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5. KÖSELEYİ ŞEKİLLENDİRME

5.2. Köseleyi Keserek Şekillendirme

5.2.3. Şekilli Kesim

No que tange à responsabilidade penal, consignamos que poderão ser responsabilizados todos aqueles que enquadrados pelos crimes tipificados no Código Penal e outras legislações esparsas, podendo, inclusive, sofrer responsabilização pelos chamados crimes funcionais25.

Assim, enfoquemos as previsões da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998).

Referido diploma legal encontra-se dividido em oito capítulos contendo os seguintes temas: disposições gerais, aplicação da pena, apreensão do produto e do instrumento de infração administrativa ou de crime, ação e processo penal, crimes contra o meio ambiente, infração administrativa, cooperação internacional para a preservação do meio ambiente, e disposições finais.

Segundo Paulo de Bessa Antunes26,

a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, surgiu como uma esperança de que a situação denunciada pudesse progredir favoravelmente para a proteção do meio ambiente e, por conseqüência, para a perfeita realização da justiça ambiental”.

Destacamos a previsão da

responsabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes ambientais, até porque, conforme elucida a doutrina27: “A pessoa jurídica evoluiu, passou a ser considerada uma realidade jurídica, embora não possua inteligência e vontade

25

“A expressão ‘crimes de responsabilidade’ é hoje usual e reconhecida em texto de lei...Refere-se ela, no entanto, à responsabilidade criminal dos Prefeitos, do qual a responsabilidade civil, e mesmo a político-administrativa, podem vir a ser conseqüência, não obstante independentes umas de outras” (COSTA, Tito. Responsabilidade de Prefeitos e Vereadores. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 40).

26 ANTUNES, Paulo de Bessa.

Direito Ambiental. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2006, p. 792.

27 LEVORATO, Danielle Mastelari.

Responsabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes ambientais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 57.

própria”.

Assim, é certo que a preocupação das indústrias e demais pessoas jurídicas ganhou maior destaque com a possibilidade da responsabilização da pessoa jurídica sobre si e seus representantes, regramento este previsto na Lei de Crimes Ambientais, podendo, ainda ser desconsiderada a pessoa jurídica 28.

A matéria foi disciplinada primeiramente pelo § 3º do artigo 225 da Constituição Federal, verbis:

As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”.

Posteriormente, a matéria foi regulamentada pelo artigo 3º da Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998:

As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.”

No que concerne ao texto legal acima explicitado, temos que para que haja responsabilização penal da pessoa jurídica ante à pratica de fato típico, dois requisitos ainda precisam estar presentes: 1) a infração tenha sido cometida por decisão de seu representante legal ou contratual ou ainda de seu colegiado; e 2) que a ação (omissiva ou comissiva) tenha trazido qualquer benefício direta ou indiretamente à própria pessoa física, caso contrário, a pessoa jurídica não poderá ser responsabilizada, uma vez que o próprio artigo da Lei de Crimes Ambientais

28

Art. 4º - Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”.

trouxe necessariamente tais exigências expressas.

Nas lições de José Roberto Marques29: “E, ao falar em responsabilidade penal da pessoa jurídica, reacendeu vozes que já tinham se insurgido contra a norma constitucional. Agora, ainda mais, porque o dispositivo passava a estar regulamentado e podia ser aplicado plenamente”.

Quanto à previsão do parágrafo único, note-se que plenamente possível a responsabilização da pessoa jurídica por ato de seu representante legal e ainda do próprio representante legal pelo ato determinado, haja vista se tratar de duas pessoas distintas e ainda considerando a existência de penalidade específicas trazidas para a pessoa jurídica.

A responsabilização penal derivada de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente encontra, ainda, previsão no artigo 2º da referida Lei, verbis:

Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, com como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la”.

Não iremos, nesta seara analisar os crimes propriamente dito trazidos pela Lei Federal nº 9.605/98, mas tão somente as principais características da possibilidade de responsabilização na esfera penal, sendo certo que segundo a doutrina30:

29

Responsabilidade Penal da Pessoa Jurídica. Revista de Direito Ambiental. São Paulo, n.22,

p. 100-113, abr-jun. 2001.

30 RIBAS, Lídia Maria Lopes.

Responsabilidade Penal da Pessoa Jurídica. Revista de Direito

O legislador infraconstitucional editou a Lei 9.605/98, que sistematiza a tutela administrativa e penal ambiental, contemplando aspectos do ambiente natural, artificial e cultural, com aplicabilidade na tutela da vida e da saúde do ambiente de trabalho e também realiza uma adequação das penas à pessoa jurídica em seu art. 2º, quais sejam: multa; restritivas de direitos e prestação de serviços à comunidade”.

O Artigo 2º também deixa claro que, todo aquele que de qualquer forma concorrer para a prática, motivo pelo qual extrai- se que o Agente Público que concorreu para a prática do delito, quer seja comissivamente, quer seja omissivamente, deverá ser responsabilizado criminalmente diante de uma atividade lesiva ao meio ambiente.

Aqui, exige-se a lesão ao meio ambiente, e ainda que esta seja tipificada penalmente, lesão esta que pode ser advinda da ação ou omissão do causador do dano, caso contrário não poderá ser responsabilizado nesta esfera.

Note-se que a ação penal deverá ser ajuizada em face à todos que concorrerem para a prática dos delitos ambientais, sendo certo que cada um deles responderão na medida de sua culpabilidade, como também disposto pelo artigo 2º da referida Lei.

Temos que as sanções contidas na Lei nº 9.605/98 somente poderão ser aplicadas nas hipóteses previstas naquele diploma legal, sendo certo que nem sempre, para a configuração das hipóteses de aplicação de sanções administrativas será necessária a lesão ao meio ambiente.

Num primeiro momento, ao interpretar a própria ementa da Lei de Crimes Ambientais podemos chegar a concluir que a lesão ao meio ambiente deverá estar presente. Tal conclusão, se extrai principalmente de uma interpretação sistemática da Lei de Crimes Ambientais, eis que a própria ementa “Dispõe sobre as sanções penais e administrativas

derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências”.

Notadamente quanto a poluição o artigo 54 da Lei determina que:

Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou destruição significativa da flora: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa

Se o crime for culposo a pena é de reclusão de seis meses a um ano, e multa - § 1º do artigo 54 da Lei 9.605/98, podendo a pena ser aumentada de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se:

“I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;

II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população.

III - causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade;IV - dificultar ou impedir o uso público das praias;

V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos”.

Desta forma, concluímos que a Lei de crimes ambientais veio fazer com que o direito se adeque melhor à realidade social, adaptando-se para propiciar satisfação e garantias sociais, até porque, a sociedade clamava por maior proteção ao meio ambiente, motivo pelo qual, inclusive, justifica-se a responsabilização penal da pessoa jurídica até mesmo na esfera penal31.

31 SANTOS, Marcos André Couto.

Responsabilidade penal das pessoas jurídicas de direito público por dano ambiental . Revista de Direito Ambiental. São Paulo, n.24, p.141, out-dez.

2001.

Benzer Belgeler