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II. Haçlı Seferleri ve Şövalye Tarikatları Hakkında Çalışmamızda Kullanılan

1.2. Haçlı Seferleri

3.1.2. Şövalye Tarikatları ve Mimari

Um desses projetos é a Rede Memória, que objetiva preservar a história local e contribuir para a criação de uma identidade coletiva dos moradores. Considero esse projeto

exemplar para minha análise, pois sua ação visa construir junto aos moradores o sentido de pertencimento ao bairro da Maré.

Além disso, o trabalho da Rede Memória obteve reconhecimento nacional em 2005, ao receber o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, oferecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Tal premiação é conferida a pessoas ou instituições que desenvolvem ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro. O IPHAN selecionou sete iniciativas em todo o Brasil, tendo sido a Rede Memória premiada na categoria de salvaguarda de bens de natureza imaterial.

Esse trabalho de preservação do patrimônio imaterial da Maré, privilegia a valorização da história local, sistematizada em um texto ilustrado de 83 páginas, o Histórico da Maré. O texto foi escrito por Antônio Carlos Pinto Vieira, um dos fundadores do CEASM e coordenador da Rede Memória. Esse trabalho apresenta a história da região e sua relação com a dinâmica da formação da cidade.

Ordenando numa seqüência cronológica os processos históricos ocorridos na região e na cidade, desde o período colonial até o final da década de 1990, Vieira escreve a primeira versão da história da Maré e, principalmente, cria uma identidade comum entre as diversas localidades que se formaram ao longo da Avenida Brasil, a partir da década de 1940.

Conforme já foi visto no capítulo 2 deste trabalho, Vieira afirma que a localidade mais antiga da região é o Morro do Timbau e, numa narrativa mítica, apresenta a história de dona Orozina, primeiramente contada por Carlos Nélson (1986). No entanto, Vieira confere àquela que teria sido a primeira moradora do Morro do Timbau, o status de fundadora da Maré:

A ocupação da comunidade propriamente dita se dá a partir da chegada da primeira moradora, d. Orozina, que num passeio de final de semana se apaixona pelo lugar, e recolhendo a madeira que a maré trazia, demarca uma área e constrói o primeiro barraco e assim nos é contada por Carlos Nélson: “[...] Havia ali uma praia, então limpa e agradável. Se chamava Praia de Inhaúma, embora o bairro do mesmo nome ficasse distante, no interior do tecido urbano. Foi ali, aliás, como resultado de um passeio de domingo à Praia de Inhaúma que os primeiros ocupantes se apaixonaram

pelas características da localidade. Nada existia ali, exceto o matagal que, na linguagem do dia a dia significava que a região estava coberta de espessa vegetação. A praia estava coberta de pedaços de madeira trazidos pela maré, e que pareciam sugerir seu uso para alguma boa finalidade. E foi isto exatamente que uma mulher inteligente fez, ignorando os protestos de seu marido e começando a juntar pedaços de madeira, com o intuito de levantar um barraco naquele ponto deserto que parecia não ter interesse a ninguém. Este primeiro casal vinha do centro do Rio, onde vivia numa casa de cômodos, atrás da Estação da Central do Brasil. A mulher tinha acabado de chegar do interior de Minas Gerais e não conseguia viver sufocada no pequeno cômodo, ‘com chuva caindo em goteiras’. Ela escolheu um ponto seco, conveniente, numa pequena elevação próxima ao mar e levantou seu pequeno barraco com os materiais que a maré trazia de graça. Mais tarde ela se dedicou a plantar árvores frutíferas e uma horta e a cercar seu ‘território’. Ela conseguiu fazer tudo sem que qualquer pessoa a perturbasse. Mesmo assim, o casal estava bastante assustado, percebendo que eles estavam ocupando algo, sem autorização, que não lhes pertencia” (1998, p. 43-44, grifo do autor).

De acordo com Portelli (2002), um mito não é obrigatoriamente uma história inventada. Na verdade, o mito é “uma história que se torna significativa na medida em que amplia o significado de um acontecimento individual (factual ou não), transformando-o na formulação simbólica e narrativa das auto-representações partilhadas por uma cultura (p. 121). É justamente essa narrativa mítica sobre a origem da Maré que os agentes sociais do CEASM formularam a partir da história de dona Orozina, apresentada no histórico escrito por Vieira.

O Histórico da Maré compõe o acervo do arquivo documental criado pela Rede Memória com o objetivo de abrigar variadas fontes sobre a história local: fotografias, mapas, uma hemeroteca, documentos oficiais sobre a Maré, documentos particulares doados por moradores, monografias, teses etc. Não por um acaso, o arquivo foi batizado com o nome de dona Orozina.

Desde sua inauguração, em 27 de abril de 2002, várias pessoas já passaram pelo arquivo. Algumas, para conhecer; outras, para ver fotos antigas e “matar” a saudade do passado; e muitas, para pesquisar. Grande parte das pesquisas são realizadas por professores e alunos das escolas públicas locais e por participantes dos outros projetos do CEASM. Nos registros do arquivo consta um número considerável de consultas feitas por pesquisadores

ligados a diversas instituições da cidade, tais como UNIRIO, CPDOC, UFRJ, FIOCRUZ e outras.

A equipe do arquivo é formada por jovens universitários, moradores da Maré, muitos dos quais fizeram o Curso Pré-Vestibular oferecido pelo CEASM. Atualmente, eles estão em universidades públicas, cursando faculdades de História, Geografia, Biblioteconomia, Arquivologia e Serviço Social. Esses jovens realizam um trabalho de pesquisa junto aos moradores locais para reproduzir os acervos pessoais sobre a história da Maré. Além disso, a equipe também desenvolve pesquisa em arquivos públicos e particulares do Rio de Janeiro

Em conseqüência do trabalho desenvolvido, o arquivo abriga material variado sobre a história local, composto por fotografias, publicações, fitas de vídeo e áudio, jornais e mapas. O acervo está disponível à consulta de moradores, professores e alunos das escolas públicas do bairro e de pesquisadores das diversas instituições da cidade.

Grande parte do acervo do Arquivo Orozina Vieira é constituído por fotografias, que retratam variados aspectos da realidade local, e fotos do início do século XX, de autoria do conhecido fotógrafo Augusto Malta. Esse acervo iconográfico foi, em parte, reproduzido e ampliado para compor várias exposições sobre a história da Maré.

As exposições são apresentadas em espaços públicos locais, como escolas e praças. Nos últimos anos, a Rede Memória vem realizando também exposições em outros lugares fora da Maré, como por exemplo, no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Flamengo; no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ, Largo São Francisco; no Instituto de Educação da UFF, no Museu de Arte Contemporânea, e no Centro Cultural do Tribunal de Contas do Estado, em Niterói; e no Museu da República, Catete.

A Rede Memória também possui um grupo de contadores de histórias, cujo nome é Maré de Histórias. Esse grupo desenvolve um trabalho a partir das narrativas dos moradores, explorando o aspecto lúdico da história da Maré - as lendas e os causos narrados pelos mais

velhos. Histórias como O Ensopado de Cobra, O Porco com Cara de Gente, O Casamento na Palafita e A Figueira Mal Assombrada fazem parte do repertório do grupo.

Outro projeto desenvolvido pela Rede Memória é a pesquisa de história oral. Este projeto tem o objetivo de preservar a história da Maré, através do registro dos depoimentos orais dos moradores mais antigos. Em 2004, o projeto estabeleceu uma parceria com a Escola Nacional de Música da UFRJ, para o desenvolvimento de pesquisa sobre a identidade cultural dos moradores da Maré, a partir dos variados estilos musicais presentes na região.

Atualmente, em parceria com o IPHAN, e com financiamento do Ministério da Cultura, a Rede Memória está montando o Museu da Maré. Um novo projeto que ocupará todo um galpão da Casa de Cultura.

Benzer Belgeler