D. REHBERLĠK VE DENETĠM RAPORLAMA STANDARDI
2. EĞĠTĠM-ÖĞRETĠM FAALĠYETLERĠ
3.5. Ġnsan kaynakları iĢ ve iĢlemleri
As atividades econômicas desenvolvidas em alguns municípios no interior do estado, como Nova Russas, são marcadas em grande parte pela reduzida diversidade dos produtos, limitados muitas vezes devido às condições climáticas da região que inviabilizam a produção de determinadas culturas e o estabelecimento e fortalecimento de algumas atividades econômicas. Diante desse quadro, as opções de trabalho e renda para a população baseiam-se em agricultura de subsistência, serviço público municipal, aposentadoria, comércio e programas de transferência de renda do governo federal, que garantem a sobrevivência da população.
Entretanto, a renda gerada por esses serviços não suprem a demanda das famílias, por vezes bastante numerosas, sendo necessário o desenvolvimento de atividades que complementem a renda familiar. É nesse contexto que se criou a Associação das Crocheteiras Novarussenses (ASCRON), para valorizar a atividade artesanal da fabricação do crochê, desenvolvida em grande parte pelas mulheres do município de Nova Russas, surgida da necessidade de complementar a renda familiar.
A ASCRON surgiu em 1983, mas foi oficializada em 1985, com sede no município de Nova Russas (figura 33), fruto da iniciativa de 5 mulheres artesãs, com a ajuda 137
do ex-bispo da Diocese de Crateús, Dom Fragoso. Estas encontraram na confecção e comercialização do crochê, a melhor alternativa para reverter o quadro de pobreza que assolava a região em função do período de seca da década de 1980. Muitos foram os motivos que levaram essas mulheres a se organizarem, o principal, a necessidade de se libertarem da exploração dos atravessadores, compradores do crochê que adquiriam o produto a preços irrisórios e revendiam por até seis vezes o valor de compra.
Figura 33- Sede da ASCRON em Nova Russas
Fonte: Farias, 2012.
Assim, através de reuniões e discussões, a associação foi-se estruturando e tornando-se um ponto de referência para os artesões do município e de áreas circunvizinhas. Atualmente, a ASCRON conta com 130 associadas, organizadas em núcleos nos municípios de Nova Russas, Ipaporanga e Ararendá, a maioria dessas sócias moram na zona rural e são também agricultoras familiares. É necessário destacar que o número de associadas parece irrisório diante do número de artesões do município, cerca de 7 a 8 mil, porém já representa um grande avanço em termos de organizações sociais em Nova Russas.
Dentre os fatores que explicam essa divergência entre o número de associadas e de artesões do município, está o estabelecimento de alguns critérios por parte da associação como: a qualidade do produto deve ser alta, exigência do uso de linha fina, um ponto perfeito adequado à necessidade de cada peça. Esses critérios acabam afastando alguns artesãos, porém eles são indispensáveis para manter o nível das peças produzidas pelas associadas, aspecto marcante da ASCRON, conhecida regionalmente pela qualidade dos artigos que comercializa.
Além desses critérios, o retorno financeiro não imediato da produção acaba sendo o principal fato que inibe a associação dos artesãos. Na ASCRON, as peças produzidas são 138
recebidas e catalogadas de acordo com o nome da artesã, algumas são exibidas na loja da sede ou são enviadas, de acordo com a demanda, para fora do município; quando vendidas, parte do dinheiro é repassado à artesã e outro percentual à associação, que refere-se a taxa de associada.
Algumas crocheteiras não querem ou não podem esperar todo esse processo e acabam comercializando suas peças na Feira do Crochê, localizada na Praça da Estação, no município de Nova Russas. Essa feira ocorre aos sábados, pela manhã ao ar livre, sem qualquer estrutura para a exposição do crochê, o que torna mais fácil a exploração por parte dos atravessadores. Segundo a ASCRON, o crochê comercializado na Feira da Estação é de baixa qualidade, fugindo aos padrões exigidos pela associação, o que o torna bem mais barato, ou seja, é um retorno imediato mas sem muitos lucros, pois o crochê vendido na ASCRON é mais caro e as crocheteiras possuem um lucro bem mais elevado.
Dessa maneira, mesmo com um pequeno número de associados, a ASCRON vem crescendo ao longo dos anos, transformando a vida das mulheres e mudando a dinâmica do município. A ASCRON possui como meta principal a manutenção de um trabalho de organização das mulheres crocheteiras do município de Nova Russas, por meio do apoio à produção e à comercialização de crochê, além do acompanhamento das artesãs mediante oficinas com temas referentes a gênero, saúde, educação, cadeia produtiva do artesanato, gestão, agricultura familiar e geração de renda.
Os artesanatos produzidos na ASCRON são elaborados somente no fio, não existindo outro tipo de matéria-prima, mesclados com algumas pinturas, fitilhos, bordados e linho que embelezam as peças. Dentre os artigos produzidos na associação temos: caminhos de mesa, toalhas, pano de bandejas, colchas de cama, acessórios de cozinha e banheiro, passarelas, blusas e bolsas (figura 34), todos elaborados pelas associadas. Para diversificar os produtos, a ASCRON exporta de Fortaleza algumas peças e expõe na loja da associação, ressaltando que os produtos exportados também são artesanatos elaborados no fio.
Figura 34- Mosaico de imagens com peças produzidas na ASCRON
Fonte: Farias, 2012.
Como reconhecimento de todo esse trabalho, a ASCRON ganhou o 1º lugar no IV Concurso de Empreendimentos Exitosos Liderados por Mulheres, teve suas peças exibidas e comercializadas no espaço de artesanato no Festival de Jazz & Blues, despontando como ações que valorizam o trabalho dessas artesãs e reafirma a importância de se organizar para viabilizar o desenvolvimento de determinadas atividades. A ASCRON possui um box de comercialização na Empresa Cearense de Turismo (EMCETUR), localizado no centro da cidade de Fortaleza, além de exportar seus produtos para cidades como Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, tudo fruto da qualidade de sua produção.
Para estabelecer e denotar mais representatividade à produção do crochê, foi lançado um projeto de Lei nº 14.479, de oito de outubro de 2009, quando Nova Russas passou a ser conhecida oficialmente como a Capital Estadual do Crochê. Essa lei viabiliza ainda mais o crescimento da atividade, assim como também, torna-se um atrativo para que mais artesões busquem a associação, pois a arte do crochê agora é reconhecida.
Entretanto, as crocheteiras relatam que ainda existem alguns entraves que dificultam a comercialização do crochê, como a falta de incentivos dos gestores municipais, a pouca divulgação sobre a importância do crochê para o município que, se realizada, acabaria atraindo mais artesões. Frente a essas demandas, a seguir foram elaboradas algumas propostas adequadas à necessidade das crocheteiras e da associação:
Criação do dia da crocheteira/crochê, institucionalizada no calendário municipal;
No dia da crocheteira devem ser organizadas atividades que valorizem o crochê, como desfiles e exposição das peças;
Tornar essa data atrativa para os turistas e artesões, ofertando cursos e palestras de curta duração sobre a produção do crochê;
Investir financeiramente na associação, para que o produto seja valorizado em âmbito federal, estadual e municipal;
Promover ações que incentivem as mulheres que vivem dessa atividade a se associarem, pois possibilita a quantificação dessa atividade e facilita a observação do seu desenvolvimento e consolidação ao longo dos anos;
Essas são algumas propostas que com certeza contribuiria para o desenvolvimento e a consolidação da comercialização do crochê, viabilizando e valorizando a atividade artesanal por meio da organização e valorização local do produto, aspectos essenciais para um município considerado como, a Capital Estadual do Crochê, pois a população detém os saberes da “arte de desenhar com fios”.