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Assim como o ensino, a extensão, se comparada à pesquisa, não é tão valorizada pelos critérios vigentes, isso se comprova nos dados extraídos do Perfil Institucional da Faculdade (2005), onde observamos uma tendência descendente do número dos projetos de extensão em relação aos de pesquisa, o que pode ser observado na tabela 6. Curiosamente, o único Departamento que contraria essa regra é o DEPARTAMENTO C, e curiosamente, o Professor PB pertence a esse departamento.

TABELA 8:

Projetos de extensão e ensino da FAE em 2003

DEPARTAMENTO A DEPARTAMENTO B DEPARTAMENTO C

Projetos Produção acadêmica Projetos Produção acadêmica Projetos Produção acadêmica pes ext ens Pub T I Pub T II Part

even pes ext ens

Pub T I Pub T II Part even pes ext ens Pub T I Pub T II Part even 1990 - - - 0,3 - 1,8 - - - 0,1 - 2,0 - - - - 1991 - - - 0,5 - 1,0 - - - 0,3 - 2,1 - - - - 1992 - - - 0,5 - 0,5 - - - 0,5 - 3,2 - - - 0,6 - 1,6 1993 - - - 0,5 - 1,1 - - - 0,5 - 3,2 - - - 0,5 - 1,6 1994 - - - 0,7 - 1,9 - - - 1,7 - 3,7 - - - 0,5 - 2,3 1995 24 18 2 0,6 1,4 2,8 13 19 2 1,7 1,5 8,3 35 38 4 0,8 0,5 2,2 1996 35 10 1 1,3 1,9 3,1 18 1 4 2,9 2,7 10,4 37 65 4 1,0 0,2 2,5 1997 38 10 2 1,8 1,8 3,1 27 1 3 2,8 2,0 10,9 50 32 4 1,7 1,1 3,5 1998 46 10 4 2,0 4,7 3,3 27 4 3 1,8 1,6 7,7 57 24 17 2,4 2,0 3,0 1999 48 17 8 2,5 1,8 4,0 30 4 3 2,3 2,8 9,2 47 28 16 1,8 1,6 2,9 2000 36 20 6 1,6 5,9 4,6 32 10 3 2,7 7,9 8,7 43 26 24 2,2 1,7 3,6 2001 42 17 6 1,6 1,5 3,9 31 7 3 3,3 1,6 8,6 41 21 22 1,5 1,6 4,2 2002 42 15 1 0,3 1,5 4,1 36 15 6 3,4 2,6 10,5 72 58 30 3,1 1,6 4,7 2003 33 12 3 0,5 2,0 5,0 38 10 1 3,9 3,1 12,5 72 93 32 3,0 1,5 6,7

Fonte: Perfil Institucional da Faculdade (2005)

Os projetos de extensão não são mensurados da mesma forma que os projetos de pesquisa, o que de certa forma explica essa tendência contrária.

A Pró-Reitora Adjunta de Extensão da Universidade, em entrevista criticou os critérios de avaliação vigentes e comentou sobre uma iniciativa positiva em âmbito nacional – o Fórum dos Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas - para o alcance no Ministério da Educação. Segue o seu depoimento:

A própria GEDE foi uma forma de tentarmos mostrar para o MEC as atividades de extensão. É um movimento que a gente vem fazendo nestes anos todos, junto até mesmo destas instâncias, principalmente no MEC, no sentido de estar considerando. Acontece que hoje o INEP começou a considerar a extensão há quatro anos, por interferência do Fórum junto ao INEP. Então o INEP criou planilhas de avaliação que são planilhas nossas, do Fórum dos Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas, inclusive com a terminologia que a gente usa: programa, projetos, curso, evento, prestação de serviços, etc, e assim os indicadores que o INEP começou a utilizar para apreender as informações da extensão fomos nós do Fórum que criamos.

Na opinião da Pró-Reitora Adjunta, a forma mais efetiva de implementação de políticas públicas é mediante ações extensionistas. Ela diz que os ministérios só agora se deram conta disso:

Eu brinco assim, que caiu a ficha nos Ministérios agora: que se quiserem implementar a política pública, o parceiro na Universidade é a extensão e não a pesquisa. Por que fazer pesquisa, entregar, pronto e acabou? A tentativa de implementar as políticas públicas, seja no Ministério do Desenvolvimento Social, no Ministério da Cidade, seja no da Educação, em todos eles, a implementação da Política Pública passa nas universidades é via extensão. O caminho delas é a extensão, não é a pesquisa.

A Pró-Reitoria de extensão da Universidade distribui 370 bolsas/mês. O valor dessa bolsa é o mesmo da bolsa de pesquisa e das bolsas de ensino da graduação. As bolsas de pesquisa, pós- graduação e extensão têm o mesmo valor desde 1998. Como afirma a Pró-Reitoria Adjunta de extensão em entrevista:

Não adianta a gente dizer que as atividades têm a mesma importância e na hora de distribuir a bolsa você dar valor diferenciado. O mesmo valor destas bolsas é a forma de a universidade mostrar na prática que estas três funções têm o mesmo valor.

O programa de bolsas está previsto em edital que sai todo mês de outubro, final de novembro e início de dezembro. A Pró-Reitoria recebe os projetos, a Câmara de Extensão julga, as assessorias técnicas da pró-reitoria avaliam e a câmara de extensão faz a análise de mérito. Segundo a informação da Pró-Reitoria de Extensão, normalmente, aprova-se muito mais bolsa do que se tem na prática, então, depois é que se aprova no mérito. Além das bolsas previstas pelo orçamento da Universidade, a Pró-Reitoria de extensão capta bolsas com projetos. Então são editais diversos de todos os ministérios. Nesse sentido a Pró-Reitora Adjunta esclarece o seguinte:

a gente tem que estar sempre atento. Nós da extensão coordenamos vários dos projetos para ajudar a concluir o edital, e outros a gente já passa direto para as unidades e a gente só acompanha. Então este movimento de estar captando recursos para a Universidade via projetos, editais, recursos públicos, a gente tem um movimento muito pesado daqui da Pró-Reitoria de extensão.

Um dado revelado pela Vice-Diretora da Faculdade de Educação confirma a teoria de que fazer extensão na Faculdade é realmente um esforço adicional. Segundo ela, é a extensão que mantém a Faculdade funcionando, mesmo contradizendo os critérios de avaliação vigentes. São os projetos de extensão que contribuem com recursos financeiros para suprir as deficiências dos grupos de pesquisas, dos departamentos, etc. Isso poderá ser comprovado

mais adiante, quando forem apresentados os dados obtidos durante as sessões de observação da atividade real de trabalho do Professor B. Nesse sentido, o Professor P4 admite a carga de trabalho a mais para os que se envolvem com a Extensão:

Então as exigências são as mínimas necessárias. Mas estas exigências mínimas necessárias em alguns casos elas são altas em outros não, sobretudo para quem tem uma alta carga de extensão. Isto dá para ver claramente entre as pessoas que fazem extensão e as pessoas que não fazem. (Professor P4)

A extensão, principalmente em uma Faculdade de Educação, tem um valor diferente se comparado às outras áreas do saber. É consenso entre os professores pesquisados a consternação em relação à pouca valorização dela. O próprio Coordenador do Programa de Pós-graduação é enfático em seu depoimento:

A distribuição do livro didático do Centro de Alfabetização e Leitura, impacta milhões de crianças e milhões de professores no Brasil. Então a política pública de educação fundamental, não levar isto em conta na distribuição de pontos do programa, é como disparar um tiro no pé. (Professor P4)

A extensão é encarada como um desconforto. Os professores quando entrevistados sempre citavam a importância do alcance social do Projeto Veredas, um esforço com retorno visível para a Faculdade e para a sociedade, mas que não é reconhecido oficialmente:

Eu tenho um desconforto com alguns critérios, em nível da universidade pública brasileira, da CAPES, do CNPq que é a valoração menor da extensão em relação à pesquisa e ao ensino. E esta necessidade de estar fazendo publicação em periódicos internacionais e te dá muitos pontos, melhora a nota do programa de pós-graduação. Eu acho que a gente pode ter produção ainda mais significativa em revistas que não são internacionais. Eu tenho discordância eu relação a alguns critérios: a revista que nos publicamos, do Projeto Veredas, teve um alcance nacional imenso e não valeu nada em nosso relatório. (Professora P1)

Fazer extensão nesse contexto significa um esforço adicional para os professores, uma vez que esta atividade não é pontuada pelo sistema de avaliação vigente como a pesquisa, por exemplo. Desta forma, mediante os depoimentos coletados, podemos induzir que a extensão contribui para a carga de trabalho do professor – fazer extensão na Faculdade de Educação

tem um significado social muito forte, além de muitas vezes constituir a fonte de recursos para a condução de muitos projetos.

Benzer Belgeler