3. VERĠ MADENCĠLĠĞĠ SÜRECĠ
3.1 ĠĢ Sorusunu Anlama
Como antes frisado, em A Evolução Criadora, Bergson afirma que a inteligência fabricadora jamais se detém sobre uma única forma de uma coisa, tomando-a por indefinível, variável e provisória. Assim, a matéria é um imenso tecido que se pode talhar e recoser em diversas partes ilimitadas, representando-a em diversos símbolos. Isso significa que a matéria pode adquirir uma forma indefinida de coisas. Ou seja, a fabricação e a ação têm formas alteráveis.
Segundo Bergson, o homem é um ser essencialmente social e fabricador. A natureza, ao lhe recusar instrumentos já prontos e inatos, deu-lhe a inteligência e o poder de inventar e construir instrumentos, isto é, agir sobre a matéria bruta indefinidamente. Em virtude da ação e da fabricação terem uma forma variável na sociedade humana, é preciso, portanto, uma linguagem cujos símbolos que não são infinitos, sejam extensíveis a uma infinidade de coisas. Assim, o homem inventou a linguagem ou os signos para se comunicar uns com os outros, para organizar o mundo das coisas e dos objetos, de modo que, sem a linguagem, a inteligência teria ficado encravada nos objetos materiais que tinha interesse em considerar, ou seja, teria permanecido exterior a si mesma. Segundo Bergson, a
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linguagem muito contribuiu para libertar a inteligência, pois a palavra se desloca, ou seja, é móvel e livre para ir de uma coisa à outra. Nas palavras do autor:
“É preciso então uma linguagem que permita, em cada instante, passar do que se sabe àquilo que se ignora. É preciso uma linguagem cujos signos – que não podem ser em número infinito – sejam extensíveis a uma infinidade de coisas. Essa tendência do signo a se transportar de um objeto para outro é característica da linguagem humana.”253
Numa palavra, o que caracteriza a nossa linguagem é a mobilidade dos significados em relação aos signos e aos símbolos. Neste sentido, os símbolos fazem com que uma ação comum e coletiva torne-se possível, de maneira que os integrantes de uma sociedade se comuniquem uns com os outros. Nesta senda, a linguagem faz com que ultrapassemos a percepção, pois conseguimos ir da percepção à lembrança e desta a sua representação. E é justamente a capacidade móvel da linguagem que faz com que não tenhamos que nos ater à realidade física das coisas, mas que possamos transportá-las para as ideias ou às representações que fazemos dela.
A linguagem, de certo modo, libertou a inteligência, isto é, ela está a seu favor, uma vez que a emancipou dos objetos e a estendeu à lembrança, à imagem, à ideia, em suma, à representação do objeto antes só percebido. É através dela que a inteligência cria ideias e representações, e desse modo passa então a especular, teorizar. “E sua teoria gostaria de abarcar tudo, não apenas a matéria bruta, sobre a qual tem naturalmente domínio, mas ainda a vida e o pensamento.”254
Noutros termos, foi a construção de um mundo simbólico que permitiu à inteligência ampliar o seu campo de ação. Entretanto nosso intelecto quando compreende a abertura que lhe é intrínseca, não quer mais só agir sobre as coisas,
253 BERGSON, A Evolução Criadora, p. 171. 254 BERGSON, A Evolução Criadora, p. 173.
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quer também especular, teorizar com uma linguagem, que, entretanto, em sua origem, foi produzida para designar objetos, viabilizar a convivência e a ordem social. Será com essa tônica que ela construirá seus instrumentos intelectuais.
Para além disso, quando a linguagem tenta aplicar distinção e clareza às coisas inextensas ou iluminar aquilo que não é da sua alçada, ou seja, que não é matéria, ela acaba seguindo os mesmos hábitos contraídos na operação com a matéria e nesse sentido, fixa os símbolos convencionais e universais para realidades que em si mesmas são múltiplas e mutantes. Consequentemente, a linguagem nos mascara a duração, pois guia-se pelo espaço e nos faz acreditar na invariabilidade dos nossos afetos, das coisas e do movimento do ser em geral. Solidificamos, através da linguagem, nossos afetos, nossas lembranças, enfim, a fluidez do ser, pois a palavra quando se propõe a exprimir um objeto acaba considerando apenas aquilo que ele tem de imóvel e fixo, definindo-o ou contornando-o considerando apenas o que ele tem de estável e de comum. O que assim se erradica são as nuances, as diferenças, a originalidade, a unicidade. Ideia que já irrompe no primeiro livro bergsoniano:
“[...] a palavra com contornos bem definidos a palavra em bruto, que armazena o que há de estável, de comum e, por conseguinte, de impessoal nas impressões da humanidade, esmaga ou, pelo menos, encobre as impressões delicadas e fugitivas da nossa consciência individual.”255
Quando o objeto é voltado para a ação e a ordem social, o recurso das convenções fixas facilita a nossa ação sobre eles. Todavia, não é o que acontece quando transpomos esse modo de agir com a matéria para as coisas inextensas. De acordo com a teoria bergsoniana, foi assim que muitos filósofos desembocaram em erros quando, ao conferir um nome ou um conceito a algo, acreditaram nos informar sobre a sua natureza. “Mas, mais uma vez a palavra pode ter um sentido definido quando designa uma coisa; perde-o assim que é aplicada a todas as coisas. [...] Mas
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quanto mais se aumentar a extensão do termo, tanto mais se diminuirá sua compreensão.” 256
Os conceitos foram criados pela sociedade humana com vista à função prática, e não especulativa. É por isso que, às vezes, um mesmo conceito abrange diversas coisas ou diversos significados. Representamos um número indefinido de coisas sob o mesmo nome, de modo que agrupamos numa única palavra diversas coisas. Aquilo que Bergson chama de ideias gerais – representações que agrupa um número indefinido de coisas sob o mesmo nome - nascem relativas à comodidade do individuo, da linguagem e da sociedade. Mas a filosofia terá que se evadir desse tipo de pragmatismo para se aproximar da visão do real, para conhecê-lo por ele mesmo. Qual será então a linguagem mais adequada para este fim?