• Sonuç bulunamadı

3. MATERYAL VE METOT

3.2 Metot

3.2.1 Ağ Cihazları Üzerinde Alınabilecek Güvenlik Önlemleri

Um importante trabalho realizado recentemente deu conta de estudar os modos como eram realizadas as relações de tributação da Coroa e suas colônias (CARRARA, 2009, p. 39). Angelo Carrara aponta que a partir de 1621 as arrecadações foram divididas por Capitanias e não por Estados, como era até então realizado, política espanhola que continuou depois de 1640.

De múltiplas naturezas eram os tributos cobrados pelo rei aos seus súditos, seja no Ultramar ou no próprio reino. Destacamos os quais prevaleceram no Estado do Brasil, como o

estanco, monopólio ou exclusivo de comércio cedido a alguma empresa ou pessoa com a

finalidade de fornecer determinados produtos em nome da Coroa, cujo pagamento era acordado anteriormente. Acontece que por muitas vezes, o rei na impossibilidade de realizar a exploração econômica de algumas atividades deixava em mãos de particulares, que pagavam por isso, como ocorreu com o pau-brasil, com o sal, com a pesca da baleia, etc. Algumas rendas desses estancos tinham a função de sustentar a estrutura colonial ultramarina, isto é, os recebimentos reais ficavam no lugar onde eram gerados, a sustentar Casas de Misericórdia, milícias, presídios e outras atividades. Havia alguns tributos menores, como os emolumentos, as propinas, entradas (pagamentos sobre entradas de produtos coloniais no reino), pagamentos sobre os talhos de carne (as miúças), pagamento sobre a venda de aguardente da terra e de produtos que a Conselho entendesse que deveria ser realizado. Mas, em termos de cobranças de taxas, o mais importante deles era, sem dúvida alguma, o Dízimo:

Mas de todos os tributos que ao longo do XVII participavam das receitas da Fazenda Real, o mais importante era o dízimo, porque correspondia à principal fonte das rendas do Estado do Brasil até pelo menos 1700, quando a mineração começou a alterar profundamente as estruturas fiscais da colônia (CARRARA, 2009, 39).

No século XVI houve toda a expansão marítima portuguesa e, com isso, passaram a conquistar fiéis para o Catolicismo. O Dízimo, tradicionalmente, pago à Igreja, passou a ser pago a Coroa portuguesa devido à expansão, pois, o Papa derivou o direito aos portugueses. Portanto, ele foi o imposto que mais rendia à Coroa. Funcionava da seguinte forma:

1. A Coroa vendia o direito de arrecadação dos dízimos a particulares.

2. Os particulares tinham o direito de cobrar os dízimos dos lavradores e fazendeiros.

3. Depois de recebido, a cada três meses, pagavam aos tesoureiros o montante proporcional ao valor contratado, em dinheiro ou em fazenda.

4. Os provedores pagavam os filhos da folha.

Os arrematadores decidiam de qual produto iriam cobrar o dízimo, geralmente, o produto que mais rendia arcava com o pagamento. Dessa forma, em tese, os produtores de açúcar arcavam com a maior quantidade dos pagamentos, contudo, produtos com o tabaco também tinham que pagar (CARRARA, 2009, p. 64).

Carrara ainda aponta para alguns problemas em relação à cobrança do Dízimo: isenções aos engenhos das Companhias de Jesus e para novos engenhos 10 anos. Muitos dos arrematadores ficavam anos devendo à Coroa porque afirmavam que não haviam recebido dos engenhos isentos, muitos engenhos se desfabricavam e se fabricavam novamente para terem o direito aos 10 anos de isenção, dificultando a arrecadação dos arrematadores que, consequentemente, reportavam a falta de pagamento das dívidas à Coroa.

O segundo tributo mais importante do século XVII foi o pagamento do Dote da princesa Catarina de Portugal com Carlos, o rei da Inglaterra, bem como, a Paz com a

Holanda, ambos em 166136. Este tributo gerou muita controvérsia entre os contribuintes, a respeito dos prazos e da forma de pagamento. Os acordos foram com a finalidade de Portugal pagar pelos territórios reconquistados das mãos dos holandeses (Angola e Pernambuco) ainda mantendo uma paz definitiva entre eles, boas relações comerciais, etc.

Com a Inglaterra o acordo, resultado de uma série de acordos desde 1641, além de Portugal pagar uma quantia pelo Dote da Princesa, teve que ceder território nas Índias Orientais, Bombaim, ainda que estrategicamente orientada na defesa do Oriente.

O Estado do Brasil ficou responsável pelo pagamento de 2.240.000 cruzados: 140.000 anuais, durante 16 anos. 80.000 Bahia; 25.000, Pernambuco; 3.000 Paraíba; 2.000 Itamaracá; 1.000 Espírito Santo, Porto Seguro e Ilhéus; 26.000 Rio de Janeiro; 4.000 São Vicente (CARRARA, 2009, p. 50). Isto é, mais de 50% da tributação ficou com a Bahia. A divisão porcentual foi conforme as arrecadações dos outros tributos, isto é, somente a Bahia era responsável por mais de 50% das contribuições coloniais à Coroa, em relação aos Dízimos.

Mas, nem só do Estado do Brasil e Grã-Pará e Maranhão se sustentava a Coroa. Outro importante meio de contribuição que nos interessa era o relacionado ao comércio negreiro. O sistema de arrecadação funcionava de forma parecida com a apontada para o Estado do Brasil. A Coroa vendia o direito para os comerciantes fazê-lo e recebia por isso. Os comerciantes por sua vez tinham a função de fornecer às possessões americanas quantidades

predeterminadas de escravos quando no momento da contratação. A Coroa arrecadava também por quantidade de negros nas saídas e, antes de 1649, nas entradas no Estado do Brasil. Ou seja, quando antes de 1649 a Coroa, por meio dos seus funcionários reais, recebia taxas nos portos africanos e americanos no processo de compra e venda dos cativos. Mas, na provisão de 21 de Abril de 1649, o rei ―Manda que os escravos embarcados em Angola para

o Estado do Brasil, não paguem ali direitos, mas sim e somente no local do embarque”37. A ideia era facilitar a entrada de negros nas Américas com a finalidade de atender o seu desenvolvimento.

Dessa forma, a Coroa ganhava em duas frentes, recebendo dos contratadores e também nas saídas. Ainda recaíam tributos sobre os produtos comercializados com os africanos como panos, tabaco, cachaça, farinha, etc.

A Coroa recebia tributos em vários níveis das possessões ultramarinas, não obstante, muito do que recebia era destinado à sustentação da estrutura do ultramar, milícias, Santas Casas de Misericórdia, construção de defesas, pagamentos de procissões, etc. Outra parte, era direcionada aos gastos da Coroa para a manutenção da suntuosidade do status de sua nobreza, do direito de fazer guerra, etc.

*

O período de 1640 até c. de 1670 é de muita instabilidade dentro de Portugal. Não obstante, acreditamos que a crise política na península, foi advinda do enfrentamento com a Espanha, pelas desinteligências internas em torno da sucessão do trono, não mudaram o foco da política de captação de capitais nas colônias, pelo contrário, cada vez que se tornavam latentes os problemas, mais se consentia em valorizar as colônias.

Benzer Belgeler