• Sonuç bulunamadı

Konsolide Finansal Tablolar ve Bağımsız Denetçi Raporu

referansları 31 Mayıs 2021 31 Mayıs 2020 Varlıklar

1. Şirket’in organizasyonu ve faaliyet konusu

Uma forte influência de Alencar na elaboração de Iracema teria sido “Atala, ou os amores de dois selvagens no deserto” (1801). É uma obra de François-René de Chateaubriand, inspirada em suas viagens pela América do Norte. Causou grande impacto sobre o início do Romantismo, tendo sido adaptada com frequência para o teatro e traduzida em muitas línguas. A história é narrada pelo indígena Chactas, já com 73 anos, a René, um jovem francês que se junta à sua tribo e por ele é adotado. Durante uma noite de caça, René pede a Chactas que conte sua história.

Nesta obra também encontramos uma descrição paradisíaca da natureza, de uma terra primitiva e intocada, cenário da história de amor entre um casal pertencente a povos rivais. Temos também uma heroína virgem – Atala –, que não pode casar-se em função de um voto de castidade. No entanto, ela é mestiça: filha de um espanhol e uma índia. Havendo a mãe se convertido ao Cristianismo, a moça fora criada como cristã.

Não é difícil encontrar as fontes principais em que se inspirou Alencar. Este seguiu Chateaubriand, assim como Virgílio seguiu Homero: Iracema é, num certo sentido (não o contemporâneo da imitação, mas o da imitatio clássica), a transposição de Atala, de Chateaubriand, autor que Alencar confessou ter lido bastante. Temos, pois, o caso de uma composição homóloga, pois apresenta vários pontos em comum: o tema da felicidade primitiva dos chamados “selvagens”, que começa a se corromper diante da primeira aproximação do dito “civilizado”; a idéia do “bom selvagem”; o amor de uma índia por um estrangeiro; a morte das duas heroínas; o exótico da paisagem; enfim, o conflito fundamental representado pela oposição de índole dos dois mundos: o da velha civilização europeia e o Novo Mundo da América (MOREIRA, 2007, p. 101).

Ainda que seja de conhecimento que Alencar teve contato com as obras de Chateaubriand e que ambos os romances guardam semelhanças evidentes, existem certas diferenças notórias entre “Atala” e “Iracema”. Iracema é uma índia que nunca abraçou a fé cristã, mas Atala, na condição de filha mestiça de uma índia convertida, nasceu imersa no Cristianismo. Essa diferença irá marcar o comportamento de ambas, principalmente nas motivações do sacrifício que terão que fazer.

Atala se mata porque se apaixonou, mas não conseguiu quebrar o voto de castidade. Iracema, após quebrar seu voto e deixar os tabajaras, se deixa morrer quando percebe não ser mais amada por Martim. Ambas as heroínas encontram na morte a solução para um intenso conflito. No entanto, a morte de Iracema deu-se em consequência da escolha de seguir com Martim, abrindo mão da vida que conhecia com seu povo e do status de sacerdotisa de Tupã.

Atala, por outro lado, opta pela morte por não conseguir escolher entre manter o voto de castidade ou casar-se com Chactas.

Não existe propriamente em “Atala” o amor de uma índia por um estrangeiro, a não ser no relacionamento brevemente mencionado entre os pais da moça. O que temos como foco da narrativa é o amor de uma mestiça cristã por um índio. O estrangeiro, podendo ser aqui considerado uma instância que causa rupturas e choques culturais, surge de forma bastante contundente na religião (Cristianismo), encarnada no voto de castidade (motivo do conflito amoroso) que a mãe de Atala obrigou-a a fazer e no missionário cristão Père Aubry. Já “Iracema” apresenta claramente o amor de uma índia por um estrangeiro, sendo este o cerne dos acontecimentos do romance.

Já comentamos sobre a forma como o “bom selvagem” de Rousseau foi apropriado pelo Romantismo com finalidade de legitimação do poder vigente. No entanto, em “Atala”, ainda que tenhamos também uma obra que corrobora o status quo europeu de civilização colonizadora, somos apresentados a um ameríndio de características bastante distintas dos indígenas de “Iracema”. Chactas refere-se aos indígenas (os não convertidos) tanto os de sua tribo como de outras como selvagens e idólatras.

O ameríndio em “Atala” é uma criatura primitiva na sua forma mais hostil. Chactas o retrata como ocioso, irracional e impiedoso. Se quem constrói este retrato é um dos próprios “selvagens”, o relato adquire um tom ainda mais legítimo. Estas considerações de Chactas ocorrem quando ele conhece Aubry e passa a estabelecer comparações entre o missionário e ele próprio, bem como os de sua tribo. Chactas entende que os cristãos são mais evoluídos espiritualmente e intelectualmente, além de conseguirem lidar com animosidades de forma mais serena.

Com dezessete anos, Chactas perdeu o pai durante uma batalha contra os Muscogees. Ele foge para Saint Augustine, Flórida, onde é adotado pelo espanhol Lopes. Dois anos e meio depois, sai de casa, mas é capturado pelos Muscogees e Seminoles. O chefe Simagan sentencia-o a ser queimado em sua aldeia, mas as mulheres se apiedam de Chactas durante as semanas de viagem, e à noite lhe traziam presentes. Atala, que fora adotada por Simagan após a morte de sua mãe, tenta ajudá-lo a escapar, mas Chactas, apaixonado, recusa- se a partir sem ela. Ele conta a René da primeira vez que viu Atala e podemos identificar a descrição de uma protagonista tipicamente romântica, dotada de beleza e graça acima do mundano, sendo comparada a seres divinos.

Uma noite eu estava sentado junto da fogueira da floresta com o guerreiro a quem tinha sido confiada a minha guarda. Repentinamente, ouço a bulha de um vestido

sobre a erva, e uma mulher meio coberta vem se sentar a meu lado. Corriam de seus olhos copiosas lágrimas, e um pequeno crucifixo de ouro pendente de seu pescoço brilhava com o clarão do fogo. Ela era regularmente bela, e descobria-se em seu semblante um não sei que de virtuoso, e irresistível. Unia a todos estes encantos graças ainda mais ternas: uma extrema sensibilidade misturada com uma profunda melancolia respirava em seu olhar; o seu riso era celeste.

Eu julgava que era esta a virgem dos últimos amores, aquela, que se destina ao prisioneiro de guerra para encantar seu tumulo. Nesta persuasão, perturbado, e

balbuciante, não pelo medo da fogueira, eu lhe disse: 'virgem! Vós sois digna dos primeiros amores, e jamais fostes criada para os últimos. A palpitação de um peito, que em breve cessará, mal poderia corresponder às palpitações do vosso. Como se pode confundir a vida, e a morte? Vós me faríeis sentir bem a perda da vida. [...] (CHATEAUBRIAND, 1819, p. 28) [grifo nosso].

Na chegada à Apalachucla, ele é salvo da morte por intervenção de Atala. Os dois fogem e vagam pelo deserto por dias. Abrigados de uma tempestade, Atala conta a Chactas que seu pai era Lopes, o seu benfeitor, e o índio se emociona. Os dois estão muito apaixonados, mas Atala resiste ao toque de Chactas e ele não entende o motivo. Percebe, no entanto, que ela guarda um segredo que a atormenta.

Quando ele tenta possuí-la durante a tempestade e ela pouco resiste, um raio cai e corta uma árvore diante de seus pés. O fenômeno parece indicar que um alerta foi enviado dos céus. Assustados com a força do raio, eles correm de forma aleatória até ouvirem um sino de igreja. O encontro com um cão faz com que conheçam seu dono, Père Aubry, um religioso que os leva em meio à tempestade até sua missão idílica.

É quando passa a conviver com Père Aubry que Chactas demonstra compreender o Cristianismo como uma religião superior à de seu povo. A tranquilidade, a paz de espírito e o senso de caridade com que Aubry conduzia a vida na missão o inspiravam: “As palavras do Solitário me arrebataram e senti imediatamente a superioridade desta vida estável, moral e ocupada, à vida errante, inútil e ociosa do Selvagem” (CHATEAUBRIAND, 1819, p. 118).

Atala está apaixonada por Chactas, mas não pode se casar com ele porque fez um voto de castidade à mãe em seu leito de morte. A moça não consegue contar a ele este segredo, até ser acometida por um estranho mal que a deixa de cama. Aubry presume que ela está apenas doente. Acamada, decide contar-lhes a verdade sobre o conflito que vem sofrendo.

Chactas se enche de raiva, mas o missionário esclarece aos dois que o Cristianismo permite a renúncia dos votos. Mas Atala, frustrada ao invés de feliz, teria mais uma revelação a fazer: sua indisposição física é consequência de um veneno que ingeriu em desespero, por não poder casar-se com Chactas e ao mesmo tempo saber que não conseguiria viver sem ele. Atala morre, e, um dia depois do funeral, Chactas deixa a missão, sob o conselho de Aubry.

Atala e Iracema são duas heroínas românticas arrebatadas pela paixão. Sofreram uma série de vicissitudes e de conflitos os quais acabaram por encontrar desfecho na morte

(solução bastante comum para a dissolução de tensões nos romances do século XIX). Para não quebrar o voto de castidade que fez por sua mãe, e em nome da religião que ambas seguiam, Atala se mata tomando veneno. Já Iracema, que também deveria manter-se virgem por ser noiva de Tupã, se deixa definhar até morrer após ter traído o segredo da jurema e abandonado seu povo para viver com Martim. Vive somente o tempo suficiente para garantir-lhe o filho.