Considerando que para comunidades biológicas H’ não supera o valor de 5 (WASHINGTON, 1984 apud KREBS, 1998), podemos observar que na represa de Barra Bonita este valor não é atingido, sendo os valore máximos da estação seca e chuvosa respectivamente de 3,49 (média 2,28) e 3,88 (média 2,46) para a diversidade em número e 3,72 (média 2,25) e 3,97 (média 2,45) no caso da diversidade em peso. Os resultados indicam a presença de uma comunidade bastante diversificada com valores, no complexo, homogêneos nas duas épocas amostradas. Castro (1997), também, evidencia baixa variabilidade da diversidade em número nas três estações amostradas na represa de Barra Bonita no período de agosto 1992 a julho 1993 (amostras mensais). Os valores médios de H’N são de 3,31 para a
estação do rio Araquá; 3,58 para a estação Capivara, localizada no braço do Rio Tietê e 3,97 para a estação Tamanduá, localizada no braço do Rio Piracicaba. Freitas (1999), no estudo sobre os efeitos dos recifes artificiais, evidenciou a tendência à diminuição da diversidade (em número e peso) e da riqueza de espécies com o aumento da distancia da margem da represa, sendo as coletas respectivamente realizadas a 5, 10, 15 e 20 m da margem. O autor verificou, em particular, que as diversidades maiores eram encontradas a 5 m da margem. Neste caso, os valores observados nas seis amostras bimensais realizadas na área controle (localizada na zona lêntica da represa) no período de fevereiro a dezembro de 1998, variaram de 2,18 a 1,04 para H’N e de 1,87 a 0,79 para H’P. Apesar de que os dados levantados na literatura não sejam
diretamente comparáveis, é possível individuar algumas concordâncias entre eles e o presente estudo. Em particular pode ser ressaltada a ausência de sazonalidade e a importância das margens e das desembocaduras na manutenção da diversidade.
AMARAL & PETRERE (2001) discutem que no estudo da diversidade, a escolha da unidade em número ou em peso se reflete no objetivo do estudo. COP FERREIRA (2004), num estudo sobre a ictiofauna do Riberão Claro (SP), mostra o comportamento diferente dos índices de diversidade de Shannon-Wiener e equitabilidade quando utilizados com dados em número de indivíduos ou peso. FAUSCH et al. (1990), argumentam que, embora a estrutura da comunidade seja influenciada pelo número e peso dos indivíduos na amostra, não é claro qual é a melhor unidade para o cálculo da diversidade. Estes autores afirmam, também, que a
diversidade calculada a partir do peso representa a distribuição da energia no ecossistema; aquela baseada no número reflete os percursos disponíveis para a transferência da energia, sendo relacionada com a riqueza de espécies (MAGURRAM, 2003)
Nesta tese a diversidade e a equitabilidade foram analisadas em relação ao número e ao peso, para examinar a influência da unidade de medida na detecção de diferenças entre épocas, zonas e ambientes.
No caso da diversidade, os cálculos revelam homogeneidade de resposta entre épocas; ao contrário diferenças entre zonas e ambientes são detectadas pela diversidade em peso, quando a diversidade em número só mostra diferenças entre ambientes. No caso dos ambientes, os dois índices concordam ao indicar que as comunidades dos ambientes de centro se caracterizam por menor abundância numérica e peso. Este resultado é justificado pelo fato que o ambiente de centro apresenta menor disponibilidade de recursos alimentares e refúgios, assim como condições físicas e químicas piores em comparação com os outros ambientes.
A diversidade em peso tem um comportamento mais complexo indicando diferenças entre os ambientes de cada zona. Em particular, emerge a menor importância do ambiente de centro dentro de cada zona, em relação aos ambientes de desembocadura e lateral, com a exceção do braço do Tietê, pelo qual o ambiente de centro se diferencia somente do ambiente de desembocadura, indicando a dominância de indivíduos de pequeno porte nos ambientes laterais que pouco contribuem à biomassa total.
A discrepância observada nos resultados obtidos com a diversidade em número e em peso no presente trabalho, efetivamente dificulta a interpretação dos dados e reforça a idéia de tomar cuidado na escolha da unidade de medida dos dados biológicos para a interpretação da estrutura da comunidade. No contexto desta tese, podemos, todavia observar que a unidade adotada, para o cálculo da diversidade, não tem efeito quando a comparação compreende um número de amostras relativamente elevado (como no caso da comparação entre épocas), mas quando o número de amostras diminui, o efeito da unidade de medida é maior. Neste caso é importante especificar se deve-se enfatizar os aspectos estruturais (abundância numérica) ou funcionais/energéticos (peso) da comunidade (MAGURRAN, 2004).
Em síntese, podemos afirmar que a interpretação dos dados através da diversidade em peso parece descrever melhor a comunidade mostrando as diferenças entre ambientes e zonas. Em
particular as estações de centro, apresentam valores estatisticamente inferiores quando comparados com os de desembocadura e lateral (com a exceção do ambiente lateral do Rio Tietê), indicando que os recursos disponíveis neste ambiente são explorados por poucas espécies, dependendo da capacidade de se adaptarem a condições ambientais limitantes (carência de oxigênio dissolvido) eventualmente presentes.
No caso da equitabilidade, a unidade de medida (número ou peso) não tem influência nos resultados. A ANOVA da equitabilidade em número, mostra diferenças significativas somente entre ambientes assim como a equitabilidade em peso. Também neste caso vale a mesma consideração anterior, segundo a qual o peso parece ser um descritor mais sensível para a interpretação dos resultados que mostram o ambiente de centro freqüentado por indivíduos adultos ou de maior tamanho em comparação com os ambientes de desembocadura e da margem. Ao contrário, a equitabilidade em número mostra diferenças significativas somente entre o ambiente de centro e o lateral.
A análise da dominância, que a diferença da diversidade e da equitabilidade só pode ser calculada em número, não mostra variações relevantes em relação à época, zonas ou ambientes indicando que, apesar do incremento das capturas na época chuvosa, a dominância permanece constante.
No caso das capturas por unidade de esforço em peso (cpuep), a análise da variância revelou
diferenças estatisticamente significativas entre épocas, zonas e ambientes. Também a interação época*ambiente foi significativa indicando a influencia da sazonalidade na distribuição das capturas por unidade de esforço em peso. Evidencia-se, também, um gradiente transversal representado pela maior capturabilidade das espécies nos ambientes de desembocadura e da margem da represa durante a época chuvosa. O teste HSD de Tukey revelou, em particular, que o ambiente de centro das zonas fluvial do Piracicaba e lêntica da represa se diferenciam dos outros, apresentando os menores valores em peso durante a época chuvosa. No caso da zona fluvial do Tietê, os cpueP do ambiente de centro são diferentes somente em relação a
represa começa a subir, e fontes alimentares não disponíveis no inverno são agora mais abundantes e acessíveis, favorecendo assim migrações transversais em direção das desembocaduras e das margens da represa. Isto seria também incentivado pelas piores condições ambientais nas áreas pelágicas da represa, devido à desoxigenação do hipolímnio, incremento de sólidos dissolvidos e particulados devido ao aumento da turbulência gerada pelos maiores aportes hídricos carreados pelas chuvas de verão.