Os instrumentos para aquisição dos dados da pesquisa foram três questionários, a observação participante e a entrevista via grupo focal. Para Moroz & Gianfaldoni (2006) o questionário representa um instrumento de investigação importante na pesquisa acadêmica, principalmente no campo das Ciências da educação, que busca obter informações tomando como base, geralmente, uma amostra representativa da população em estudo. Não existe interação direta entre o pesquisador e os investigados. Uma das grandes vantagens do questionário é o fato de poder ser utilizado em um grande número de pessoas ao mesmo tempo.
O questionário sócio-econômico foi preenchido no dia 15 de maio de 2009, na mesma data na qual os estudantes foram avisados da primeira atividade: os minidocumentários. As perguntas deste questionário seguem no apêndice 1.
Considerando que dois tipos de vídeo foram produzidos, um na sala de aula e outro fora dela, um dos objetivos desse trabalho é avaliar as diferenças entre a construção nesses diferentes espaços. Também foi escolhido o melhor material de cada tipo produzido pelos alunos. O critério foi o da votação aberta, através da qual cada estudante da própria turma elegeu o vídeo mais completo segundo os critérios presentes em dois questionários em forma de tabelas entregues aos alunos, pré-estabelecidos pelo professor, e que contemplavam dois pontos:
• A qualidade do vídeo no que concerne aos seus aspectos técnicos e conceituais.
• A relevância da produção do vídeo enquanto atividade didática.
Os questionários a respeito dos minidocumentários foram preenchidos nos minutos seguintes à sua exibição, em 05 de junho de 2009. Já os concernentes às paródias foram respondidos em 16 de setembro de 2009, também após toda a classe ter assistido ao material produzido.
O primeiro questionário foi constituído de 17 perguntas e teve como objetivo a avaliação da qualidade do vídeo produzido. As respostas eram do tipo sim ou não, porém, para cada pergunta, caso o aluno desejasse, havia um espaço para ser colocada alguma observação. As perguntas foram:
1) Desperta o interesse?
2) Aborda o tema proposto?
3) É adequado ao currículo proposto?
4) É adequado ao nível de compreensão dos alunos? 5) É atual?
6) A quantidade de informação é suficiente?
7) É necessário um trabalho posterior para um pleno
entendimento?
8) Há erros conceituais?
9) Valoriza o conhecimento prévio? 10) É criativo?
11) Possui uma abordagem interdisciplinar?
12) Trabalha com aspectos emotivos?
13) Utiliza efeitos sonoros?
14) Há preconceito?
15) A duração é adequada à exibição em sala?
16) A qualidade da imagem é boa?
17) O som é de qualidade?
Já o segundo questionário foi respondido por cada equipe, nas mesmas datas citadas, e teve como objetivo inquirir a opinião dos sujeitos envolvidos sobre a produção do vídeo e sua disponibilização online, incidindo sobre cinco dimensões: a ferramenta, a construção da aprendizagem do tema, a publicação online, a visualização dos vídeos produzidos e a estratégia de ensino utilizada. As perguntas do questionário foram do tipo estruturadas, que na opinião de Minayo (2004) significa perguntas previamente formuladas. Continha ao todo 07 perguntas e tinha como ponto central a avaliação da produção do vídeo como atividade didática. Ressalte-se que a análise da atividade pesquisada jamais poderia se resumir ao seu produto final: o vídeo. Perceber os detalhes que permearam todo o processo do desenrolar da atividade era o ponto central. As respostas atribuídas, assim como na primeira tabela, deveriam ser sim ou não, além de um espaço para ser colocada alguma observação referente a cada pergunta. As perguntas consideradas foram:
1) Foi preciso buscar fontes variadas de informações? 2) As tarefas foram bem divididas?
3) Houve interação entre os membros da equipe? 4) Houve descoberta de novos conhecimentos? 5) Alguém da equipe ficou sem participar?
6) A atividade despertou o interesse pela Biologia ou por alguma de suas áreas?
7) A atividade representou um desafio para os alunos?
Fonte: própria
O próprio pesquisador também usou estes questionários como tabelas a serem preenchidas, para que as impressões pudessem ser registradas de uma forma mais sistêmica. Elas foram analisadas através da comparação entre as tabelas preenchidas nos dois tipos de
vídeos tendo um caráter acima de tudo qualitativo e focando nas observações que foram anotadas pelos alunos. A análise quantitativa se restringiu a ver se o melhor avaliado foi mesmo o que tinha o maior número de quesitos positivos nas fichas.
Para os estudantes, os questionários serviram como base para uma escolha mais criteriosa. A votação aconteceu oralmente onde cada jovem poderia escolher o trabalho de algum grupo, com exceção do seu próprio. O mais votado foi tido como o material mais abrangente. Essa escolha é também uma estratégia facilitadora no desenvolvimento de um senso crítico frente aos vídeos assistidos.
Detalhes adicionais, e que não poderiam estar presos às opiniões pessoais dos estudantes, foram averiguados através da observação participante. Esta estratégia de coleta de dados permitiu ao docente registrar em cada aula os comportamentos dos sujeitos durante a produção do vídeo, especialmente o interesse dos alunos no desenrolar do trabalho de grupo e as dificuldades manifestadas durante a realização do vídeo. Também permitiu observar os mecanismos pelo qual escolheram as fontes das informações repassadas. A observação participante tinha como instrumento um Diário de campo, no qual as informações brutas eram anotadas para posterior análise.
A entrevista do grupo focal possibilitou uma análise coletiva do andamento da atividade. Em outras palavras, pode-se definir esse recurso como segue abaixo.
Uma vantagem do grupo focal em relação ao questionário reside na premissa de que é possível um esclarecimento maior em relação a determinadas respostas que não tenham ficado claras. A desvantagem é que fatores tais como a timidez podem inibir a expressão de um comentário verdadeiro.
Com o auxílio de uma câmera digital foi registrada no dia 09 de novembro de 2009 a entrevista do grupo focal com 14 estudantes. O critério de escolha dos alunos para esse momento foi o de participar do curso pré-vestibular da escola, realizado no contra-turno, já
Uma técnica de pesquisa na qual o pesquisador reúne, num mesmo local e durante um certo período, uma determinada quantidade de pessoas que fazem parte do público-alvo de suas investigações, tendo como objetivo coletar, a partir do diálogo e do debate com e entre eles, informações acerca de um tema específico (NETO, MOREIRA & SUCENA, 2002, p.5) .
que havia pelo menos um representante de cada equipe entre este grupo já existente. Importa registrar que o curso pré-vestibular é gratuito e oferecido aos alunos que conseguem boas notas e que não apresentam problemas de indisciplina.
O silêncio entre os entrevistados facilitou a filmagem, não interferindo nas falas dos alunos. Eles responderam a questionamentos de forma comparativa, da mesma forma como se deu a elaboração dos minidocumentários e dos vídeos de apresentação das paródias. A dinâmica do grupo focal consistia em cada pergunta ser respondida por todos os alunos presentes em sequência, permitindo, contudo, comentários pelos demais. As perguntas da entrevista foram:
1) Vocês consultaram alguma bibliografia prévia ou fonte de informação?
2) Qual a sensação de saber que a filmagem está na internet? 3) Vocês acreditam que o vídeo pode ajudar outras pessoas a entender o assunto exposto?
4) Alguém já assistiu o vídeo no YouTube? Você acredita que irá revê-lo periodicamente?
5) Todos trabalharam na produção?
Fonte: própria
Utilizando-se desses instrumentos foi possível obter subsídios que nortearam a análise que foi posteriormente realizada. Todos os questionários preenchidos foram guardados.