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Kiraz Üretiminde Karşılan Sorunlar

3. DÜNYADA VE TÜRKİYE’DE KİRAZ ÜRETİM VE DIŞ TİCARETİ

4.3. Kiraz Üretiminde Karşılan Sorunlar

Endossamos aqui a ideia de que o diagnóstico na atualidade opera uma função de nomeação para os sujeitos, nomeação essa que pode superar a do nome próprio, “A nomeação diagnóstica pode adquirir tal valência que destitui o nome-próprio da criança, substituído pela identidade social conferida pelo nome da síndrome em que a medicina a localiza [...]” (VORCARO, 2011, p. 228)

O efeito desta nomeação então, não é apenas de conferir uma identidade entre outras para a criança, num caso mais precoce a atribuição de um diagnóstico pode atuar com valor de S1, fixando um destino (CAMPANÁRIO, 2008) Essa operação de nomeação atuaria como

profecia autorelizadora, que no engodo da previsibilidade cientifica, ao antecipar e prever os fatos, na verdade, por sua própria enunciação, está a abrir os caminhos e implantar os alicerces para a realização do previsto. A neutralidade ambicionada pela ciência apenas inverte a leitura da operação que ao prever, na realidade causa.

“Reduzida à orientação do saber médico, a criança perde sua linhagem cultural originária. Nela, decalca-se um nome que, além de anônimo, a classifica como pertencente a outra família: de genealogia médica.” (VORCARO, 2011, p. 219)

Como nome anônimo o diagnóstico massifica em particularidades questões que concernem ao sofrimento singular de cada um, questões próprias de como se organiza e de que forma aquela criança responde ao mal-estar, ao encontro com o Outro, à castração; tanto a forma de resposta da criança a esses encontros conflituosos, quanto as respostas de quem a conduz, do meio parental mais amplamente. A criança filiada à genealogia médica se faz estranhada para a organização familiar:

“A nomeação precoce de um transtorno psiquiátrico pode provocar um deslocamento não apenas da identidade atribuída à criança, mas também desloca a posição dos pais, já que a condição da criança não pode ser reconhecida e nem cuidada por meio do saber parental.” (VORCARO, 2011, p. 227)

Compreendemos que “A função nominativa, tem, para os humanos, um efeito tranquilizador.” (JERUSALINSKY e FENDRIK, 2011, p. 238), por isso o diagnóstico se torna a solução; uma nomeação que apazigua a angústia esparsa ou a condensa em torno da referência do nome de uma psicopatologia, à custa de o sujeito identificar-se, intimamente com essa categoria:

“Na maioria das vezes, em busca de alívio e na luta pela vida, ao submeter- se ao discurso médico, ao ocupar a posição de objeto de investigação médica, o sujeito perde a seu referencial próprio e identifica-se com a própria doença.” (MORETTO, 2001, p. 64)

Essa identificação com a própria doença, como vimos anteriormente, faz parte dos ganhos secundários do sintoma, com a nomeação diagnóstica se alcançaria certas vantagens desde a possibilidade de se valer da categoria diagnóstica para manipular outras situações ou pessoas até a conquista do direito de gratuidade no transporte público11.

Frequentemente ouve-se nos meios de saúde ou em outros ambientes, pessoas que se apresentam ou apresentam os filhos por diagnósticos, mais raramente se diz que se tem tal transtorno ou tal diagnóstico, muitas vezes se usa o verbo ser: “Esse é meu filho, ele é TDAH.” ou “Meu sobrinho é bipolar”, “Acho que ele é Asperge”. Não podemos menosprezar o “dano imaginário” que o diagnóstico produz no “laço social” (VORCARO, 2011, p. 228) o diagnóstico como nome próprio conduz o sujeito ao universo do discurso científico, no qual ele, como objeto, desconhece as ferramentas e as bases desse saber, restando então calar ou se reduzir às poucas palavras mágicas desse discurso com as quais vai se arranjar; hora tamponando a angústia com esses termos e atribuindo seu sofrimento como consequência de tal doença (numa clara inversão, como vimos), horas usando dos termos para correr os trâmites do sintoma, que numa forma incontida reenvia o sofrimento procurando algo mais, mesmo que sejam outros termos.

Consideramos, pois, que este fenômeno em que o diagnóstico adquire o estatuto de um nome próprio, se deve a certa sobreposição nominativa da ciência e do discurso capitalista diante dos demais vínculos sociais, constatamos então que há nas relações afetivas e familiares uma“[...]crescente incapacidade de serem transmissores de alguma experiência. É a perda da capacidade de ser mensageiro para o outro.” (VORCARO, 1999, p. 105) Pois a transmissão, por excelência, só se dá através de um desejo que não seja anônimo (LACAN, 2003, p. 369) Tanto por um desejo que não seja anônimo quanto por um filiação, um pertencimento e uma nomeação não anônimos, contrário à filiação à genealogia médica.

11 Alguns números de CID (código internacional de doenças) garantem a gratuidade de transporte público para a criança “portadora de transtorno” e um acompanhante, esse direito faz com que a família induza a, ou peça por, um diagnóstico que dê essa gratuidade. Além desta manipulação existe o fato de que a criança, ao receber esse benefício, se torna ela própria um cartão de vale transporte para o familiar, fazendo com que a criança, que teria direito a um acompanhante, se torne ela própria, obrigatoriamente acompanhante deste para garantir seu livre acesso ao transporte. Todavia, se esse benefício de transporte não for concedido, em muitos casos, se torna impossível para essa família, aderir ao tratamento, pois os gastos com o transporte seriam um impecílio para vir ao atendimento. Ao invés do adulto conduzir a criança é a criança que é responsável por conduzir o adulto. Sustentada pelo diagnóstico a criança protagoniza silenciosamente a cena o que leva a uma maior aderência e dependência em manter no lugar de adoecida para esta criança.

O nome é como uma mensagem, uma transmissão, uma marca fundamental para uma criança, algo que existe desde antes que ela tenha consciência, que faz parte de sua história; condensado e sobreposição de significantes com os quais se convive, consciente ou inconscientemente, por toda existência. Fixar um diagnóstico na infância, assimilando-o como um nome próprio, um atributo inseparável daquela vida, pode ter consequências desastrosas para um sujeito, se mantendo como a marca de uma degenerescência, de um erro que deve ser concertado para se ser aceito.

“Em última instância o diagnóstico psiquiátrico-psicológico propõe descrever e compreender a realização insistente do que é, na criança, irreconhecível pelo ideal parental e, mais ainda, indicar terapêuticas que, reconduzindo-a à normalidade ou adaptando-a, possam aliviar o mal-estar que a infância produz para o projeto social e, assim, sustenta-lo.” (VORCARO, 2004a, p. 36)

Para sustentar os ideais de um projeto social se crava nos sujeito, em grande medida nas crianças, a marca de um transtorno individual, uma degenerescência particular, que em grande escala transforma todos em doentes como foi falado na primeira seção deste capítulo. O que nos importa aqui, além de questionar a validade desses ideais sociais, é proceder desobstruindo com a escuta o que fica por trás da nomeação diagnóstica e do efeito de adoecimento, pois por mais que o discurso e as categorias médicas sejam solicitados e usados por quem sofre, a conformação não se perpetua, sobrando algo que clama por ser ouvido.

Com isso também “[..] poderíamos dizer que o sintoma é o cartão de visitas com o qual o sujeito apresenta e formula sua demanda.” (MORETTO, 2001, p. 85) e que mesmo fixado na operação diagnóstica pelo saber científico ele, o sujeito, se escutado, revelará as diversas facetas inconscientes que engendram seus sintomas. Apesar de ganhar a valência e o estatuto de um nome próprio não há significante ou signo que represente o sujeito por completo, logo, este nome, pode cair dessa condição identitária, permitindo a proliferação da fala do sujeito.

Benzer Belgeler