BÖLÜM 1: ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESĐ
1.11. Đlgili Araştırmalar
Além das empresas anteriormente mencionadas, na sequência serão listadas outras empresas relevantes, porque estão envolvidas com aquisições, fusões ou alianças estratégicas (especialmente no caso de grupos estrangeiros) e/ou porque tem representatividade na cadeia, considerando-se o critério de capacidade de moagem em torno de dez milhões de toneladas de cana por ano, desde que grupos autônomos (ou seja, não são associadas da Copersucar).
a) ABENGOA: a empresa foi fundada na Espanha na década de 1940 e atuava, predominantemente, em projetos de engenharia. Com o passar dos anos, a atuação da empresa foi ampliada e hoje ela se autodenomina como “empresa tecnológica que aplica soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável nos setores de infraestrutura, meio ambiente e energia” com atuação em nível mundial. No Brasil, a empresa ingressou em 2001 no setor de transmissão de energia elétrica (ABENGOIA, 2011). Na cadeia sucroenergética, a empresa ingressou com a subsidiária Abengoa Bionergia, em 2008, com a aquisição das usinas de açúcar e álcool São Luiz, localizada, em Pirassununga; e São João, em São João da Boa Vista e Santo Antonio da Posse, ambas do Grupo Dedini Agro, por US$ 297 milhões, mais dívidas no valor de US$ 387 milhões, com uma capacidade de moagem total em torno de cinco milhões de toneladas. Recentemente, em fevereiro de 2012, foi veiculada uma intenção a respeito da venda dos ativos da empresa. Aparentemente, a decisão da Abengoa é motivada por resultados aquém das expectativas (BATISTA, 2012).
b) ADECOAGRO: trata-se de uma empresa relativamente nova, criada em 2002, de origem Argentina, contudo já é uma das principais empresas produtoras de alimentos e energia renovável da América do Sul, com presença na Argentina, Brasil e no Uruguai. Desde sua criação, o crescimento da empresa se baseou em um modelo de produção sustentável e eficiente, trabalhando em terras próprias e gerenciando o risco por meio da diversificação. Em 2006, a empresa ingressou na cadeia sucroenergética brasileira com
a aquisição da Usina Monte Alegre, localizada na região Sul de Minas Gerais, cujo processamento anual de cana está em torno de um milhão de toneladas. Em 2008, foi inaugurada a Angélica Agroenergia, que tem uma capacidade de moagem em torno de quatro milhões de toneladas de cana, colhidas em 50 mil hectares. Outra planta se encontra no município de Ivinhema, cuja construção começará no ano 2012, com uma capacidade total de processamento de 12 milhões de toneladas de cana, tendo por foco o etanol (ADECOAGRO, 2011).
c) ADM: A Archer Daniels Midland é uma organização centenária, de origem norte- americana, cuja atuação tem por foco o agronegócio em nível mundial. No Brasil, iniciou suas atividades em 1997, com a compra de usinas de esmagamento e silos de grãos. Em 2008, a empresa iniciou sua operação na cadeia sucroenergética brasileira, com uma parceria (joint venture) com o Grupo Cabrera (Central Cabrera Energética Açúcar e Álcool). Tal parceria representa 49% de participação na Usina Limeira do Oeste (MG), cuja capacidade de moagem se encontra em 1,5 milhão de toneladas/ano. As empresas tinham interesse em construir outra fábrica, a Usina Jataí (MG), com capacidade de moagem em torno de três milhões de toneladas/ano, mas os planos foram suspensos. Em meados de 2011, a ADM havia informado o interesse em adquirir 51% da usina onde já detinha fatia de 49% mas, aparentemente, as participações não mudaram. Além do etanol, a ADM também tem interesse no biodiesel, sendo que ela deve inaugurar uma fábrica ainda em 2012 no estado de Santa Catarina (ADM, 2011).
d) CARGILL: Similar a ADM, a Cargill é uma empresa transnacional (foi criada nos EUA em meados do século XIX) cuja atuação está focada primariamente no agronegócio. No Brasil, atua desde a década de 1960. De acordo com informações da empresa, trata-se de uma das 15 maiores empresas do País, principal exportadora de soja do Brasil e maior processadora de cacau da América Latina, com unidades industriais, armazéns, escritórios e terminais portuários em cerca de 120 municípios, onde trabalham aproximadamente 6 mil funcionários. A participação na cadeia sucroenergética foi iniciada em 2006, A Cargill ingressou no mercado de produção de açúcar e álcool em 2006, com a aquisição de participação na Usina Itapagipe Açúcar e Álcool, em Itapagipe (MG), em parceria com o Grupo Moema, e da Usina Central Energética Vale do Sapucaí (Cevasa), joint venture formada com a Canagrill (associação de produtores
de cana). A usina Cevasa processa 1,3 milhão de toneladas, mas tinha previsão de ampliação para três milhões de toneladas até 2012 (CARGILL, 2011).
e) GLENCORE: A Glencore é uma trading suíça que comercializa grandes volumes de metais, petróleo, carvão e produtos agrícolas. A aquisição da Usina Rio Vermelho, situada em Junqueirópolis (SP), ocorreu ao final de 2010 e marcou a entrada da empresa suíça na cadeia sucroenergética brasileira. A Usina Rio Vermelho foi inaugurada em 2007, com capacidade de produção de até 1,3 milhão de toneladas de cana. Todavia, foi atingida pela crise financeira mundial, chegando a demitir boa parte dos funcionários em 2009. A venda do controle da empresa (em torno de 70%) por um valor em torno de US$ 80 milhões foi a solução encontrada pela família Garieri, que manteve o restante da empresa, além de investimentos em outras áreas do agronegócio. Atualmente, a Rio Vermelho produz apenas etanol hidratado, mas os planos são de equipá-la para produzir açúcar, um dos principais produtos comercializados pela Glencore no mercado internacional (COSTA; MAGOSSI, 2010).
f) GRUPO CARLOS LYRA: De acordo com informações da empresa (CARLOS LYRA, 2011), trata-se de um dos grupos mais tradicionais no Nordeste do país, criado em 1965 e sediado no Estado de Alagoas, onde possui três unidades produtoras: Usina Caeté, Usina Cachoeira e Usina Marituba. Além delas, possui duas unidades no Estado de Minas Gerais: Volta Grande (no município de Conceição das Alagoas) e Delta (no município de mesmo nome). A julgar pelas informações da empresa, estima-se que a capacidade total das usinas esteja em torno de nove milhões de toneladas.
g) GRUPO JOÃO LYRA: Trata-se de uma empresa de capital fechado, mas um dos mais tradicionais e sólidos do Norte e Nordeste do país, que atua em diferentes áreas. No setor sucroalcooleiro, o Grupo possui cinco usinas de grande porte: Laginha, Uruba e Guaxuma, em Alagoas, além da Triálcool (incorporada ao grupo em 1988) e Vale do Paranaíba (adquirida em 2001), em Minas Gerais. Juntas, estas são responsáveis por uma produção de mais de 300 mil m3 de álcool e de mais de 6,5 milhões de sacas de açúcar dos tipos VHP, cristal e refinado (JOÃO LYRA, 2011).
h) GRUPO TÉRCIO WANDERLEY: Outra tradicional empresa de capital fechado, que existe desde 1941, com sede em Coruripe, no Estado de Alagoas, e três filiais
localizadas nos municípios de Iturama, Campo Florido e Limeira do Oeste, em Minas Gerais. Na safra de 2009/2010, mesmo com os efeitos da crise mundial, foram moídas mais de 11,20 milhões de toneladas de cana, o que gerou 17,82 milhões de sacas de açúcar e de mais de 360 milhões de litros de álcool (GTW, 2011).
i) NOBLE GROUP: A maior trading de commodities da Ásia, baseada em Hong Kong, fechou um acordo para compra de duas usinas do grupo de açúcar e álcool Cerradinho, negócio avaliado por especialistas em cerca de US$ 950 milhões, sendo US$ 600 milhões em dívidas e o restante em dinheiro. A Cerradinho continua com sua terceira usina, Porto das Águas, localizada em Chapadão do Céu (GO), com capacidade para moer cerca de 3,3 milhões de toneladas de cana. A empresa informou que as usinas, que atualmente processam cerca de 10 milhões de toneladas de cana (vide tabela 16), estimam aumentar a capacidade total para 17,5 milhões de toneladas ao ano. As duas unidades adquiridas pela NG Bionergia, segmento do grupo voltado para bioenergia, estão situadas em Catanduva (capacidade de moagem de cana de 4,6 milhões de toneladas) e Potirendaba (3,4 milhões de toneladas por ano). A produção conjunta das duas usinas deve chegar a 600 mil toneladas de açúcar, 300 mil metros cúbicos de etanol, além de mais de 300 mil MWh de energia. Antes da Cerradinho, o grupo Noble já havia construído duas usinas de cana em São Paulo: a Meridiano;em Meridiano, e Usina Noroeste Paulista, em Sebastianópolis do Sul, sob a tutela do grupo Noble Brasil (NOBLE DO BRASIL, 2011; UDOP, 2011). A tabela a seguir traz maiores detalhes a respeito das unidades produtivas do grupo.
Tabela 22 – Lista das unidades produtivas do Grupo Noble Unidades Processamento de cana (milhões de toneladas) Açúcar (milhares de toneladas) Etanol (milhares de m3) Noble Cerradinho Catanduva 3,9 298 167 NG Potirendaba 2,7 260 75 Noble Noroeste Paulista 3,4 247 113 Noble Meridiano 0,5 2,6 36
j) USINA ALTO ALEGRE: de acordo com informações da empresa, a UAA tem uma capacidade instalada para processar, aproximadamente nove milhões de toneladas de cana por safra, produzindo 17 milhões de sacas de açúcar cristal, 5,0 milhões de sacas de açúcar refinado, 205 milhões de litros de álcool hidratado e anidro carburante, além de cogerar 54MWh de energia elétrica. A capacidade produtiva da empresa se encontra distribuída em quatro unidades, conforme informado na tabela a seguir (UAA, 2011)
Tabela 23 – Unidades produtivas da Usina Alto Alegre Unidade Moagem de Cana (milhões tons) Produção de Açúcar Cristal (milhões sacas) Produção de Etanol (milhões de litros) Cogeração de Energia Junqueira (PR),
1978 3,5 7 + 5 de açúcar refinado 100 comercializado Excedente Santo Inácio (PR), 2007 2,5 6 52 Excedente comercializado Florestópolis (PR), 2010 1 1,1 36 internamente Consumido Floresta (SP), 1996 1,8 3,7 41 comercializado Excedente
Fonte: elaborado a partir de informações da empresa (USINA ALTO ALEGRE, 2011)
k) USINA SANTA TEREZINHA: segundo informações da empresa (SANTA TEREZINHA, 2011), trata-se de uma empresa de capital fechado, criada no início dos anos 1960. Atualmente possui um total de oito unidades (operando e em construção), todas na região noroeste do estado do Paraná: Iguatemi, Paranacity, Tapejara, Ivaté, Cocamar (Rondon), Coocarol (Rondon), Usaciga (Cidade Gaúcha) e Santo Antônio do Caiuã. Todas com capacidade para moer em torno de 1.000 toneladas/dia de cana. No caso da Unidade Iguatemi, ela foi a pioneira da empresa, com capacidade atual para processar diariamente cerca de 9.000 toneladas de cana e, simultaneamente, 1.000 toneladas de açúcar e 180.000 litros de etanol hidratado. Na Unidade Tapejara, 70% da produção de 50 MWh é vendida como excedente na cogeração de energia por meio da Eletrobrás. Como forma de complementação do seu negócio, a Usina Sta. Terezinha possui parecerias com a Pasa (terminal portuário) e a CPA Trading.
Mais uma vez, vale destacar que das onze empresas listadas, a maior parte (seis) é composta por empresas de capital majoritariamente internacional. Das empresas nacionais, três são tradicionais grupos econômicos sediados no nordeste e dois grupos originários do Paraná. A seguir um resumo dos principais grupos da cadeia sucroenergética e suas características, conforme mencionados até agora, em ordem alfabética.
Quadro 33 – Perfil dos principais grupos da cadeia sucroenergética Principais
Atores Majoritário Capital Atuação Setor de Majoritário
Nível de Integração
Vertical Moagem Anual de Capacidade de Cana (milhões tons)
Abengoa Espanhol Energia Baixo 5
Adecoagro Argentino Agronegócio Baixo 5
ADM Americano Agronegócio Alto 2
BP Inglês Energia Alto 15
Bunge Americano Agronegócio Alto 20
Cargill Americano Agronegócio Alto 2
Copersucar Brasileiro Agronegócio Alto 115
ETH Brasileiro Petroquímica Alto 35
Glencore Suiço Trading Alto 2
Grupo Carlos Lyra
Brasileiro Agronegócio Baixo 9
Grupo João Lyra Brasileiro Agronegócio Baixo 9
Grupo Tércio Wanderley
Brasileiro Agronegócio Baixo 11
LDC - SEV Francês e
brasileiro Agronegócio e Trading Alto 40
Noble Group Chinês Trading Alto 10
Raízen Brasileiro e Holandês
Agronegócio e Energia
Alto 60
Shree Renuka Indiano Agronegócio Alto 13
São Martinho Brasileiro Agronegócio Alto 12
Petrobras
Biocombústiveis16 Brasileiro Energia Alto 20
Tereos Francês Agronegócio Alto 20
Usina Alto Alegre Brasileiro Agronegócio Baixo 9
Usina Sta.
Terezinha Brasileiro Agronegócio Médio 8
No quadro anterior o nível de integração vertical pode ser considerado “baixo”, caso o atue de forma predominante somente no elo industrial, “médio” caso o grupo atue ou possua algum tipo de parceria estratégica focada em infraestrutura logística para transporte e/ou armazenagem de seus produtos em nível nacional; e “alto” se, adicionalmente, o grupo atua ou possui parcerias com foco na distribuição e/ou comercialização dos seus principais produtos em nível nacional e/ou internacional.
Neste sentido, é interessante destacar que, salvo raras exceções que são relativamente novas na cadeia sucroenergética brasileira, a maior parte dos grupos atua ou participa de parcerias relacionadas com a infraestrutura logística; assim como parcerias com foco na etapa comercial da cadeia. Consequentemente, percebe-se a formação de grupos com um alto nível de integração vertical, seja com ênfase no açúcar (Copersucar, com a JV Copa Shipping), com ênfase no etanol (caso da Bunge, Raízen e Petrobrás, em parceria com S. Martinho, Tereos e Total) ou com ênfase em produtos químicos (caso da ETH, com o “eteno verde”).
Encerra-se aqui o capitulo sobre a evolução da cadeia. Na sequência, será apresentado o capítulo cinco, cujo foco consiste no resultado da pesquisa, ou seja, de que forma aquisições, fusões e alianças estratégicas, especialmente as alianças com ênfase em tecnologia, contribuem para modificar a configruação da cadeia sucroenergética.