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ĠKĠNCĠ BÖLÜM TÜRK RESĠM SANATINDA AT TASVĠRLERĠ

críticas que o projeto da DIREITO GV recebeu na sua fase

de elaboração estava relacionada ao fato de que a Escola

ainda não tinha alunos. O curso de graduação havia sido

pensado para um perfil muito específico de aluno, e era

preciso atraí-lo para que o projeto obtivesse sucesso. Eurico

Diniz de Santi, um dos professores, ilustra o tipo de crítica

que o projeto recebeu em sua fase inaugural: “A DIREITO

GV começou a fazer barulho desde o começo: realizava

seminários, divulgava aos quatro cantos seu projeto de

ensino inovador. Em contrapartida, vinham os recados:

‘Consigam os alunos, formem a primeira turma, e então

voltaremos a conversar’”

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.

De fato, o sucesso do curso dependeria muito do engajamento do corpo discente. Um curso que exigisse dedicação integral de alunos e professores e que privilegiasse a adoção de métodos participativos de ensino só geraria os impactos esperados se conseguisse plena adesão das partes envolvidas.

Os alunos integrantes da primeira turma do curso de graduação da DIREITO GV aceitaram plenamente essas condições de ensino, como relata a professora Flávia Portella Püschel: “O início do curso foi marcado por uma certa apreensão. Nossa expectativa era grande, já que havíamos trabalhamos dois anos sem alunos e não sabíamos como eles reagiriam ao nosso projeto. Logo veio a boa notícia: nossos alunos eram bons”2.

A primeira turma selecionada para o curso de graduação tinha como marca a diversidade de perfis. Essa diversidade se revelaria mais ampla do que nas turmas subsequentes, já que abrangia não só a na- turalidade, mas também a idade e a formação educacional dos alunos. Luís Antônio Gonçalves de Andrade, aluno da primeira turma, assim percebeu essa diversidade: “A nossa turma, comparada com as outras que vieram depois, era sem dúvida nenhuma a mais heterogênea. He- terogênea sobretudo em relação à idade. Nos extremos de idade está- vamos eu, que entrei com 48 anos, e o Vitor, que entrou com dezesseis e que é, por sinal, um dos meus melhores amigos na Escola. Nessa turma havia de tudo: gente que que havia saído do colégio direto, gente que havia feito cursinho, que havia começado outro curso uni- versitário, gente que havia iniciado Direito em outras Escolas, e gente como eu, que já tinha outra formação”3.

Gustavo Akkerman também ressaltou a diversidade da sua classe: “Na minha turma havia uma heterogeneidade muito rica e interes- sante. Havia pessoas mais velhas, pessoas de outros Estados, pessoas com histórias de vida diferentes. Nas outras turmas, a maioria dos alunos tinha um perfil parecido com o meu; estudante de São Paulo, que havia freqüentado colégio de elite e que tinha prestado o vestibu- lar pela primeira vez”4.

Jocimar Archangelo, coordenador do vestibular da Escola, apre- senta razões para a heterogeidade dos selecionados: “O primeiro ves- tibular atraiu estudantes que estavam em busca desse tipo de curso. Lembro-me de ter conversado com uma aluna que me disse que há muito tempo procurava no mercado um curso como o da FGV. Ela

enxergou na proposta da DIREITO GV o curso que esperava. Havia, portanto, uma demanda reprimida de pessoas mais maduras – que sa- biam exatamente o que queriam – e que estavam esperando por um curso como o que a Fundação Getulio Vargas estava oferecendo”5.

A partir do vestibular seguinte, em 2006, os alunos selecionados re- velaram-se mais jovens. A diversidade regional, no entanto, continuou, como observa a professora Luciana Gross Cunha: “Vejo de forma ex- tremamente positiva que as turmas da DIREITO GV tenham alunos de outras regiões do Estado de São Paulo e do país como um todo. Embora tenhamos muitos alunos paulistanos, nós temos também alunos de vá- rias cidades do interior de São Paulo e de outros Estados do país. Essa diversidade gera um impacto imediato e muito positivo nas minhas aulas de Política e Instituições Brasileiras, que passam a contar com re- latos de experiências da vida política regional”6.

A primeira turma a ingressar na DIREITO GV é reconhecida tam- bém por ter tido, desde o início, um excelente desempenho acadêmico. A maturidade dos primeiros alunos refletiu-se no desempenho escolar da turma e na participação dos alunos na consolidação do projeto. Essa percepção é confirmada pela professora Flávia Portella Püschel:

Prédio da sede da DIREITO GV, localizado na rua Rocha, nº 233

“Os alunos da primeira turma eram muito maduros e tiveram uma atuação excepcional. Vários deles já haviam tido alguma experiência universitária, inclusive em outras faculdades de Direito. Houve casos de alunos que também haviam sido aprovados no vestibular da USP, mas que optaram pela DIREITO GV. Essa turma se comprometeu ex- traordinariamente com o projeto. De certa forma, os alunos mais ma- duros inspiraram os mais novos. Estes percebiam que os mais experientes não estavam na Escola para brincadeira. Isso contribuiu para que a turma se tornasse muito motivada”7.

Havia um sentimento difuso de que o sucesso da Escola recém- inaugurada dependeria do desempenho e participação da turma inau- gural na construção do projeto, como relata o aluno Gustavo Akkerman: “Desde o início eu tive um desempenho destacado porque achava que era importante para a minha carreira. Além disso, achava também que o projeto da DIREITO GV, por ser novo, dependia muito do desempenho dos seus alunos. Quase todo mundo da minha turma pensava assim. Achávamos que se não abraçássemos o projeto, ele não daria certo. Nós incorporamos fortemente essa idéia”8.

Para além do bom desempenho acadêmico, os alunos deram sua contribuição nas discussões sobre o desenvolvimento e aperfeiçoa- mento do curso. Adriana Ancona de Faria, coordenadora de gradua- ção da DIREITO GV, enfatiza o protagonismo dos alunos no acompanhamento e avaliação do seu projeto pedagógico: “Logo no início das aulas, percebemos muito claramente que as discussões sobre inovação metodológica, sobre renovação do ensino, não eram apenas objeto de um discurso cristalizado em documentos institucionais. Os alunos também se apropriaram dessa discussão, exercendo um papel importante na análise e aprimoramento do curso”9. O aluno Daniel

Tavela Luís confirma esse papel exercido pelo corpo discente: “Desde o começo, ficou muito claro para nós, estudantes, a posição da dire- ção e da coordenação. Ambas diziam que nós estávamos formando a DIREITO GV e que a Escola seria aquilo que nós fizéssemos dela. Dessa perspectiva, sempre houve muita abertura para críticas e con- versas sobre questões que nos geravam desconforto. Claro, exercía- mos essa função crítica sem romper com as estruturas fundantes do PDI. Paulatinamente, fomos criando instituições representativas. Par- ticipamos diretamente, ou por meio de representantes, dos diversos espaços de acompanhamento e avaliação da Escola. A criação do

Centro Acadêmico inseriu-se nesse contexto. Sou um aluno, um uni- versitário, mas não assisto apenas aula. Eu participo da construção dessa Escola”10. Gustavo Akkerman também compartilha dessa per-

cepção: “Na Escola tudo é muito transparente, há efetiva comunica- ção entre alunos, professores e coordenação do curso. A DIREITO GV está atenta às nossas demandas, compartilha conosco o planeja- mento do curso. Nós também fazemos parte da construção dessa Es- cola, o que é muito positivo”11.

O direito de participar da construção do curso foi exercido acen- tuadamente pela primeira turma, como observa o aluno Luís Antônio Gonçalves de Andrade: “Costumo dizer que somos os limpa-trilhos da Escola. Nesse aspecto, o pessoal que está atrás possui vantagens em relação a nós. Os professores montaram o material didático, mas não sabiam se iria funcionar. Participamos, portanto, desse processo de experimentação. Há um aspecto negativo, pois em alguns momen- tos a aplicação desse material não funcionou. Por outro lado, exerce- mos um papel crítico que contribuiu para o aperfeiçoamento do curso. Com a nossa participação, o curso teve ganhos, que algumas vezes não nos beneficiaram diretamente, mas que certamente foram provei- tosos para as turmas seguintes”12.

Para reforçar ainda mais a participação discente nos espaços ins- titucionais dentro da Escola, os alunos criaram, já no primeiro ano de curso, um Centro Acadêmico. Diferentemente das Escolas de Econo- mia e de Administração da Fundação Getulio Vargas, que comparti- lham o mesmo Diretório Acadêmico, os alunos da DIREITO GV optaram por criar um espaço de representação discente próprio. O aluno Daniel Tavela Luís, um dos criadores do Centro Acadêmico, narra esse processo: “Quando entramos na Escola, em 2005, recebe- mos um convite para ingressarmos no Diretório Acadêmico, órgão de representação discente das Escolas de Administração e da Economia da Fundação. Os alunos da Escola de Economia, que também é uma Escola nova, haviam optado por fazer parte do Diretório Acadêmico criado pela EAESP e tentaram nos convencer a fazer o mesmo. Foi então que eu e o Dalton Tria Cusciano lideramos um movimento para criar um Centro Acadêmico próprio. Achávamos que a DIREITO GV tinha uma perspectiva diferente, com demandas diferentes. Com base nisso, fizemos uma votação e a proposta de criar um Centro Acadê- mico próprio conseguiu uma vitória esmagadora”13.

Para além dos canais institucionais em que os atores devem atuar de forma compartilhada para o aperfeiçoamento da Escola, alunos e professores criaram uma forma inovadora de se relacionar. O fato de os alunos e boa parte dos professores se dedicarem integralmente à ins- tituição permitiu que ambos estabelecessem uma relação muito próxima e não hierarquizada. O aluno Diego Nabarro, da terceira turma da DI- REITO GV, ressalta a importância dessa aproximação: “Um ponto que para mim é extremamente importante é a disponibilidade dos profes- sores. As conversas fora do ambiente de sala de aula fazem parte do nosso cotidiano. Isso é muito importante. Muitas vezes permanecemos na Escola para estudar ou preparar trabalhos e o fato de podermos des- cer dois andares para solucionar dúvidas e discutir idéias com os pro- fessores torna o nosso aprendizado muito mais estimulante”14.

No que diz respeito ao sistema de tutoria, pensado para estreitar laços entre professores e alunos, a percepção do corpo discente é a de que ele tem sido pouco aproveitado na Escola. Adriana Ancona de Faria descreve o papel do professor-tutor: “O professor-tutor deve dar suporte por iniciativa própria ou por provocação do aluno a temas transversais, que não digam respeito ao domínio propriamente dito das disciplinas. O professor deve, portanto, lidar com problemas do aluno, como dificuldades que ele esteja enfrentando para estudar, in- certezas sobre vocação profissional, dificuldades de adaptação ao curso, questões comportamentais, etc”15.

Na prática, os alunos preferem aproximar-se informalmente dos professores com os quais têm mais afinidade. Eles não se aproximam necessariamente dos professores formalmente designados como seus tutores. Essa é a percepção do aluno Diego Nabarro: “A maioria dos alunos não sabe muito bem qual é o papel do tutor. Pelas conversas que tivemos com a Adriana, ficamos sabendo que o tutor é o respon- sável, por exemplo, por se dirigir ao aluno quando este apresenta algum problema de desempenho, identificado e debatido em conselho de classe. O tutor é também aquele professor que se coloca à disposi- ção do aluno para que este exponha sua dificuldade. Na prática, o sis- tema de tutoria não funciona muito bem, porque o tutorado muitas vezes não toma a iniciativa de para bater à porta de um professor com o qual ele não tem uma relação mais próxima. O tutor, por sua vez, nem sempre chama o tutorado para conversar, para discutir sobre o seu desempenho acadêmico”16.

Quanto ao desempenho dos alunos nesses cinco primeiros anos de funcionamento da Escola, o diagnóstico geral é o de que os alunos tem respondido positivamente às demandas do curso. Embora as tur- mas apresentem diferentes graus de maturidade, o aproveitamento acadêmico tem sido considerado satisfatório em todas elas. Para o professor Theodomiro Dias Neto, essa uniformidade no desempenho é garantida pelas características do curso da DIREITO GV: “O grande diferencial da instituição é ter apenas 50 alunos. Isso muda tudo. Você tem 50 alunos, com foco em cima deles em tempo integral e, uma vez por semana, contato direto com 25 alunos. Isso permite ter um con- trole do desempenho de cada aluno e da qualidade da aula”17.

A segunda turma da DIREITO GV, que ingressou em 2006, reve- lou-se inicialmente uma turma mais imatura e dispersa em relação à anterior. Alguns dos alunos ingressantes em 2006 tiveram dificuldades de adaptar à proposta de ensino e às exigências acadêmicas do curso. Como conseqüência, essa turma teve uma perda de 20% dos seus alu- nos, como decorrência de reprovação ou desistência. Com o passar do tempo, no entanto, essa turma parece ter amadurecido com o pro- cesso, como relata o professor Eurico Diniz de Santi: “A segunda turma que ingressou na Escola, diferentemente da primeira, era mais homogênea. Talvez ela tenha sido homogeneizada ao longo do curso, onde apenas 39 dos 50 alunos chegaram ao terceiro ciclo, em 2008. São todos sobreviventes que aprenderam a lidar de forma muito po- sitiva com o desespero. Tanto foi assim que o curso que eu dei para esses alunos foi extremamente bem sucedido”18.

O aluno da DIREITO GV, independentemente da turma da qual faça parte, é considerado pelos seus professores como criativo, crítico e participativo. Para Luciana Gross Cunha: “O aluno da DIREITO GV é daquele tipo que sempre desconfia de tudo. Ele não aceita ar- gumentos prontos e procura sempre pensar diferente da maioria. Nesse processo, aprendo muito com os alunos. Eu acompanhei todas as turmas que ingressaram na Escola, já coordenei alguns grupos de estudo extra-classe, e posso afirmar que não existe limite para a cria- tividade desses alunos. Isso deve servir de alerta para nós, professo- res, que temos que ter um pouco de cuidado para que eles não extrapolem a desconstrução do Direito.”19Esse espírito crítico tam-

bém é percebido pelo aluno Luís Antônio Gonçalves de Andrade: “Na Escola, os alunos são muito críticos. Não há uma tendência de

aceitar o que é colocado. Ao invés de procurar as qualidades, os alu- nos procuram defeitos - o que não deixa de ser interessante. O risco é nos tornamos um pouco petulantes”20.

As críticas não recaem apenas sobre idéias e instituições alheias. Os alunos também criticam a instituição em que estudam, como ob- serva Daniel Tavela Luís: “Acredito que a autocrítica seja um pilar fun- dante da DIREITO GV. Aprendemos isso já no primeiro ano, quando a coordenação de graduação e os professores nos diziam: -‘Critiquem. A instituição não é sólida? Não tem importância. Ela sempre terá o que melhorar, por isso jamais deixem de exercer a autocrítica’”21.

A

tarefa de harmonização de conteúdos das

Benzer Belgeler