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ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ

2.1.1 Romantik Kıskançlık

2.1.2.4 Aşamalı empati sınıflaması

Ao dizermos que a projeção é o fenômeno que caracteriza a paranoia estamos - quase que praticamente - fechando um percurso de leitura. Não que a projeção seja mencionada, enquanto participante de estados patológicos, somente nos textos dedicados a tal psicose32. Entretanto, será no tratamento a ela fornecido que os principais aportes teóricos sobre a questão serão dados.

Considerando tal posicionamento, faz-se agora importante afirmar que o período transcorrido entre os meses de janeiro de 1895 e maio de 1896 é particularmente rico no que diz respeito à quantidade e à qualidade do material consagrado à paranoia. Ainda que o único texto publicado do qual ela participe seja o de Novas observações sobre as

neuropsicoses de defesa, grande é o número de referências, nos manuscritos freudianos,

sobre o assunto, sendo que o mais importante deles no que diz respeito a essa questão é, sem dúvida, o chamado Manuscrito H, anexado à carta enviada a Fliess em 25 de janeiro de 1895. Inteiramente dedicado ao fenômeno paranoico, tal manuscrito ultrapassa em detalhamento, em diversas passagens, o que será exposto em Novas observações..., e isso a começar pela descrição mais elaborada da projeção, o que antes particularmente nos interessa. Vejamos como as coisas se dão neste texto.

De início, Freud trata de classificar a paranoia como uma perturbação afetiva, ou seja, uma afecção na qual há problemas de tramitação dos afetos inerentes às

31 Novas Observações..., op. cit., p. 209-210.

32 Neurose obsessiva e neurose angústia são afecções nas quais, por exemplo, a projeção aparecerá

representações, distinção que irá colocá-la no mesmo plano da neurose obsessiva, da histeria e da confusão alucinatória.

Segue-se a apresentação de um caso que vem a corroborar com tal afirmação, no qual a etiologia da afecção se desenvolve através de questões envolvendo a) a lembrança de um acontecimento de caráter sexual b) sucedido na infância e c) sua repressão. O ocorrido em relação à defesa é exposto da seguinte forma:

“Ela estava se poupando de algo; algo era reprimido. Podemos discernir o que era. É provável que tivesse ficado excitada com o que viu e com a lembrança do fato. Se poupava desse modo da censura de ser uma “má pessoa”. Logo, passou a ouvir essa mesma censura, agora proveniente de fora. O conteúdo positivo permaneceu então inalterado; porém algo variou na localização de toda a coisa. Antes, tratava-se de uma censura interna; agora, era uma recriminação vinda de fora.”33

O descrito no texto não passa de uma mostra de como o conteúdo censurado pode ser mantido distante do eu, o que se dá na paranoia seguindo sua forma peculiar de defesa de uma representação inconciliável: lançando para exterior a síntese do problema, síntese esta definida pela própria representação inaceitável.

Estamos, obviamente, mais uma vez no campo do fenômeno projetivo, e uma pergunta essencial sobre seu mecanismo é realizada: como se chega à transposição do interno ao externo?

A resposta se inicia em um formato peculiarmente freudiano, e isso se pensarmos que a obra do autor vienense é extremamente pontuada por questões sobre os limites entre o normal e o patológico. Assim, a transposição que opera na paranoia se dá não mais do que pelo abuso de um mecanismo psíquico normal, que é o da projeção (Projektion).

Diante de cada mudança interna, temos a possibilidade de considerá-la como oriunda de uma fonte interior ou exterior - tal definição se dará por conta dos trâmites envolvidos em cada situação. Estamos ainda habituados a perceber que os indivíduos com os quais convivemos têm a possibilidade de acesso ao que nos passa interiormente, e isto através das emoções que expressamos. Pois bem: se sentimos culpa por qual motivo seja, tal culpa virá acompanhada da desconfiança de que sejamos notados e de que sejamos, também, considerados culpados pelos outros indivíduos. Tal sensação é avaliada como normal, já que o conteúdo que nos leva a fazer tais inferências nos está disponível. Ou seja: sabemos por que nos culpamos e por que podemos ser acusados.

Agora, o que aconteceria se o conteúdo pelo qual podemos ser culpados nos fosse retirado da consciência? Se seu acesso nos fosse negado? Ficaríamos aí tão somente com aquilo que nos levaria a considerar exclusivamente o que é externo, a saber, a desconfiança para com aqueles que nos cercam, a sensação de que podemos estar a ser por eles acusados de algo. E é isso o que acontece, segundo Freud, na paranoia. Estando a recordação bloqueada pela repressão, resta-nos apenas o segundo termo do fenômeno.

O final do texto traz um esquema que facilita tanto a interpretação da paranóia quanto da forma de defesa que a caracteriza. A partir do que dissemos:

§§§§§ Paranóia Afeto Conservado Conteúdo da Representação Conservado + Projetado Alucinação Hostil ao Eu Amistosa para a Defesa Resultado Desfesa permanente sem ganho

O Manuscrito K, anexado à carta datada em 1° de janeiro de 189634 e cujo subtítulo é Um conto de Natal, foi composto quase que no mesmo modelo esquemático e pelos mesmos dados que irão ser apresentados em Novas observações.... O texto, contudo, não é idêntico, e traz, assim como o Manuscrito H, certas tentativas de entendimento das afecções que acabaram sendo omitidas no artigo publicado, sendo que uma delas é realmente expressiva para a nossa questão, e isso por conta do papel que ela desempenhará na evolução das ideias de Freud sobre o tema.

Estamos falando obviamente de uma hipótese levantada sobre a paranoia, e que diz respeito tanto àquilo que é reprimido por projeção quanto às consequências desta repressão para a formação dos sintomas.

Ainda no início do texto Freud aventa a possibilidade – e aqui está o passo adiante deste escrito - de que em um caso de paranoia apenas o afeto seja reprimido por projeção, ficando mantidas na consciência as representações a ele ligadas, ou seja, o conteúdo da vivência desprazerosa. Ocorrência puramente conjetural, pois não há um caso que comprove tal possibilidade. Acontece que, para que possamos entender como as coisas se dão neste momento e quais as questões que aqui surgem, devemos nos ater em outro ponto – e este grandemente delicado e significante -, a saber: como se configura no exterior, e aparece ao eu, o conteúdo representacional projetado. Voltemos, pois, para um melhor vislumbre do problema, aos textos analisados sobre a projeção.

No texto publicado, quando da análise do trâmite do conteúdo das representações - e aí tanto na histeria quanto na neurose obsessiva - a afirmação é clara: em ambos os casos o conteúdo, ao ser reprimido, encontra-se ausente da consciência. Já no que diz respeito à paranoia, a lembrança da cena originária se encontrará presente, mas projetada. A questão que surge aqui é: ora, mas como isto se daria concretamente? O conteúdo seria

plenamente mantido, com a preservação das imagens, só que agora reinstauradas através das

interpretadas falas alheias?

Freud, em nenhum momento e em nenhum dos textos, é claro sobre a questão. A estrutura da neurose é consecutivamente, ou seja, em ambos os textos anteriormente analisados, reiterada, e nela a projeção aparece como o mecanismo que gera o sintoma primário. Este, por sua vez, parece ser sempre algo do campo afetivo, ou seja: não há referência a lembranças quando Freud trata do primärsympton, somente auto acusações transfiguradas. Os delírios, então, ocorreriam não mais do que como formas de adequação da realidade externa à realidade psíquica: uma forma de dar sentido à sensação de ser

perseguido. As representações começariam a surgir apenas quando a doença se instalasse

concretamente, sendo que as alucinações apareceriam como fatos reajustados pela formação de compromisso.

Para articular as questões postas aqui em jogo, a fim de que na projeção afeto e conteúdo representacional fossem tratados com igual aprofundamento e que ainda se esclarecessem as suas relações com a formação dos sintomas, algo teria que mudar de estatuto como, por exemplo, a atuação da formação de compromisso já no aparecimento do sintoma primário. E não é isso o que Freud, ao que nos parece, faz no Manuscrito K. Vejamos nesta longa citação:

“O sintoma primário formado é a desconfiança... o conteúdo da experiência retorna sob a forma de um pensamento que ocorre ao paciente como alucinação visual ou sensorial. O afeto reprimido parece retornar invariavelmente nas alucinações auditivas.

As partes das lembranças que retornam sofrem uma distorção ao serem substituídas por imagens análogas, extraídas do momento presente - isto é, são simplesmente distorcidas por uma substituição cronológica, e não pela formação de um substituto. As vozes, igualmente, lembram a autocensura, como sintoma de compromisso, e o fazem, em primeiro lugar, distorcidas

em seu enunciado a ponto de se tornarem indefinidas e de se transformarem em ameaças; e, em segundo lugar, relacionadas não com a experiência primária, mas justamente com a desconfiança - isto é, com o sintoma primário.

Como a crença foi separada da autocensura primária, ela assume o comando irrestrito dos sintomas de compromisso. O eu não os considera como estranhos a si mesmo, mas é impelido por eles a fazer tentativas de explicá-los, tentativas que podem ser descritas como delírios

assimilatórios.

Nesse ponto, com o retorno do recalcado sob forma distorcida, a defesa fracassa de vez; e os delírios assimilatórios não podem ser interpretados como sintomas de defesa secundária, mas como o início de uma

modificação do eu, expressão do fato de ter sido ele subjugado.”35

Tal pendência, conforme por nós apontada, terá de esperar alguns anos para que possa ser, ainda que não totalmente, resolvida.