3. OSMANLI'YA KADAR SİNCAR TARİHİ
2.3. SİNCAR'DA SOSYAL HAYAT TARZLARI
2.3.1. Aşiret Hayatı ve İskan Sorunu
Antes de tudo, parece ser necessário ressaltar aqui o fato de que os dois projetos só se tornaram realidade graças à iniciativa de indivíduos que conseguiram vislumbrar a neces- sidade de buscar novos caminhos em um ambiente que, de acordo com a literatura consul- tada, se pauta pelo conservadorismo e apego ao que já está institucionalizado. No caso do IEAT, essa figura foi o reitor Francisco César de Sá Barreto, o qual designou uma comissão para apresentar uma proposta de criação, na UFMG, de um espaço que pudesse abrigar
pesquisas avançadas e que encontrassem dificuldades em ser realizadas na estrutura for- mal da universidade.
Na própria campanha, eu falava lá com a Ana Lúcia39, inicialmente, depois com os colegas que estavam colaborando, que a gente tinha de fazer uma proposta, procurar coisas, não só as coisas mais tradicionais, mas coisas novas tambmm, e sempre procurar, no próprio programa da campanha, dizer o que a gente pretendia fazer, o como fazer e de onde viriam recursos, para concretizar aquilo. Porque isso facilitaria, como de fato facilitou, o mandato todo. [...] Então, de fato a gente já tinha um ponto de partida. A questão da transdisciplinaridade, não ela em si, mas, eu digo, assim, a questão das coisas novas para a universidade.
Sá Barreto, IEAT No Projeto Manuelzão, esse papel coube ao prof. Apolo Heringer Lisboa, o qual, bus- cando respostas para uma crise pessoal, escreveu um primeiro documento, intitulado Proje- to Rio das Velhas, que resultou, anos depois, no Manuelzão.
Eu saí do PT, eu estava muito descrente do trabalho do Internato Rural, eu achava que aquilo ali estava se repetindo, não estava levando a nada, há muitos anos. Eu entrei numa profunda crise existencial, fiquei muito deprimido, sobretudo pela minha saída do PT e a falta de sentido da minha vida, foi um tempo em que eu estive envolvido com muita coisa, sempre lutei por uma coisa, por outra. Então eu estava me sentindo medíocre e sem perspectiva. [...] Então o que eu fiz? Para sair dessa crise, eu comecei a pensar porque eu tinha entrado em crise. [...] Eu tinha certeza que eu teria que refundar-me, eu teria que ser uma nova pessoa a partir daquela crise, não daria mais para ficar culpando os outros ou remendando. Eu queria ser radical na minha reconstrução como pessoa, como indivíduo, como personalidade. E nesse luto de auto-análise, de busca, de pensar o dia inteiro, pensar no planeta terra, pensar na política partidária, na minha trajetória, no que eu vi na África, na Ammrica Latina, no exílio, na Europa, e tudo que eu aprendi, me veio uma luz de propor uma coisa que fosse sistêmica, holística, macro, e na qual eu pudesse encaixar tudo o que eu percebia e essa teoria mais ampla que eu pude imaginar, era de caráter ambiental, em que eu poderia trabalhar o espaço geográfico, a história natural e a história humana, aí saiu o Projeto Manuelzão.
Apolo Lisboa, Projeto Manuelzão Apesar da importância dessas duas pessoas, ficou clara a necessidade de que suas idéias fossem partilhadas por outros, para que sua concretização se efetivasse. No IEAT, a comissão nomeada pelo reitor, composta por pesquisadores oriundos campos de conheci- mento totalmente distintos, precisou, antes de tudo, vencer suas próprias dificuldades de comunicação para construir a proposta que resultou da implantação do instituto.
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Profa. Ana Lúcia Gazzola, da Faculdade de Letras da UFMG, vice-reitora durante o mandato do prof. César de Sá Barreto.
Foi feita então, na mpoca, uma comissão, que tinha cinco pessoas, um de cada área, com bastante experiência, com a cabeça aberta. Porque você tem pessoas expe- rientes, competentes, na universidade, mas são muito disciplinares, não conseguem pensar um pouquinho fora daquilo. [...] Eles já eram, entre aspas, mais abertos, sistemas abertos, neste sentido, pessoas abertas.
Entr. 8, IEAT Começou como uma idmia de criação de um instituto de estudos avançados, sem o transdisciplinar. Isso porque, nas discussões atm muito ligadas à campanha do Cmsar, várias pessoas achavam, e com razão, que era importante ter um instituto voltado a estudos mais avançados. Então, foi constituída uma comissão [...] Nós começamos a discutir a natureza deste instituto, E m atm curioso, eu já comentei com várias pessoas, que a primeira reunião foi muito complicada, porque havia uma dificuldade de as pessoas se entenderem, assim, ter, não no aspecto pessoal, porque as pessoas atm são todas muito afáveis, mas m, porque já tinham idmias das suas áreas e uma dificuldade de acertar isso aí. E eu atm saí assim com uma impressão: ‘Ih, acho que isso não vai dar certo’.
Entr. 1, IEAT Quanto ao Projeto Manuelzão, foi o envolvimento da equipe de professores do Inter- nato Rural com a proposta apresentada pelo prof. Apolo que viabilizou sua institucionali- zação como projeto de extensão da Faculdade de Medicina:
Eu precisei procurar pessoas, e as pessoas que eu procurei foram professores do Internato Rural, cujo nome acadêmico m Internato em Saúde Coletiva. Eu procurei o pessoal que era do meu trabalho e da minha área, porque tinha um grande ingrediente da nossa proposta que envolvia a questão da saúde coletiva, ou seja, eu não estou só preocupado em atender o doente, eu quero ver as pessoas não adoecerem. Queria um sistema de vida em que as pessoas adoecessem menos. Então, nós partimos de uma tentativa de modificar o Internato Rural, ou seja, o Internato Rural poderia ser o espaço de uma mudança que caminhasse no sentido que a gente estava querendo, a partir daquela infra-estrutura, daquela proposta, a gente iria criticá-la e teria assim a nossa inserção na UFMG.
Apolo Lisboa, Projeto Manuelzão Foi feita ao grupo ligado ao IEAT uma pergunta sobre o conceito de transdisciplina- ridade que norteia o trabalho do instituto e o que chamou mais a atenção nas respostas é que essa definição não parece ser uma preocupação:
Eu acho que o IEAT m transdisciplinar o suficiente e que ele não engessou o conceito de transdisciplinaridade. Eu acho que seria um erro a gente querer definir o que m o conceito de transdisciplinaridade e querer engessar um conceito a partir des- sa definição. Isso seria contra a abertura do conceito transdisciplinar. Então, eu acho
que a transdisciplinaridade, ela pode ser meio aberta a definições plurais, m meio sub- jetiva, cada um tem a sua definição de transdisciplinaridade. E, na verdade, eu vejo uma diferença entre transdisciplinaridade, multidisciplinaridade e interdisciplinari- dade, mas as fronteiras não são nítidas. Uma não exclui a outra.
Entr. 7, IEAT Mas os entrevistados ligados a esse instituto ressaltaram de forma unânime que o instituto se pauta por ancorar sua visão da transdisciplinaridade na pesquisa, reforçando as idéias apresentadas em livros publicados pelo IEAT:
O risco do trans trazer consigo alguns modismos e coisas que a gente não quer, nunca quis, trazer consigo modismos, trazer consigo uma coisa meio religiosa, esotmrica, a gente tinha atm ataque de alergia quando essa coisa aparecia, m um risco muito perigoso e a gente sempre teve que se policiar, para não sermos invadidos por essas coisas. Por isso que eu falo que m o avançado que puxa o carro, que define o limite, a barreira, para essas aventuras, contra essas ameaças e tudo, e neutraliza o risco dessas aventuras temerárias, que levam a posturas intelectuais equivocadas. Então, nosso conceito de trans m muito ancorado na pesquisa. [...] Isso impacta o ensino, na medida em que a pesquisa impacta, naturalmente, e transborda, trans- cende e impacta. Então, m claro que tem repercussão no ensino, mas o IEAT nunca atuou como instituto de ensino, sempre como instituto de pesquisa.
Entr. 2, IEAT Essa que m a idmia: m você pegar e olhar de uma forma mais orgânica os problemas existentes e ter o concurso de diferentes especialistas. Mas aí m importante distinguir o seguinte: o transdisciplinar não m uma coisa assim holista, de ter aquele generalista que sabe um pouquinho de cada coisa. Não, ele reconhece a necessidade de ter pessoas especializadas, só que não donas da solução. Quer dizer, basicamente você precisa do especialista, mas tambmm dele ter a humildade atm de perceber que ele não domina tudo, que m só UM especialista. Então, esse conceito de transdisciplinar, ele se fundamenta em gente especializada, gente que tem uma boa formação em uma determinada área, mas que está trabalhando em conjunto com os outros
Entr. 1, IEAT Pergunta semelhante foi efetuada aos pesquisadores ligados ao Projeto Manuelzão, mas com relação ao conceito de saúde que norteava o trabalho do projeto. Ficou claro que eles têm uma visão mais ampla desse conceito do que a que está presente no senso comum e mesmo em outras áreas da medicina e em setores públicos importantes para essa questão:
O conceito de saúde que nós temos está relacionado com o conceito de saúde coletiva, porque nós somos da medicina e os mmdicos estão estudando o dia inteiro doenças, cirurgia, diagnósticos, terapêutica, e a nossa visão de saúde ela m uma visão ecológica, ou seja, não m de saúde pública. [...] Para nós, saúde coletiva tem a ver com
as condições para a população ter saúde. Saúde coletiva para nós, tem a ver com a relação dos seres humanos com o meio ambiente, meio ambiente m: água, ar, solo, moradia, cidade, política macro-econômica. [...] A instabilidade econômica, a polui- ção do ar, tudo isso para nós m meio ambiente. Então assim, eu não posso ter saúde na cidade se uma população vive em favelas extremamente violentas, onde a maioria das pessoas não tem emprego certo, não tem espaço para dormir direito, não tem tranqüilidade, não tem segurança, não tem boas escolas. Eu não posso esperar saúde como produto. [...] Ou seja, nós lutamos para que as pessoas tenham qualidade de vida.
Entr. 13 Seria de se esperar que, devido à natureza transdisciplinar dos dois projetos, hou- vesse uma forte interação entre eles. Além disso, eles apresentam até mesmo uma proximi- dade física, pois o IEAT está instalado no prédio da Unidade Administrativa 3 da UFMG, no
campus Pampulha, na mesma ala em que se encontra o NUVELHAS, o núcleo de pesquisa
transdisciplinar do Projeto Manuelzão. Entretanto, a pergunta sobre a existência dessa inte- ração foi respondida afirmativamente por poucos entrevistados ligados ao IEAT, incluindo-se aí o atual diretor, enquanto praticamente todos os entrevistados ligados ao Projeto Manuel- zão negaram que aconteça essa interação.
Nós somos vizinhos lá na UA3, no campus, mas nós não conseguimos ainda ter uma conexão. O Polignano esteve no Conselho do IEAT. Eles, num determinado momento, nos chamaram para o Conselho, nós indicamos o Polignano. Mas não tem uma interação.
Entr. 12, Projeto Manuelzão
Existe. A cultura transdisciplinar na UFMG, ela ainda está para ser desen- volvida, então essa nossa interação, ela ainda não m plena, não m só do IEAT com esses outros órgãos, mas, dentro de toda a cultura da UFMG. [...] Com o Manuelzão, o IEAT, por exemplo, fez, há dois anos, um papel grande para capitalizar um grupo de discussão sobre a questão das águas e a questão da transposição do rio São Francisco.
Entr. 6, IEAT Nenhuma, nenhuma. E isso m, mais uma vez, exemplo da compartimentali- zação administrativa que nós temos na universidade. Conheço o Cacá, que m o diretor do IEAT, já falei com o Apolo várias vezes que a gente tem que aproximar, só que a diferença do discurso para a prática m muito grande.
Entr. 14, Projeto Manuelzão A utilização das tecnologias de informação e comunicação disponíveis na atualidade para divulgação do trabalho dos projetos é mencionada por alguns entrevistados:
O próprio IEAT já está incorporando as novas mídias na sua própria experi- ência, na própria vida dele. Eu tenho me batido como membro do conselho, tenho batido muito isso, porque não faz sentido o IEAT se chamar Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares e usar como principal meio de comunicação com a comunidade, almm das conferências, livros escritos. Isso m uma coisa um pouco arcaica e que demora, como esse que está saindo agora, oito anos para ser publicado. Então, nós já conseguimos efetivar o fato de que todas as palestras dadas no âmbito do IEAT são colocadas no site dentro de duas semanas, estão disponíveis para a comunidade.
Entr. 7, IEAT Eu acho que você tem que ter a base de dados, tem que ter aquilo arquivado e acessível pela Internet. Um grande problema m que às vezes o pessoal arquiva e aquele troço fica lá inacessível. Eu não sei se você tem que escanear tudo e botar tudo acessível pela Internet, por meio digital. [...] Eu falei com a Carolina: ‘Olha, tem que investir, tem que colocar pessoas aqui mais qualificadas e digitar umas coisas e escanear outras e botar tudo no meio digital, aí, pode atm aquela sala lá ficar virtual’, eu acho.
Entr. 13, Projeto Manuelzão Não se pode deixar de ressaltar aqui uma diferença fundamental entre os dois proje- tos estudados. O IEAT foi criado dentro da estrutura formal da instituição, com a função básica de colocar em prática uma decisão institucional de caminhar no sentido de difundir e estimular a adoção de abordagens transdisciplinares. A comissão que propôs sua criação era composta por pesquisadores de diferentes áreas e a transdisciplinaridade é o objeto de discussão e prática do instituto:
Quer dizer, na verdade, a idmia foi transdisciplinar, eu acho que ningumm, individualmente, teria tido a idmia de uma coisa transdisciplinar. Cada um tinha lá suas idmias, mas eu acho que o próprio questionamento, você percebe que o outro tinha contribuições para sua idmia, a idmia já foi transdisciplinar. Quer dizer, o grupo foi transdisciplinar, na prática.
Entr. 1, IEAT Já o Projeto Manuelzão surgiu como um projeto de extensão, ou seja, um projeto que ultrapassa os limites da universidade, mas com pessoas de uma mesma área de conheci- mento, a Medicina, e a transdisciplinaridade foi nele introduzida pelo tema do qual ele se ocupou, a água.
A água m um tema muito transdisciplinar, pode ser tratada de forma seccio- nada, pedaço por pedaço. Na engenharia, na geologia, no ICB, na física, na química, na economia, em todo lugar. Mas ela, em si, m um tema muito típico de transdis- ciplinaridade.
Pela natureza do diagnóstico dos problemas, a gente tinha que buscar uma forma transdisciplinar de trabalho, nós tínhamos que integrar as pessoas de várias áreas, não só acadêmicas, mas tambmm pessoas de instituições diferentes e de áreas diferentes, setores diferentes, como empresários, governos, ONGs, porque o questio- namento que a gente fazia era sobre a mentalidade cultural, era a necessidade de mudar a visão que a gente tem da vida e do mundo.
Entr. 13, Projeto Manuelzão Assim, é possível perceber que a transdisciplinaridade, para o IEAT, é um objetivo em si, enquanto que, para o Projeto Manuelzão, é um instrumento necessário. Ali, eles não se ocupam da discussão sobre a transdisciplinaridade, eles simplesmente a praticam.
No próximo capítulo, serão tecidas algumas considerações sobre a pesquisa aqui relatada.