C) Toraks içi Büyük Damar Yaralanmaları
III) Abdominal damarların künt ve penetran yaralanmalarında tedavi i) İlk müdahele
Como já se destacou, um dos problemas mais instigantes a serem
enfrentados na análise dos direitos econômicos, sociais e culturais diz respeito à
sua efetivação/concretização. Esta depende, em grande parte, da adoção de
291 A sua aplicação também deverá se pautar nos princípios interpretativos, estudados no item I.7.1, que
procuram imprimir a máxima efetividade (ou eficácia social) a estas normas. Vide também final do item I.9.
292 Neste sentido, vide J. L. Cascajo Castro, “La tutela constitucional de los derechos sociales”, pgs. 29-
42, Apud Benito de Castro Cid, “Los derechos económicos, sociales y culturales: análisis a la luz de la teoría general de los derechos humanos”, pgs. 168, 169 e 177.
“múltiplas e variadas medidas em todos os campos de ação: político, jurídico,
social, econômico, cultural, tecnológico”
293.
Assim, há quem defenda que a operatividade
294jurídica dos direitos
econômicos, sociais e culturais está limitada por diversas circunstâncias que
dificultam, ou até mesmo impedem, a sua realização efetiva
295. Mas, como
esclarecem Abramovich e Courtis, “o recurso à proteção do bem que se pretende
tutelar constitui um elemento central na definição da noção de “direito” - ainda
que, como sugerimos, não o único”
296.
Para esses autores, o que qualificará um direito econômico, social e
cultural como um “direito”, em toda a plenitude da palavra, não é simplesmente o
fato da conduta ter sido cumprida pelo Estado ou por particulares, senão também
293 Fonte de Pesquisa: http://www.derechos.org.ve/instrumentos/sisuniversal/directriz_maastricht.pdf.
Data da pesquisa: 17-08-05.
294 R. Limongi França (Coord.), “Enciclopédia Saraiva do Direito, Vol. 56 – omissão de socorro – papa”,
pg. 123: “Operar. Verbo que indica o ato de executar, de praticar ou de produzir alguma coisa. Na linguagem jurídica, aplica-se o termo em todos esses sentidos, mas especialmente na acepção de produzir efeitos: ‘A sentença só opera efeitos após publicada’ (...)”.
295 Para J. L. Cascajo Castro, “La tutela constitucional de los derechos sociales”, pgs. 29-42. Estes direitos
somente poderão ser plenamente efetivos se forem atribuídos a um número bastante limitado de cidadãos ou se os seus conteúdos forem restringidos a um nível mínimo de satisfação da correspondente necessidade. No mesmo sentido, ver G. Corso “I diritti sociali nella Constituzione italiana”, Rivista Trimestrale di Diritto Pubblico, 1981, pg. 781, para quem os direitos econômicos, sociais e culturais nasceram com uma função corretora ou compensatória das posições desvantajosas em que se encontravam determinados cidadãos dentro do contexto social, daí terem um alcance setorial quanto aos seus destinatários e serem uma carga facilmente suportável pelo resto da sociedade. Contudo, na medida em que são atribuídos à generalidade dos cidadãos, a carga social que representa é tão forte que resulta praticamente impossível equipará-los com a justiciabilidade que, enquanto direitos, lhes corresponderia. Apud Benito de Castro Cid, “Los derechos económicos, sociales y culturales: análisis a la luz de la teoría general de los derechos humanos”, pg. 177-178.
296 Victor Abramovich y Christian Courtis, “Apuntes sobre la exigibilidad judicial de los derechos
sociales”, In In Ingo Wolfgang Sarlet (org), “Direitos Fundamentais Sociais: Estudos de Direito Constitucional, Internacional e Comparado”, pgs. 143 e 144. Os autores fazem referência à posição clássica de Kelsen: ‘Tal direito no sentido subjetivo somente existe quando no caso de uma falta de cumprimento da obrigação, a sanção que o órgão de aplicação jurídica – especialmente um Tribunal – tem que ditar somente pode se dar por mandato do sujeito, cujos interesses foram violados por falta de cumprimento da obrigação ...”.
a possibilidade de reclamar o seu descumprimento “ao menos em alguma
medida”
297.
Existem níveis de obrigações comuns a todos os direitos: estes
compreendem ao menos uma obrigação de respeito, uma obrigação de proteção e
uma obrigação de satisfação. De tal modo que nenhuma categoria de direito é
mais ou menos exigível, pois a cada direito correspondem distintos tipos de
obrigações exigíveis
298.
É possível perceber, portanto, que o Estado tem a obrigação de efetivar
tais direitos, seja através de mecanismos políticos ou jurídicos, e de resguardar o
seu cumprimento nas relações entre particulares. Esta obrigação nos conduz à
análise de sua “exigibilidade” e “justiciabilidade” (para alguns autores
acionabilidade)
299.
Exigibilidade pode ser definida como a “qualidade do que é exigível; que
se pode exigir”
300. Na esfera jurídica, figura como “o que pode e deve ser
cobrado do devedor ou credor, em decorrência de norma jurídica, de obrigação
definida”. Então, considera-se que “o mundo das relações jurídicas é marcado
297 Victor Abramovich y Christian Courtis, “Apuntes sobre la exigibilidad judicial de los derechos
sociales”, In In Ingo Wolfgang Sarlet (org), “Direitos Fundamentais Sociais: Estudos de Direito Constitucional, Internacional e Comparado”, pg. 144.
298 Fonte de Pesquisa: http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/desc/quito.html. Data da Pesquisa: 17-08-05.
Desta forma, segundo a citada Declaração de Quito, que aponta alguns Princípios sobre a exigibilidade e realização dos direitos econômicos, sociais e culturais, estes direitos “são exigíveis através de diversas vias: judicial, administrativa, política, legislativa”.
299 Benito de Castro Cid, “Los derechos económicos, sociales y culturales: análisis a la luz de la teoría
general de los derechos humanos”, pg. 173. Para o autor, “o fator decisivo (desta análise) será sempre a comprovação de que as estruturas jurídicas, econômicas e sociais fazem viável o exercício efetivo destes direitos” Assim, para ele, “por mais solenes e generosas que sejam as declarações destes direitos, se os Estados ou os organismos supra-estatais não chegam a por em prática a política social adequada nem adotam as medidas econômicas necessárias, de pouco vai servir o reconhecimento dos direitos econômicos, sociais e culturais”.
300 Antônio Houaiss; Mauro de Salles Villar; Francisco Manoel de Mello Franco, “Dicionário Houaiss da
pela exigibilidade de atos ou omissões que fazem a tecitura do
ordenamento”
301. (g.n.)
Com o reconhecimento do caráter jurídico das obrigações decorrentes
dos direitos econômicos, sociais e culturais, seja na relação Estado-cidadão ou
na relação entre particulares, não se pode negar a sua exigibilidade
302e, muito
menos, a sua “justiciabilidade”, que deve ser entendida como “a possibilidade de
reclamar perante um juiz ou tribunal o cumprimento de algumas das obrigações
que se derivam de um direito”
303.
Em geral, os principais obstáculos apontados à justiciabilidade dos direitos
econômicos, sociais e culturais são: (i) a falta de ações ou garantias processuais
concretas que tutelem estes direitos e (ii) a inadequação da estrutura e da posição
do Poder Judiciário para exigir o cumprimento de obrigações que disponham de
recursos públicos
304.
É justamente neste sentido que muitos autores defendem a aplicação de
mecanismos jurídicos como um meio de impulsionar a efetivação dos direitos
econômicos, sociais e culturais, que não pode estar submetida tão somente a
fatores de ordem econômica
305. Jean-Michel Servais, por exemplo, defende a
301 Silvio Macedo, In R. Limongi França (Coord.), “Enciclopédia Saraiva do Direito, Vol. 35 – execução
de coisa certa – extra petita”, São Paulo: Saraiva, 1977, pg. 245. Daí porque o traço característico da obrigação jurídica é ser exigível, o que a distingue da obrigação moral.
302 A exigibilidade pode ser vista também como um processo por meio do qual uma pessoa ou um grupo
de pessoas, titulares de direito possam exigir do Estado seu Cumprimento. In “Proyecto de Ley que establece mecanismos para la justiciabilidad de los Derechos Económicos, Sociales Y Culturales”, Proyecto de Ley N. 3389, propuesto por el Congresista Javier Diez Canseco, Lima-Perú, julio de 2002. Fonte de Pesquisa: http://listas.rcp.net.pe/pipermail/vigilancia/2002-August/000448.html. Data de Pesquisa: 17-08-05.
303 Victor Abramovich; Christian Courtis, “Los derechos sociales como derechos exigibles” – Prólogo,
pg. 40.
304 Victor Abramovich; Christian Courtis, “Los derechos sociales como derechos exigibles” – Prólogo,
pg. 40.
305 Jayme Benvenuto Lima Jr, “O Caráter Expansivo dos Direitos Humanos na Afirmação de sua
utilização de mecanismos jurídicos nacionais e internacionais para a efetivação
destes direitos como uma forma de se garantir a dignidade aos cidadãos, fazendo
referência às Cláusulas Sociais em Tratados Internacionais de Comércio
306.
Nesta medida, verifica-se que os Estados Partes devem concretizar os
direitos econômicos, sociais e culturais através de medidas administrativas,
legislativas, judiciais, econômicas, sociais e educativas. A falta de programas
tendentes à sua implementação, assim como a adoção de medidas que visem a
sua supressão ou redução, constituem uma ofensa às suas obrigações
307. Eles
também produzem efeitos nas relações entre particulares, daí a razão de existirem
disposições mediadoras que regulamentem a sua aplicação neste tipo de relação.
Data da pesquisa: 17-08-05, identifica distintos caminhos para a realização dos direitos econômicos, sociais e culturais, a saber: o caminho legal (elaboração legislativa e justiciabilidade), o caminho das políticas públicas e sociais (incluindo as chamadas ações afirmativas), e o caminho do monitoramento de metas progressivas. O autor propõe a criação de um remédio jurídico que ele denomina de “Ação de Cumprimento de Compromisso Social”. Esse remédio seria destinado a garantir a execução, pelos poderes públicos, de compromissos sociais assumidos em programas ou diretrizes de governo ou de Estado. Nesta Ação seriam questionadas as responsabilidades civil e criminal do administrador público quando este viesse a descumprir (total ou parcialmente), sem justo motivo, os referidos compromissos. Nesse caso, não havendo justificativa plausível para o não cumprimento (como, por exemplo, uma séria crise econômica) do compromisso assumido, o “programa” ou o “plano” se converte em obrigação, a ser garantida a sua execução por via judicial.
306 Muitos países além de violarem a dignidade de seus cidadãos produzem uma desvalorização do
trabalho em âmbito mundial, pois o preço que conseguem imprimir às suas mercadorias, em decorrência da utilização de mão-de-obra semi-escrava, é praticamente insuperável, assim, a palavra de ordem passa a ser competitividade e redução de custos gerados pela contratação de mão-de-obra. Daí o reflexo da atual situação encontrada no mercado de trabalho mundial e da chamada precarização do trabalho. Jean-Michel Servais, Elementos de Direito Internacional e Comparado do Trabalho, pg. 22. “O desejo, a vontade de
identificar um denominador jurídico comum no campo do trabalho tem a sua expressão mais recente na reivindicação de se introduzir, nos tratados internacionais de comércio, a chamada cláusula social, mais precisamente, a inclusão, em acordos econômicos e financeiros de âmbito regional
ou universal, de normas mínimas de trabalho a serem observadas pelos diversos parceiros
comerciais. Os objetivos econômicos e sociais, mais uma vez, se confundem num emaranhado difícil de
destrinçar”.
307 Jayme Benvenuto Lima Jr, “O Caráter Expansivo dos Direitos Humanos na Afirmação de sua
Indivisibilidade e Exigibilidade”. Fonte de Pesquisa: http://www.revistaautor.com.br/ensaios/02ext2.htm. Data da pesquisa: 17-08-05.
Aniza Fernanda García Morales, “La justiciabilidad de los derechos económicos, sociales y culturales (DESC)”, pg. 49. Destaca-se também a importância da participação da sociedade civil nestas políticas e programas, sobretudo para atender às demandas dos grupos menos favorecidos e evitar políticas discriminatórias.
No plano interno, tal discussão assume um caráter completamente distinto
a partir do momento em que estes direitos se encontrem positivados
308. Diante de
tal circunstância, Robert Alexy pronuncia que a decisão essencial para os direitos
fundamentais (encarados como direitos do homem positivados) é aquela que
reconhece amplamente a sua força jurídica vinculativa em forma de
justiciabilidade
309.
Logo, pode-se concluir que a efetivação dos direitos econômicos, sociais e
culturais não está alheia a outras questões de natureza política, econômica, social.
Este fator circunstancial a conecta com a teoria da “reserva do possível”, desde
que sejam atendidos patamares mínimos
310de dignidade apurados concretamente
em cada caso. Mas não pode se apresentar como um pretexto para o
descumprimento desses direitos.
De qualquer forma, estas observações estão voltadas muito mais para a
efetivação desses direitos na relação entre o Estado e os cidadãos, do que
308 Ver Victor Abramovich; Christian Courtis, “Los derechos sociales como derechos exigibles”. Como se
verá mais adiante, este será um ponto importante para a discussão sobre a exigibilidade e, conseqüentemente, a efetivação dos direitos econômicos, sociais e culturais no âmbito interno do Estado brasileiro.
309 Robert Alexy, “Colisão de Direitos Fundamentais e Realização de Direitos Fundamentais no Estado de
Direito Democrático”, pg. 74. O autor conclui que “se algumas normas da Constituição não são levadas a sério é difícil fundamentar porque outras normas também então devem ser levadas a sério, se isso uma vez causa dificuldades.” Na mesma direção, Martin Borowski, “La estructura de los derechos fundamentales”, pg. 39, adverte que “deve-se ter muito cuidado na hora de catalogar as normas de direito fundamental como normas vinculantes ou como enunciados programáticos. Se se cataloga uma norma da Constituição como não vinculante, então deve se ter em vista que com isso se dá margem à discussão se todas as demais normas constitucionais têm caráter vinculante e, deste modo, caráter jurídico. Isto pode levar a minar a força vinculante de toda a Constituição. Uma insegurança semelhante acerca da força vinculante das normas que se encontram no nível mais alto do sistema jurídico nacional é inadmissível”. Ver Aniza Fernanda García Morales, “La justiciabilidad de los derechos económicos, sociales y culturales (DESC)”, pg. 44. Para a autora, se os direitos econômicos, sociais e culturais (e as conseqüentes obrigações impostas aos Estados) forem tomados em sentido amplo, não se mostrarão de fácil justiciabilidade. Porém, se a análise se centrar em um ou em alguns de seus aspectos, a justiciabilidade se mostra possível.
310 Vicente de Paulo Barreto, “Reflexões sobre os Direitos Sociais”, In Ingo Wolfgang Sarlet (org),
“Direitos Fundamentais Sociais: Estudos de Direito Constitucional, Internacional e Comparado”, pg. 122, faz uma crítica severa à idéia do “mínimo necessário”, pois, segundo ele, “em nenhum momento se pode determinar em que reside esse ‘mínimo existencial’, caindo-se, assim, no argumento do voluntarismo político, onde o mínimo para a vida humana fica a depender da vontade do governante”.