2.1. Kalite Yönetim Sistemi
2.1.1. Genel şartlar
A retomada do conceito do organismo como um elemento integrador do conhecimento biológico permite tanto caracterizar a Biologia como uma ciência autônoma quanto auxiliar na relação entre conceitos de diferentes níveis de organização.
O enfoque no organismo ajuda a caracterizar a Biologia como uma ciên- cia autônoma, visto que delineia seus contornos em relação aos outros do- mínios científi cos. Por exemplo, pode-se questionar como a Biologia se dis- tingue da Química. Apesar da ênfase atual nos componentes moleculares, dado o impacto da Biologia Molecular (por exemplo, a preocupação com as sequências de nucleotídeos e a expressão gênica), a Biologia tem como centro de estudo (ou deveria ter) o organismo, ou seja, como o organismo é implicado por sua constituição molecular. Na Química, por sua vez, o cerne da preocupação diz respeito às moléculas, como elas se constituem e interagem umas com as outras. Ou seja, os diferentes domínios científi cos têm como objetos de pesquisa diferentes níveis de organização.
A compreensão do organismo a partir de uma representação hierárquica escalar, na qual o organismo é o nível focal das interações entre ambiente externo e interno, permite relacionar conceitos de diferentes níveis, favo- recendo a integração do conteúdo biológico. Essa forma de compreender o conhecimento biológico pode auxiliar também nos contextos de Ensino Superior e na educação básica.
Apesar de os conceitos biológicos serem recontextualizados nas situa- ções de ensino, o que lhes confere características próprias em cada nível de ensino, a utilização de organismos reais para explicar os diferentes con- ceitos biológicos parece ser uma estratégia de ensino capaz de aproximar a Biologia e o conhecimento cotidiano do aluno e de integrar conteúdos que normalmente têm sido vistos de forma fragmentada no ensino de Biologia.
Entende-se, portanto, que a retomada do conceito de organismo na aborda- gem dos fenômenos vitais pode auxiliar tanto a construção do conhecimen- to biológico quanto o ensino de Biologia.
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3
ALGUMAS
INTERPRETAÇÕES
HISTORIOGRÁFICAS
SOBRE
A
NATUREZA
QUÍMICA
DO
PRINCÍPIO
TRANSFORMANTE
NO
ENSINO
Caroline Belotto Batisteti1
Elaine Sandra Nicolini Nabuco de Araujo2
João José Caluzi3
Introdução
O presente texto apresenta os resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi analisar a abordagem histórica presente em alguns livros-textos de Gené- tica e Bioquímica utilizados no curso de Licenciatura em Ciências Biológi- cas, bem como em publicações sobre História da Biologia, acerca da natureza química do material genético. A escolha desse tema se deve, sobretudo, ao fato de que a identifi cação do DNA como material genético é considerada um dos momentos mais relevantes na História da Biologia Molecular. Sendo assim, achamos oportuno investigar como esse assunto é tratado no contex- to do ensino. Selecionamos um episódio específi co, referente aos estudos do médico e bacteriologista canadense Oswald Theodore Avery (1877-1955); do bacteriologista canadense Colin Munro MacLeod (1909-1972) e do bió logo e microbiologista americano Maclyn McCarty (1911-2005), pu- blicados em 1944, sobre a natureza química do princípio transformante, em virtude desses autores serem considerados os desencadeadores da ideia de DNA como material genético. Antes de apresentarmos os resultados
1 Unesp – Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Ciências/campus de Bauru. Mes- tranda do Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência. E-mail: carolbatisteti@ yahoo.com.br.
2 Unesp – Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Ciências/campus de Bauru. Pes- quisadora do Centro de Divulgação e Memória da Ciência e Tecnologia/bolsista Prodoc/ Capes. E-mail: [email protected].
3 Unesp – Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Ciências/campus de Bauru. Profes- sor Assistente Doutor do departamento de Física. E-mail: [email protected].
de nossa análise, faremos algumas considerações sobre a importância da