A. Uyarlama ve Uyarlamanın Şartları
2. Şartları
O fim da expansão e do emprego industrial e sua subseqüente redução trouxeram à tona as discussões do desemprego aberto e da ampliação do setor informal. Considerando que nos anos 70 – anos de crescimento econômico – a informalidade era tida como uma extensão do modo de vida da pobreza do meio rural, o setor informal expandiu-se como fruto da insuficiência da criação de postos de trabalho no setor formal em um contexto de grande aumento da população em idade ativa. Essa situação não somente veio se agravando nas décadas posteriores, como veio demonstrando que a questão da informalidade é um fato definitivo para muitos jovens e/ou migrantes que após um eventual período de desemprego encontram nas atividades informais uma alternativa de ocupação, mesmo que precária, já que estes não conseguem se incorporar ao setor organizado.
Nos anos 80 e 90, indicadores apontam um aumento no índice de desemprego aberto19 e uma ampliação do setor informal, principalmente nas grandes concentrações urbanas. O aumento do desemprego aberto, é devido a rápida multiplicação do número de trabalhadores que optam por desenvolver um trabalho involuntariamente ocioso, enquanto que buscam uma oportunidade de trabalho que permita sua colocação regular e contínua no universo formal. A problemática acerca do desemprego aparece justaposta à questão da informalidade. E nesse sentido Hirata (1997) observa que:
19 Segundo Assis (2000, p. 105): “desemprego aberto refere-se àquelas pessoas que efetivamente
tomaram alguma providência para buscar trabalho, mas não encontraram. Pessoas que desanimaram de sair periodicamente à procura de emprego ou que estão procurando trabalho, mas que têm algum “bico” – trabalho eventual, mesmo que com rendimentos muito baixos.”
“assistimos, hoje, a uma dupla transformação do trabalho [...]. De um
lado, atividades requerendo [do trabalhador] autonomia e responsabilidade, comunicação [...]; por outro lado, [...] precarização dos laços empregatícios, [...] aumento do desemprego de longa duração, [...] aumento das formas de emprego precário, com a flexibilização no uso da mão-de-obra.”
A sociedade que observa uma ruptura em seu dinamismo econômico, identifica paralelamente uma gama de situações desfavoráveis: desemprego, redução do poder aquisitivo e subproletarização dos indivíduos e como efeito imediato um agravamento nas questões sociais. Nesse aspecto Chaves (1997, p. 67) antevê uma:
“diminuição da classe operária industrial (com a expressiva expansão
do trabalho assalariado no setor de serviços), a heterogeneização e fragmentação do trabalho, a qualificação e a desqualificação do trabalho e a subproletarização intensificada.”
No mercado de trabalho, há de se observar que as exigências impostas pela situação que se instaura a partir da estagnação da economia, faz com que nas empresas, os programas tenham por objetivo também a redução de seu contingente de trabalhadores, optando por uma nova forma de produção que recebe denominação de “produção enxuta”. Através de trabalhos realizados por empresas prestadoras de serviço, consegue-se reduzir as responsabilidades das empresas diante do processo produtivo sem contudo diminuir o volume de bens e serviços no mercados em que estas atuam.
Novas relações surgem e se estabelecem, todavia o novo modelo econômico determina novas formas de atuação, e nesse sentido, faz com que o setor organizado da economia venha remodelando toda sua cadeia produtiva, permitindo que este se beneficie cada vez mais com a debilidade dos segmentos mais fracos do modelo da cadeia de produção. O segmento mais fraco, o elo que se constitui esse segmento não-organizado, naturalmente é aquele que se desenvolve paralelamente a economia oficial – o setor informal.
As atividades informais, portanto, passam a incorporar em seu ciclo produtivo todo aquele contingente de trabalhadores que não conseguem se empregar no setor organizado e formal da economia. Sua expansão não só aparece como resultado do enfraquecimento do dinamismo econômico, como em razão do comprometimento do nível do emprego formal. Já não se pode considerar a questão da informalidade um paliativo para a questão do desemprego, da precarização da condição de vida e das questões sociais, mas sim, uma situação perversa e definitiva para uma população que não faz parte das estatísticas oficiais, e que segundo Barros e Mendonça (1997) e de Melo et alii (1993) – analisando o caso brasileiro – reconhecem que não é um fenômeno típico da economia brasileira ou latino-americana, mas um fato recorrente da economia mundial.
Nas últimas décadas, portanto, o novo processo econômico vem se estabelecendo e permitindo que o setor à margem da economia (Kowarick, 1977) formal se desenvolva cada vez mais absorver não só os trabalhadores expulsos do setor formal da economia como aqueles que não possuem qualificação para se inserir neste. Observa-se neste setor, uma mão-de-obra com baixa qualificação, desenvolvendo atividades precárias, de técnicas obsoletas, e que, geralmente correspondem a prestação de serviços para o setor formal ou não, e ainda para o
desenvolvimento de novas tarefas que vão surgindo a partir de um novo estilo de vida que aos poucos vai-se constituído diante do novo cenário do modelo econômico de produção (fast-food, personal trainner, baby-siter, diaristas...).
Sob a designação de pequenos negócios (Leite et alli 1979) um número cada vez maior de produtores e/ou prestadores de serviço amparado por relações de trabalho bastante precárias, vai sendo diagnosticado nos primários levantamentos estatísticos oficiais realizados que tentam aprofundar o conhecimento acerca da economia informal no país.
A literatura que trata da dimensão e da questão do setor informal como fruto do crescimento econômico – incapaz de gerar postos de trabalho no setor formal da economia de maneira que a quantidade destes seja suficiente com a disponibilidade da força de trabalho disponível – vem considerado de forma veemente que existe um processo de “precarização” da condição de vida dos trabalhadores informais, e que parece ser cada vez mais impossível dissociar a imagem destes com a vulnerabilidade que a condição da informalidade pressupõe não somente a estes, como às suas respectivas atividades20. Nesta perspectiva, Kowarick (1977) considera que as condições de vida dependem de uma série de fatores, dos quais a dinâmica das relações do trabalho oriundas da lógica da produção capitalista, constitui o ponto central.
O trabalhador formal principalmente o menos qualificado, quando adere a condição de desempregado, mesmo que seja por um intervalo de tempo
20 Nesse sentido, de precarização de vida, o ex-ministro da Previdência e Assistência Social – Sr.
Waldeck Ornelas – considerava que já em l997, um percentual bastante alto de trabalhadores brasileiros (algo em torno de 36,9 milhões de brasileiros, ou 56,4 % da população ocupado no país) não possuía qualquer tipo de seguro social. O que implicaria dizer que esses trabalhadores exerceriam atividades até a idade máxima e não se aposentariam, e assim já no final da vida pesariam sobre os ombros de seus dependentes. (RDM – Revista de Mato Grosso. Previdência e Trabalho Informal. 2000, p. 23).
relativamente curto, de modo geral vai contribuir para o reforço do processo de “informalidade”, seja através do exercício de “bicos” (trabalhos eventuais) ou de prestação de serviços sem vínculo. Facilita-se, dessa forma, a exploração da força de trabalho, pelos detentores dos meios de produção. Nesse movimento, as taxas de desemprego numa determinada região, podem ser até favoráveis – no sentido de indicar uma diminuição no saldo que identifica a quantidade de desempregados –, porém, quando este quadro torna-se irreversível e o trabalhador não consegue mais se incorporar ao mercado de trabalho formal, a situação tende a se agravar já que há uma precarização na condição de vida destes trabalhadores. No caso do mercado de trabalho brasileiro, Dedecca (1997) considera que a instabilidade econômica que vem preponderando desde a década de 80 contribui cada vez mais para o agravamento desse quadro socioeconômico. J. Sabóia (1986, p. 86) ao analisar os efeitos dessa instabilidade sobre o mercado de trabalho urbano, já admitia que:
“A inexistência do seguro-desemprego no setor formal da economia obriga os trabalhadores desempregados a procurarem algum tipo de ocupação no setor informal, permanecendo por pouco tempo nas estatísticas de desemprego. Esses dados mostram também a limitação das taxas de desemprego aberto, que não distinguem a situação de uma pessoa empregada no setor formal daquela de um indivíduo que exerça qualquer tipo de atividade no setor informal da economia”. (J. Sabóia, p. 86).
Com isso, pode-se considerar que a expansão do setor informal e suas implicações já vêem de longa data requerendo uma maior atenção do poder público,
pois além de ser um segmento que concorre para promover estudos e pesquisas que tentem justificar seu dinamismo, a compreensão, deste, é imprescindível para que o Poder Público desenvolva ações definitivas para conter seus reflexos na sociedade e para que esta questão de informalidade não promova um caos social permanente.