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2. ELDE KLASİK AYAK YAPMAK

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A cearense Rachel de Queiroz nasceu na capital Fortaleza, no dia 17 de novembro de 1910 e faleceu perto de completar 93 anos de idade, no Rio de Janeiro. Sua descendência, pelo viés materno, provém da família Alencar, conhecida pela fama do escritor José de Alencar, e, pelo viés paterno, da família Queiroz, com parentes em Quixadá e Beberibe.

Em razão das secas e do trabalho do pai, a família de Rachel migrou para vários lugares. No entanto, foi em Fortaleza que concluiu o curso normal, no Colégio Imaculada Conceição. Logo em seguida, estreou no jornalismo, utilizando o pseudônimo de Rita de Queluz para ironizar um concurso Rainha dos Estudantes. Aos 16 anos, encarregou-se de dirigir uma página literária no jornal e, em pouco tempo, escreveu seu primeiro folhetim, “A história de um nome”.

Com 20 anos, lançou O Quinze, livro que a fez ganhar o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Tal feito a projetou na literatura brasileira. Publicado nos anos 30, O Quinze foi o livro de estreia de Rachel de Queiroz na literatura brasileira. Aos ser lançado, imediatamente foi alvo de críticas, tanto de autoridades da época, vez que abordava a questão de uma grande seca que ocorreu no Ceará em 1915, quanto de intelectuais e críticos literários, os quais desconfiavam que a autoria do livro pertencia a um homem.

Em seguida, publicou um outro romance, “João Miguel”, seguido de várias outras obras, como "Caminho de Pedras", "As Três Marias", "A Donzela e a Moura

Torta", "O Galo de Ouro", "Lampião", "A Beata Maria do Egito", "100 Crônicas Escolhidas", "O Brasileiro Perplexo", “O Caçador de Tatu", "O Menino Mágico", "As Menininhas e Outras Crônicas", "O Jogador de Sinuca e Mais Historinhas", "Cafute e Pena-de-Prata", "Memorial de Maria Moura" .

Na década de 30, aliou-se ao partido comunista, chegando a ser presa e a ter seus livros queimados em praça pública. Entretanto, deixou a militância quando se sentiu censurada por alguns colegas partidários. Tempos depois, contraditoriamente, apoiou o Golpe Militar de 64.

Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1977. No entanto, seu ingresso na Academia Cearense de Letras só veio a ocorrer no ano de 1994, quando da celebração do centenário da Academia. Também foi agraciada com o "Prêmio Camões", sendo a primeira mulher a recebê-lo.

Além de uma grande escritora, Rachel de Queiroz foi jornalista, cronista, tradutora e dramaturga brasileira. Mesmo depois de 15 anos de sua morte, Rachel é referência literária no mundo inteiro.

Ademais, com o lançamento de O Quinze, Rachel inaugurou uma corrente literária ao lado de Graciliano Ramos, José Lins do Rêgo, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa e Jorge Amado.

Segundo Aragão (2016, p.379), a prosa de Rachel de Queiroz insere-se num “período de transição entre o Modernismo de 1922 e neorrealismo da década de 1930, iniciado por alguns escritores nordestinos”. Ainda segundo a pesquisadora (2016, p. 380):

Surge, nessa época o chamado ciclo do romance nordestino, com a Bagaceira, de José Américo de Almeida, Menino de Engenho, de José Lins e Vidas Secas de Graciliano Ramos, cujas obras têm um caráter político-social, marcados pela denúncia das misérias determinadas pela natureza, com as secas, e pela exploração da população pelos poderes constituídos na região nordestina.

A narrativa de O Quinze, que descreve de forma crítica a triste realidade dos nordestinos em épocas de seca, encontra-se dividida em dois planos, quais sejam: o amor impossível entre Conceição e Vicente, e o sofrimento doloroso da família de Chico Bento.

Em suma, na narrativa, composta por 26 capítulos sem títulos, há duas situações que têm como interseção as consequências avassaladoras da seca. De um lado, o pobre vaqueiro Chico Bento e sua família, que representam os inúmeros retirantes que migram do sertão em busca de melhores condições de vida nos grandes centros urbanos.

De um outro, o amor impossível entre Conceição e Vicente, já que os dois são muito diferentes um do outro, tanto intelectualmente como socialmente.

Semelhante à sua criadora Rachel de Queiroz, Conceição tinha gosto pela literatura, havia se formado na escola normal, morava na capital em razão do seu trabalho e tinha grande preocupação intelectual. A personagem representa a típica mulher do século XXI, que opta pela integração social e exclui de sua vida o papel de dona de casa ou de esposa submissa.

Além das temáticas abordadas no romance sobre os campos de concentração, as relações de compadrio, os papéis sociais da mulher, o preconceito racial e a migração de sertanejos para os centros urbanos, tem-se a problemática da seca, de cunho político, a qual não se mostra personificada, no entanto, movimenta todo o enredo.

Assim, com uma linguagem recheada de regionalismos, que se manifestam por meio de uma linguagem simples, direta, monitorada por períodos curtos e composta de um léxico típico do Nordeste, Rachel de Queiroz, em seu romance O Quinze, apresenta, numa perspectiva linguística, uma riqueza em sua escrita para expressar o drama dos homens nas terras secas e pobres do Ceará.

Aragão (2016, p. 381) afirma que o romance é um “marco na literatura regional brasileira por sua linguagem regional nordestina e por ter, também, uma linguagem popular ligada às pessoas simples do interior do Ceará”.

Nesse limiar, insere-se a literatura regional do Nordeste, no contexto escolar, como instrumento de valorização da prática da linguagem oral e da diversidade regional. Especificamente por se tratar de um gênero típico da região Nordeste, fomenta, de acordo com Aragão (2016, p. 380) um “farto material para o estudo da Dialetologia, da Sociolinguística e da Etnolinguística”.

A motivação para a escolha de O Quinze como suporte para esta pesquisa deve-se à representatividade de Rachel de Queiroz em relatar a cultura popular com temáticas relacionadas ao povo marginalizado e oprimido do sertão nordestino. Com linguagem simples, porém literária, destacou-se por sua forma única de criar uma narrativa singular, em capítulos que emergem de um lugar interior e adquirem tempo e espaço. Seus escritos são também recorrência da sua própria voz, ou seja, são marcas de oralidade que perpassam a forma de criar e de pensar da autora, atitudes que se constroem pelo sentimento de mundo do cearense.

léxico como mola-mestra para o acompanhamento do estudo da língua enquanto veículo de integração cultural entre os seus falantes no contexto de sala de aula.

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Benzer Belgeler