• Sonuç bulunamadı

A idealização deste projeto leva em conta a possibilidade de utilização do laboratório de informática nas duas escolas e o envio das cartas por meio da professora que ministra aulas nas turmas da escola Eneida de Moraes, além da postagem da segunda produção na própria agência dos correios como meio de divulgação dos textos dos alunos, fazendo com que os gêneros circulem em seus reais contextos de produção.

As cartas serão envelopadas, e a rotina de uma postagem nos correios (na segunda produção) será cumprida, tendo-se como resultado, caso seja possível, a entrega das cartas pelo carteiro nas salas de aula, ou nas residências dos alunos. No caso das postagens em redes sociais, a divulgação será entre os alunos que se comunicarem usando essa ferramenta, respeitando uma solicitação a fim de que a produção seja também instrumento de análise: utilizar a ferramenta marcar para dar ciência da postagem à professora da disciplina, acordando isso entre as turmas. Dos sujeitos pesquisados, apenas 04 (quatro) não têm idade mínima permitida para usar a rede social, embora possivelmente as utilizem. Assim, pretende- se criar um grupo fechado na rede social para proporcionar a interação entre as duas turmas e monitorar de forma mais presente as postagens e estratégias argumentativas nessa forma de comunicação, a partir de comentários sobre cada obra lida.

4. 3 METODOLOGIA DESENVOLVIDA: A REALIDADE E AS DIFICULDADES EM UM PROJETO DE PESQUISA

Nossa proposta envolveu a leitura de uma obra, a produção de duas cartas manuscritas e uma postagem no Facebook. Em relação a isso, conseguimos obter dados para a pesquisa, mas não a quantidade que supúnhamos no início da aplicação do projeto. Ainda assim, consideramos satisfatória a quantidade de dados que obtivemos para consolidar nossas análises por meio da teoria na qual nos respaldamos.

Por outro lado, sentimos aqui a necessidade de elencar quais passos na pesquisa precisariam ser repensados a fim de que as eventualidades não prejudicassem nossos resultados. De modo geral, a sequência de atividades apresentada no Quadro 1 foi seguida, com poucas alterações que mencionaremos ao longo dessa exposição, ora comentando os resultados obtidos, ora apresentando nossas necessidades de alteração.

Cabe destacar que, no intuito também de tornar a mais proveitosa possível essa experiência de interação entre alunos de duas escolas, nosso projeto de pesquisa foi apresentado à professora de Língua Portuguesa da escola Olavo Bilac, pois a ela caberia estimular seus alunos à escrita da resposta às cartas que eles receberiam. Para a produção das cartas, recebemos uma lista nominal da turma para quem os alunos de Belém enviariam suas produções.

Em relação aos passos os quais elencamos inicialmente no Quadro 1, a utilização do espaço da biblioteca o qual nos propusemos a utilizar foi muito importante, não apenas no sentido de que os alunos conheceram melhor o espaço, mas também por esse evento inicial ter sido incentivo aos alunos à busca por outros livros no ambiente escolar. Em muitas escolas públicas, a biblioteca é tida apenas como um lugar onde estão guardados os livros; hoje, com propriedade muito específica em relação à turma de 27 alunos na qual aplicamos nosso projeto de ensino, podemos dizer que, para eles, a biblioteca é um espaço para leitura. A sugestão de que cada um escolhesse o livro que gostaria de ler também nos trouxe resultados interessantes, pois alunos que não se interessavam pela leitura – uma vez que isso era sempre lhes imposto – passaram a ter satisfação em realizá-la. Além disso, embora inicialmente houvesse para alguns a resistência a ideia de ler um livro inteiro, ao saber que leriam para “contar ao outro” sobre isso, houve adesão da turma inteira à atividade.

Realizamos a escolha aleatória – na lista nominal da escola Olavo Bilac – dos destinatários das cartas, e isso também nos trouxe bons resultados. A experiência de conversar com os alunos de Belém sobre alunos de outra escola, em outro município, que lhes parecia

tão distante – os quais já eram conhecidos por conta das visitas anteriores, à escola em Tomé- Açu – despertou neles a curiosidade e a vontade de manter contato. Ressaltamos aqui que, ao longo das atividades, a ideia era que promovêssemos uma visita de alunos de uma escola à outra, promovêssemos um momento de interação, pois havia tempo e recurso para isso. Entretanto, durante o processo, no momento de entrega da primeira carta, soubemos que isso não seria mais possível. Ainda assim, por ideia da professora titular dos alunos da escola Olavo Bilac, ao entregar a primeira carta dos alunos da escola Eneida de Moraes, foi feito um vídeo para ser exibido, no qual cada aluno da escola de Tomé-Açu se apresentava e informava de quem era a carta que havia recebido. A exibição do vídeo ao retornar à escola em Belém foi mais um incentivo à escrita da segunda carta que se daria mais adiante, pois, embora já soubessem agora da impossibilidade de contato pessoal, de alguma maneira, pudemos proporcionar a interação entre as turmas usando uma ferramenta tecnológica. Todos os alunos da escola Eneida de Moraes participaram da produção da primeira carta, mas nem todos os alunos da escola Olavo Bilac enviaram respostas.

Compreendemos que, ao tratar de atividades que envolvam a parceria com professores de outra escola– ou até dentro da mesma –, é necessário que o planejamento das atividades seja alicerçado de forma a atender às necessidades de todos os envolvidos. A parceria estabelecida, em nosso caso, contou com muito boa vontade da professora titular da turma na escola Olavo Bilac, pois já havíamos verificado – por meio de conversa informal com ela e com a coordenação da escola – que os alunos de lá tivessem necessidades de refinar as habilidades em leitura e escrita; porém, ainda que observássemos esforço em colaborar com nossa pesquisa, as demandas da escola em Tomé-Açu e os próprios compromissos pessoais e imprevistos de diversas origens impediram um período de maior interação. Desde o final do mês de setembro de 2016, por exemplo, a escola entrou em greve por conta de perdas salariais no município. Isso foi um evento impeditivo aos alunos da escola de receberem as cartas sobre o livro que foram entregues à professora, assim como de participarem das atividades na rede social Facebook, pois no momento em que passamos a esta etapa da atividade, eles já não estavam em aula.

Após a produção da primeira carta, nos empenhamos em realizar as atividades que dessem conta de preparar nossos sujeitos da pesquisa ao uso dos conectores. As atividades planejadas foram realizadas de forma satisfatória, sendo que a quantidade de aulas prevista para as atividades no Módulo de Leitura e Análise Linguística passou de 08 (oito) – como estava previsto no quadro de atividades – para 12 (doze), pois foi necessário que a realização das atividades ocorresse de forma mais lenta, em prol de propiciar melhor compreensão do

conteúdo, uma vez que, para muitos alunos na turma, tratava-se de uma forma diferenciada de se trabalhar um item linguístico e alguns sentiram muita dificuldade na resolução dos exercícios. Tanto a produção quanto a refacção da segunda também ocorreram dentro do previsto.

Por último, a atividade que precisou, de fato, ser reelaborada para a realização foi a postagem no Facebook. A proposta era que, ao longo das aulas, os alunos que tinham perfis, e quase todos eles sinalizaram isso, fossem adicionados como amigos a meu perfil pessoal para que, ao fim da aplicação do projeto de ensino, ou pelo menos após a primeira carta produzida, eles estivessem em um grupo fechado com alunos de outra escola e realizassem postagens sobre o livro que haviam lido, também com o objetivo de incentivar à leitura dele. Nossa primeira dificuldade se deu por conta de não mais termos os alunos da outra escola disponíveis para a atividade em função da greve nas escolas municipais de Tomé-Açu. Além disso, ao informar nossos alunos, sujeitos da pesquisa, da criação de um grupo, não encontramos receptividade. Esse não é um recurso do qual eles se utilizam, por isso, por escolha deles, foi mais viável que eles realizassem as postagens em seus próprios perfis.

A idealização do projeto também previa a utilização da sala ambiente de informática na escola Eneida de Moraes, porém, ao longo do ano, por falta de manutenção de equipamentos e outras eventualidades, o laboratório não contava mais com acesso à internet. Tal situação nos obrigou a acompanhar apenas virtualmente as atividades com os alunos. Da mesma maneira que ocorrera com as cartas, os textos seriam refeitos, em caso de a atividade se dar sob a supervisão da professora, pois ao mesmo tempo em que estivessem realizando a escrita do texto poderiam tirar dúvidas e postar textos já corrigidos, respeitando determinadas escolhas deles. Em função desta dificuldade e da necessidade de se coletar dados para a finalização das análises da pesquisa, optamos por acompanhar virtualmente as postagens e sinalizar por meio de mensagens privadas as necessidades de ajuste. Houve solicitação de refacção aos oito alunos que realizaram a atividade, mas menos da metade correspondeu a isso. Tomamos o texto final deles – dos que ajustaram e dos que não ajustaram – como objeto de pesquisa.

Destacamos aqui que, antes de solicitar a refacção, também por meio de mensagem privada, foi investigado se eles sabiam utilizar a ferramenta “Editar publicação”, ao que todos se designaram como capazes, porém, entre os que optaram por fazer as correções, notamos pouca diferença, por isso não tomamos essa etapa – a do processo de refacção no ambiente digital – para efeito de análise. Era necessário encerrar a seleção de textos para consolidar as análises e finalizar a pesquisa em tempo hábil. Embora não tenhamos considerado os textos

refeitos após a data necessária à finalização da coleta de dados, os alunos continuaram sendo acompanhados na refacção dos textos.

5 ANÁLISES DOS RESULTADOS

Benzer Belgeler