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Colaboram com esta pesquisa setenta pessoas, divididas em seis grupos, de acordo com as funções que desempenham e/ou os papéis que representam no BCT e, especialmente, em PLE.

O BCT conta, em 2012, com pouco mais de dois mil e quinhentos graduandos, dos quais mais de novecentos já cursaram PLE-I e PLE-II, mais de seiscentos estão, em 2012.2, matriculados em PLE-I e também mais seiscentos em PLE-II. Consideramos, então, fundamental a opinião desses graduandos sobre a formação linguística que acontece no BCT. Entre os convidados, quarenta e nove graduandos colaboraram conosco.

Em geral, o graduando do BCT é jovem (entre 17 e 25 anos), ingressante no BCT porque se interessa por tecnologia ou porque não sabia que curso da área tecnológica seguir na época da inscrição para o vestibular (conforme vimos, o BCT permite protelar um pouco essa decisão).

Além dos graduandos do BCT, são colaboradores da nossa pesquisa alguns integrantes da equipe de PLE. Atualmente, ela é composta por seis professores: cinco efetivos e uma

substituta17, que contam com o apoio de treze monitores, oito bolsistas de pós-graduação (mestrado e doutorado) e dois de pesquisa.

Vale a pena detalhar um pouco sobre os quatro docentes que, nesta dissertação, se configuram como colaboradores. O professor João Roberto Santos18 é doutor em Linguística Aplicada e está na ECT há pouco mais de três anos, sendo um dos primeiros professores de PLE. A professora Érica Marília Rodrigues da Silva é doutora em Educação e faz parte da ECT há dois anos. Já o professor Leandro Walter Moura é doutor em Literatura Portuguesa, e ingressou na ECT há pouco mais de um ano. Por fim, Adélia Lucena Fernandes da Siqueira é mestre em Linguística, ingressou em PLE na função de bolsista de pós-graduação, submetendo-se ao concurso para professor substituto na disciplina, no qual obteve êxito.

Fotografia 2 – Professores de PLE participantes da pesquisa

Fonte: acervo da pesquisa.

Quanto aos bolsistas de pós-graduação que atuam em PLE-I e PLE-II19, colaboram com esta pesquisa quatro: três mestrandos e um doutorando. Uma mestranda em Linguística

17 Apesar de serem seis os professores de PLE, nesta dissertação, traremos os dados gerados apenas por quatro

professores de PLE responsáveis pelo módulo de língua materna. Não contamos com a professora responsável pelos componentes de Língua Inglesa nem se configura como participante desta pesquisa a nossa orientadora.

18 Embora tenhamos autorização de nossos colaboradores para o uso de imagem e dados, com vistas a preservá-

-los, optamos pelo uso de pseudônimos.

19 A pesquisadora também é bolsista de pós-graduação, vinculada ao programa REUNI, mas não entrou como

Aplicada e outra em Linguística estão na ECT há quatro meses; o outro mestrando é de Literatura Comparada e é bolsista há um ano e seis meses. O doutorando na área de Linguística está na ECT há cinco meses.

Atualmente, a equipe conta com dois bolsistas de Iniciação Tecnológica: o que está na disciplina há oito meses é do curso de Letras; o outro é aluno do BCT e integra PLE há cinco meses. Além da colaboração dos graduandos do BCT em bolsas de pesquisa, PLE ainda dispõe de cinco monitores do curso, do quarto e do quinto período, e seis monitores de PLE que são graduandos de Letras.

Com exceção dos bolsistas de pesquisa, todos os demais atuam diretamente nas aulas, acompanhando o professor em sala, sendo responsável pela monitoria de uma determinada turma, exercendo atividades de aplicação e correção de exercícios e de provas, fazendo atendimento individualizado e/ou em grupo. No caso dos bolsistas do programa REUNI, eles também são responsáveis por ministrar, sob a orientação dos professores de PLE, algumas aulas no decorrer do semestre, exigência desse programa de bolsas.

Quanto aos bolsistas de Iniciação Tecnológica, eles desenvolvem pesquisas para aprimorar o trabalho de formação linguística que vem se desenvolvendo no BCT ou realizam estudos a partir dos dados gerados na área de PLE. A seguir, disponibilizamos um mosaico com as fotos de vinte e cinco de nossos colaboradores, que autorizaram a exposição dessas imagens.

Fotografia 3 – Alguns colaboradores da pesquisa

Fonte: acervo pessoal dos colaboradores cedido para a pesquisadora.

Realizada a contextualização desta pesquisa, passaremos, no capítulo subsequente, a explicitar o aporte teórico e, em seguida, o viés metodológico em que nos apoiamos para, depois, analisar os dados que salientam o que representa a formação linguística na área de Ciências e Tecnologia a partir do cruzamento dos olhares de cada colaborador que a esta pesquisa deu sua contribuição.

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Fundamentação teórica

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3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

___________________________________________________________________________ A língua é o artefato que nos torna humanos, diferenciando-nos dos outros animais, pois é uma ferramenta criada e moldada a partir de três elementos: a cultura, a cognição e a necessidade de se comunicar dos seres humanos (EVERETT, 2012). Assim, as práticas que envolvem a língua (falar, ouvir, ler e escrever) auxiliam a vida do homem em sociedade. De fato, embora ainda se constate a existência de sociedades ágrafas em pleno século XXI, vemos que o domínio das habilidades de comunicação, em especial de comunicação escrita, é cada vez mais relevante para o convívio social20.

Isso porque o desempenho dos papéis sociais está, quase sempre, atrelado a práticas de leitura e escrita e a habilidades dessas práticas decorrentes. No Brasil, não se constata a competência esperada da norma culta em determinados usos mesmo entre pessoas de nível superior de escolaridade.

Vemos que, de alguma forma, as pessoas inseridas numa cultura cujo centro é a escrita fazem uso desta, mas algumas não com a autonomia de que precisariam para ter maior sucesso. É por isso consensual ouvir (e até ler em artigos de revista de circulação nacional, a exemplo de Veja, Isto é e outras do gênero) que apenas uma parcela da população tem o domínio satisfatório da leitura e da escrita.

Porém, se todos somos falantes de língua materna e se tem havido um crescente aumento no número de matrículas entre os brasileiros, em especial da década de 80 até os dias atuais, é razoável afirmar que um percentual considerável de brasileiros vem frequentando, pelos menos, a educação básica, na qual se estuda o “português”. Por que há, então, deficiências em alguns usos da leitura e da escrita em língua materna?

A resposta a essa indagação não é simples. Ela requer uma análise embasada teoricamente. Para isso, passaremos a tecer algumas considerações sobre a construção sócio- histórica do ensino da disciplina de língua portuguesa no Brasil e as concepções de língua(gem), leitura e escrita subjacentes a essa construção.

20 Não estamos a partir disso afirmando que aqueles que não dominam a leitura e a escrita não são capazes de

desenvolver raciocínio lógico nem de executar atividades exigidas diariamente. Entendemos que os indivíduos inseridos numa sociedade grafocêntrica, de uma forma mais autônoma ou mesmo mediada por outros agentes sociais, fazem uso do recurso escrito.

3.1 BREVE HISTÓRICO SOBRE A DISCIPLINA LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL

Benzer Belgeler