Relativamente às questões abordadas, o Sr. CAPENG Artur Jorge Espada Caracho, começou por referir que, no âmbito do apoio prestado à Protecção Civil, estão considerados uma série de planos (Plano Aluvião e Plano Lira) e que estes são activados e desactivados por indicação da ANPC, que informa o EMGFA, que por sua vez informa os Ramos, neste caso o Exército. O Exército, através do CmdOpEx, coordena a actuação dos seus meios, tanto os da componente fixa como os da componente operacional. No CmdOpEx está ainda disponível uma relação dos meios existentes, para apoio a estas actividades, e que é do conhecimento da ANPC.
Referiu também que os planos existentes decorrem de planos e directivas superiores (neste caso da ANPC). O Plano Lira é o plano, para o Exército, que decorre da Directiva Operacional Nacional Contra Incêndios, da ANPC, e que é restabelecido aos diversos níveis a que os elementos de acção se encontram. O accionamento dos meios é efectuado a pedido da ANPC, mediante as necessidades e do que esteja a acontecer no País. O pedido dá entrada no EMGFA que, por sua vez, é encaminhado para o CmdOpEx, onde se verifica qual a unidade mais perto e com disponibilidade de meios. Nesta altura os meios são accionados, independentemente do Órgão Central de Administração e Direcção (OCAD) a que pertençam.
Existem depois os representantes do Exército / FFAA em 17 dos 18 distritos (o distrito de Setúbal tem um representante da Marinha) nos Centros de Coordenação e Operações Distritais (CCOD). Estes indivíduos são o elo de ligação entre os meios distritais das FFAA e a ANPC e estabelecem a ligação, no terreno, entre a força militar e o Comandante das Operações.
Relativamente ao contributo prestado no âmbito dos Planos elaborados referiu que as tarefas principais, no caso dos Plano Lira, são as de rescaldo e apoio logístico a outras entidades e que normalmente se traduz da cedência de instalações, alojamento, confecção de alimentação, fornecimento de água, etc. Relativamente ao Plano Aluvião as tarefas são de natureza idêntica, com excepção do rescaldo, na medida em que se trata de um plano para apoio em situações de cheias.
Fora do âmbito da Protecção Civil, referiu o Plano Vulcano, sendo este um plano que resulta do protocolo celebrado entre o Exército e a Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF) e que prevê a constituição de «equipas de sapadores do Exército de
O emprego das Forças Armadas Portuguesas em acções de “Segurança Humana”
Apêndice 3 - Resumo das entrevistas realizadas
formadas por 12 elementos cada (dois sargentos e dez praças). A cada equipa é atribuída uma área florestal (por exemplo uma, ou parte de uma mata nacional) definida pela DGRF. As equipas executam tarefas de patrulhamento e vigilância e o seu principal objectivo, para além da dissuasão, é detectar, alertar e combater, em primeira intervenção, o foco de incêndio. A prova da importância destas equipas reside no facto de, em 2007, terem-se realizado 193 primeiras intervenções e que, por isso, não se vieram a tornar num dos grandes incêndios a nível nacional. Em termos de equipamento, nos moldes anteriores, as equipas do Exército (em viaturas militares) eram acompanhadas por viaturas todo-o- terreno da DGRF, equipadas com um «Kit hidráulico» para primeira intervenção. No presente ano, e decorrente da falta de pessoal, a DGRF propôs ao Exército a instalação, em viatura militar (assumindo a totalidade dos custos inerentes), de um Kit amovível de combate a incêndios a fim de garantir uma capacidade de primeira intervenção a estas equipas e simultaneamente um carácter de autonomia. A DGRF fornece igualmente todo o equipamento necessário, inclusive o de protecção, aos nossos militares e ainda a formação necessária (durante cerca de uma semana) ao cabal desempenho das tarefas.
Sublinhou que as actividades do Plano Vulcano decorrem entre 01 de Julho e 30 de Setembro de cada ano e ocorrem em simultâneo com as actividades do Plano Lira. No entanto, os meios são independentes, apesar de todas as unidades que se encontram abrangidas pelo Plano Vulcano terem também responsabilidades no âmbito do Plano Lira. A grande diferença é que as equipas do Plano Vulcano são constituídas sempre pelos mesmos elementos (12 militares) que prestam serviço num esquema de rotação de seis militares, semana sim, semana não.
Relativamente à capacidade conferida pelo Elemento de Defesa Biológica e
Química referiu que este elemento consiste num conjunto de várias pessoas e que, por
determinação de SEXA o General CEMGFA, o seu comando encontra-se localizado no CmdOpEx através do Centro NBQ (previsto mas não activado), deste Comando. Referiu também que o Plano destinado a enquadrar a acção deste elemento ainda está em fase de elaboração. Contudo, o Exército e a Força Aérea têm nomeadas, em regime de rotatividade e durante um ano, equipas de reconhecimento NBQ (uma semana a Força Aérea, três semanas o Exército).
Outra valência que o Exército disponibiliza em apoio das populações foi a que referiu no âmbito do Plano de Actividade Operacional Civil (PAOC). Este plano é elaborado anualmente com base nas necessidades listadas pelas Autarquias e que chegam até ao Exército através da Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL). Em função das
necessidades é efectuado um reconhecimento ao local a fim de se determinar acerca da exequibilidade, duração dos trabalhos, etc. Após a aprovação do plano, pela DGAL, e mediante os meios disponíveis, avança-se para a realização das tarefas que se destinam, essencialmente, à melhorias das condições de vida das populações (abertura/melhoramento de estradas, limpeza de leitos de cursos de água, etc).
Outra tarefa que não se encontra em qualquer dos planos anteriormente referidos é a relativa ao emprego das pontes militares e que podem ser montadas em situações de emergência, nomeadamente de cheias.