As opiniões dos nossos entrevistados agora vão na direção de apresentar um olhar sobre o currículo e a relação teoria e prática das disciplinas na formação. Ao serem perguntados se eles consideraram que o currículo do Curso de Direito conseguiu aproximar a teoria com a prática durante a sua formação, colhemos as seguintes colocações:
RAFAEL:
Atualmente, é... no curso, o currículo que eu, que eu est udei né, eu... eu até inclusive participei das discussões e da reforma do currículo, que acho que foi uma reforma que... não mudou a cara do currículo, eu acho que o currículo é muito enciclopédico assim... ele procura abarcar todas as áreas do Direito, com minúcias, com... com especificidades que na vida prática, depois que você escolhe uma área onde você, uma área de concentração, você escolhe uma profissão, você desenvolve um perfil, você que ser um criminalista, você que ser um processualista, aí você a caba tendo que se aprofundar nessas áreas e tal, você sente falta justamente é... das noções mais gerais que essas noções tenham sido mais aprofundadas e debatidas, então... é... o currículo hoje, eu acho que é um currículo que deixa pouco, pouca liberdade ao aluno né, existe uma visão de que o aluno ele chega imaturo à faculdade, é verdade, apesar de terem muitos que já, já tem uma idade mais avançada no Direito, já vem de outros cursos, mas ele chega imaturo, ele não sabe o que ele quer e quando ele termi na o mercado vai exigir que ele procure tudo, mas eu acho que é uma estratégia errada o currículo tentar resolver isso tentando abarcar todas as matérias em Direito, do que, é... se concentrar em ensinar ao aluno como ele buscar soluções, então, é... eu acho que o mercado sempre vai trazer questões das mais diversas possível, possíveis e o aluno precisa na verdade é ter os instrumentos pra pesquisar, pra encontrar as soluções que não estão ainda colocadas no Direito, que é um...que é algo dinâmico, que é a lgo que sua interpretação muda de acordo com a sociedade vai se modificando, que as sociais vão modificando, então acho que o currículo hoje, ainda acho muito engessado, você sente pouca liberdade de se aprofundar numa área do Direito, de se aprofundar num tema, de fazer uma optativa, tem poucas optativas ofertadas né, tem poucas opta, tem optativas previstas, mas pouco são ofertadas, não tem uma variação, muitos professores tem pesquisas interessantes, novas, inovadoras, e elas poderiam ser ofertadas como tópicos especiais e isso não acontece, então você sente falta assim... de mais...é...efervescência assim, as coisas são muito enrijecidas e muito padrões assim, a gente sente falta de... de novidades assim, o aluno que quer se destacar, quer se aprofundar, ele fica preso a esse currículo, então acho que essa é uma dificuldade que eu encontrei.
AMANDA:
É bem deficiente. Com a prática é bem deficiente. Como eu já falei também, o NPJ poderia ser para os alunos de outros semestres começar a ter contato, mas não sei como seria, porque a gente só começa a estagiar nos dois últimos semestres, no nono e no décimo semestre. É o NPJ 1 e o NPJ 2. O 1 a gente não vem para cá fazer atendimentos, os professores mandam a gente assistir audiências em outros lugares, assista m uma audiência na Vara de Família, é aleatório e varia de cada professor. Pode
ser Vara de Família, é... Na Justiça do Trabalho, e tem que fazer relatório das audiências. E no 2 a gente vem para cá, que funciona dentro da Faculdade para fazer atendimento. A gente funciona como uma extensão da Defensoria Pública, a gente faz petição como se fosse a Defensoria Pública e manda para o defensor assinar, ai ele manda direto pro Fórum, o processo começa a andar e ele tem que acompanhar depois. Mas eu acho que ess a questão de ter contato com o, o, o público deveria ter mais, durante a graduação em si mesmo. E as questões de provas serem mais direcionadas a casos práticos e tudo mais. Eu fiz três estágios que busquei por conta própria: na Defensoria Pública, no Banc o do Nordeste e no Tribunal de Justiça no Juizado Especial.
FERNANDO:
Infelizmente, na faculdade de Direito a gente tem esse grande entrave, na minha opinião. Que... a prática ela tá um pouco distanciada da teoria, é... eu não saberia dizer até que ponto i sso é tão vantagem, mas como eu já conversei com outras pessoas, é...o que eu acredito é que a faculdade de Direito, da UFC, ela precisa escolher um norte. Que hoje a gente... é... tem uma formação que ao mesmo tempo quer preparar para concurso, para a prática, para a advocacia e para a carreira acadêmica, e... e na verdade não prepara diretamente pra nenhum. Eu acho que a faculdade de Direito, ela precisa escolher uma cara, ela precisa ter um perfil do egresso mais sólido, “ah!... nessa casa a gente forma é... é... professores”, “nessa casa a gente forma advogados”, é... eu não sei até que ponto a gente conseguiria fazer isso na vinculação com a prática, mas eu acho que hoje da forma que tá, ela tá bem distanciada, a teoria da prática.
Como podemos verificar, as entrevistas foram feitas em espaços, ambientes e horários diferentes. Acreditamos, também, que esses alunos nem possuam relações de amizades entre si. No entanto, as respostas coadunam numa mesma direção apontando uma fragilidade pedagógica do cu rso que pode ser encarada como desafio da maioria dos cursos superiores no Brasil: a cisão entre teoria e prática. As falas destacam haver uma deficiência curricular em não conseguir adequar as disciplinas na formação teórico-prática.
O aluno Rafael acrescenta que o currículo do curso padece por deixar pouca liberdade de escolha para os alunos montarem seu perfil de formação. Segundo ele, o currículo do Curso de Direito é muito enciclopédico e por isso a falta de novidades de disciplinas que pudessem colocar os alunos em contato com questões mais objetivas de forma mais cedo, no início da graduação.
Amanda, corroborando com a discussão, destaca que o currículo não permite o contato dos alunos no início da graduação com o público interessados em serviços jurídicos, embora alguns professores incentivem assistirem determinadas audiências. Mas, segunda destaca, é tudo muito desconectado de um proposta pedagógica que amarrasse a formação com questões práticas. Os alunos só passam a experimentar o
trabalho jurídico em pequenas doses, segunda ela, quando na segunda metade do curso passam a participar do NPJ 1 e 2 e dos Estágios de formação, mas isso como atividade e disciplina obrigatória.
O aluno Fernando, entretanto, destaca ser um grande entrave a relação teori a e prática na formação. Considera ser um grande entrave que mantém distante essa duas dimensões fundamentais para a formação jurídica. Segundo acrescenta, isso devido à falta de identidade do curso que o currículo não consegue apontar se realmente forma o advogado.