3. BULGULAR ve TARTIŞMA
3.3. Film Morfolojileri
3.3.2. Đki katlı film morfolojileri
Com o objetivo de identiicar como a Parada da Diversidade de Bauru representa as lutas do movimento homossexual nessa cidade, assim como para procurar responder às questões que nortearam esse estudo, desenvolvemos um estudo de caso, entendendo que se trata da metodologia que mais se presta ao objetivo proposto. Com base nos estudos de Antonio Carlos Gil, o estudo de caso não deve ser compreendido como um método ou técnica de pesquisa, mas como “um delineamento em que são utilizados diversos métodos ou técni- cas de coleta de dados, como a observação, a entrevista e a análise de documentos” (Gil, 2009, p.6).
O estudo de caso, por um lado, apresenta maior lexibilidade, pois permite ao pesquisador maior liberdade para deinir os proce- dimentos na coleta de dados, por outro lado, porém, não deixa de ser rigoroso. Requer muitas habilidades do pesquisador na utilização das técnicas selecionadas e competência para a análise e interpreta- ção dos dados, já que não produz dados estatísticos usuais em expe- rimentos e levantamentos. O autor complementa que:
[...] os estudos de caso envolvem as etapas de formulação e delimitação do problema, da seleção da amostra, da determinação dos procedimen- tos para coleta e análise de dados, bem como dos modelos para sua in- terpretação. O que implica descartar qualquer deinição que apresente estudo de caso apenas como um método ou técnica de coleta de dados (Gil, 2009, p.5).
A deinição de estudo de caso é apontada pelo autor a partir das características identiicadas nessa modalidade de pesquisa. Trata-se de um estudo em profundidade, na medida em que se refere a um ou poucos objetos e permite a utilização de instrumentos que conferem maior profundidade aos dados. Preserva o caráter unitário do fenô- meno pesquisado, pois a unidade-caso é estudada de forma holísti- ca, considerando a relação entre as partes que compõem o todo. A investigação é realizada em torno de um fenômeno contemporâneo, ou seja, investiga-se um fenômeno no momento em que ocorre; e, ainda, não se separa o fenômeno de seu contexto.
Para Robert Yin, o estudo de caso consiste em “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo em profundi- dade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes” (Yin, 2010, p.39). Esse autor enfatiza que a deinição do tipo de questão de pesquisa é fundamental para deinir o método1 de pesquisa que
deverá ser utilizado. As questões “como” e “por quê” tendem a ser indicadas aos estudos de caso.
Embora exista uma tendência para classiicar hierarquicamente as diferentes modalidades de pesquisa, não se trata de estabelecer uma escala de importância entre elas; a escolha de um determina- do tipo de pesquisa deve se ater a algumas condições que envolvem a pesquisa (Yin, 2010; Gil, 2009). Retomando o conceito proposto por Robert Yin, as condições indicadas para a realização de um estu- do de caso inicialmente, tipos de questões de pesquisa, mas também
1 Yin classiica o estudo de caso como um método de pesquisa, como o faz com o expe- rimento, levantamento, pesquisa histórica e outros.
a ausência de controle do pesquisador sobre os fenômenos compor- tamentais, sendo pertinente quando se trata de enfocar eventos con- temporâneos.
No entanto, Gil (2009) explica que alguns delineamentos de pesquisa ganham evidência com relação a outros. No caso dos expe- rimentos, os fenômenos costumam ser reproduzidos em condições controladas; os levantamentos, por sua vez, permitem a quantii- cação dos fenômenos, o que permite comprová-los mediante testes estatísticos. Os estudos de caso, até meados da década de 70, eram pouco utilizados, mas, atualmente, vêm sendo cada vez mais valo- rizados. O estudo de caso apresenta interface com as outras modali- dades de pesquisa, pois, para a coleta de dados, utilizam-se a obser- vação, a interrogação e a documentação.
Os estudos de caso podem ser utilizados para diversos propósitos de pesquisa. São importantes para apresentar uma visão mais clara a respeito de um fenômeno pouco conhecido; são adequados para se formularem hipóteses de pesquisa, além de descrever grupos, orga- nizações e outros, e ainda, explicar fatos e fenômenos sob o enfoque sistêmico. O nosso objeto de investigação, pela sua natureza, nos pa- rece, portanto, perfeitamente adequado à utilização do estudo de caso. Também é importante destacar que o pesquisador que utiliza o estudo de caso deve apresentar algumas habilidades, já que nesse delineamento são exigidas muito mais competências do pesquisador do que em outros. O pesquisador participa ativamente de todo o processo da pesquisa e, geralmente, não conta com o apoio de au- xiliares de pesquisa, pois, ao utilizar técnicas não estruturadas e ro- teiros não rígidos, deve estar atento às necessidades de tomada de decisão e mudança de estratégias.
Gil (2009), com base em alguns autores, sintetiza as habilidades necessárias para um pesquisador de estudo de caso. São elas: sensi- bilidade aos fatores que podem inluenciar o fenômeno pesquisado, estar preparado para os resultados que possam contrariar seus pres- supostos iniciais, habilidade para entrevistar e observar, empatia, capacidade de síntese, perseverança e paciência por se tratar de um delineamento que demanda mais tempo que os demais, lexibilidade
e adaptabilidade para lidar com as diferenças de status sociais e ní- veis de informação, abertura teórica e ideológica para não se ater a pressupostos teóricos rígidos em excesso, experiência em pesquisa e habilidade para redigir.
Por se tratar de um delineamento de pesquisa em profundida- de, outra característica que lhe é atribuída é a utilização de múltiplas fontes de evidência, por meio de diferentes técnicas de coleta de da- dos. Como forma de garantir maior coniabilidade aos resultados, é importante que os dados obtidos sejam contrastados; para isso, uti- lizamos uma estratégia chamada “triangulação”.
A triangulação “consiste basicamente em confrontar a infor- mação obtida por uma fonte com outras, com vistas a corroborar os resultados da pesquisa. A triangulação está na essência dos estudos de caso” (Gil, 2009, p.114). A utilização de múltiplas fontes de evi- dência relete o propósito do estudo de caso: trata-se, por meio de diferentes técnicas e métodos, de analisar com mais acuidade o fe- nômeno pesquisado.
Robert K. Yin explica que a vantagem da utilização de fontes múltiplas de evidência é o desenvolvimento de linhas convergentes de investigação, por meio da triangulação, que visa corroborar os re- sultados (Yin, 2010). Nesse estudo, como se trata de um evento rea- lizado em um momento único, utilizamos os seguintes métodos para a coleta de dados: observação sistemática presencial, análise de ma- térias jornalísticas impressas e entrevista com os organizadores. Para isso, foram estabelecidas categorias de análise para que os resultados obtidos possam ser contrastados, proporcionando uma convergên- cia de evidências para responder ao problema de pesquisa proposto.