• Sonuç bulunamadı

ĠÇERDĠĞĠ ÖĞRENME ÇIKTILARI BĠLGĠLER  Yol boyu sinyal sistemlerini bilir

Este trabalho teve como objetivo observar os efeitos da ATAA, aqui caracterizada como ‘Programa de Visita de Animais de Estimação’, em um grupo de três pacientes com doenças oncológicas, internados no ICESP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – Otávio Frias de Oliveira, comparando-os com a literatura sobre a ATAA.

Em concordância com a literatura (Brickel, 1984; Struckus,1989; Wall, 1994; McVarisch,1995; Panzer-Koplow, 2000; Sorrell, 2006; Souter & Miller, 2007), constatamos a eficácia do Programa Visita de Animais de Estimação do ICESP na melhora e equilíbrio do estado psicológico de pacientes oncológicos e familiares, realçando seus recursos de enfrentamento, melhora da qualidade de vida de seus pacientes e familiares, incremento de resiliência, a minimização de manifestações psíquicas e comportamentais que interferem no tratamento e hospitalização, redução do estresse, da dor e isolamento inerentes ao processo (DIEFENBECK, BOUFFAR, MATUKAITIS, HASTINGS, E COBLE, 2010; HOROWITZ, 2010).

Este estudo pode também demonstrar que o Programa fez reviver nos pacientes um simples prazer típico da vida familiar; a troca de afeto com seus animais pode fazê-los retomar momentos agradáveis e relaxantes, relacionados com o ser sadio.

Além dos benefícios físicos e emocionais para os pacientes, familiares e as equipes envolvidas, observamos que o Programa Visita de Animais de Estimação do ICESP também possibilita um benefício custo-efetivo, ou seja, é uma proposta eficaz, com baixo custo que modifica positivamente o ambiente do tratamento oncológico, também a pacientes fora de possibilidades de cura.

Este estudo pode então confirmar que a assistência à saúde tem fundamental importância na diminuição do sofrimento humano, contribuindo para o bem-estar de pessoas que adoeceram com câncer. Constatamos que a Visita de

Animais de Estimação do ICESP está em concordância com os preceitos de Pessini (1996) que afirma que o desafio emergente é refletir como o binômio tecnologia/medicina se relaciona com o cuidado aos pacientes, em seu verdadeiro sentido.

Dessa forma, pudemos verificar que a Visita de Animais de Estimação do ICESP está em concordância com o cuidar, palavra que vem do latim cogitare, que significa tratar de, assistir, ter cuidado. O envolvimento dos profissionais de saúde, o protocolo institucionalizado no ICESP e os resultados desse estudo demonstram que a presença dos animais de estimação não é mais uma (entre tantas) ação na instituição de saúde; trata-se de uma atitude, representando zelo e desvelo no cuidar.

Nesse sentido, o Programa Visita de Animais de Estimação no ICESP pode se configurar como um exercício explícito da ética do cuidado, representando uma atitude de ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo com o outro. O outro, aqui representado pelos pacientes oncológicos internados no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, seus familiares e as equipes de saúde.

Confirmamos que o Programa entende o CUIDADO como um construto. Uma categoria com a qual se quer designar simultaneamente, uma compreensão filosófica e uma atitude prática frente ao sentido que as ações de saúde adquirem nas diversas situações em que se reclama uma ação terapêutica.

Nessa medida, o Programa Visita de Animais de Estimação do ICESP pode apontar que o momento assistencial pode (e deve) fugir de uma objetivação “dessubjetivadora”, quer dizer, de uma interação tão obcecada pelo “objeto de intervenção – a doença” que deixe de perceber e aproveitar as trocas mais amplas que ali se realizam. Na prática, uma nova postura na assistência hospitalar, superando o enfoque na doença para a ênfase no processo saúde-doença e tendo na transformação do modelo de atenção, na integralidade do cuidado, caminhos para contribuir para a autonomia dos sujeitos na promoção da saúde.

Dessa forma, o Programa Visita de Animais de Estimação ao ICESP vem comprovar a teoria que, sem dúvida, há uma grande necessidade de se re- humanizar as práticas em saúde, desenvolvendo-se e fornecendo-se recursos

humanísticos para o cuidado. E isso não apenas por uma questão ética mas sim pela urgente necessidade na área de saúde de passar do paradigma da conquista ao paradigma do cuidado.

O êxito do Programa aos pacientes, familiares e equipes de saúde aponta que o dado originário não é o ‘logos’, a razão e as estruturas de compreensão e sim o ‘pathos’, o sentimento, a capacidade de empatia, a dedicação, o cuidado e a comunhão com o diferente.

“Meu sonho era rever meu cachorro!”; “Sinto falta do meu cão!” vindo de um paciente oncológico, pode ser uma fala a mais, se não encontrar escuta por parte de alguém. Mas eis que esse alguém é um Psicólogo que, acompanhado por um grupo de profissionais de saúde, são capazes de deixar-se afetar pelo pedido, permitindo que ele produza afetos em seus corpos e desdobre-se em ação terapêutica (do grego therapéia, que significa ‘cuidado’, ‘solicitude’).

Então, nasceu um Programa como o que apresentamos. E como por um passe de mágica, aparece no lugar dos sofridos pacientes oncológicos do ICESP,

seres humanos que, do fundo de sua dor, fazem nascer ao seu redor a mais pura solidariedade.

Este foi o gesto que motivou e faz existir esse Programa, no sentido mais nobre do termo.

Não há nada mais forte que a compaixão. Nem a sua própria dor pesa tão fortemente como a dor que se sente por alguém.

Pela dor de alguém amplificada pela imaginação e prolongada por centenas de ecos.

Benzer Belgeler