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Şiddetli kafa travması öyküsü olan (son 1 yıl içerisinde) olgular çalışma dışında

YÖNTEM VE GEREÇLER

8. Şiddetli kafa travması öyküsü olan (son 1 yıl içerisinde) olgular çalışma dışında

Procuraremos, nas próximas linhas, explicitar o ponto de vista do qual pretendemos falar, para facilitar o entendimento dos limites e possibilidades do presente trabalho.

A historiografia da educação e a historiografia da psicologia, em particular, se encontram no cerne do presente trabalho. Desse modo, é principalmente com um referencial teórico-metodológico derivado dessas duas disciplinas que interrogamos nossas fontes. Nosso viés, assim o entendemos, é mais pronunciado do lado da Historiografia da Psicologia, onde encontramos pesquisadores cujos pontos de vista teóricos e metodológicos compartilhamos em larga medida.

Assim, quanto ao estudo das controvérsias como fonte de investigação nas ciências humanas e, em especial, na psicologia, o historiador da psicologia Josef Brožek (1996) afirma que elas teriam a função de desmistificar um conceito de ciência idealizada, ou vista pelo ponto de vista do senso comum, para o qual não há controvérsias no interior das ciências e, segundo o qual, essa progrediria num ininterrupto movimento linear de crescimento.

Em particular na ciência norte-americana, as controvérsias não gozam de boa reputação. São vistas como uma injeção de emocionalismo no empreendimento racional que é a

ciência. Alguns psicólogos, entre outros, Mary Henle, divergem sobre esse ponto. As questões podem ser significantes, não triviais, e não devem ser negligenciadas. Mary Henle deu ênfase ao fato de que o significado de um termo ou de uma declaração depende do contexto em que ocorre. Não é raro que as controvérsias emerjam (e persistam) porque os dados provêm de diferentes contextos. (Brožek, 1996:25)

Citando uma vez mais a especialista na história da teoria da Gestalt, a professora Mary Henle, Brožek vai explicitar melhor sua concepção metodológica pautada na controvérsia.

Mary Henle apontou aspectos e efeitos potencialmente positivos de controvérsias científicas: 1) uma controvérsia pode estimular pesquisa adicional, com melhor desenho de experimentos e com métodos fortalecidos, melhores; 2) uma controvérsia pode contribuir para o esclarecimento da matéria em pesquisa e para uma formulação explícita das suposições implícitas. (Brožek, 1996:25)

Contudo, os efeitos das controvérsias podem ser, também, negativos:

1) os pontos de vista podem tornar-se rígidos; 2) algumas vezes, sob o impacto da crítica, as posições tornam-se mais extremas. (Brožek, 1996:25)

Por último, os modos de resolver controvérsias são:

1) uma questão pode resolver-se na base de métodos novos. Às vezes este passo faz-se não pelos protagonistas originários, mas pela segunda ou terceira geração de cientistas comprometidos com o problema; 2) o problema pode ser visto numa perspectiva menos radical em que as contradições dissolvem-se numa síntese mais abrangente. Por exemplo, a controvérsia entre psicólogos que consideram o meio ambiente ou os fatores genéticos como determinantes do comportamento pode resultar na elaboração de um modelo que inclua um terceiro fator, a atividade do organismo. (Brožek,1996:25-6)

Os exemplos de resoluções dados por Brozek (1996) são particularmente interessantes, pois, a nosso ver, explicam muito do progresso observado na psicologia como um todo: desenvolvimento de novos métodos e metodologias de investigação, bem como tentativas de síntese entre teorias e dados empíricos.

Outro pesquisador da História da Psicologia que se dedica ao estudo dos debates e controvérsias é Ludwig J. Pongratz (1998) que propõe a metodologia descritivo- analítica ao analisar a controvérsia entre dois psicólogos do final do século XIX – Dilthey e Ebbinghaus. Essa metodologia sugere que o historiador deve pautar-se por uma cuidadosa documentação dos acontecimentos e interpretação dos fatos históricos.

Segundo ele: “As controvérsias oferecem a vantagem de apresentar uma questão a partir de diferentes pontos de vista e delineá-la mais claramente” (Pongratz, 1998:340).

Os debates e controvérsias seriam, assim, um excelente instrumento para o historiador da ciência e, particularmente, para o historiador da psicologia.

Pongratz (1998), no entanto, alerta para o cuidado com uma perspectiva ingênua de historiografia, aquela que não leva em conta os fatores subjetivos do próprio historiador como influenciando a interpretação histórica.

Procurando ter em mente a influência dos fatores pessoais e sociais, juntamente com profundas mudanças dentro da própria ciência, poderemos entender melhor que a história precisa ser continuamente reescrita. Em certo sentido o passado está fechado, é imutável, e, no entanto, quando considerado pela nova geração de historiadores, pode ser visto de modo diferente e, neste sentido, é novo; como sujeito da historiografia, ainda permanece aberto. (Pongratz, 1998:340)

A perspectiva historiográfica da qual partimos, portanto, é a da historiografia internalista (Brožek; Massimi e Campos, 1996). No entanto, tendo clareza de que os acontecimentos históricos não podem ser explicados apenas sob o ponto de vista internalista (para o qual o desenvolvimento das teorias científicas é visto como decorrente das interações entre os próprios cientistas e das necessidades lógicas de seu aperfeiçoamento), buscaremos um equilíbrio entre essa perspectiva e a externalista (em que os fatores sociais, culturais, políticos e, portanto, históricos, acabam por permitir um maior ou menor desenvolvimento de uma dada teoria), por compreendermos que o fazer científico e as teorias científicas se desenvolvem como fruto da interação dessas duas forças. Proposta semelhante é sugerida pelo historiador da psicologia Michel Sokal (1984):

De todas as formulações da Nova História Social da Ciência que já vi, a única que apresenta seus interesses de maneira clara (para mim) aponta para o interjogo dos fatores individuais, das idéias, e das instituições dentro do contexto seja da cultura ampla na qual a ciência é desenvolvida, seja no contexto das comunidades disciplinares e subdisciplinares nas quais tais ciências atualmente trabalham. (Sokal, 1984: 344 – tradução nossa)

Assim, a descrição deve ser complementada pela análise, aqui entendida como a busca da compreensão do “quem”, “quando” e “como” o acontecimento histórico se desenrolou, levando-se em consideração os diversos aspectos, inclusive o contexto sócio-cultural. É nesse sentido que a segunda das inspirações metodológicas por nós assinalada é a da história-construção, como descrita por Latour (1989). A principal característica dessa proposição é procurar compreender os fatos históricos como pertencentes a uma rede de relações e forças sócio-econômicas e culturais. Latour

ressalta que, diante de um acontecimento histórico, é preciso interrogá-lo abandonando- se a perspectiva do fato acabado. Deve-se buscar a perspectiva que, de fato, cunhou aquele momento histórico, ou seja, quando as redes estavam ainda em construção, deixando em evidência o aspecto construtivo e, algumas vezes, fortuito, do fluxo histórico. Como ele assinalou ao interpretar o debate entre os químicos Pouchet e Pasteur (Latour, 1989), no momento do debate, no nascer e desenrolar do mesmo, não havia condições de saber quem iria sair vencendo. Portanto, a incerteza, o emocional à flor da pele, os muitos elos que poderiam falhar para se tecer a rede de relações históricas, tudo isto são fatores que se deve ter em vista no momento de coletar os dados e, posteriormente, na interpretação dos mesmos.

Na mesma direção, Danziger (1984) afirma que a atividade científica não é mero fruto da atividade individual ou do percurso de indivíduos, senão o resultado do contexto social no qual ela é desenvolvida. A sua postura, denominada história-crítica, parte do pressuposto de que há diferença entre um naturalismo ingênuo e uma postura crítica em história da psicologia. A primeira percebe os fenômenos psicológicos como já dados, como naturais: a psicologia está latente na natureza, é preciso, pois, descobri-la. Foi o que fizeram as grandes teorias psicológicas: descobriu-se a inteligência, a personalidade, a emoção, o inconsciente. A segunda postura, ao contrário, parte do princípio de que todo fenômeno psicológico sofre um processo de construção social, delimitação, para vir à existência. "Tais coisas como 'inteligência', 'atitudes' ou 'personalidade' não ocorrem na natureza como dados puros, mas são o produto da construção humana" (Danziger, 1984: 100). Desse modo, o que mais importa, portanto, para um historiador que parta dessa postura é

(...) o estudo das relações entre tais atividades construtivas e a natureza dos objetos que eles produzem. Assim, mudanças significativas nos objetos devem ser traçadas por mudanças nas atividades que as produziram. Os objetos podem suceder um ao outro em uma seqüência histórica somente através da mediação de atividades das quais eles são produtos. (Idem: 101 - tradução nossa)

Assim, na perspectiva da história construção, proposta por Danziger mais do que o produto da atividade – as teorias e seus resultados -, a própria atividade cientifica torna- se o foco de investigação.

É assim que delimitamos nosso olhar histórico a partir dessas três vertentes: a abordagem descritivo-analítica de Pongratz (1998), a história-construção de Latour (1989) e a história-crítica de Danziger (1984). Procuramos integrá-las no momento de

seleção das fontes e análise das mesmas.

As fontes primárias do presente estudo são os livros e artigos que Piaget e Wallon publicaram no intervalo histórico de 1920 a 1960 (Cf. Anexo 4). Procuramos entrar em contato com toda a bibliografia do período selecionado, identificando-a e, a partir de uma primeira leitura, classificando-a como pertinente ou não para uma análise aprofundada a

posteriori. Os artigos, livros ou capítulos de livros que possuíam referência aos termos

chave desta pesquisa e, especialmente, ao tema da função simbólica ou representacional foram fichados e analisados detalhadamente. No entanto, na medida que íamos construindo nossas hipóteses e o processo de escrita da pesquisa avançava, por vezes se percebeu a necessidade de buscar novos elementos: biográficos, históricos, contextuais, teóricos. A melhor descrição para este processo sendo, portanto, um percurso de idas e vindas em relação ao objeto de pesquisa (o debate Piaget-Wallon) e seu conteúdo teórico, alargando a compreensão sobre os mesmos. O poder ter tido acesso a material teórico disponível em bases de dados no exterior – através de um estágio de doutorado – foi, nesse sentido, de extrema importância para a consecução desta pesquisa, pois permitiu-nos entrar em contato com material bibliográfico que ainda não tínhamos tido acesso, além de nos permitir a oportunidade de construir um olhar mais abrangente sobre o percurso teórico de Piaget e Wallon.

A seguir passaremos a uma maior contextualização da Psicologia enquanto terreno histórico e científico, dos autores e do debate, de forma tal que possamos responder as questões acima propostas.

Benzer Belgeler