George Herbert Mead, psicólogo social e pragmatista americano, desenvolveu seus estudos sobre a sociedade no objetivo de compreender os significados que os indivíduos vão estabelecendo na interação com as coisas e fatos sociais para sua realidade na vida social. Para Mead, o ator social não é passivo, mas um indivíduo que realiza um percurso interior entre o “eu” social e o “eu” interior para as escolhas significadas e compartilhadas (self). A ação para Mead, é dotada de sentido na medida em que o indivíduo, sentindo seu mundo de objetivos e ideais pertencentes aos significados dos outros membros da comunidade da qual faz parte, se percebe nela pertencente.
O que singulariza o Interacionismo Simbólico meadiano dos demais campos teóricos do saber são os elementos que Mead utiliza para explicar a interação social: o mundo das mediações. Nenhuma relação existe sem mediações. Os nazi-facismos necessitaram de ideólogos que significassem suas ideologias; necessitaram justificá-los de forma eficaz e persuasiva de modo que os alemães significassem a ideologia Hitlerista como a única capaz de salvar a Alemanha do estado de alijamento e miséria que se encontrava. Mead nos fala em um mundo no qual as ações só têm significados se inseridas na cooperação social entre os interesses pessoais e os da comunidade. Como somos indivíduos socialmente produzidos, nossas condutas e interesses, não necessariamente iguais, porém, coetâneos em momentos de alianças, são permeados pelo sistema de referências dessa comunidade.
O Interacionismo Simbólico Meadiano ao afirmar que as coisas têm significado para o indivíduo na medida em que estas respondem às suas expectativas, não refere-se ao indivíduo isolado, mas ao indivíduo social. Indivíduo que apreende seus significados na dinâmica da estrutura social valorativa vigente. Seu sistema valorativo, portanto, não encontra-se dissonante do processo sócio-histórico da comunidade que lhe origina. A ação para o Interacionismo Simbólico é mediada pelos significados compartilhados que o indivíduo pode retirar/satisfazer para suas expectativas de vida.
O sentido é o significado do alcance de objetivos presentes no universo da comunidade dada; o sentido é o significado de satisfação alcançado através das interrelações estabelecidas para o objetivo visado. O sentido é o encontro interativo entre o “eu” interior com o “me” social no processo social: primeiro, através do impulso potencial da idéia; segundo, através da percepção da ordenação da idéia – interação - para a ação; terceiro, atribuição de valor à idéia organizada, realizada e satisfatória, a significação foi realizada.
Aqui entendemos o que Mead chama de “outro generalizado”, cujo significado é a capacidade de conviver com o outro, compreender suas necessidades e objetivos; colocar-se, enfim, na situação do outro de forma cooperada. A grande questão do “outro generalizado” é a grande dificuldade em como realizar o pertencimento com reconhecimento, como nos diz Honneh (2003). A análise científica sobre o universo das sociabilidades, de como compreendemos e compartilhamos as questões do amor, do direito, da ciência e da solidariedade na democracia participativa têm constituído objeto de estudo de praticamente toda a ciência que se dedica ao estudo dos indivíduos na sociedade.
Entretanto, cada um de nós possui uma multiplicidade de “sentires” e “saberes”, pertencemos a grupos, instituições e sociedades estratificadas pelo mundo segregador do capitalismo e do status social; mais ainda, impressos de nossas socializações primária e secundária, que podem ser solidária ou repressora, a vida em sociedade exige a “repressão” do
ser ao dever ser. Mead não nega o dever ser. Pelo contrário, é um defensor da conduta social
organizada. O que ele nos convida a pensar é sobre o outro como indivíduo que também pensa, tem ideais, interesses e significados.
O Interacionismo Simbólico meadiano defende que como indivíduo social organizado, o próprio indivíduo, a partir das modificações que esse social vai estabelecendo advindas das mediações e interações que vai realizando e à medida que vai interagindo com os outros e o ambiente modifica também sua conduta. Assim terá alcançado o self do processo social do qual faz parte, que é a conduta social da comunidade internalizada no individuo. Os significados, então, são todos elaborados através do “me” social: internalização, socialização, mediação, interação social, e cooperação, constituem, pois, os elementos que possibilitam a formação do self para a vida cooperada e significada.
Todo o arcabouço teórico de Mead está ancorado no estudo da ação e da relação social sobre três dimensões: a ciência, a psicologia social, e a democracia participativa. Dessa forma as instituições, como formas organizadas da sociedade, constituem para Mead, formas de ‘ordenar’ as condutas compartilhadas não se distanciando do pensamento de Weber e Pêcheux sobre as instituições:
Thus the institutions of society are organized forms of group or social activity- forms so organized that the individual members of society can act adequately and socially by taking the attitudes of others toward these activities. [...] In any case, without social institutions of some sort, without the organized social attitudes and activities by wich social institutions are constituted, there coul be no fully mature individual selves or personalities at all; […]. Social institutions, like individual selves, are developments within, or particular and formalized manifestations of, the social life-process at its human evolutionary level (MEAD, op cit, p. 261-2).34
“União” e “instituição” são ambas associadas com ordens racionalmente estatuídas (seguindo um plano). Ou, mais corretamente: uma associação, na medida em que
tenha ordens racionalmente estatuídas, chama-se, em nossa terminologia, “união” ou
34 As instituições da sociedade são formas organizadas da atividade social ou coletiva- formas tão organizadas
que os membros individuais da sociedade podem agir adequada e socialmente assumindo a atitude dos outros em relação a essas atividades. [...] sem instituições sociais de algum tipo, sem atitudes e atividades sociais organizadas pelas quais as instituições são constituídas não poderia haver selves individuais ou personalidades completamente maduras de forma alguma [...] As instituições sociais como os selves individuais são desenvolvimentos dentro do processo de vida social no seu nível evolucionário humano ou são manifestações particulares e formalizadas do mesmo.
“instituição”. Uma “instituição” é sobretudo o próprio Estado junto com todas suas associações heterocéfelas e – desde que suas ordens estejam racionalmente estatuídas – a igreja. As ordens de uma “instituição” pretendem vigência para toda pessoa à qual se aplicam determinadas características (nascimento, domicílio, utilização de determinados serviços), sendo indiferente se pessoalmente se associou – como no caso da união – ou não e, menos ainda, se participou ou não na elaboração dos estatutos. São, portanto, ordens impostas, no sentido específico da palavra. A instituição pode ser especialmente uma associação territorial (WEBER, 1999, p.33).
É, pois, porque já existe um discurso institucionalmente garantido sobre o objeto que o analista pode racionalizar o sistema de traços semânticos que caracterizam este objeto: o sistema de análise terá, portanto, a idade teórica (o nível de desenvolvimento) da instituição que é sua norma, e permitirá definir a posição de um conteúdo particular em relação a esta norma (PÊCHEUX apud GADET & HAK (org):1990, p.69).
Para Mead, a sociedade é compreendida na atitude interativa que os indivíduos empreendem na ação social dentro ou conforme o sistema valorativo da sociedade organizada. Dessa forma, não se distancia de Pêcheux para o qual é a sociedade saber-poder que fornece as relações de força e as condições de produção, veiculação, persuasão e arregimentação para a atividade social. Nessa teia relacional, a linguagem desempenha papel fundamental.
A linguagem constitui elemento fundamental no processo de socialização, interação e mediação. É na linguagem que os indivíduos trocam experiências; seja verbal, visual, gestual ou simbólica, a linguagem, sendo sujeita às condições dos atores sociais apresenta variações no espaço, na hierarquia social, é heterogênea e sujeita aos contextos de uso.
Mead, assim como Weber, também trabalha com a esfera de valores e fins na sociedade. O que singulariza a percepção de sentido em Mead em relação a Weber é a questão do uso da simbologia e gestos como elementos para a interação social. Dessa forma, Weber compreende a sociedade como uma construção histórico-social na qual a cultura, elemento mediador e mediada entre a ciência, política, economia, religião, costumes e valores, maneiras de compreensão e organização da vida social com maior demonstração de como essa ciência, política e economia são expressas na religião, nos costumes e valores na apreensão do “real” dessa dada realidade.
Em Weber, é a ação e relação social dotada de valores e fins que determina o processo da atividade da interiorização dos padrões vigentes em uma dada sociedade cuja dominação apresenta-se sob variadas esferas nas quais o carisma e os diversos tipos de
interesses desempenham papel fundante na política, na econômica, na religião, na vida afetiva.
Outra singularidade de Mead, quanto a Weber, reside na questão do tipo e formas de socialização. Na primeira socialização, que é a família, recebemos nossas primeiras valorações sobre religião, conduta e cultura; na segunda socialização, recebemos os padrões e regras de conduta na diversidade da sociedade e das instituições que fazemos parte.
Os sentidos, interesses e significados vão sendo construídos nesse mundo de interfaces: o sistema normativo/disciplinar da família, da instituição, da ciência e da religião.
Sentidos produzidos como nos afirma Mead para uma ação socialmente delimitada e realizável. Quando Weber nos fala do “controle da interpretação compreensiva do sentido,
pelo resultado no curso efetivo da ação”, encontra consonância no pensamento de Mead
quando afirma:
Meaning arises and lies within the field of the relation between the gesture of a given human organism and the subsequent behavior of this organism as indicated to another human organism by that gesture. If that gesture does so indicate to another organism the subsequent (or resultant) behavior of the given organism, them it is has meaning. In other works, the relationship between a given stimulus- as a gesture- and the later phases of the social act of wich it is an early (if not the initial) phase constitutes the field within which meaning originates and exists. Meaning is thus a development of someting objectively there as a relation between certain phases of the social act. (MEAD, op cit, p.75-6).35
Mead também empreendeu uma leitura sobre as imagens e as compreende como construções de referenciais identitários reais que podem ser utilizados para o comportamento social nos ambientes de interação social. A imagem, para Mead, sempre contém elementos desejantes pelo receptor, portanto, já presentes em seu sistema sensorial. Dessa forma, a interação do receptor com a imagem apresenta-se como um mundo de possibilidades já internalizadas em sua mente que são ativadas possibilitando-lhe a tomada de atitudes no nível
35 O sentido advém e consiste-se dentro do campo da relação entre o gesto de um determinado organismo
humano e o comportamento subseqüente desse organismo, como indicado a outro organismo humano por aquele gesto. Se aquele gesto realmente indica a outro organismo o comportamento subseqüente (ou resultante) do dado organismo, então, ele apresenta sentido. Em outras palavras, a relação entre um dado estímulo – como o gesto – e as fazes subseqüentes do ato social do qual ele é inicialmente uma fase constitui o campo dentro do qual o sentido se origina e existe. O sentido é, portanto, o desenvolvimento de algo objetivamente existente como uma relação entre ceras fases do ato social.
situacional - contexto sócio-político - e discursivo, mensagens veiculadas pela ideologia dominante.
Na análise da imagem sob a perspectiva interacionista simbólica interessa observar como o emissor apresenta o referente ao receptor, isto é, como o universo do publico alvo é apresentado para a significação que a imagem deseja imprimir; como é despertada a relação de sentido para a persuasão objetivada na imagem em questão.
Portanto, o Interacionismo Simbólico meadiano ao trabalhar o mundo das mediações nas categorias interesse/sentido e do significado/persuasão, oferece cabedal teórico para a propositura da tese que apresentamos, que é a compreensão da representatividade apresentada pela referencialidade persuasiva da imagem nos níveis situacional (momento sócio-histórico) e discursivo (conceituações logisticamente encadeadas). A imagem, portanto, como elemento de atribuição de significados e significação inscreve-se na necessidade de que sua referencialidade deve ser compreendida, portanto, no campo do sentido que lhe origina.
A referencialidade, portanto, constitui elemento capital para nosso empreendimento de pesquisa; pois, se a fotografia apresenta a polissemia como uma de suas características, uma coisa ninguém duvida: a existência real de um referente. Ele estará sempre na fotografia. Alguma pessoa, objeto, paisagem, acontecimento, etc., foram fotografados e permanecerão impressos até sua destruição.
Em Pêcheux, a imagem é sempre portadora da ideologia que a produz, das condições e efeitos de sentido que deseja imprimir. Na análise da imagem sob a perspectiva da análise do discurso pechêutiano é necessário que conheçamos o campo das relações de forças que a produziram; qual memória desejam imprimir no expectador. Pêcheux proporciona a compre- ensão da cadeia relacional para a produção de sentido objetivada, sempre no mundo da ideologia. Um mundo que sublima as diferenças de classe, etnia e religião sob o falso signo da tolerância da diversidade em nome da universalidade da igualdade e da liberdade. Em nossa concepção esta é a forma mais perversa e perigosa da ideologia, a que se apresenta como um conjunto de direitos universais quando na realidade as particularidades estão muito bem preservadas.
A conversa, pois, entre Mead e Pêcheux não só é possível, como apresenta elementos revigorantes para a compreensão da tríade interesses-sentidos e significados no interior da atitude relacional assim como proporciona conhecer como individuo, ambiente e sociedade
são cotidianamente justificados da importância da interação para a conduta na vida organizada em sociedade.
Especificamente quanto à analise imagética, o diálogo entre os dois autores toma relevância na medida em que, tanto Mead, ao defender a questão do significado e do sentido que as coisas têm para as pessoas, os referenda na conduta social organizada na qual instituições, valores e crenças não podem ser alijados do estudo posto serem elementos da própria conduta social; quanto Pêcheux, ao explicitar os elementos/mecanismos que definem a linguagem como discurso, apresentam possibilidades de melhor compreender as mediações como elemento importantíssimo para a fabricação de significados e interesses em questão. É, pois, no sentido do discurso que as interações acontecem.
Michel Pêcheux, assim como Mead, compreende o sentido como produção de significados na estrutura social. Assim como Mead, Pêcheux nos fala em sujeitos da ação, relação e da interação na condução da comunidade; sua singularidade reside, no entanto, em situar sua ênfase nas estruturas de relação de poder. Assim como Mead, Pêcheux compreende que as ações e relações encontram-se permeadas pelo sistema valorativo da comunidade. Mead e Pêcheux, percebem o sentido que é elaborado pelos saberes-poderes no plano do discurso. Trata-se de compreender o sentido como uma cadeia de significados dentro da estrutura social que, para Pêcheux encontra-se imbricada em uma estrutura discursiva de ação, de assujeitamentos dos sujeitos sociais ao discurso dominante da comunidade.
Para Pêcheux, tal qual Mead, os elementos que fornecem as bases para esse assujeitamento encontram-se nas formas em como as relações sociais são ou vão sendo estabelecidas segundo objetivos comuns que se ‘aliam’ no objetivo de elaborar um discurso valorativo e normatizador das condutas sociais segundo o sistema referencial dos saberes- poderes dessa comunidade ou sociedade. São as relações de força no embate com a idéia- motivo e de sentido, que também encontramos em Mead nos termos dos embates entre o “eu” individual e o “me” coletivo para com o sistema valorativo da comunidade, deles entre si, assim como com as instituições, constituem o cerne da luta pelo campo da instalação de um discurso homogeneizante e, portanto, portador de um sistema valorativo e normativo nos moldes da ideologia no poder dessa dada sociedade.
Max Weber, assim como Pêcheux não elaborou uma teoria sobre a imagem, mas sobre a representação como “meio e fim” (Weber: op cit; p. 5) com sentido objetivo e
subjetivamente visado “precisos”. A imagem, na perspectiva weberiana, pode ser interpretada através da prática dos tipos ideais que Weber tão bem nos apresentada quanto aos gestores da sociedade. Não é preciso tecer comentários sobre o vasto mundo da persuasão carismática realizada por líderes e partidos políticos, chefes religiosos ou por qualquer outra entidade representativa. Todos utilizam a legitimidade da representatividade com mecanismo de domi- nação na qual a representatividade do cargo lhes confere a autoridade presumida.
Toda forma de discurso evidencia-se como uma verdade. Seja impresso em jornais e revistas; sonoro, através do rádio, telejornais, internet; e imagético, fotografias e documenta- rios, apresenta-se enquanto detentor de uma legitimidade dos agentes que o elabora. O que determina, porém, sua validade como documento36 histórico depende do agente e propósito de
sua criação, uso, fato que trata, contexto de sua elaboração, significado e significação. Pode ainda ser um constante resignificar na medida em que esse documento responde às questões que se lhes fazem no presente e ótica do pesquisador que busca nele encontrar “respostas” para a pesquisa que empreende. Ao utilizar aspas na palavra respostas queremos chamar a atenção do pesquisador quanto às perguntas que deve realizar frente ao documento que apresenta-se como detentor de uma verdade. Não se trata de negar ou afirmar a veracidade do documento, mas sim em realizar uma crítica pertinente quanto à exatidão que o documento afirma existir no fato que apresenta.
Nos três autores encontra-se presente a questão do interesse e do sentido, do significado e da persuasão no texto verbal, escrito, imagético e iconográfico. Mesmo apresentando-se aparentemente perceptível, a matriz teórica de cada autor não constitui tarefa tão fácil quanto possa parecer, posto não ser fácil identificar em cada qual somente um elemento em detrimento do outro que o identifique ‘pertencer’ à linha ideológica que apresenta. Entretanto, cada um deles apresenta palavras-chaves que os singularizam; o que é bem diferente afirmar diferencia-os: enquanto Weber utiliza a categoria do carisma como mecanismo persuasivo, Mead utiliza a questão do significado para a ação persuasiva; como cientista e teórico da Analise do Discurso Pêcheux trabalha com a categoria interesse e
sentido.
Nossa análise sobre a ação imagética do Estado Novo (1937-1945) na Amazônia centra-se em realizá-la, conforme anunciado em páginas anteriores, na perspectiva do Intera-
cionismo Meadiano. Já o explicitamos de forma abreviada nas páginas anteriores. A partir de agora o aplicaremos nas análises das imagens no objetivo acima delineado.
Nenhuma outra década, antes da fotografia existir como representante de um “real”, foi tão emblemática no uso da fotografia quanto o período de 1930 a 1945 do século XX. A ascensão de Hitler ao poder em 1933 e o uso político que passa a realizar da fotografia como mecanismo de persuasão e manipulação, explorando o sistema sensorial dos alemães sob o máximo de suas capacidades para a sedução radical; e o desenvolvimento das técnicas da fotografia com o incremento do fotoclubismo e do fotojornalismo37 tornam essas décadas
ímpares no uso da imagem como marketing político.
No Brasil o reinado da fotografia coube ao governo Vargas (1930-1945) (1951- 1954). Juscelino Kubitschek (1955-1960) bem que tentou, mas não conseguiu ‘retirar’ o título de Vargas. Nosso trabalho, porém, não trata sobre uma análise imagética do governo Vargas, para tal há uma longa e variada bibliografia sobre o tema. Nesse sentido veja: Pardini (2009); Nahes (2007); Chaves (2006); Schvarzman (2004); mas de um aspecto desse governo, mais particularmente a análise imagética da ação do Estado Novo na Amazônia no período compreendido entre 1940-1945, por ser neste recorte temporal que a Amazônia é elevada à categoria de eldorado e brasilidade, pertencida econômica e geopolíticamente à Marcha para o Norte e Oeste empreendida pelo governo Vargas.
Toda uma estrutura de pertencimento da Amazônia em relação ao projeto nacional é elaborada para integrá-la economicamente ao capitalismo nacional, ao mesmo tempo que reordena a ocupação do espaço amazônico com o povoamento planejado: refugiados das secas, particularmente o cearense; e desempregados dos grandes centros de então.
A Segunda Guerra Mundial interviria diretamente nos planos do governo estadono- vista para com a região amazônica. O ataque japonês aos países produtores de borracha na Malásia pelos países do Eixo reordena as fontes produtoras dessa matéria-prima e essencial ao esforço de guerra pelos produtos dela fabricados. O Brasil constitui a única porta como