4.4.1 Escala
A escala utilizada neste estudo denominada de Inventário de Estresse para
Enfermeiro é composta por seis subescalas2, sendo que uma das subescalas
intitulada Fatores de Estresse para o Profissional Enfermeiro foi elaborada e validada por Stacciarini (1999) que investiga o estresse e os estressores das enfermeiras, bem como a freqüência em que ocorrem no seu cotidiano (ANEXO A). A autorização para a utilização deste Inventário foi dada por e-mail, em virtude da autora residir no momento da pesquisa nos Estados Unidos da América.
A escala psicométrica visa a escalonar estímulos que expressam um construto psicológico e procura verificar o nível de concordância do sujeito com uma série de afirmações, que expressam algo de favorável ou desfavorável em relação a um objeto. A técnica de Likert é a mais utilizada; o número de sentenças pode variar de um a cinco, ou de um a sete pontos (PASQUALI, 1996).
A seguir descreveremos sobre as escalas que foram utilizadas por Stacciarini (1999) em seu estudo.
A subescala Inventário de Estresse para Enfermeiros PARTE A.1 – REVl-S Inventário Racional versus Experiencial –versão reduzida, ( RVEI-S Rational versus
Experiential Inventory). É um questionário de personalidade que foi traduzido,
adaptado e validado por meio de teste de consistência por Tróccoli em 1998;
2 Que são divididas em duas partes A e B. Cada parte contém três itens respectivamente, assim
distribuídos: PARTE A.1 – REVl-S Inventário Racional versus Experiencial; PARTE A.2 – CTI-S Inventário de Pensamento Construtivo; PARTE A.3- Fatores de Estresse para o Profissional Enfermeiro; PARTE B. 1- Como você se sente em relação ao seu trabalho; PARTE B.2- Estado Atual da Saúde-Como você se sente e ou se comporta; PARTE B. 3- Inventário de Sintomas do Estado Físico)
composto por 40 itens que variam de (1), completamente falso a (5), completamente verdadeiro.
PARTE A.2 – CTI-S é mais uma subescala, versão reduzida (CTI-S
Constructive Thinking Inventory), para mensurar o pensamento construtivo;
composta de 52 itens que variam de (1) completamente falso a (5), completamente verdadeiro. Foi traduzida, adaptada e validada por meio de teste de consistência por Tróccoli em 1998 (STACCIARINI, 1999).
PARTE A. 3 – Fatores de Estresse para o Profissional Enfermeiro. Esta escala, construída e validada pela autora, pode ser utilizada em qualquer região do país, desde que sejam consideradas as características da região a ser estudada. A estrutura fatorial do Inventário de Estresse para Enfermeiro (IEE) compreende três subescalas: Fatores Intrínsecos ao Trabalho; Relações no Trabalho; Papéis Estressores da Carreira e Estrutura e Cultural Organizacional.
PARTE B 1 – Como Você se sente em Relação ao seu Trabalho. A subescala composta por 22 itens que variam de (1), muita insatisfação a (6), muita satisfação. Esta escala foi traduzida para o português em 1993 por Moraes e cols. O original é o
Instrumento Occupational Stress Indicator que foi elaborado por Cooper e cols., em
1988 (STACCIARINI, 1999).
PARTE B 2 – Estado Atual de Saúde-Como Você se Sente ou se Comporta. Denominada de doença saúde mental composta por dezoito sentenças, com seis opções de respostas.
PARTE B 3 – Inventário de Sintomas do Estado Físico. É intitulada de doença
saúde física, composta por doze itens com seis opções de respostas que medem a
Com relação à construção do Inventário de Estresse em Enfermeiros - IEE, a autora segue os princípios de Pasquali que leva em conta os três pólos: teórico, empírico e analítico. A entrevista realizada com enfermeiros, em diferentes cargos ocupacionais, constituiu uma das principais fontes de informação, que serviu de base para elaboração dessa subescala. Este instrumento foi validado com uma amostra de 461 enfermeiros respeitando o número de 10 sujeitos para cada item da escala (STACCIARINI; TRÓCOLI 2000).
Para o Inventário de Estresse para Enfermeiros - IEE, foi feita ainda pela autora uma análise fatorial dos 44 itens. Na matriz de correlações, ela obteve mais de 50% acima de 0,30 que é considerada como uma boa percentagem. Para a análise da significância, Stacciarini (1999) usou o Bartlett test of Shericity igual a 6390, 07; e o KMO-kaiser Measure of Sampling Adequacy foi .87, significando que a escala é adequada para ser submetida à análise fatorial. E a análise de confiabilidade indicou precisão com alfa de .89.
A seguir serão apresentadas para cada categoria estabelecida pela autora para o Inventário de Estresse para Enfermeiro as análises de confiabilidade.
Relações Interpessoais: composta de 17 itens com alfa de .90,
variância 21,2.
• Papéis Estressores da Carreira: composta de 11 itens com alfa de .82, variância 12,9%;
• Fatores Intrínsecos ao trabalho: composto por 10 itens com alfa de .79, variância 5,4%.
• Estrutura e Cultura Organizacional: composta por 11 itens, foi elaborada com base na proposta de classificação elaborada por
Cooper. Nesse estudo, Stacciarini (1999) obteve como variância total 39,5 % e o alfa de Cronbach igual a .89.
4.4.2 Roteiro de entrevista
Como instrumento foi utilizado um roteiro de entrevista semi-estruturada que teve, como questionamento básico, o estresse vivenciado pelas enfermeiras de centro cirúrgico e seus estressores (APÊNDICE B).
A técnica de entrevista é uma forma de se colherem informações baseadas no discurso livre do sujeito, em que ele exprime questões da sua experiência, comunica-as, manifestando os significados do seu contexto e revelando as concepções e idéias (CHIZZOTT, 1998).
Na opinião de Gil (1994), a entrevista é uma técnica de coleta de dados que contém perguntas simples, direcionadas para a apreensão do objeto de estudo, permitindo interação entre o sujeito e a pesquisadora, situação ideal para que se obtenham informações acerca do que os seres humanos sabem, crêem, esperam e sentem.
Com a utilização desse material, procurou-se compreender o significado que circunda os sujeitos da pesquisa, entendendo melhor suas ações em centro cirúrgico. Os resultados poderão alertar as enfermeiras quanto ao estresse para sua saúde mental além de poder contribuir para melhorar o ambiente para as aulas práticas de enfermagem em centro cirúrgico.
Na compreensão de Chizzott (1998), o conhecimento não se reduz a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa; o sujeito observado é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos,
atribuindo-lhes significados. O sujeito ultrapassa suas aparências para alcançar a essência desses fenômenos. Logo, os objetos, os seres humanos e os símbolos que constroem o mundo social podem ser desvelados na pesquisa.
4.5 Procedimentos éticos
Este projeto foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital da Restauração com o protocolo de número CEP-HR 0027/04, datado de 26 de abril de 2004 (ANEXO B), em respeito à Resolução 196/96, do Ministério da Saúde, que trata dos aspectos éticos em pesquisa envolvendo seres humanos (BRASIL, M S; 1996).
As enfermeiras foram convidadas a participar do estudo, após conhecerem a importância de sua participação, os objetivos da pesquisa e a garantia do seu anonimato. As enfermeiras que decidiram integrar o estudo receberam um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, que foi lido e assinado, confirmando sua participação (APÊNDICE A).