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Đnsan Kaynakları Bilgi Sistemleri’nin Kavramsal Çerçevesi

BÖLÜM 3: ĐNSAN KAYNAKLARI BĐLGĐ SĐSTEMLERĐ

3.1. Đnsan Kaynakları Bilgi Sistemleri’nin Kavramsal Çerçevesi

Na teoria do agir comunicativo de Habermas (1992), as ideias circulam no “espaço público”, um lugar de formação de opiniões e debates sobre as questões práticas e políticas; o espaço de discussão onde todos os cidadãos podem contribuir para as decisões na vida pública. Vimos que no processo de licenciamento ambiental é preponderante a publicidade dos processos, ou seja, tornar público as informações ambientais referentes aos projetos.

Muito nos referimos à questão pública ao longo do trabalho e é o que procuramos compreender neste capítulo. Kunsch (2005, p. 27) chama de “esfera pública” o campo de atuação da sociedade civil, lugar onde as “associações e organizações se engajam em debates, criam grupos e pressionam em direção a determinadas opções políticas, produzindo consequentemente, estruturas institucionais que favorecem a cidadania”. É justamente a organização dessas instituições na esfera pública, por meio dos movimentos sociais, ONG’s, comunidades virtuais, dentre outras, que a sociedade se mobiliza em torno de objetivos comuns e na defesa da cidadania, e são essas manifestações no espaço público que ganham destaque na mídia (KUNSCH, 2005, p. 29-30).

Na explicação de Habermas (apud LINS RIBEIRO, 2005, p.63), “a esfera pública forma uma estrutura intermediária que faz a mediação entre o sistema político [...] e os setores privados”. É uma “rede supercomplexa que se ramifica espacialmente em um sem número de arenas internacionais, nacionais, regionais, comunais e subculturais, que se sobrepõem umas às outras”. Essa mediação produzida por algum indivíduo ou grupo organizado, é exercida no espaço público por meio de uma prática comunicativa cotidiana que se dá por meio de um tecido de relações sociais (HABERMAS, 1992 apud SIEBENEICHLER, 2011, p. 343).

Esse espaço público hoje se caracteriza por uma enormidade e multiplicidade de espaços midiáticos: jornal, rádio, televisão, internet, que se constituem em espaços diferentes e com discursos diversos. São verdadeiros espaços democráticos atentos aos debates importantes que são lançados nele e, lugar onde ocorrem as discussões acerca dos processos relacionados às questões de interesse social, tornando assim o processo participativo e democrático, conforme já exposto anteriormente. Vivemos hoje numa sociedade midiática, ou seja, recebemos e buscamos informações instantaneamente nos diferentes meios de comunicação disponíveis. Como afirma Serra (2007, p. 01), as novas tecnologias da informação e comunicação assumiram um papel tão decisivo em nossa sociedade que é praticamente impossível passar sem elas,

[...] diferentemente das sociedades antigas, reduzidas a pequenas comunidades ou onde somente uma parcela mínima dos cidadãos tinha oportunidade de opinar e influenciar nos assuntos públicos, hoje nossas sociedades de massa prescindem da existência de modos de representação, mas também de expressão, argumentação

e divulgação que necessariamente incluem, de maneira preponderante, os meios de comunicação (DELARBRE, 2009, p. 76). Nesse novo ambiente, devemos destacar o papel da internet como parte desse espaço público e ferramenta importante para o fortalecimento da cidadania. Segundo Jean Camp e Chien (2000 apud DELARBRE, 2009, p. 74), a Internet é onipresente e pessoal, diferente dos meios de comunicação tradicionais e dos espaços públicos convencionais, ela permite que a cidadania encontre novas formas para interagir econômica, política e socialmente. Ela também propaga e armazena os conteúdos divulgados por outros meios de comunicação, que cada vez mais se utilizam da rede. (DELARBRE, 2009, p. 74). Podemos afirmar que a internet é um instrumento fundamental desse novo espaço público, que proporciona um empoderamento pessoal, uma vez que permite que todos possam produzir informações e participar virtualmente de todo o processo comunicacional.

Como reforça Terra (2011, p. 19), na internet a comunicação se dá por ferramentas colaborativas, promovem trocas, interações e relações de sociabilidade dentro de um contexto social e se vale da ruptura das variáveis tempo e espaço, ou seja, na rede a distância física e o tempo são elásticos. Segundo Beth Saad (2008 apud TERRA, 2011, p. 20), além das trocas e interações, o equilíbrio ou simetria entre as conversações permite a todos o mesmo nível de participação na produção dos conteúdos para dispor na internet. Santaella (2009, p. 25), também confirma esse posicionamento, com a internet, “a sociedade de distribuição piramidal típica da cultura de massa, passou a sofrer a concorrência de uma sociedade reticular de integração em tempo real”. Segundo a autora, a internet promove processos de comunicação espontâneos, descentralizados e diversificados, que tiram a ênfase da autoria da mensagem para a “mensagem em circuito”.

Sobre essa interação pela internet, Berlo (1999, p.134), explica que uma condição necessária à comunicação humana é a relação de interdependência entre quem produz e quem recebe a informação; um precisa do outro para sua própria existência, gerando uma empatia, ou seja, ambos se projetam na personalidade do outro a fim de predizer como ele se comportará; trata-se de um processo de adoção recíproca de papéis. As mídias convencionais também se renderam à interatividade, jornal, rádio, televisão, com o avanço tecnológico dos últimos anos, todas elas abriram espaço para maior interação com os públicos. Apesar de o termo “interatividade” estar muito associado às novas tecnologias digitais de comunicação,

Lévy (1999, p. 82), alerta que “a interatividade é na verdade uma hiper-interação, ou seja, uma maior participação e intervenção, não seria apenas uma troca, e sim uma abertura para mais e mais comunicação”. Santaella (2009, p. 25), traz uma colaboração importante à ideia da interatividade quando nos explica que ela transformou o papel do emissor e receptor das mensagens por meio da participação- intervenção, ou seja, o emissor não emite mais mensagens, mas constrói um sistema com rotas de navegação e conexões.

A mensagem passa a ser um programa interativo que se define pela maneira como é consultado, de modo que a mensagem se modifica na medida em que atende as solicitações daquele que manipula o programa. [...] Os programas interativos ainda oferecem ao navegador a possibilidade de mudar de identidade e de papel numa multiplicidade de pontos de vista. [...] O que se tem aí, portanto, não é só um tipo de interatividade interpessoal mediada pela máquina, mas também uma interatividade transindividual, em que a pessoalidade do cibernauta se pulveriza em tramas infinitas de nexos e passagens por situações e sítios virtuais, nos quais emissor e receptor perdem seus limites definidos para ganhar uma face plural, universal, global (SANTAELLA, 2009, p. 26).

Esse sistema interativo introduz, segundo Di Felice (2009, p. 28), uma nova estrutura comunicativa em todos os níveis do social, que convida à interação e à manipulação e que, sobretudo, não produz apenas informações, mas relações sociais. O que percebemos leva à reflexão que a comunicação interativa possibilitada pela internet, e também nas redes sociais, é capaz de promover um grande debate sobre qualquer processo de licenciamento ambiental no Estado de São Paulo, independe da informação disponibilizada pelos empreendedores aos diferentes atores sociais. Essa constatação reafirma que é imprescindível que a comunicação se realize também e, propositadamente, nas redes sociais, pois o resultado dessa interação atenderá a expectativa de ambos os lados, contribuindo nas decisões que poderão beneficiar a todos os envolvidos, direta e indiretamente.

Como definiu Kerckhove (2000 apud DI FELLICE, 2009, p. 29), essa inteligência conectiva “evidencia a cultura de participação na qual o cidadão deve continuamente construir a própria informação e, sucessivamente, editar e difundir o próprio conteúdo na rede”. Será mesmo a internet capaz de promover essa mesma “participação” cidadã que discorremos anteriormente, também prevista na legislação ambiental brasileira e que é um dos princípios da administração pública? Na opinião de Bolaño e Brittos (2010, p. 241), apesar de privatizada, fragmentada, assimétrica e

excludente, essa nova esfera pública é também interativa, dialógica e potencialmente democrática. “O acesso à internet contribui para o exercício da cidadania na sua dimensão política, através da ampliação das possibilidades de participação do cidadão na vida de sua cidade”. (PERUZZO, 2002, p. 51). Segundo a autora, “através das redes digitais pode-se mais facilmente acompanhar as políticas públicas e os programas de governo e interferir neles, discutindo, sugerindo e fiscalizando suas operações, e assim por diante”.

Em termos de prática democrática, como menciona Mansell (2009, p. 104), com a internet todos podem interagir on-line, “os cidadãos podem participar de debates públicos descentralizados no papel de novos produtores de mídia, seja como blogueiros, produtores de mensagens curtas de texto ou e-mail. Acredita-se que o cidadão, nesse contexto, ganha poder”. Na reflexão de Delarbre (2009), se a esfera pública é elemento indispensável para a democracia, a internet se tornou o espaço para a deliberação e contribuiu com uma arquitetura propicia ao intercambio entre iguais. Pinho (2007) complementa ao afirmar que a internet também fortaleceu os meios tradicionais de comunicação, como o rádio, a televisão, a imprensa, favorecendo os processos sociais de comunicação, ao mesmo tempo em que abriu possibilidade de espaço para o intercâmbio da informação fora desses circuitos midiáticos, contribuindo para a criação de novos meios alternativos de comunicação e o surgimento de comunidades virtuais. A sociabilidade é inerente à Internet, explica Joan Mayans (2003 apud DELARBRE, 2009), esse é o elemento principal que faz da Rede uma das áreas indispensáveis no espaço público, mas além disso, na construção da esfera pública contemporânea.

Se o “Espaço Publico” é o lugar onde as pessoas se manifestam livremente, articulam suas visões de mundo, emitem suas opiniões e se organizam, com a internet foi possível um maior engajamento devido à questão aterritorial e atemporal, com as pessoas assumindo um papel mais ativo nas decisões. No processo de licenciamento ambiental em São Paulo não tem sido diferente, os grupos organizados em rede se articulam virtualmente, se organizam e também participam presencialmente nas esferas de debate sobre os empreendimentos em fase de licenciamento. Não se pode desprezar esta nova esfera pública e nem ficar de fora dela; as estratégias de comunicação devem necessariamente passar por este ambiente virtual se o objetivo for discutir e promover maior participação social na implantação de empreendimentos sustentáveis.

Essa questão também se reflete nas esferas de governo, prova disso é o Projeto de Lei nº 5.716/2013, recentemente divulgado e publicado, pela Rádio Câmara, da Câmara dos Deputados em Brasília, que inclui em parte do seu conteúdo a ampliação das possibilidades de participação popular nos processos de licenciamento ambiental brasileiro, que permita ao longo do processo de discussão sobre o Estudo de Impacto Ambiental que os interessados possam enviar comentários pela internet. Como diria Habermas (1992), uma prática deliberativa só pode se desenvolver pela vontade parlamentar institucionalizada e programada para tomar decisões ou pela formação da opinião pública através de canais informais de comunicação.