Dentre as principais características da televisão, destaca-se a difusão de conteúdo variado, pois, em geral, os produtos televisivos são criados para atender um público-alvo bastante diversificado. Com a chegada da televisão digital, um dos grandes desafios é identificar, mapear e desenvolver novos conteúdos interativos com a intenção de trazer melhores oportunidades de aprendizagem, principalmente nas TVs públicas, a partir das novas experiências dos telespectadores com a mídia.
No aspecto da aprendizagem vale ressaltar como a inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) vem revolucionando a Educação a Distância (EAD) no Brasil, transformando a noção de tempo e de espaço no ensino- aprendizagem, rompendo o modelo tradicional e promovendo a ampla distribuição de conteúdos mais instrucionais, voltados para a democratização do acesso à informação e ao conhecimento.
No cenário atual, a interatividade é um aspecto por demais relevante na criação de novos paradigmas para o uso da televisão. A interatividade potencializa o processo dialógico da tevê, transformando a transmissão massificada e unidirecional em uma comunicação bidirecional, com base em preferências individuais e na personalização da programação. A digitalização muda a tradicional logística do conteúdo televisivo, baseada na tríade formada pela produção, distribuição e consumo (CESAR e CHORIANOPOULOS, 2008). Segundo esses autores, no caso da televisão digital interativa, uma nova tríade é formada, baseada na criação, compartilhamento e controle. Isto porque o consumidor do conteúdo pode se tornar também um gerador e transmissor, participando, assim, de todo o processo, ao invés de se estabelecer somente como um mero espectador.
A transição para o modelo de televisão digital é mais que a substituição de uma tecnologia por outra, devendo, entre outras finalidades, oferecer condições para que os cidadãos usufruam, adequadamente, os novos serviços, social e culturalmente. Isto porque a inclusão digital esteve entre os objetivos que nortearam e justificaram a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD-T).
digitalização na programação de canais públicos, pode se constituir em uma das iniciativas objetivando atender uma necessidade social por informação nessa área, tornando os cidadãos mais conscientes sobre as novas possibilidades que a tecnologia proporciona e mais aptos a interagirem e aproveitar os seus potenciais recursos.
O objeto dessa dissertação vai ao encontro dos princípios norteadores do SBTVD-T, o qual, através do Decreto 4.901 de 26 de novembro de 2003, prevê que esse sistema deve promover a inclusão social, a diversidade cultural do país e a língua pátria, por meio do acesso à tecnologia digital, visando a democratização da informação. O mesmo decreto também prevê que o SBTVD-T deve propiciar a criação de rede universal de educação a distância; deve estimular a pesquisa e o desenvolvimento, promovendo a expansão de tecnologias brasileiras e da indústria nacional relacionadas à tecnologia de informação e comunicação, além de contribuir para a convergência tecnológica e empresarial dos serviços de comunicações.
Mobilizações nacionais capitaneadas por setores governamentais e diversas organizações da sociedade civil, especialmente aquelas que lutam pela democratização da comunicação no país, defendem a conquista de um campo público de TV editorialmente independente, que estimule a formação crítica do indivíduo para o exercício da cidadania e da democracia. Essa posição foi voz corrente em eventos importantes, como o II Fórum Nacional de TVs Públicas e a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), ambos realizados em 2009, e nos quais também foi reforçada a preocupação com a necessidade de as emissoras públicas de tevê oferecerem conteúdos à população no ambiente digital. O entendimento é de que a digitalização amplia a transmissão e recepção de conteúdos, colaborando para a construção da cidadania no país.
Um dos desafios a serem enfrentados na definição de um novo modelo de televisão para o campo público são as mudanças que devem ser introduzidas na programação das emissoras, no tocante à produção de conteúdos, de modo a tornar o telespectador consciente sobre as potencialidades proporcionadas pela digitalização, a exemplo da interatividade, além de buscar meios de promover a convergência com outras plataformas como internet e celulares.
A proposta de relatório técnico-científico, que ora se apresenta, caminha no sentido de buscar responder a uma demanda social por informações básicas sobre esse processo de migração para o sistema digital. No cenário atual, uma das questões com as quais as emissoras públicas têm se debatido é como explicar, informar, introduzir o tema digitalização entre os telespectadores, fazendo-os ter maior familiaridade com novos formatos e linguagens nunca antes experimentados na tevê nacional, sabendo-se que a amplitude das novas tecnologias coloca-os diante de escolhas de possibilidades variadas de ação e comunicação.
Há também carência de informações em nichos profissionais, como a área de comunicação social, notadamente entre jornalistas e outros profissionais desse segmento, para os quais se aproxima um novo e inevitável cenário, caracterizado pela necessidade de produzir conteúdos mais interativos, em formatos que fogem à lógica tradicional à qual estão habituados (VILCHES, 2003).
As Ciências da Comunicação estão ainda em flagrante descompasso com o ritmo das mudanças em curso, mudanças que exigem dos profissionais do mercado e também dos pesquisadores uma formação adequada e uma fusão de competências para lidar com as novas demandas ensejadas pela digitalização (BOLAÑO E BRITTOS, 2007). A gestão e a produção de conteúdos para TV mudam, em muitos aspectos, e a pesquisa científica deve responder a esse desafio, propondo soluções, informando e antecipando cenários, a exemplo do que esta dissertação ambiciona, na medida em que busca inserir o tema no dia a dia desses profissionais e cidadãos, em geral, através de um veículo de massa como a tevê.
Assim é que a proposta de conteúdo para a produção de uma série de interprogramas para as tevês públicas vai, por exemplo, não apenas traduzir o que é a TV digital, explicando porque o padrão de imagem muda, o que é interatividade, mas também propor exemplos práticos de interatividade, através de aplicativos desenvolvidos para a TV digital por importantes laboratórios da região Nordeste, com tradição e renome na produção de softwares para atender às demandas nacionais.