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A metodologia (auto)biográfica possibilita a formação de um dispositivo- cenário. Tal dispositivo consiste em um conjunto de encontros formativos objetivando a construção de um projeto (auto)biográfico. Segundo Momberger (2008, p.100-102) e Josso (2008, p.28-29), esse projeto pode ser realizado em algumas etapas: o primeiro momento é o de apresentação do tema da pesquisa, dos procedimentos metodológicos, de ouvir os sujeitos quanto ao seu interesse na pesquisa.

O segundo momento, para Momberguer (2008), é o de fixar um contrato biográfico, em que estabelece as regras entre os sujeitos, oficializando a relação entre os participantes. Para Josso (2008), esse é o momento de escuta das narrativas orais das experiências dos sujeitos, nessa etapa, os narradores exporiam suas histórias e os demais fariam perguntas sobre os aspectos relatados, a fim de desencadear: um processo de identificação e de diferenciação, que alimenta o questionamento sobre seu próprio percurso e, em contrapartida, sobre o questionamento dos percursos dos outros.

Os terceiro e quarto momentos, para Momberger (2008), são as etapas de produção das narrativas e socialização com os demais sujeitos por meio da formação de grupos e subgrupos, desencadeadores de memórias pela utilização de suportes geradores, tais como: árvores genealógicas, mandalas, brasões etc. A partir disso, os sujeitos podem fazer reconstruções de acontecimentos vividos. Para Josso (2008, p.29), essa etapa corresponde à construção do relato escrito do vivido feito individualmente, em que serão depreendidos os momentos principais:

Cada relato é trabalhado com vistas a depreender os momentos-chave, frequentemente, fundadores, as valorizações que orientam as escolhas, os registros das ciências do humano nos quais as experiências são relatadas, as dialéticas que permitem compreender as orientações gerais de uma vida, as atitudes e aprendizagens do sujeito nas situações, os acontecimentos, os encontros e as atividades impostas ou escolhidas ao longo da vida.

O quinto momento, para Momberguer (2008), destina-se à construção da narrativa escrita pelos sujeitos, essa etapa corresponde à terceira etapa de Josso (2008). Nessa fase, o

formador designa um escriba para anotar os relatos do narrador para que este, depois, possa consultá-las e, a partir do olhar do outro sobre sua história, o narrador possa escrever sua narrativa (auto)biográfica.

No sexto momento, Momberguer (2008) enfatiza a apresentação do projeto (auto)biográfico realizado pelos sujeitos no grupo. Em um momento posterior a este, os participantes socializam sua experiência e compartilham suas impressões sobre o processo formativo. É importante ressaltar que para todas as fases as autoras afirmam que é necessário que haja certo espaçamento, de alguns dias entre uma fase e a seguinte, para que os sujeitos tenham tempo para refletir sobre si.

Sobre essa metodologia, devemos ter em conta que é totalmente legítimo considerar uma narrativa (auto)biográfica como a representação de uma dada sociedade, pois a leitura que se faz de uma história particular, é a leitura de um sistema social totalizado numa (auto)biografia, cada sujeito é um “universal-particular” (PASSEGI, 2011).

O processo de biografização leva os indivíduos a um processo de reflexão dentro de um contexto coletivo, composto de sujeitos social e historicamente situados, configurando- se como processo formativo para formadores e narradores.

Em consonância com essa perspectiva, os encontros formativos foram inspirados. Eles se configuraram como um espaço em que os alunos puderam falar de suas trajetórias de vida e experiências, momento de reflexão e elaboração concernente ao método autobiográfico.

Assim considerando, as atividades planejadas para os encontros foram: narrativas orais, construção da árvore genealógica, oficina do objeto, relato escrito (auto)biográfico, apresentação do relato escrito e avaliação dos encontros.

As narrativas orais foram utilizadas para possibilitar o acesso e expressão das memórias individuais no grupo. Utilizamos a construção da árvore genealógica, conforme proposta de Momberguer (2008), no sentido de possibilitar aos sujeitos a busca de informações de seus familiares acerca da sua trajetória escolar, para, a partir disso, pensarem sua própria trajetória de vida e escolar.

A oficina do objeto foi inspirada na Oficina do objeto idealizada e realizada por Mário Chagas (1998) em suas formações sobre museus. Para Mário Chagas (1998) podemos usar os objetos para falarmos de nós mesmos, ao escolhermos e apresentarmos um objeto damos sentidos a eles. Estes objetos, segundo Chagas (1998, p.64), “são fragmentos de memória individual”. A memória parte do individual para o coletivo e depois se amplia para o universo social.

Mário Chagas (1998) estruturou essa oficina em três etapas: a primeira consistia em cada participante do grupo escolher algum objeto que tenha algum significado para ele e, depois disso, dizer por que o escolheu. Na segunda etapa, os participantes contam a história do objeto e depois todos se juntam para organizar uma exposição dos objetos. Na última etapa, os participante visitam a exposição e duas pessoas do grupo explicam a exposição.

No nosso caso, fizemos uma adaptação destas etapas, posto que o nosso interesse não era de ordem museológica. Desse modo, pensamos a oficina em dois momentos: primeiro, previamente, ou seja, no encontro anterior, solicitamos aos participantes que trouxessem objetos que tinham relação com sua trajetória escolar. No segundo momento, com os objetos em mão, os estudantes falaram porque escolheram tais objetos e contaram a história de cada um deles.

A partir das memórias suscitadas por meio das atividades anteriores (narrativas orais, construção da árvore genealógica e oficina do objeto), a escrita do relato (auto)biográfico foi solicitada com o intuito de que os coparticipantes pudessem se organizar, através da escrita as suas memórias, para depois apresentarem cada relato para o grupo, desse modo, a construção das narrativas partiram do individual para o coletivo.

O último momento foi pensado para avaliar os encontros e levantar questões que não foram feitas nos encontros anteriores. Logo abaixo, podemos ver como cada encontro formativo foi planejado na perspectiva da metodologia (auto)biográfica,.

Planejamento dos Encontros formativos:

1° encontro: Apresentação da pesquisa, da metodologia (auto)biográfica, do termo de

consentimento Livre e esclarecido (TCLE), convite à participação dos sujeitos, coleta de assinatura dos participantes.

2° encontro: organização de duplas de alunos para produção de narrativas orais a partir do

tema o percurso acadêmico. Um aluno narra sua experiência e outro faz o registro escrito. Depois eles invertem os papéis, o que narrou registrará a narrativa do companheiro. Depois cada um apresentará para o grupo a narrativa do colega que faz parte da dupla.

3° encontro: construção da árvore genealógica da família em relação ao percurso escolar dos

familiares. Os sujeitos serão convidados a fazer um desenho de sua árvore genealógica (até os seus avós) em cartolinas ou folhas de papel madeira. Depois, eles apresentarão para o grupo.

4° encontro: narrativas orais produzidas a partir de objetos geradores de memórias (fotos,

e imagens que lhes tragam recordações de seu percurso escolar. Em sala, apresentarão os objetos para o grupo e farão a narrativa oral das memórias que estes lhes trazem.

5° encontro: momento destinado à escrita das narrativas individuais. 6° encontro: Apresentação das narrativas individuais para o grupo. 7° encontro: Apresentação das narrativas individuais para o grupo. 8° encontro: Socialização da experiência enquanto processo formativo.

Como veremos ao final deste capítulo, esses 8 dias não foram suficientes para que todos pudessem apresentar suas narrativas. Por conta disso, necessitamos de mais um dia para que o último encontro não ficasse comprometido. É importante destacar que os encontros só foram realizados depois do esclarecimento acerca da pesquisa aos sujeitos e da apresentação e da assinatura do TCLE – Termo de Compromisso Livre e Esclarecido, documento exigido pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.

Benzer Belgeler