A importância ou “popularidade” que os membros da rede social da adolescente têm na vida dela é estudada através da medida denominada centralidade de grau. O suporte material e, em parte, o suporte de cuidado estão relacionados com a centralidade das pessoas. No caso do suporte material, observa-se que as pessoas que dão algum item para a criança apresentam maior centralidade (FIG. 9). Já no suporte de cuidado, há especificidades. As pessoas que participam na rede de suporte de cuidado têm maior centralidade, principalmente, as que cuidam de segunda a sexta-feira, seja na ausência ou na presença da adolescente (FIG. 10). A relação entre centralidade e participação no cuidado nos fins de semana não é tão clara.
FIGURA 9 – Centralidade dos membros da rede social das mães adolescentes segundo a entrega, ou não, de
ao menos um item de suporte.
Fonte: Pesquisa de campo. Quito, oct/2013 a jan/2014
FIGURA 10 – Centralidade dos membros da rede social das mães adolescentes segundo seu pertencimento à
rede de cuidado de segunda a sexta-feira
Fonte: Pesquisa de campo. Quito, oct/2013 a jan/2014
Apesar do mencionado, é importante indicar que existe uma exceção naquela relação entre centralidade e suporte. Há um tipo de atores que, mesmo dando suporte material, apresentam menor centralidade, os familiares do pai (FIG. 11). Como a literatura ressalta, o suporte é comumente dado pela família da mãe adolescente, com quem a jovem tem laços estreitos. Nesse sentido, a família do pai se constitui em um ator atípico na rede, pois, geralmente, as relações entre a adolescente e a família do pai são mais distantes, e os afetos menos intensos. Se compararmos a centralidade de pessoas da família da adolescente, com a família do pai nos sociogramas, vemos que os vínculos de parentesco dela ocupam uma parte
0 20 40 60 80 10 0 Não Sim 0 20 40 60 80 10 0 Não Sim
mais central do gráfico, comparado com a família do pai (FIG. 12). Esta relação também se observa quando se trata do suporte de cuidado.
FIGURA 11- Centralidade entre aqueles que dão suporte, segundo pertencimento ou não à família do pai 16
Fonte: Pesquisa de campo. Quito, oct/2013 a jan/2014
Os sociogramas de algumas adolescentes mostram que a família de origem do pai forma um subgrupo de relações ou clique, mas existem poucos ou nenhum vínculo entre eles e o resto da rede da adolescente. A literatura ressalta a utilidade destas características da rede, principalmente para a diversificação de pontos de vista ou a circulação de nova informação (BOGARTTI et al. 2013; KADUSHIN, 2012). Mas, no caso das redes das adolescentes, esses cliques contêm recursos materiais e de tempo que circulam até a criança. Pela sua relação com a mãe adolescente, o pai conecta esses cliques com a rede da jovem, sobretudo nos casos em que existe vínculo afetivo na díade pai-mãe adolescente. Assim, se mobilizam recursos através das suas relações de parentesco, especialmente da sua família de origem. A FIG. 13 exemplifica este caso.
16 Este gráfico faz referência à família do pai, mas exclui o pai, pois, geralmente, o pai tem mais
centralidade na vida da adolescente que a família dele.
0 20 40 60 80 10 0
FIGURA 12- Rede egocentrada e rede de suporte material da E20
Sexo Existência de vínculo Homem
Mulher
Sim Não Vínculo afetivo com o pai Relação com a criança
Sim Não FOM FEM Pa FOP FEP AM IM AP
Família de origem da mãe adolescente Família estendida da mãe adolescente Pai
Família de origem do pai Família estendida do pai Amigos da mãe adolescente Vínculo institucional da mãe adolescente Amigos do pai
Distância espacial com a mãe adolescente Mesmo domicílio
Mesmo bairro Outro bairro Outra cidade Outro país
Fluxo de suporte Vínculo de consanguinidade Sim
Não
* ** ***
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente Vínculo de consanguinidade de 1º grau do pai
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente e do pai
FIGURA 13- Rede egocentrada e rede de suporte material E39.
De forma diferente ao que acontece com a família do pai, existe sim uma relação entre o suporte e a centralidade unicamente dele na rede da adolescente. O pai tende a apresentar maior centralidade, quando ele ou sua família contribui com maior variedade de itens (FIG. 14). Foram observadas as centralidades do pai por cada item. Os valores de centralidade do pai são mais altos quando ele contribui com alimentação e moradia.
Sexo Existência de vínculo Homem
Mulher
Sim Não Vínculo afetivo com o pai Relação com a criança
Sim Não FOM FEM Pa FOP FEP AM IM AP
Família de origem da mãe adolescente Família estendida da mãe adolescente Pai
Família de origem do pai Família estendida do pai Amigos da mãe adolescente Vínculo institucional da mãe adolescente Amigos do pai
Distância espacial com a mãe adolescente Mesmo domicílio
Mesmo bairro Outro bairro Outra cidade Outro país
Fluxo de suporte Vínculo de consanguinidade Sim
Não
* ** ***
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente Vínculo de consanguinidade de 1º grau do pai
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente e do pai
FIGURA 14- Centralidade do pai e variedade de itens entregues por ele ou sua família de origem
Fonte: Pesquisa de campo. Quito, oct/2013 a jan/2014
Também nos casos em que ele contribui com o cuidado de segunda a sexta-feira, durante a presença ou ausência da mãe adolescente, eles apresentam maior centralidade. Assim, ele tem vínculos com a família de origem da mãe adolescente e, em alguns casos, com a família estendida dela (FIG. 15).
Não foi possível concluir se o pai tinha alta centralidade antes de dar o suporte ou se, a partir do envolvimento com a criança, ele estabelece vínculos com a rede social da adolescente. Porém, há vários casos em que foi observado que esses vínculos existiam antes da gravidez. Uma das entrevistadas, por exemplo, indicou que ela tinha estreitos laços com família do pai e ele, por sua vez, com a família da adolescente antes de engravidar.
No caso de outra entrevistada, existem vínculos entre a família do pai e a família da adolescente. Estes laços respondem, por um lado, à proximidade física que facilitou que as famílias se conhecessem, ou que existem relações de parentesco entre as duas famílias. Assim, o pai do pai (avô paterno da criança) é, por sua vez, o padrasto da adolescente (FIG. 16). Em casos como esses, é possível pensar que o compacto sistema de relações em que o pai está inserido o compromete a responder com o suporte material ou de cuidado.
0 20 40 60 80 10 0 0 1 2 3 4 5 Variedade de itens degree Fitted values
FIGURA 15- Rede egocentrada e rede de suporte de cuidado, na ausencia da mãe adolescente de segunda a sexta-feira da E14
Sexo Existência de vínculo Homem
Mulher
Sim Não Vínculo afetivo com o pai Relação com a criança
Sim Não FOM FEM Pa FOP FEP AM IM AP
Família de origem da mãe adolescente Família estendida da mãe adolescente Pai
Família de origem do pai Família estendida do pai Amigos da mãe adolescente Vínculo institucional da mãe adolescente Amigos do pai
Distância espacial com a mãe adolescente Mesmo domicílio
Mesmo bairro Outro bairro Outra cidade Outro país
Fluxo de suporte Vínculo de consanguinidade Sim
Não
* ** ***
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente Vínculo de consanguinidade de 1º grau do pai
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente e do pai
FIGURA 16- Rede egocentrada e rede de suporte material da E24
Sexo Existência de vínculo Homem
Mulher
Sim Não Vínculo afetivo com o pai Relação com a criança
Sim Não FOM FEM Pa FOP FEP AM IM AP
Família de origem da mãe adolescente Família estendida da mãe adolescente Pai
Família de origem do pai Família estendida do pai Amigos da mãe adolescente Vínculo institucional da mãe adolescente Amigos do pai
Distância espacial com a mãe adolescente Mesmo domicílio
Mesmo bairro Outro bairro Outra cidade Outro país
Fluxo de suporte Vínculo de consanguinidade Sim
Não
* ** ***
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente Vínculo de consanguinidade de 1º grau do pai
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente e do pai
FIGURA 17- Rede egocentrada e rede de suporte de cuidado E24, na ausência da mãe adolescente de segunda a sexta-feira.
Ao ser analisada a centralidade do pai com relação à centralidade de outras pessoas da rede adolescente encontraram-se algumas associações (FIG. 18). Existe uma relação negativa entre a centralidade da avó materna e o pai, quando a jovem mora com seus pais (FIG. 18a). Esta mesma relação se torna positiva se a entrevistada mora sem pai nem mãe (FIG. 18b).
Sexo Existência de vínculo Homem
Mulher
Sim Não Vínculo afetivo com o pai Relação com a criança
Sim Não FOM FEM Pa FOP FEP AM IM AP
Família de origem da mãe adolescente Família estendida da mãe adolescente Pai
Família de origem do pai Família estendida do pai Amigos da mãe adolescente Vínculo institucional da mãe adolescente Amigos do pai
Distância espacial com a mãe adolescente Mesmo domicílio
Mesmo bairro Outro bairro Outra cidade Outro país
Fluxo de suporte Vínculo de consanguinidade Sim
Não
* ** ***
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente Vínculo de consanguinidade de 1º grau do pai
Vínculo de consanguinidade de 1º grau da mãe adolescente e do pai
FIGURA 18- Relação entre centralidade da avó materna e o pai, segundo o arranjo familiar da adolescente
a) Adolescente mora com pai e mãe b) Adolescente mora sem pai nem mãe
Fonte: Pesquisa de campo. Quito, oct/2013 a jan/2014
Pode-se pensar em possíveis explicações desses dois tipos de associação. A relação positiva pode ser interpretada como segue. É possível que, quando a adolescente mora com seus pais, e eles têm relações compactas com outros laços da mãe adolescente, ela não veja a necessidade de estreitar suas relações com familiares e amigos do pai da criança, reduzindo assim a centralidade dele. Já a relação negativa pode ser explicada assim: quando a adolescente sai de casa e mora com o pai da criança, ela estabelece vínculos com os laços dele. Nestes casos, quando os pais da adolescente têm alta centralidade, ela aproxima o seu parceiro (o pai da criança) à família dela, aumentando desta forma a centralidade do pai.