• Sonuç bulunamadı

2.3. ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR

2.3.2. ĠletiĢim Becerisi Ġle Ġlgili Yapılan AraĢtırmalar

A partir da observação da totalidade da amostragem emergiram três tipos a fim de perceber de forma mais sistematizada as características que aproximavam aplicativos e, assim, compreender o fenômeno. Estas categorias não são estanques e pretendem auxiliar na percepção de grupos de manifestações semelhantes. Elas são relativas ao que os programas fazem com os dados que utilizam, ou seja, o que acontece com o retrabalho destas informações feito pelas pessoas. Embora todos envolvam, em tese, a mesma ação – retrabalhar dados públicos – as formas como esta tarefa é desempenhada diferem entre si. A divisão vem sendo trabalhada pelo autor não só nesta pesquisa como também em outras, em que pode-se perceber que as categorias têm aplicabilidade maior do que a este grupo específico de apps. Os tipos são: serviço, representação e recombinação. Usa-se alguns aplicativos para exemplificar de forma adequada as características e diferenças entre eles.

A tônica destas manifestações está frequentemente associada a um governo mais aberto e transparente. No entanto, o objetivo destes aplicativos pode envolver difundir informações públicas úteis para o cotidiano. O acesso ainda está relacionado à transparência e ao conhecimento sobre atos do governo, mas o uso destes dados também é necessário sob interesses imediatos. Nesses casos, está envolvido também um interesse mais prático e cotidiano na aplicação destas informações. Identificamos este padrão de aplicativos como a categoria serviço, por recombinar dados públicos servindo principalmente como guias de cunho cotidiano. São programas que trazem informações sobre um determinado tipo de serviço público, ou se utilizam de dados abertos para complementar as informações de algum tipo de negócio. Entende-se que, em tese, todos os aplicativos criados são serviços, de um tipo ou de outro. No entanto, usa-se esta denominação para designar que a característica

predominantes na formatação destes aplicativos é constituir um programa de caráter de serviço cotidiano.

O aplicativo BRS Rio – Vias Expressas de Ônibus30, vencedor da categoria Júri

Popular da Rio Apps, se enquadra nesta categoria. Desenvolvido para o sistema móvel iOS é um guia sobre o transporte público do Rio de Janeiro. Ele mapeia as linhas das vias expressas na cidade, mostrando pontos de ônibus, pontos intermunicipais, informações de todos os corredores BRS da cidade assim como as linhas de ônibus de cada corredor. O programa formata as informações governamentais de modo mais intuitivo, para facilitar o deslocamento nas cidades, como um guia. Seu uso permite conhecer melhor uma questão pública: o sistema de transporte público de uma cidade, com suas defasagens e problemas, mas ele é formatado para prover um serviço prático e cotidiano em torno disto, neste caso de modo colaborativo e geolocalizado. Os dados públicos ficam fortemente ligados, nesta categoria, à cotidianidade e a um interesse prático e imediato. Outros aplicativos deste mesmo gênero envolvem informações como estabelecimentos de saúde, escolas, pontos turísticos, etc.

Ao mesmo tempo, algumas aplicações têm como objetivo a visualização e análise de bases de dados públicos relacionadas ao âmbito político democrático. Estas informações são importantes para que o público tenha base para cobrar governantes, assim como averiguar como tem sido o desempenho das gestões com o passar do tempo. Retrabalha-se informações públicas relevantes para que elas sejam mais facilmente interpretadas pelo público. Denomina-se esta segunda categoria como representação. A observação destes aplicativos demonstra que eles propõem, precisamente, uma outra representação gráficos dos dados já disponibilizados. Se um usuário acessasse aquela base online, visualizaria as mesmas informações. Porém, pode fazê-lo de forma mais compreensível através de um aplicativo que as organiza graficamente de modo amigável, com o objetivo de facilitar a análise e diagnóstico destes dados.

O aplicativo Geolocalização de Projetos de Lei31, desenvolvido durante a Maratona Hacker da CMSP, por exemplo, exibe os locais de São Paulo relacionados a projetos de lei municipais aprovados. É possível realizar uma filtragem por ano, com alcance entre 2011 e 1992. As leis aprovadas em cada região são exibidas em um mapa de São Paulo. Ao clicar em cada ponto, são exibidos detalhes em geral sobre o projeto. O retrabalho desses dados consiste em formatá-los em um mapa de modo a tornar mais compreensível o significado daquelas informações. São os mesmos dados encontrados originalmente nos conjuntos

30 https://itunes.apple.com/br/app/brs-rio-vias-expressas-onibus/id519565637?mt=8 31 http://geoleis.herokuapp.com/

disponibilizados, mas a partir desta organização eles podem ser visualizados mais facilmente. Na maioria das vezes, a visualização dos dados da forma original é virtualmente impossível, seja pela quantidade de informações, sobretudo quando se lida com dados de diferentes anos, seja por sua natureza. Aplicativos enquadrados na categoria representação permitem tirar conclusões não verificáveis com informações em extensas planilhas. Pode-se dizer que uma representação bem sucedida pode reforçar e evidenciar padrões importantes. Há também a tônica jornalística destes processos: obter informações de uma fonte, retrabalhá-las para torná- las mais compreensíveis e difundi-las.

O programa camaraVisual32 é outro caso de representação de dados governamentais. O projeto cria visualizações sobre as votações no legislativo municipal de São Paulo, exibindo através de um gráfico circular os resultados, bem como quais vereadores votaram a favor.

O terceiro tipo verificado durante a observação se trata de um desdobramento da categoria anterior. Da mesma forma que os programas de representação, as manifestações neste conjunto também objetivam primordialmente expor situações no contexto político- democrático vigente. Além da exposição amigável dos dados, eles procuram complementar a experiência com outras questões. Estas envolvem, por exemplo, o cruzamento entre diferentes bases de dados complementares (interseccionando informações para uma análise ou diagnóstico mais amplo), orientações a ações a respeito do tema, ou ainda uma contextualização sobre aqueles números ou sobre a importância daquela informação. Denomina-se este tipo de recombinação, pois ele não apenas expõe informação, mas a recombina. Como se verá mais adiante, a complementação das informações públicas é um fator importante para pensar os aplicativos junto à mídia cidadã.

Através do projeto Minha Escola33 pode-se visualizar a ideia de recombinação. O aplicativo, criado para a web e menção honrosa do Prêmio Mario Covas 8ª Edição, exibe informações de avaliação sobre escolas públicas da região Sudeste. Ele adiciona dados do Ideb, que mede o desempenho dos estudantes, a informações sobre a Prova Brasil e ainda a respeito da infraestrutura da escola. Assim, ele combina dados de fontes diferentes gerando um guia sobre cada escola. Além disto, ainda há a opção de avaliar e adicionar comentários a cada escola, construindo uma outra camada de informações sobre cada estabelecimento. Existe uma expansão da experiência de apenas visualizar os dados da escola, uma vez que a dimensão é maior do que a representação de apenas um banco de dados. O aplicativo

32 http://camaravisual.macroscopio.com/

Vereadores.org34 também segue uma linha semelhante de recombinação, uma vez que, ao exibir em ordem cronológica as decisões de cada vereador de São Paulo, oferece a opção de concordar ou discordar de cada decisão (a contagem de avaliações dos usuários fica pública no aplicativo), além de possibilitar comentar em cada uma. Assim, também estimula uma tomada de posições dos usuários.

Outro exemplo de recombinação é o do projeto Queremos Saber35, site através do qual é possível fazer requisições com base na Lei de Acesso à Informação. Ele não apenas permite esses contatos com os órgãos públicos como possui guias extensos sobre como fazer esses pedidos, a quem endereçá-los, o que fazer em caso de recusa, etc. Ou seja, orienta o público em geral sobre o que fazer com a oportunidade de transparência. Além do mais, as requisições de outras pessoas ficam públicas, o que também oferece uma noção sobre como estão sendo atendidos os pedidos, e ajudando a evitar que se repitam.

Mesmo estando fora do montante da análise, o aplicativo Jogo da Vida dos Processos Legislativos36 é um caso interessante de recombinação. Ele busca projetos de lei que estão em trâmite no Congresso Brasileiro, exibindo por quais comissões já passaram e em qual se encontram atualmente. A recombinação acontece na medida em que ele sugere que o usuário envie um email aos parlamentares envolvidos na votação de um dado projeto, pedindo para que eles aprovem-no ou não, devido a sua importância. Ele exibe uma mensagem pré-pronta com estas informações, que pode ser enviada automaticamente aos políticos. Ao realizar este incentivo, o aplicativo não se limita à exibir as informações públicas, mas acaba orientando o usuário a realizar alguma ação, ou, pelo menos, estimula a noção de se pensar que alguma ação pode ou deve ser tomada quanto àquela lei. É um estímulo para a aproximação entre governo e pessoas. É dentro deste quadro que se inserem os aplicativos de recombinação.

Pensando no percurso metodológico que o trabalho tomou, foi inevitável que se construísse uma tipologia no início do estudo, embora este não fosse o objetivo central. Isto pois a exploração deste cenário novo de exemplos que se descortinava começou pelo único ponto possível naquele momento: os próprios aplicativos. Assim, a construção da classificação se mostrava necessária para mapear aquele terreno, de modo a possibilitar uma navegação mais consciente pelos casos.

Após mais pesquisa, se chegou à necessidade de conversar com os criadores do projeto e entender as motivações que estavam envolvidas nestas atuações, ou seja, realizar

34 http://www.vereadores.org/

35 http://www.queremossaber.org.br/, também abordado em mais detalhes adiante. 36 https://jogodavidapl.appspot.com/

uma troca de lado, metodologicamente. Com isto, se vislumbrou as intenções e outras questões que rodeiam os aplicativos. Depois, quando se torna o olhar novamente para os aplicativos, pois foi o ponto de onde se começou a visualizar o fenômeno, percebe-se que os perfis de criadores, explorados mais adiante na análise, não têm relação necessária com o tipo de produção. O resultado final vai depender de como eles aplicam os dados públicos, processo que, por sua vez, é influenciado por muitas variáveis tais como tempo e disponibilidade e qualidade dos dados. Assim, há que se refletir sobre classificações de produtos tais como estes aplicativos. É possível verificar alguns padrões em suas construções, tal como verificado na classificação criada, mas estes programas começam a ser desenvolvidos a partir da intenção de seus criadores, não do projeto pronto. O ponto de partida pelo qual se observa os fenômenos é essencial para a clareza da pesquisa. As classificações são importantes para se mapear e compreender um dado fenômeno em sua natureza, mas entender as nuances dos atores envolvidos também pode trazer outros discernimentos.