuariam no Centro de Reabilitação idealizado pelos fundadores da ABBR (LEMOS, 1985; CAMPOS, 1985). Além de Oswaldo Pinheiros Campos, compareceram à reunião: os senhores Antônio Caio do Amaral, Hilton Baptista; os docentes fundadores Pedro Nava, Antônio Rodrigues de Mello, Zeny Miranda, Alcino Affonseca Jr., Edmundo Haas, Pedro Baptista de Oliveira Neto, Gualter Doyler Ferreira, Evangelina Livas, Edith Mc Connel, Mary Ellis, Dora Schlochauer; e as pessoas responsáveis pela Diretoria da ABBR, Fernando Lemos e José Maria de Almeida. Na ocasião, o ortopedista, Jorge Faria, que também estava presente na reunião, foi designado para realizar a instalação e assumir a direção da ERRJ (BAPTISTA, 1988).

De acordo com Baptista (1988), ainda na reunião, foi decidido que os currículos dos dois cursos da ERRJ seriam fundamentados naquele existente na Escola de Reabilitação da Columbia University, Nova Iorque, Estados Unidos. Contudo, Barros (2009), ao citar um trecho de uma entrevista realizada para sua tese de doutorado com Maria Antônia Pedrosa de Campos, secretária da ABBR, enfatiza que a equipe que estava montando a Escola analisou currículos de escolas de Israel, Canadá e Estados Unidos, adaptando com base nesses países um currículo para a realidade brasileira.

Segundo Lemos (1985), o currículo dos cursos foi construído por Jorge Faria, que, ocupando a posição de primeiro diretor da Escola, também ficou responsável pela contratação dos professores. Ainda, Barros (2009, p.159), ao citar Campos (1966), pontua que a “Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro foi fundada nos mesmos moldes e com o mesmo curriculum dos centros mais adiantados ingleses, suecos ou americanos”.

A comemoração de instalação da ERRJ e inauguração do curso ocorreu em 3 de abril de 1956, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa. Percy Murraye coordenou todo o evento, que contou com a presença de representantes da ONU, do corpo diplomático, dos Ministérios da Educação e do Trabalho, legionários da ABBR. Também compareceu ao evento

o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação, Odir Mendes Pereira (CAMPOS, 1985; BAPTISTA, 1988).

A Escola estava localizada nas dependências da ABBR, cuja localização era na rua Jardim Botânico, número 660, Gávea, construída em um terreno doado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Administrativamente, a ERRJ funcionava como um órgão da ABBR, tendo como diretor o ortopedista Jorge Faria (LEMOS, 1985).

As atividades da ERRJ se iniciaram em 1956 com o curso técnico de Reabilitação, que era composto pelas formações técnicas de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, com duração de dois anos devido à emergência de mão de obra especializada, em horário integral. A turma era pequena e, desde o início, a especialização em fisioterapia era mais procurada que a terapia ocupacional (LEMOS, 1985).

O curso era ministrado e orientado pelo Conselho Técnico da ABBR e contava com médicos para ministração das aulas. Segundo Lemos (1985) e Campos (1985), os professores e os médicos não eram remunerados. Algumas aulas eram ministradas fora da instituição, como o caso das disciplinas de Anatomia, Patologia e Trabalhos Manuais.

Especificamente para formação da “primeira turma de terapia ocupacional”, a ERRJ contou com a presença da assistente social brasileira, que realizou o curso de Terapia Ocupacional no exterior, Lila Linhares Blandy, cedida pelo IAPC59 de São Paulo. Segundo Maria Antônia Pedrosa de Campos, (1985), que chegou à ABBR em agosto de 1957 na condição de paciente, a chefe do setor de terapia ocupacional da ABBR era Lila Linhares Blandy, que, consequentemente, também era docente do Curso de Terapia Ocupacional da ERRJ:

A chefe da TO daquela época, d. Lila Blandy. Os alunos começaram a estagiar fazendo tratamento em pacientes sob a orientação de uma fisioterapeuta inglesa contratada para esta finalidade, Miss Edith Mc Connel e uma terapeuta ocupacional paulista Sra. Lila Blandy, assistente social do antigo IAPC que fizera, fora do Brasil, um curso de terapia ocupacional. Estas duas pioneiras da ABBR eram responsáveis também pelos pacientes em tratamento (CAMPOS, 1985, p. 1-2). Quando a notícia da abertura da ERRJ começou a ser difundida pelo Brasil, a instituição passou a receber uma grande demanda de cartas e telegramas solicitando técnicos formados

em fisioterapia e terapia ocupacional, além de várias solicitações do currículo mínimo da Escola (LEMOS, 1985).

Em 1957, foi inaugurado o tão esperado Centro de Reabilitação pelo então presidente da República, Jucelino Kubitscheck, montado em um prédio anexo à ABBR. Segundo Baptista (1988), no planejamento desse Centro de Reabilitação foram empregadas as experiências adquiridas em um curso realizado pela equipe da ABBR na Universidade de Toronto, adaptando o aprendido à realidade brasileira. Assim, a instalação do Centro foi iniciada a partir da montagem dos departamentos de nível de complexidade mais simples, almejando sua ampliação com o tempo. Inicialmente, alguns equipamentos do Centro, que ainda não existiam no mercado, foram planejados pelo Dr. Hilton Baptista e desenhados e construídos pelo arquiteto Fernando Lemos. Como ainda não havia técnicos formados para trabalhar no Centro, os líderes da ABBR contaram com a colaboração dos alunos da ERRJ, que estavam no segundo ano dos cursos (BAPTISTA, 1988).

O Centro de Reabilitação da ABBR destinava-se a prestar assistência a todas as pessoas passíveis de reabilitação, com exceção dos cegos, surdos e tuberculosos ativos. Administrativamente, esse Centro era gerenciado pelo Conselho Técnico da ABBR, que, na ocasião, tinha como diretor o médico Osvaldo P. Campos. Por sua vez, esse Conselho estava subordinado à Diretoria e ao Conselho Deliberativo da ABBR. Ainda, o Centro estava organizado em seis departamentos: Administrativo, Serviço Social, Médico, Terapia, Vocacional e Profissional, e Obras e Planejamento, cada um com seus respectivos serviços (BAPTISTA, 1958).

Em fevereiro de 1958, formaram-se as primeiras turmas da ABBR. Na ocasião, sete alunas concluíram o curso de Terapia Ocupacional: Daura Gonçalves de Araujo, Diva Brun de Assis Castro, Enedina Tavares Ramalho, Gilda Maria Couto, Heloísa Calmon du Pin Oliveira, Hilêde Wanderley Catanhede e Maria Helena Faria Azevedo, a maioria já com formação em Serviço Social. Também foram formados 16 fisioterapeutas. Após a formatura, a ABBR contratou os egressos para trabalhar no Centro de Reabilitação (CAMPOS, 1985).

De acordo com Campos (1985), a ABBR havia criado a Escola de Reabilitação com a finalidade primordial de suprir a necessidade de mão de obra especializada para trabalhar no Centro de Reabilitação, porém, devido ao grande interesse, a instituição decidiu dar continuidade ao curso e, assim, em 1958, deliberou sobre um novo Regimento Interno para a ERRJ. Neste, a formação em terapia ocupacional era designada como curso de bacharelado em Terapia Ocupacional, com a duração ampliada para três anos e tendo com objetivo:

Formar profissionais em terapia ocupacional, denominados terapeutas ocupacionais, dotados de conhecimentos necessários à compreensão, investigação e interpretação dos trabalhos manuais e das artes, aproveitando vocações para satisfazer as necessidades funcionais, psíquicas e sociais do lesionado (ABBR, 1958, p. 4).

Como nesse novo Regimento o curso fora ampliado para três anos letivos, no primeiro e segundo ano as disciplinas60 eram classificadas como Fundamentais e Clínicas Especializadas, sendo ministradas no primeiro ano letivo Anatomia Descritiva, Cinesiologia Clínica, Patologia Médica, Psicologia Aplicada à Reabilitação, Fundamentos da Reabilitação, Trabalhos Manuais, Artes Manuais, Clínica Ortopédica e Clínica Traumatológica, além dos Trabalhos Práticos realizados no Centro de Reabilitação e as Matérias, Disciplinas e Atividades Supletivas61 (ABBR, 1958).

Já no segundo ano as disciplinas eram Anatomia Descritiva, Fisiologia Humana, Cinesiologia Clínica, Cinesiologia Aplicada ao Trabalho, Psicopatologia, Clínica Médica, Clínica Neurológica, Clínica Reumatológica, Clínica Psicossomática, além dos Trabalhos Práticos realizados no Centro de Reabilitação e as Matérias, Disciplinas e Atividades Supletivas (ABBR, 1958).

O terceiro ano do curso era reservado para os estágios obrigatórios e intensivos nos diversos departamentos, sessões e dependências do Centro de Reabilitação, almejando, assim, a prática dos conhecimentos adquiridos pelos alunos nos primeiros dois anos de curso (ABBR, 1958).

No Regimento Interno, Artigo nº 137, ficou determinado que as disciplinas de Psicologia, Pedagogia, História e Terapia Ocupacional podiam ser ministradas por “professores licenciados” por Escolas de Filosofia, Educação Física e outras congêneres de nível universitário. Já as disciplinas Fundamentais e de Clínicas Especializadas só podiam ser lecionadas por médicos habilitados ao ensino da problemática da reabilitação (ABBR, 1958).

Ainda nesse Regimento, ficou determinado que o custeio das despesas com a Escola deveria ser proveniente das rendas da ABBR, das taxas escolares recolhidas tantos nos cursos regulares como nos demais curso ofertados pela Escola, do produto de venda de programas e

60 Para tanto, foi adotada a classificação das disciplinas designadas no Regimento Interno da ERRJ, em 1958. 61 Essas tinham a finalidade de completar o aperfeiçoamento do aluno e eram oferecidas de acordo com as demandas que surgiam. Eram consideradas matérias, disciplinas e atividades supletivas: Inglês, Educação Física, Assistência Social, Enfermagem, Foniatria e Dicção, Mímica e Clínicas Especializadas Supletivas. As disciplinas de Inglês, Assistência Social e Enfermagem poderiam ser dispensadas quando os alunos já obtinham diplomas que comprovassem seus conhecimentos sobre a referida matéria.

outros impressos da Escola, das subvenções dos poderes públicos e dos donativos e legados. Também fazia menção à existência de uma biblioteca na ERRJ (ABBR, 1958).

Com a formação da primeira turma e o retorno de Lila Linhares Blandy para São Paulo, em 1958 a terapeuta ocupacional recém-formada, Hilêde Wanderley Catanhede, que já tinha formação em serviço social, foi designada para ocupar o cargo de docente do curso (SOARES, 1987; BARROS, 2009). A partir desse ano, a formação foi alterada, passando a ocorrer em três anos letivos, divididos em semestres de março a junho e de agosto a dezembro, em horário integral. Porém, de acordo com o Regimento Interno da ERRJ e o folheto informativo da ABBR (p.2) (ANEXO VI), a ERRJ já classificava a formação como de nível universitário, nivelando os cursos “abaixo de um curso de Medicina e acima dos cursos de Enfermagem e Educação Física”, no entanto a nomenclatura não foi alterada.

Contava no folheto informativo da ABBR que, para inscrição nos cursos, o candidato deveria pagar a taxa e preencher um formulário que seria levado para aprovação pela ABBR. Os documentos necessários para realização da inscrição eram a fotocópia autenticada da carteira de identidade, certidão de quitação militar, atestado de bons antecedentes, atestado de sanidade mental e física, certificado de conclusão de curso acompanhado da vida escolar, duas fotos 3x4, certidão de nascimento ou casamento e atestado de vacina. Os requisitos mínimos para aprovação nos cursos era o preenchimento correto do formulário de inscrição e a formação precedente em algum desses cursos: Normal, Científico, Clássico, Enfermagem, Educação Física ou Serviço Social. Aos aprovados, era essencial a realização de exames de saúde, incluindo raio X do tórax, podendo ser repetidos quantas vezes fossem necessárias durante o ano.

Ainda, segundo o folheto informativo da ABBR, o valor anual do curso era dividido em nove parcelas. Durante o ano letivo, os alunos eram avaliados e a média das duas provas parciais, que ocorriam nos meses de junho e novembro, deveria ser igual ou superior a sete.

Em ambos os cursos, as aulas eram teóricas e práticas, as quais ocorriam na sede da ABBR, nos hospitais da cidade ou em qualquer outro local necessário para o melhor aproveitamento técnico do aluno. Os estágios eram realizados no Centro de Reabilitação da ABBR, com exceção daqueles relacionados à psiquiatria, que ocorriam no Instituto de Psiquiatria, sob a responsabilidade do Professor Luis Cerqueira, no Hospital Pinel e na Casa de Saúde Dr. Eiras. Paulatinamente, foram sendo criados laboratórios específicos, o Instituto Anatômico, e a formação foi se consolidando (CAMPOS, 1985). Segundo Soares (1987), nesse início o curso ainda contou com a colaboração de uma profissional do Canadá, a terapeuta ocupacional Laurie Brown, trazida pela ABBR.

No ano de 1960, Maria Antônia Pedrosa de Campos, antiga paciente que estava na

Benzer Belgeler