Este trabalho é uma articulação entre pesquisa descritiva, observacional e analítica.
4.5.1 População em estudo
Para a pesquisa descritiva e observacional, foram utilizados estudos transversais, dados secundários e estudo retrospectivo por telefone. Os estudos transversais foram realizados em uma amostra aleatória sistemática da população canina da zona urbana do município de Itabirito, a partir do cadastro de imóveis do PNCD e censo canino (PNCD, 2010). Os dados secundários utilizados foram provenientes do projeto de castração gratuita de cães para população de baixa renda e campanha permanente de adoção, executada pela ONG VIDANIMAL em parceria com a Prefeitura e dados do recolhimento seletivo de cães nas ruas, do Programa de Leishmaniose Visceral no Município e do censo canino, realizados pelo SCZ de Itabirito. Para o estudo retrospectivo (por telefone) da esterilização, foram utilizados dados secundários do projeto de castração gratuita de cães para população de baixa renda.
Para a pesquisa analítica utilizou-se os dados citados acima.
57 4.5.2 Tamanho da amostra
O número de cães da amostra foi fixado em 10% do número total desses animais no Município, em 2010 (7318 animais), de acordo com a capacidade logística (custos e disponibilidade de pessoal) e baseado no intervalo de confiança da média (Sampaio, 1998). Foram coletadas informações de 748 cães em 348 imóveis na zona urbana da cidade de Itabirito.
4.5.3 Instrumentos de medida 4.5.3.1 Estudos transversais
Foram realizados dois estudos com intervalo de um ano entre eles, no período de setembro a dezembro de 2010 e 2011, por meio de entrevistas semi-estruturadas com a aplicação de formulários adaptados de Garcia (2009). Foi aplicado por uma pessoa, previamente capacitada, em imóveis residenciais e comerciais que possuíam cães, nos 43 bairros, situados na zona urbana do município. Foram entrevistados indivíduos maiores de 18 anos mediante a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice 1). O número de imóveis visitados (348) correspondeu a 2,31% dos imóveis totais da zona urbana, nos quais estavam 10% da população canina. Foram utilizados mapas dos bairros divididos em quarteirões, cedidos pelo SCZ de Itabirito (Anexo 2). Os 748 cães que compreenderam a amostra foram escolhidos aleatoriamente em cada bairro, mantendo a proporção de 10% dos cães em cada região. Os quarteirões trabalhados foram sorteados utilizando-se também a proporção de 10%, sendo a sistemática de entrada nas casas a mesma utilizada pelo PNCD para levantamento de índices de Infestação para Aedes aegypt, que, no caso de aceite em fazer parte da pesquisa, houve a aplicação das entrevistas, uma por imóvel e um formulário por animal. A sistemática
utilizada em cada quarteirão foi sempre a mesma para todos os bairros, bem como a utilizada no caso de a casa não possuir cães.
Os instrumentos utilizados para a coleta de dados no estudo transversal foram formulários divididos em dois grupos: um aplicado por domicílio (Questionário Moradia) e outro aplicado para cada animal cadastrado (Formulário Individual do Animal). O “Formulário Domicílio” foi dividido em “Moradia nova” e “Moradia
antiga”. O formulário “Moradia nova” foi
aplicado em domicílios cadastrados pela primeira vez no projeto no ano de 2010, e o
“Moradia Antiga” foi aplicado em 2011 em
domicílios já cadastrados em visita anterior.
Da mesma maneira, o formulário “Animal Novo” para animais cadastrados pela primeira vez e “Animal Antigo” para os já
cadastrados no ano anterior.
Foram gerados bancos de dados do estudo, sendo:
a) Dois no ano de 2010:
• Apêndice 2. Questionário moradia nova /
família sem cadastro etapa 1 - 2010
• Apêndice 3. Ficha individual do animal
novo etapa 1 – 2010 b) Dois no ano de 2011:
• Apêndice 4. Questionário moradia antiga/
família com cadastro etapa 2 - 2011
• Apêndice 5. Ficha individual do animal
antigo etapa 2 - 2011
O questionário semi-estruturado utilizado no primeiro estudo em 2010, intitulado
“Moradia Nova”, continha doze perguntas e
58 número de cães, tipo do imóvel e atitudes
das pessoas em relação a esses animais. O segundo questionário, intitulado “Moradia
Antiga”, aplicado no segundo estudo, em
2011 possuía nove perguntas similares ao
questionário “Moradia Nova”, porém
acrescentado de perguntas em relação a alguns acontecimentos do último ano. O
formulário “Animal Novo” continha 31
perguntas e abordava variáveis específicas aos animais, tais como sexo, raça, porte, idade, origem, forma e local de obtenção, número de partos, número de filhotes nascidos vivos e filhotes mortos até a desmama, método contraceptivo utilizado, local de descanso dos animais, acesso à residência, acesso à rua, finalidade do animal e causa da morte, dentre outros. O
formulário “Animal Antigo”, aplicado em
2011, continha 25 perguntas e se baseou em saber detalhes da vida do animal no último ano passado, priorizando as informações sobre a vida reprodutiva do animal sobre seu abandono.
4.5.3.2 Dados secundários
Os dados secundários utilizados como instrumentos para essa pesquisa foram as fichas de cadastros intituladas “Termo de
Responsabilidade do Proprietário” (Anexo
3) dos animais esterilizados, preenchidas no período de outubro de 2007 à dezembro de 2011, pela Sociedade Protetora dos Animais VIDANIMAL. A base de dados utilizada continha as seguintes variáveis: número do Registro Geral Animal (RGA), espécie, sexo, raça, ano de nascimento, endereço e dados do guardião. Os animais que foram esterilizados até o ano de 2008 foram tatuados na orelha direita com o número do seu RGA, porém, devido à ineficiência desse método de identificação animal, essa marcação foi suspensa e os números de registros ficaram somente nas fichas dos animais.
As fontes de informações utilizadas para a pesquisa descritiva, provenientes do SCZ do Município foram a “Ficha de autorização de
eutanásia” (Anexo 4); “Ficha de recolhimento de animais de rua” (Anexo
5); “consolidado das eutanásias de cães dos anos de 2007 a 2011” (Anexo 6);
“consolidado dos censos caninos dos anos
de 2007 a 2010” (Anexo 1).
Para a avaliação descritiva da campanha permanente de adoção de cães foi
utilizado o “Termo de Adoção” (Anexo
7), da Sociedade Protetora dos Animais VIDANIMAL.
4.5.3.3 Estudo retrospectivo da esterilização
Para esta fase do estudo foi realizada uma pesquisa, via telefone, com os proprietários dos animais castrados durante os anos de 2007 a 2011, sendo a base de dados o
“Termo de Responsabilidade do
Proprietário” (Anexo 3) e “ficha individual do animal castrado” (Apêndice 6). Este
questionário semi-estruturado é composto por 6 perguntas que abordavam desde a sobrevivência do animal até alterações
comportamentais dos animais
esterilizados, contudo, para este estudo somente interessará a questão da sobrevivência dos cães
4.5.3.4 Pesquisa analítica
O efeito da esterilização na população canina foi analisado por modelo matemático determinístico, por meio de equações diferenciais, desenvolvido por Amaku et al., (2009). O modelo utilizado levou em consideração apenas um sexo, sem estrutura etária e parte das seguintes pressuposições: a população é fechada, a taxa de esterilização é constante, a esterilização é irreversível, o crescimento populacional é denso- dependente, os animais nascem férteis e a
59 capacidade de suporte é determinada pela
razão cão:humano. Considerando que dN(t) é a densidade populacional animal em função do tempo t e que a população possui um crescimento logístico densidade- dependente dado pela equação:
dN(t) / dt = N[f(N) – g(N)], (1)
onde, f(N) e g(N) são funções relacionadas à natalidade e mortalidade respectivamente, modeladas pelas equações:
f(N) = a – r(N/k), (2) g(N) = b.
Na equação 2, K é a capacidade de suporte, a é a taxa de natalidade, b é a taxa de mortalidade, r (que é igual a - b) é a taxa de crescimento e f(N) – g(N) = r(1 – N/k). Nesta equação, pode-se ver que, quando N = K, a função de natalidade f(N) e a função de mortalidade g(N) são iguais.
Considerando que a proporção de fêmeas que não se reproduz aproxima-se à probabilidade de esterilização, o efeito dessa última pode ser modelado modificando a primeira equação:
dN(t) / dt = N[f(N)(1 - Q) – g(N)], (3) onde: (1 – Q) é a proporção de fêmeas com
viabilidade reprodutiva e Q é a proporção de fêmeas que não se reproduz. Sendo S, v e z, a densidade de fêmeas que não se reproduzem, a proporção de fêmeas na população e a taxa de esterilização respectivamente, a proporção de fêmeas que não se reproduzem está dada por:
Q = S / vN, (4)
Para relacionar a proporção de fêmeas esterilizadas com a taxa de esterilização, usou-se a equação:
dS / dt = -g(N)S + z(vN – S), (5) E Q foi diferenciada em relação ao tempo,
levando em conta as equações 3 e 5.
dQ/dt = (1 – Q)(z – Qf(N)), (6) Para a simulação do efeito da esterilização na
presença do abandono, a equação 1 foi modificada:
dN(t) / dt = N[f(N) – g(N)] - H * N, (1) Onde H é a taxa de abandono
4.5.4 Parâmetros demográficos e estatística vital
Os dados para cálculo dos
parâmetros demográficos e estatística vital foram obtidos por meio do estudo transversal e dados secundários.