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3. MATERYAL

3.5 IN VIVO HAYVAN ÇALIŞMALARI

3.5.11 Aşı Tarafından İndüklenen Sitokin Üretiminin Belirlenmesi

Selecionamos para essa seção um conjunto de fragmentos de opiniões de pessoas ilustres no universo da Literatura que nos ajudam a construir, eles também, o ethos de Flaubert sujeito-comunicante-autor. Comecemos por Sarraute (1996), teórica, crítica literária e escritora do Nouveau Roman francês, segundo a qual o nome de Flaubert traduz-se como unanimidade: ele é o mestre de todos os literatos, o precursor do romance atual, ponto indiscutível. Ainda segundo a escritora, Flaubert responde, com sua obra, às preocupações e às exigências dos escritores de hoje. Por se preocupar com o fazer literário, dar ênfase aos aspectos formais, estruturais do romance, dedicar-se à linguagem, ao discurso, Flaubert é tido, por Sarraute, como escritor pioneiro, avant-garde do romance moderno:

Livres sur rien, presque sans sujet, débarrassés des personnages, des intrigues et de tous les vieux accessoires, réduits à un pur mouvement qui les rapproche d’un art abstrait, n’est-ce pas là tout ce vers quoi tend le roman moderne? Et comment, après cela, douter que Flaubert en est le précurseur ? (SARRAUTE, 1996, p. 1640)120

Assim como para Sarraute, Flaubert é tido por Llosa como um precursor, sobretudo devido à sua reflexão sobre a importância absoluta da forma. Segundo Llosa (1979), que escreveu A Orgia Perpétua: Flaubert e Madame Bovary, Flaubert transformou em tema de romance o mundo dos homens medíocres e os espíritos desprezíveis e, concomitantemente, mostrou que na ficção tudo depende essencialmente da forma. Llosa, em um movimento catártico, constrói seu próprio ethos, ao construir os ethé de Flaubert e de sua obra. A Orgia Perpetua é uma crítica, e, ao mesmo tempo, uma autocrítica.

Se, por um lado, Llosa se identifica com o ethos de Flaubert autor, sobretudo no que diz respeito a forma de ver, ler e compor o romance, por outro lado, ele, ao criticar Gustave em sua forma de ver o mundo, acaba traçando seu ethos de sujeito-comunicante:

                                                                                                               

120 Livros sobre nada – quase sem assunto, sem personagens, intrigas e todos os velhos acessórios –, reduzidos a um puro movimento que os aproxima de uma arte abstrata; não apontaria tudo isso para o romance moderno? Daí, como duvidar que Flaubert seja o precursor do romance moderno?

Flaubert era um profundo egoísta no que diz respeito à injustiça social, e, ao longo de sua vida, não se preocupou senão com os problemas que diziam respeito a sua pessoa e à literatura. Com o pretexto de odiar o burguês, odiava e desprezava os homens; amava a literatura porque lhe parecia uma maneira de escapar à vida e de vingar-se dela, e no que se refere à história era terrivelmente pessimista: o futuro sempre seria pior que o presente, que era pior que o passado, e nada tinha remédio, fato que, ademais, não lhe parecia injusto, porque os homens não mereciam outra coisa. Este ceticismo catastrófico e arrogante sobre o destino humano é, talvez, a recôndita explicação de sua teoria da impassibilidade, sua defesa de uma arte indiferente e objetiva, na qual tudo acontece sem emoção nem intervenção alheia, de uma literatura sem moralidade. (LLOSA, 1979, p. 187)

Nos delineamentos dos ethé de Flaubert feitos por Sarraute e Llosa, constata-se que o autor é um talentoso escritor, que revolucionou a forma de escrever, que concebeu sua obra, tida como referência de literatura universal, harmonizando a estrutura e o tema composto de um universo sórdido, povoado por mediocridades e estupidez.

Cabe registrar que o posicionamento de Sarraute e Llosa não coincide completamente com o de Sartre (1971), que escreveu a obra inacabada, toda ela sobre Flaubert, em três volumes – L’Idiot de la famille –, na qual critica Flaubert de ter sistematicamente distorcido a realidade social de sua época, em uma escolha neurótica que obedece a todas as motivações pessoais assim como ideológico-literárias. Para Sartre, Flaubert teria se tornado o grande escritor do Segundo Império porque, em sua juventude, escolheu o devaneio e a misantropia universal.

Em entrevista concedida a Clément e a Pingaud, Sartre (1980a, p. 33-37), afirma que:

Flaubert se relisait fort mal. Il y avait des choses qu’il ne comprenait pas. On ne peut pas dire qu’il était bête, mais on ne peut pas dire qu’il était intelligent. C’était autre chose; c’était une intelligence très moyenne, avec, par moment, des vues d’une grande pénétration. […] Il n’était jamais vrai dans son rapport avec les autres, et les gens étaient gênés autour de lui sans savoir exactement pourquoi. […] Je suis très sévère avec lui, pourquoi ne le serai-je pas ? […] Il n’est pas sympathique, il est ridicule, mais il a écrit

Madame Bovary. […] Je n’aime pas Flaubert. […] Quand je disais là ce ne sont pas des

insultes, ce sont des regrets.”121

                                                                                                               

121 [...] Flaubert se relia muito mal. Haviam coisas que ele não entendia. Não podemos dizer que ele era estúpido, mas não podemos dizer que ele era inteligente. Era outra coisa; era uma inteligência mediana, com, em alguns momentos, visões de grande penetração.[...] Ele não era jamais verdadeiro em suas relações com os outros, e as pessoas eram incomodadas por ele sem saberem exatamente porque. [...] Sou muito severo com ele, porque não o seria? [...] Ele não é simpático, ele é ridículo, mas ele escreveu

Ainda que considere Madame Bovary uma obra prima, Sartre, nesse fragmento, (re)compõe o ethos de Flaubert sujeito-comunicante-cidadão amalgamado ao ethos de

sujeito-comunicante-autor, o ethos de uma pessoa antipática e desagradável.

Nessa mesma entrevista, Sartre liga a imagem de Flaubert à imagem de Emma Bovary. Para o autor:

En fait, [Flaubert] était sans aucun doute androgyne : Emma, c’est lui, mais pas au sens où on le dit d’après lui-même (‘Madame Bovary c’est moi.’) C’est dans les fantasmes, les images. C’est une chose particulière, une manière d’être, de concevoir le monde. […] Chez Flaubert, j’ai à faire a un vrai androgyne. Un drôle d’androgyne, tout est toujours tellement grossier chez lui […] Madame Bovary, c’est une vrai femme, malgré le machisme de Flaubert. […] Il y a là un sens de la femme chez un machiste. (SARTRE, 1980a, p. 34/37)122

Sartre, nesse excerto, liga os ethé de Flaubert sujeito-comunicante ao ethos da personagem Emma Bovary, mostrando suas semelhanças, as influências de um no outro. Antes de fecharmos esse capítulo sobre os ethé de Flaubert sujeito-comunicante, propomos tratar de mais uma faceta de sua identidade já anunciada por Sartre, aquela ligada ao ethos de Emma Bovary. Cabe ressaltar que não é nossa intenção nesse momento tratar do ethos de Emma propriamente dito. Para isso, dedicamos um outro capítulo.