O Programa PINAB – Práticas Integrais de Promoção da Saúde e Nutrição na Atenção Básica foi criado no ano de 2007 (na época, originou-se como Projeto e com o nome de ‘Práticas Integrais de Nutrição na Atenção Básica’), vinculado ao Departamento de Nutrição da Universidade Federal da Paraíba, com duas fontes de inspiração e duas inquietações que motivaram a sua construção e o início do seu desenvolvimento.
5.1. O contexto
Antes de descrever devidamente o PINAB nos próximos itens, consideramos importante indicar o cenário no qual se deu essa experiência e foi empreendido esse esforço investigativo.
O PINAB vem atuando em grupos sociais de comunidades situadas no bairro do Cristo Redentor, no município de João Pessoa-PB, a maioria em situação de exclusão social e econômica. No decorrer do tempo, foi ocorrendo uma formação de vínculos mais sólidos com as lideranças das comunidades Jardim Itabaiana, Boa Esperança e Pedra Branca, localizadas no referido bairro.
Mapa 1. Mapa das comunidades.
A maioria das casas dessas comunidades, quase todas feitas de alvenaria, não tem saneamento e são separadas por ruelas. Seus moradores têm convivido com a violência, especialmente por causa do tráfico de drogas.
Na Comunidade Jardim Itabaiana, existe 1.768 famílias; na de Pedra Branca, 525; e na de Boa Esperança, 584, totalizando 14.385 pessoas, que fazem parte do grupo social das classes populares. São trabalhadores, em condições difíceis de sobrevivência, sem acesso garantido aos direitos sociais, como emprego, moradia, segurança e lazer.
Para enfrentar esse cenário, muitas famílias estão incluídas no Programa Bolsa Família (PBF), que funciona transferindo renda direta para os beneficiários e propõe um eixo estruturante cujo intuito é de promover a autonomia financeira desses sujeitos e, por conseguinte, sua segurança alimentar e nutricional (SAN). Todavia, em que pesem esses desafios, o cotidiano desses cidadãos revela-se cheio de sabedoria, dos conhecimentos acumulados ao longo de sua história como membros de grupos sociais territorializados, sobre como enfrentar as dificuldades e encontrar alternativas para enfrentá-las por meio da luta e da ação social.
Seus moradores organizam-se através de associações e grupos comunitários, presentes nas comunidades de Boa Esperança e Pedra Branca, as quais mantêm algumas atividades sociais, como grupos de mulheres, coletivos de arte e artesanato, além de iniciativas de economia solidária.
A população participa da organização dos serviços de saúde locais, a partir do conselho local de saúde, denominado 'Espaço de Diálogo' para Participação Popular na Saúde, formado por representantes dos trabalhadores, dos gestores e dos grupos sociais comunitários, com o fim de promover o exercício do controle social na saúde.
Quanto a sua situação geral de saúde, além dos agravos que usualmente afetam a população brasileira nos dias atuais (doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes), há muitos problemas na área quanto à saúde mental. Dentre as principais causas desse problema, podem-se destacar questões socioeconômicas e culturais vinculadas às condições de vida, como gravidez precoce acompanhada, não raras vezes, de aborto, tráfico de drogas, desemprego, alcoolismo e desajuste familiar. No território dessas três comunidades, existem importantes equipamentos sociais públicos, como: Unidades de Saúde da Família (USF), Escolas Municipais de Ensino Fundamental, Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), Cozinha Comunitária, Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS), Associação Promocional do Ancião (ASPAN), Pastoral da Criança, Creches, entre outros. A USF Vila Saúde é vinculada ao Distrito Sanitário II da Secretaria de Saúde do município de João Pessoa e consiste na unificação de quatro equipes que já atuavam nas comunidades citadas, possuindo uma área de cobertura com aproximadamente 20.000 pessoas (4.000 famílias): Jardim Itabaiana I, Jardim Itabaiana II, Pedra Branca I e Pedra Branca II5. Na Unidade são ofertados os seguintes serviços: Atendimento Clínico Diário, Imunização, Grupo de Gestantes, Atenção a Hipertensos e Diabéticos, Terapia Comunitária e Acolhimento com escuta qualificada.
5 É a equipe de Pedra Branca II que atende os moradores de todo o território da comunidade
Boa Esperança. A denominação Pedra Branca II foi dada pela Prefeitura, não reconhecendo a identidade cultural da própria comunidade.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Augusto dos Anjos (EMEFAA) localiza-se vizinha à USF Vila Saúde. Funciona nos três turnos, com 1.243 alunos. Porém o turno matutino (de1ª à 4ª série do ensino fundamental) e o vespertino (de 5ª à 8ª série do ensino fundamental), período em que o Projeto atua, totalizam, cada um, 400 alunos, 17 professores e três merendeiras. A Escola tem amplas instalações físicas, com salas de aula, biblioteca, laboratório de micro-informática, cozinha, gabinete odontológico, horta e sala com material audiovisual, quadra, entre outros. Funciona com atividades de ensino fundamental e de Educação de Jovens e Adultos. Apresenta também atividades complementares, como o acompanhamento pedagógico (reforço escolar); banda marcial; pintura, grafite, desenho, escultura, colagem, desenho gráfico, além de ações na área de esporte, lazer e recreação.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Pereira da Nóbrega atende às comunidades de Pedra Branca e Boa Esperança. Como atividades de ensino, oferece, no ensino regular: Ensino Fundamental - Anos Finais e Anos Iniciais e Educação de Jovens e Adultos. Como atividade complementar, dispõe de acompanhamento Pedagógico (Reforço Escolar); Canto Coral; Pintura, Grafite, Desenho, Escultura, Colagem, Desenho Gráfico. Há atividades de Esporte e Lazer, como por exemplo Artes Marciais (Taekwondo, Jiu Jitsu, Judô, Karatê, Etc), Recreação/Lazer Festas, dentre outros.
A Cozinha Comunitária do Bairro do Cristo Redentor foi a terceira a ser inaugurada no município, há cerca de dois anos, e fica situada na comunidade Bela Vista. Tem por objetivo atender 200 pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional com refeições gratuitas. As cozinhas comunitárias são projetos do Governo Federal que visam o Combate à Fome. Não distribuem alimentos apenas, ofertam cursos de aleitamento materno, alimentação para hipertensos e outros necessários à promoção da Segurança Alimentar e Nutricional. Para isso, a Cozinha Comunitária conta com um profissional da Nutrição, responsável pela garantia da qualidade do alimento fornecido e pelo desenvolvimento das ações educativas da instituição. Além de 12 funcionários, entre eles, cozinheiros e auxiliares capacitados e
treinados através de parceria com a UFPB. Para serem beneficiadas com refeições, as pessoas devem fazer cadastro na USF e CRAS do território. Ainda, as Cozinhas Comunitárias integram o Sistema Nacional de Segurança Alimentar (SISAN) e fazem parte das ações desenvolvidas pela Diretoria de Trabalho Renda e Economia Solidária (DIRECOSOL), da SEDES – Secretaria de Desenvolvimento Social do município de João Pessoa.
O Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) do bairro do Cristo Redentor funciona das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h30 de segunda à sexta-feira e das 8h às 17h aos sábados e domingos. O CAIS compõe a Atenção Especializada do município ofertando Serviços de Saúde Mental, Medicina Natural e Práticas Complementares, bem como o Núcleo de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais, divididos entre necessidades motoras e necessidades auditivas e visuais.
5.2 - Antecedentes: movimentos e inquietações que originaram o PINAB
As sementes para a construção do PINAB começaram a surgir em meados do ano de 2006, quando uma das principais inquietações de alguns estudantes do Curso de Nutrição da Universidade Federal da Paraíba era a insatisfação com o currículo do curso e com as oportunidades escassas que ele proporcionava, em termos de experiências na saúde coletiva e, particularmente, na Educação Popular. Esses estudantes desejavam participar de experiências em que pudessem experimentar a nutrição social e se engajar nelas, numa perspectiva de se aproximar das camadas populares da sociedade, dialogar e ter contato com elas, por vivenciar um trabalho social sobre o processo saúde e doença que se desse de forma compartilhada com grupos sociais populares e com base na realidade local.
Historicamente, o curso de Nutrição apresentou-se majoritariamente pautado pelas áreas da clínica, de alimentos e da produção de refeições em unidades de alimentação e nutrição.
Apesar disso, destacavam-se esforços de pesquisa e extensão de alguns docentes, como José Guilherme Mariat, Leonor Pacheco, Vera
Amaral, Nelsina Dias, Ana Rita, Elisabete Lins, dentre outros. Na grade curricular, contavam disciplinas e estágios articulados à realidade social, como disciplinas de Saúde Pública, Educação Nutricional, e estágios como ERI – Estágio Rural Integrado (atualmente, denominado ERIP – Estágio Regional Interprofissional). Em muitas pesquisas, havia parceria e algumas contribuições importantes com o curso de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), particularmente liderados pelo professor Malaquias Batista.
Alguns estudantes também se destacavam através de atuações em projetos de extensão, como Emmanuel Falcão (na década de 1980), servirdor da UFPB que criaria na década de 1990 o Programa Interdisciplinar de Ação Comunitária (PIAC) da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PRAC) da UFPB, além de Juliana Oliveira e Vanille Pessoa (final na década de 1990, início dos anos 2000), que – dentre outros – dinamizaram ações no campo da Nutrição no Projeto Educação Popular e Atenção à Saúde da Família (PEPASF).
Apesar destes processos, a organização curricular do Curso demonstrava-se, em boa parte, distante dos problemas sociais que afligiam o Estado, apesar da Paraíba estar convivendo com significativos problemas relacionados à fome, à insegurança alimentar e à miséria.
A inquietação diante de tal situação expressou-se historicamente. Portanto, não era apenas do grupo de estudantes que formou o PINAB. Tampouco começou com esse programa de extensão. Constituia uma inquietação histórica que já estava presente em várias gerações do curso de nutrição da UFPB. Desde que o curso foi criado, há estudantes e docentes de nutrição que se inquietam com o currículo dominante, e que buscam alternativas para ter uma nutrição integrada com a vida e com os problemas da sociedade, especialmente dos setores menos favorecidos social e economicamente.
A UFPB sempre teve várias iniciativas de extensão universitária na perspectiva da Educação Popular, nas quais estudantes de vários cursos se engajavam. Nelas, conheciam outra possibilidade de atuação dos
profissionais de saúde, especialmente aquelas no campo social, junto a realidade das camadas populares. Não se contentavam com aquela atuação da clínica nutricional, ou do tecnicismo. Como referência, apresentavam-se historicamente três experiências, que se construíram em meados da década de 1980: o NAC (Núcleo de Ação Comunitária) no final da década de 1980; o Programa Interdisciplinar de Ação Comunitária (PIAC), desde 1990, e projeto ENEC (Estágio Nacional de Extensão em Comunidades), desde 1999, ambos coordenados por Emmanuel Falcão, assessor de extensão da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PRAC) da UFPB; e o Projeto Educação Popular e Atenção em Saúde da Família, PEPASF, criado pelo professor Eymard Vasconcelos em 1997. Esses foram pioneiros no sentido de reunir estudantes e o movimento estudantil em experiências de extensão no campo da saúde.
Nesses projetos, as ações não se limitavam ao exercício do campo de práticas de uma determinada categoria profissional. Havia, preponderantemente, uma preocupação em desenvolver habilidades e competências interdisciplinares. Para isso, conjugavam ações onde a integração dos vários cursos e dos vários saberes se dedicava à promoção da saúde como um todo. No entanto, cabe ressaltar que muitos estudantes e professores foram, paulatinamente, buscando nesses projetos caminhos para a reorientação de suas práticas profissionais. Para tanto, dedicavam estratégias e realizavam ações próprias de seu núcleo profissional, o que foi dinamizando – particularmente no PEPASF – a inserção de muitos profissionais, professores e estudantes interessados em desvelar caminhos para a reorientação de suas práticas sociais.
No contexto do PEPASF, por exemplo, havia o projeto interdisciplinar maior, que era o próprio PEPASF, mas foram sendo gerados outros projetos, estes com um propósito voltado à aplicação da Educação Popular no âmbito de diferentes atuações profissionais e sociais. Assim, havia o Projeto Fisioterapia na Comunidade, além do Para Além da Psicologia
Clínica Clássica, e o Saúde Bucal na Comunidade. Historicamente, os
estudantes de nutrição, quando participavam destes projetos, não só do PEPASF como do ENEC, se preocupavam bastante sobre como o
nutricionista podia desempenhar uma outra possibilidade de nutrição que não fosse àquela predominante no decorrer do curso. Mas, pela falta de docentes de Nutrição vinculados ao Projeto, os momentos de desenvolver práticas da nutrição restringiam-se às vivências pontuais. Isso inquietava os estudantes, pois se via a psicologia desenvolvendo esse lado da Educação Popular, a odontologia, a fisioterapia, entre outros cursos.
De que maneira era possível encontrar uma prática do Nutricionista na perspectiva da Educação Popular? Buscando resolver essa encruzilhada foi que alguns dos estudantes do PEPASF lideraram a construção de um projeto de extensão em Educação Popular que tivesse a nutrição e o saber do nutricionista como foco.
Esse foi um dos motivos que levou à criação do PINAB, essencialmente pela iniciativa compartilhada de um grupo de estudantes e de uma docente do Departamento de Nutrição.
No que tange a ação estudantil, a origem do PINAB contou, em sua maioria, com ex-participantes do PEPASF, embora houvesse alguns que não estavam em projeto nenhum. O interesse maior era esse: fazer uma ação focada no agir do Nutricionista. Tal interesse, contudo, encontrou sua primeira resistência diante da falta de um professor que acolhesse a proposta. Como qualquer atividade de extensão na universidade, era preciso ter um professor que se responsabilizasse formalmente pelo projeto, para assim oficializá-lo junto à instituição.
Diante de tal situação, inicialmente começamos a fazer atividades alternativas, pois não tinhamos professor orientador. No estágio de nutrição clínica ambulatorial, por exmeplo, era necessário atender na clínica de nutrição do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) para fazer atendimentos. Ao invés disso, propomos realizar tal estágio em uma Unidade de Saúde da Família (USF) no bairro do Cristo Redentor. Como resultado, o estágio foi bem sucedido e os estudantes continuaram indo de forma voluntária atuar naquela unidade.
Todavia, aquele estágio voluntário ainda era pouco para os anseios e desejos daquele grupo de estudantes de nutrição. Queríamos formar um
grupo ancorado em um projeto de extensão, mas a ausência de um docente continuava a travar o processo. Na UFPB todo projeto de extensão tem que ser assinado e coordenado por um técnico ou por um professor. No próprio PEPASF, nós não tínhamos professores do departamento de Nutrição, nem também tínhamos técnicos, então havia falta de referência de um servidor que nos ajudasse a encontrar esses caminhos próprios da nutrição pela Educação Popular. No PEPASF, havia referências de outros cursos da área de saúde, mas não tinha da nutrição.
Felizmente, após seis meses de estágio curricular e de atividades voluntárias nesta Unidade, no segundo semestre de 2006, conhecemos a professora Ana Cláudia Peixoto Vasconcelos, do Departamento de Nutrição. Com ela, emerge outra história fundamental que desaguou na criação do PINAB.
Ana Cláudia estava retornando de Brasília, onde atuou no contexto do primeiro Governo Lula, coordenando a área de Educação Alimentar e Nutricional no Ministério de Desenvolvimento Social em Combate à Fome (MDS). Ao increvermo-nos na disciplina de Educação Nutricional, ministrada por aquela professora, mal sabíamos que havíamos nos encontrado justamente com uma militante que comungava de muitas de nossas inquietações, mesmo que fosse de outra geração. Como docente, Ana ansiava por construir uma experiência de trabalho social a partir da extensão e ver a materialização dos princípios da SAN na realidade.
A disciplina foi um processo bastante rico porque, a medida que nós fomos cursando, fomos estabelecendo um contato cotidiano com a professora e fomos sabendo que ela tinha inquietações muito semelhantes às nossas. Na medida em que organizava as disciplinas com muito debate e compartilhamento de experiências dos discentes, ao longo das aulas Ana propiciou que fôssemos trazendo as experiências do próprio PEPASF e dos demais projetos, ou do estágio voluntário. Foi se criando assim uma identidade.
Ana também buscava encontrar caminhos para poder, enquanto docente, experimentar práticas educativas em Nutrição, que dialogasse com o
campo da SAN e que estivessem ancoradas por princípios como o diálogo, a construção compartilhada, fundamentalmente os princípios da Educação Popular.
Foi então que, aproximando-se o final da disciplina, nós procuramos a professora Ana Cláudia e falamos da nossa ideia de construir um projeto de extensão que tivesse foco para encontrar novos caminhos para a atuação do Nutricionista e que tivesse como âncora fundamental a Educação Popular.
Nessa perspectiva, em dezembro de 2006 criamos um grupo para ir pensando a construção inicial do PINAB. Nessas reuniões, prioritariamente fazíamos tempestades de ideias, no sentido de compartilhar que sonhos, ideias e aventuras passavam pelas nossas cabeças quando a gente pensava uma experiência como essa de extensão popular em Nutrição social. Aos poucos e a cada reunião que fazíamos (em média duas reuniões por mês, num período de três meses), começamos a sair do plano das ideias para deliberar sobre estratégias acerca do que era possível fazer e os primeiros passos que a gente ia dar para construir esse projeto, o qual, na época, ainda não tinha nome.
5.3 – Características do desenho organizativo inicial
No início de 2007, quando iniciamos a construção do PINAB com o grupo de estudantes e uma docente, uma das decisões fundamentais que tomamos foi escolher o território onde atuaríamos, no do bairro do Cristo Redentor, onde alguns de nós estávamos desenvolvendo estágio voluntário em uma USF. Essa escolha se deu, dentre outros fatores, por já haver naquele cenário um diálogo estabelecido com boa parte da equipe de saúde. Havia uma aceitação, desejo, vontade e reciprocidade com os estudantes de nutrição.
O processo de construção seguiu com discussões sobre como seria o desenho e a operacionalização do PINAB. Optamos por delineá-lo a partir de nossa vivência cotidiana naquela realidade. Começamos a visitar o território regularmente no tempo de nosso estágio voluntário e, ainda, conseguimos articular que alguns estudantes fizessem naquele local seus
estágios curriculares de saúde coletiva. Passamos então seis meses apenas vivenciando esse território: conhecendo as pessoas, dialogando, visitando instituições, equipamentos sociais comunitários, dialogando com lideranças, etc. Esse período constituiu de um laboratório, pois tanto eu quanto outros colegas, que estavam dentro desse grupo germinador, íamos para o território comunitário fazer um diagnóstico da realidade local e dos grupos sociais ali existentes. Percorremos o bairro, conhecemos as ruas do território, procuramos os grupos populares e comunitários que lá existiam. Assim, começamos a identificar onde poderiamos atuar.
Ao final de quase seis meses de reconhecimento desse território, entre janeiro e junho de 2007, soubemos que a unidade de saúde na qual estávamos (Jardim Itabaiana II) iria mudar de prédio (pois estava em casa alugada), de modo a ser integrada com outras três equipes em um prédio próprio da prefeitura, no contexto do primeiro mandato de Ricardo Coutinho, na gestão da Prefeitura Municipal de João Pessoa.
Ao saber disso tomamos como primeira providencia fazer reuniões com representantes de todas as equipes de saúde que ali estavam. Nesse momento, não era mais apenas Jardim Itabaiana II, era também Jardim Itabaiana I, Pedra Branca I e Pedra Branca II (essa comunidade atendia o território da comunidade Boa Esperança). A partir desses encontros, pudemos, além de expor os propósitos do que seria o projeto, escutar as demandas dos profissionais de saúde, no sentido de buscar convergências de ações.
Nesse momento, fechamos o desenho do nosso projeto e decidimos qual seria seu nome: PINAB – Práticas Integrais de Nutrição na Atenção Básica. “Práticas” significava o nosso grande anseio de vivências, de ter experiências, iniciativas, oportunidades de vivenciar e praticar; “Integrais” porque a integralidade era um princípio que nos orientava, principalmente no sentido de compreender o ser humano como um todo, evitando compreendê- lo em partes, como uma pessoa só, mas o concebendo como um ser que é