31 ARALIK 2012 VE 2011 TARİHLERİNDE SONA EREN YILLARA AİT FİNANSAL TABLOLARA İLİŞKİN DİPNOTLAR
1. Şirketin Organizasyonu ve Faaliyet Konusu
Michel de Certeau em A invenção do cotidiano: As artes de fazer 1, versa acerca das relações entre aqueles que possuem meios de impor uma moral, um padrão estético, pedagógico etc, ou seja, a cultura dominante e aqueles que não possuem a possibilidade concreta de seguir esse padrões estipulados de cima para baixo. A imposição da cultura elitizada é, em realidade, a expressão de um arbítrio cultural, onde há um grupo dominante, detentor de maior capital cultural, que irá decidir o que é legítimo. (BOURDIEU, 2000). Desse modo, para integrar a percepção da elite, é preciso que se conheça as regras que lhe são peculiares concernentes a este campo, visto que para incorporar esse habitus, é necessário ter acesso a um capital intelectual reconhecido, capital financeiro herdado ou adquirido. Portanto, aumenta-se o abismo entre aqueles que são possuidores de um alto capital econômico e os que não o possuem. As condições de acesso dos diferentes grupos sociais não são igualitárias. No entanto, cultura não designa apenas erudição, mas um conjunto de bens simbólicos. Por sua vez, cultura popular pode ser compreendida como uma cultura não oficial, pois se constrói à margem da cultura assimilada e praticada por uma elite socioeconômica.
A cultura popular seria assim uma forma de “resistência moral”; um modo de fazer e de viver de acordo com suas possibilidades reais e cotidianas. Enquanto a cultura dominante arbitra sobre o que deve ser feito e apreciado, a cultura popular faz o que pode ser feito por esses atores sociais que não dispõem das mesmas condições de desfrutar do capital cultural que os dominantes possuem, ou como esclarece Certeau (2011, p. 83): “A ordem efetiva das coisas é justamente aquilo que as táticas ‘populares’ desviam para fins próprios”. Nesse sentido, a obra O Cortiço apresenta situações em que as relações de força ao menos momentaneamente, se invertem, e a mulher domina o homem, o colonizado “domina” o colonizador. Vejamos alguns exemplos:
Ora! Era preciso ser bem esperta e valer muito para arrancar assim da pele dos homens ricos aquela porção de jóias e todo aquele luxo de roupa por dentro e por fora! [...] seja assim ou assado, a verdade é que ela passa muito bem de boca e nada lhe falta: sua boa casa, seu bom carro para passear à tarde; teatro toda a noite; bailes quando quer e, aos domingos, corridas, regatas, pagodes fora da cidade e dinheirama grossa para gastar à farta! Enfim, só o que afianço é que esta não está sujeita, como Leocádia e outras, a pontapés e cachações de um bruto de um marido. (AZEVEDO, 1995, p. 104)
Na moral da cultura da elite, a boa esposa é aquela que se submete ao marido, é subjugada por ele. O casamento torna-se quase uma obrigação social, e cabe ao marido ou a uma herança familiar, gerida normalmente pelo pai, o seu sustento. No caso da mulher pobre, o casamento além de impor um comportamento obediente e o pressuposto da fidelidade, torna a mulher ainda mais dependente do homem, pois a separação no período abordado na obra de Azevedo significativa o abandono e a “perdição”. No trecho acima, Rita Baiana comenta com admiração, as atitudes de Leone, prostituta. Para Rita parecia maravilhoso que uma mulher fosse dona de seu dinheiro, e o conseguisse extraindo-o dos homens, que, em sua compreensão, seriam uma espécie de “parasita social da mulher”. Em sua visão, a mulher que não se entrega a sentimentalismos, que guarda seu amor para si é mais livre do que a esposa, exposta a uma dominação patriarcal mais forte.
B) A “colonização do colonizador”
A revolução afinal foi completa: a aguardente de cana substituiu o vinho; a farinha de mandioca sucedeu à broa; a carne seca e o feijão preto ao bacalhau com batatas e cebolas cozidas.[...] Jerônimo principiou a achar graça no cheiro do fumo e não tardou a fumar também com os amigos. (AZEVEDO, 1995, p. 104)
Jerônimo, personagem a quem o trecho acima se refere, além da perfeita ambientação em termos de alimentação, adotou também os costumes, as músicas, principiou a dormir de rede e pedira à mulher, portuguesa, que imitasse a cozinha e os asseios da mulata Rita Baiana. Essa inversão do lugar simbólico ocorre por meio das pequenas táticas de sobrevivência em condições hostis.
4. Da associação entre pobreza e marginalidade na obra O Cortiço
Sidney Chalhoub (1996), em sua obra mais clássica Cidade febril: cortiços e epidemias na corte imperial, trata sobre os cortiços cariocas, desde sua gênese até seu declínio; nela, há um tópico que se dedica ao estigma atribuído às classes de baixo poder aquisitivo, denominadas pelo poder público como “classes perigosas”.
O termo classes perigosas teria sido cunhado por Mary Carpenter, escritora inglesa de 1840, que o teria usado para designar os meninos de rua ou “infância culpada”, para ser fiel às palavras da autora. Em nosso país, o termo foi flexionado de forma bastante diferenciada do sentido original. Conforme Chalhoub (1996), a expressão foi encontrada em um importante debate da Câmara dos Deputados do Império após a abolição da escravatura, isso porque havia uma preocupação sobre o que fazer com a então mão-de-obra, não mais escrava. O que faria agora essa população até pouco tempo cativa? Como convencê-los ao trabalho?
M. A. Frégier escreve um livro influente no período de 1840, quando foi publicado, o qual se denominava As classes perigosas da população nas grandes cidades. Frégier tratou, na supracitada obra, sobre ladrões, pequenos golpistas e prostitutas que habitavam a antiga Paris. Para Chalhoub (1996), Frégier não soube separar a população meliante da população pobre. Por pensar de forma semelhante, nossos deputados daquela época fizeram da associação entre pobreza e marginalidade sua principal ferramenta “na guerra santa contra os vadios” (CHALHOUB, 1996, p.21).
O discurso político bradava que “a principal virtude do bom cidadão é o gosto pelo trabalho, e este leva necessariamente ao hábito da poupança, que, por sua vez, se reverte no conforto para o cidadão” (CHALHOUB, 1996, p.21). Deste ponto de vista, o pobre não poderia ser um bom cidadão, posto que, se vive em dificuldades e não tem conforto é por que não teria trabalhado ou poupado suficiente para isso.
De acordo com Chalhoub (1996), não se denotaria no discurso vigente das elites cariocas, diferenciação entre pobreza e marginalidade. O autor destaca que essa representação estigmatizada do pobre teria ocasionado erros históricos
irreparáveis. “Assim é que a noção de que a pobreza do indivíduo era fato suficiente para torná-lo um malfeitor em potencial teve enormes conseqüências para a história desse país.” (CHALHOUB, 1996, p.23). Uma dessas conseqüências consistiria no tratamento truculento que a ação policial teria reservado às comunidades carentes. Outra, seria a potencialização do racismo, haja vista que a população até recentemente escrava, adensaria a população pobre e desocupada.