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ŞABLON DEKORU İÇİN DEKOR PİŞİRİM ÖZELLİKLERİ

As novas características do processo de produção global, que foram apresentadas anteriormente, podem ser resumidas da seguinte forma: a internacionalização do capital, a emergência das empresas transnacionais, o crescimento do comércio intra-industrial, a organização das empresas em rede e o sistema de produção flexível:

[...] A acumulação flexível se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças dos padrões de desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas, criando, por exemplo, um vasto movimento no emprego do chamado “setor de serviços”, bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas. [...] Ela também envolve um novo movimento que chamarei de “compressão do espaço-tempo” no mundo capitalista – os horizontes temporais de tomada de decisões privada e pública se estreitaram, enquanto a comunicação via satélite e a queda dos custos de transporte possibilitaram cada vez mais a difusão imediata dessas decisões num espaço cada vez mais amplo e variegado [...] (HARVEY apud WANDERLEY, 2009, P. 95).

As principais atividades econômicas do novo sistema produção global são: atividades financeiras, de seguros, imobiliárias, de consultoria, de serviços legais, de publicidade, desenho, marketing, relações públicas, sistemas de informação, entre outros. Todas essas atividades dependem de fluxos de informação e conhecimento, a partir do desenvolvimento do sistema de telecomunicações elas podem ser desenvolvidas em qualquer lugar.

“Uma conseqüência dessa tendência é que as grandes cidades se situaram como atração dos nós e fluxos transnacionais em função do novo tipo de urbanização da economia que as afetou, trazendo uma relativa desindustrialização e progressiva terceirização” (WANDERLEY, 2009, p. 95).

Essas atividades estão, na sua grande maioria, concentradas em alguns países e algumas cidades. Existe uma concentração das atividades mais qualificadas nas áreas metropolitanas dos principais países. Essas cidades possuem a infraestrutura em termos de: transporte aéreo, sistema de

telecomunicações, hotéis de luxo, segurança, pessoal qualificado etc., primordiais para esses serviços avançados:

[...] A combinação de dispersão espacial e integração global têm criado um novo papel estratégico para as grandes cidades. [...] Estas cidades funcionam agora de quatro novas formas: primeiro, como pontos direcionais da organização da economia mundial, altamente concentrados; segundo, como localizações chave para finanças e firmas de serviços especializados; terceiro, como lugares de produção, incluindo a produção de inovação nestes setores avançados; e quarto, como mercados para produtos e inovações produzidos [...] (BORJA e CASTELLS, 1997, p. 41).

Sendo assim, não existe uma dispersão de funções e nem mesmo uma concentração de funções em algumas áreas metropolitanas, mas sim uma rede de nós urbanos como centro principal da economia global.

Além dos serviços avançados, a localização industrial também tem afetado o dinamismo das cidades. A distribuição geográfica dos processos de produção da indústria está condicionada aos seguintes fatores: força de trabalho, características sociais e ambientais e inovação tecnológica. As atividades de pesquisa e desenvolvimento e de inovação estão localizadas em determinadas áreas que apresentam condições favoráveis para o seu desenvolvimento, “como fatores de produção específicos, capital, trabalho e matérias-primas, combinados por um ator institucional e baseados em uma determinada forma de organização social territorial” (BORJA e CASTELLS, 1997, p. 47).

O setor industrial da nova economia está articulado internacionalmente em torno da inovação e da fabricação articulada em redes globais.

[...] O que caracteriza a nova lógica de localização industrial é sua descontinuidade geográfica construída sobre a base de complexos territoriais de produção espacialmente distantes. O novo espaço industrial se organiza em torno de fluxos de informação que, às vezes, separam e reúnem seus distintos componentes territoriais, segundo os ciclos e segundo as empresas [...] (BORJA e CASTELLS, 1997, p. 49).

O segundo impacto importante da globalização sobre as cidades é a constituição de megacidades, reflexo das novas estruturas de produção industrial e de serviços avançados.

As cidades não são consideradas megacidades pelo volume populacional, o tamanho é relevante, mas não é o único fator. As megacidades são os nós da economia global, “concentram as atividades de direção, produção e gestão do planeta, os centros de poder político, o controle dos meios de comunicação, a capacidade simbólica de criação e difusão das mensagens dominantes” (BORJA e CASTELLS, 1997, p. 50).

Estas características implicam que estas cidades sejam nomeadas cidades globais. As cidades globais atraem as atividades da nova economia, segundo Sassen apud González, (2003, p. 14), por vantagens em termos de complexo produtivo que elas oferecem. A localização dessas atividades depende mais das condições de produção do que da proximidade com um mercado consumidor. “A principal matéria prima elaborada pela grande cidade não é a material e sim imaterial, pois toma forma na informação”. As cidades globais

[...] não são, simplesmente, como as grandes metrópoles do passado, importantes capitais regionais; elas são, ao mesmo tempo, postos de comando da economia mundial, acolhendo as direções das multinacionais, funcionando como imensos laboratórios de inovação tecnológica e financeira e concentrando os principais mercados de capitais internacionais. [...] As cidades globais são, pois, aquelas que, além de uma infraestrutura tecnológica excepcional, abrigam uma vasta economia intermediária de serviços altamente especializados. [...] A cidade global adquire sentido por sua pertença a uma rede urbana que representa, de alguma maneira, o centro nervoso da economia global [...] (SASSEN apud WANDERLEY, 2009, p. 51).

Uma característica importante das megacidades é que, além de concentrarem as principais atividades da economia global, também concentram os setores socialmente irrelevantes para o sistema (as periferias, a pobreza urbana, os guetos de imigrantes, a criminalidade etc.). Apesar dessa dualidade, Borja e Castells (1997) consideram que a era da informação é e será a era das megacidades:

[...] As megacidades [...] concentram o melhor e o pior. Por uma parte, as funções superiores direcionais, produtivas, administrativas de todo o planeta; o controle da mídia; a política do poder; a capacidade simbólica de criar e difundir mensagens; por outra parte, as periferias; a pobreza urbana; os guetos de imigrantes; a criminalidade, etc. [...] (WANDERLEY, 2009, p. 54).

A acumulação flexível e o processo de terceirização implicam o surgimento do desemprego estrutural e redução do poder dos sindicatos, além da emergência de trabalhadores menos qualificados e de classes marginalizadas pelos novos processos de produção:

[...] Os efeitos são conhecidos, e diversos estudos latino-americanos os comprovam: uma maior polarização social, cidades duais, acirramento das desigualdades intra-urbanas coexistindo com um fortalecimento de novos setores médios. O que equivale dizer que há uma persistência das desigualdades no novo cenário urbano, combinando riqueza, pobreza e exclusão. [...] Como já mostrado nas idéias expostas por diversos especialistas sobre as cidades, cresce assustadoramente a população das zonas periféricas, da denominada cidade ilegal, com desemprego e subemprego, ocupações não qualificadas, imersos na economia informal, desprotegidos dos direitos mínimos, com baixos salários [...] (WANDERLEY, 2009, p. 97).

Segundo Ianni (2007, p. 59), a questão social tornar-se também uma questão urbana. Encontram-se na grande cidade os negócios do narcotráfico, as manifestações de racismo, falta de habitações, saúde, educação, entre outros. Estes problemas sociais são, concomitantemente, problemas urbanos. “Envolvem a organização, o desenho e a dinâmica da cidade, implicando arquitetura, urbanismo e planejamento, e revelam-se de modo particularmente acentuado nas grandes cidades, metrópoles, megalópoles”.

O processo de globalização é acompanhado do processo de urbanização e, com a emergência da cidade global, ocorre a globalização das questões sociais.

[...] O novo complexo industrial tem contribuído para a transformação na estrutura social das principais cidades onde tem se concentrado. Esta transformação toma a forma de uma grande polarização social e econômica. [...] A crescente desigualdade no poder de compra das firmas significa que uma grande gama de firmas produtoras de bens e serviços que indireta ou diretamente oferecem serviços às firmas no novo centro industrial tem dificuldade para sobreviver nestas cidades. Estas devem buscar diversos mecanismos para reduzir os custos de produção – com subcontratos, empregando imigrantes sem documento com níveis de salários mais baixos na média e em condições de trabalho mais baixas que o padrão [...]. Finalmente, a crescente desigualdade no poder de pagamento do espaço, moradia e serviços de consumo significa que a crescente força de trabalho mal remunerada que é empregada direta e indiretamente pelo setor principal tem maior dificuldade em viver nestas cidades [...] (SASSEN

Pensando-se a cidade global como modelo para as outras cidades, uma situação do localismo globalizado, a política urbana precisaria contornar os problemas que impedem que as cidades sejam atrativas a estas atividades.

[...] Nestas circunstâncias, basta comprovar que a estrutura econômica da cidade está pouco terceirizada, que seu mercado de trabalho não é suficientemente flexível, que sua orientação externa não é sólida, ou que sua orientação territorial é demasiadamente solidária com sua própria nação ou região, para comprovar a presença de sintomas indesejáveis e identificar a necessidade de esforços de política para corrigi-los [...] (GONZÁLEZ, 2003, p. 16).

Para tornar as cidades mais competitivas ao capital estrangeiro são necessários investimentos em:

[...] infraestrutura de comunicação – aeroportos, telecomunicações, infraestrutura de internacionalização da economia, feiras, exposições, hotéis; terciário de excelência – centros de pesquisa, recursos humanos qualificados; qualidade de vida – oferta cultural, bom clima, ambiente urbano, vida na rua; e “buena imagen que la ciudad este de

moda, que tenga prestígio al nível internacional” [...] (CARVALHO apud

WANDERLEY, 2009, p. 142).

Sendo assim, as políticas de desenvolvimento local tanto podem ter como objetivo tornar as cidades mais competitivas para a recepção destes setores dinâmicos da nova economia, como podem ter como objetivo corrigir as dualidades criadas pela nova economia. No próximo item são discutidas algumas características das ações de desenvolvimento local.

Benzer Belgeler